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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a10fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ENTREVISTA</font></p>     <p><b><font size="4">As m&uacute;ltiplas formas da intelig&ecirc;ncia</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Geralmente a fama de inteligente vai para quem domina uma partida    de xadrez ou &eacute; capaz de resolver intrincados c&aacute;lculos matem&aacute;ticos.    A &aacute;rea das ci&ecirc;ncias cognitivas, por&eacute;m, identifica em simples    comportamentos rotineiros e at&eacute; autom&aacute;ticos, tamb&eacute;m uma    forma de intelig&ecirc;ncia: &quot;atos banais como um simples bate-papo no    bar ou o preparo de um caf&eacute; s&atilde;o dif&iacute;ceis de serem reproduzidos    por seres artificiais ou de serem apreendidos por modelagens computacionais&quot;.    O cientista Pim Haselager, da Universidade de Nijmegen, em Amsterd&atilde;,    dedica-se a esse assunto desde 1991. Com o apoio de uma bolsa da Fapesp, iniciou    uma pesquisa em parceria com a Unesp de Mar&iacute;lia (SP), onde ficar&aacute;,    em trimestres alternados, at&eacute; o final de 2004. O cientista elogia o alto    n&iacute;vel dos pesquisadores brasileiros e defende a interdisciplinaridade    para a melhor conhecer a cogni&ccedil;&atilde;o humana. </font></p>     <p><font size="3"><i>O que significa, realmente, ser inteligente? </i></font></p>     <p><font size="3"><b>PIM HASELAGER</b> O conceito da intelig&ecirc;ncia    &eacute; muito complicado e tentamos descobrir o que &eacute;. Quando os estudos    sobre ci&ecirc;ncias cognitivas come&ccedil;aram, em meados dos anos 60, pensava-se    em intelig&ecirc;ncia como algo complexo, como resolver problemas matem&aacute;ticos.    Claro que &eacute; um exemplo de um comportamento inteligente, mas tamb&eacute;m    o s&atilde;o as coisas cotidianas e simples, como fazer caf&eacute;. Hoje, quando    se estuda comportamento inteligente das criaturas vivas e artificiais &#91;rob&ocirc;s&#93;,    parece muito mais complicado simular esses atos normais na vida cotidiana. Assim,    para o estudo das ci&ecirc;ncias cognitivas, o conceito de intelig&ecirc;ncia    se expande um pouco.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i>&Eacute; poss&iacute;vel mapear a complexidade das atividades    humanas mentais? </i></font></p>     <p><font size="3">No s&eacute;culo XVII, Descartes dizia que a natureza e o corpo    podem ser explicados de modo mec&acirc;nico, mas a mente n&atilde;o. A ci&ecirc;ncia    cognitiva, por&eacute;m, n&atilde;o aceita essa fronteira. Claro que agora n&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel compreender todos os aspectos da mente, especificamente    os emocionais. A mente tem aspectos diversos e integr&aacute;-los &eacute; muito    dif&iacute;cil. Nossa abordagem interdisciplinar &eacute; impulsionada pelas    perguntas filos&oacute;ficas sobre a natureza da intelig&ecirc;ncia. Mas precisamos,    tamb&eacute;m, de pesquisas cient&iacute;ficas, experimentos psicol&oacute;gicos,    neuroci&ecirc;ncia etc.</font></p>     <p><font size="3"><i>Quantos anos tem esse campo de estudo?</i></font></p>     <p><font size="3">A partir de 1956, come&ccedil;aram a ocorrer confer&ecirc;ncias    importantes sobre o tema. Nos anos 60, houve um grande debate em torno do behaviorismo    e, na d&eacute;cada seguinte, as ci&ecirc;ncias cognitivas tornaram-se uma for&ccedil;a    dominante na &aacute;rea da psicologia e intelig&ecirc;ncia artificial incluindo    mais fortemente a neuroci&ecirc;ncia, mais ou menos nos anos 80. &Eacute; dif&iacute;cil    dizer quando a disciplina come&ccedil;a, mas os primeiros passos foram dados    nessa cronologia. As ci&ecirc;ncias cognitivas t&ecirc;m tido grandes sucessos    que, em contrapartida, geram novas perguntas. </font></p>     <p><font size="3"><i>O estudo da cogni&ccedil;&atilde;o humana auxilia o entendimento    da intelig&ecirc;ncia artificial?</i></font></p>     <p><font size="3">A hist&oacute;ria da intelig&ecirc;ncia artificial &eacute;    muito interessante porque, como eu disse, come&ccedil;amos a procurar entender    mais como resolver problemas: a <i>higher cognition</i>, ou cogni&ccedil;&atilde;o    mais avan&ccedil;ada, como jogar xadrez e a matem&aacute;tica. &Eacute; poss&iacute;vel    criar modelagens que sejam muito boas nessas &aacute;reas isoladas. Isolada    porque um computador que joga xadrez n&atilde;o precisa saber nada sobre outras    coisas e pode ser igual ou melhor ao campe&atilde;o do mundo; mas ele n&atilde;o    precisa saber o sentimento do que &eacute; ganhar ou perder. Entender intelig&ecirc;ncia    normal &eacute; falar com pessoas em um botequim, tomar caf&eacute;, falar sobre    a vida e n&atilde;o jogar xadrez. Estes s&atilde;o aspectos muito mais complicados    para produzir modelagens em intelig&ecirc;ncia artificial. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a10img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3">O qu&atilde;o distante est&aacute; vermos rob&ocirc;s agindo    de acordo com suas pr&oacute;prias vontades? </font></i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A quest&atilde;o &eacute; sempre dif&iacute;cil, porque cada    palavra que voc&ecirc; usa &eacute; uma pergunta. O que &eacute; vontade? &Eacute;    um problema como a intelig&ecirc;ncia. Mas acho que &eacute; poss&iacute;vel    falar de vontade como autonomia. Quando um sistema tem vontades pr&oacute;prias,    ele tem um grau de autonomia.</font></p>     <p><font size="3">Neste sentido, at&eacute; agora pelo menos, fornecemos as metas    para os rob&ocirc;s, mas tentamos criar sistemas que sejam mais aut&ocirc;nomos.    Isso porque queremos compreender mais sobre a nossa autonomia, a nossa vontade.    </font></p>     <p><font size="3"><i>Mas essa &eacute; uma meta a ser atingida?</i></font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; uma meta criarmos criaturas artificiais    que fa&ccedil;am o que elas querem, porque &eacute; perigoso na &aacute;rea    social. Mas queremos saber mais sobre as nossas vontades e nossas capacidades    de ser livre, de criar coisas, de viver e, por isso, criar sistemas com um certo    grau de autonomia, poder&aacute; ajudar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><b><i><font size="3">Germana Barata</font></i></b></p>      ]]></body>
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