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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size=5>A<SMALL>PRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</SMALL></font></p>     <p align="center"><font size=5><b>B<SMALL>IODIVERSIDADE</SMALL>    <br>   H<SMALL>AVER&Aacute; UM MAPA PARA ESTE TESOURO?</SMALL></b></font></p>     <p align="center"><b><font size="3">Regina Pekelmann Markus e Miguel Trefaut Rodrigues    </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3">&quot;Diversidade biol&oacute;gica&quot; significa    a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre    outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aqu&aacute;ticos    e os complexos ecol&oacute;gicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade    dentro de esp&eacute;cies, entre esp&eacute;cies e de ecossistemas. (Artigo    2 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O Brasil, pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais, sabidamente    possui uma enorme biodiversidade, sendo definida como a maior do planeta. Possuir    muito, e de diferentes fontes, ecoa aos nossos sentidos como ter &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o,    ao alcance de todos, um grande tesouro. No entanto, todos sabemos que um grande    tesouro escondido em locais inacess&iacute;veis, ou mesmo localizado sob os    nossos olhos, sem que tenhamos possibilidade de enxerg&aacute;-lo, significa    um grande sonho.... e sonhos n&atilde;o costumam tornar-se realidade... podem    at&eacute; evoluir para pesadelos...</font></p>     <p><font size="3">Assim, fica evidente que o conhecimento cient&iacute;fico, embasado    em fatos, &eacute; essencial para dar suporte a hip&oacute;teses que gerem projetos    que permitam expandir esses conhecimentos e servir de partida para projetos    que permitam a aplica&ccedil;&atilde;o racional e sustentada dessa riqueza.    Todos sabem que a pior atitude &eacute; &quot;...matar a galinha dos ovos de    ouro...&quot;. Portanto, precisamos saber de onde v&ecirc;m os ovos, e como    cuidar da galinha e faz&ecirc;-la reproduzir para que possamos transmitir essa    riqueza como heran&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="3">Com o objetivo de dar subs&iacute;dios concretos para que o    Brasil possa usufruir de sua biodiversidade, na nossa e nas futuras gera&ccedil;&otilde;es    e para que leis que t&ecirc;m como objetivo prim&aacute;rio proteger, n&atilde;o    sejam impeditivas a ponto de penalizar os que buscam entender como esses &quot;ovos    de ouro&quot; s&atilde;o gerados, especialistas de diferentes &aacute;reas reunidos    neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> exp&otilde;em    os seus dados e opini&otilde;es. Este n&uacute;mero servir&aacute; para sinalizar    e fomentar o debate do tema dentro da SBPC e da sociedade cient&iacute;fica    para que esta possa se posicionar de forma organizada frente aos desafios da    busca e da aplica&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel desses conhecimentos.    Somente assim poderemos planejar e executar pol&iacute;ticas norteadoras que    n&atilde;o tragam no bojo impedimentos ao crescimento sustentado da na&ccedil;&atilde;o    e ao estudo do Brasil pelos brasileiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na organiza&ccedil;&atilde;o deste n&uacute;cleo procuramos    inicialmente responder &agrave; pergunta b&aacute;sica, &quot;O que sabemos    sobre nosso acervo biol&oacute;gico?&quot;. A import&acirc;ncia das cole&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas, do descobrir, descrever e inventariar a diversidade das    esp&eacute;cies &eacute; destacado pelas pesquisadoras da &aacute;rea de Bot&acirc;nica    – Ariane Luna Peixoto (UFRRJ) e Jardim Bot&acirc;nico - RJ)) e Marli Pires Morim    (Jardim Bot&acirc;nico - RJ)e pelos zo&oacute;logos Hussam Zaher (Museu de Zoologia    da USP) e Paulo S. Young (Museu Nacional da UFRJ). Vanderley Canhos (Cria -    Centro de Refer&ecirc;ncia em Informa&ccedil;&atilde;o Ambiental) faz o mesmo    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es de microorganismos.    Como exp&otilde;em os pesquisadores, o problema n&atilde;o &eacute; s&oacute;    inventariar, mas tamb&eacute;m tornar dispon&iacute;veis e utilizar as informa&ccedil;&otilde;es    fabulosas que esse valioso patrim&ocirc;nio encerra. Neste contexto, tamb&eacute;m    est&aacute; inclu&iacute;do o texto de Guita Grin Debbert (Unicamp), onde &eacute;    discutida a &eacute;tica dentro da pesquisa cient&iacute;fica, com uma importante    &ecirc;nfase na antropologia. A recontextualiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    e sua utiliza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m que ser debatidas quando encaramos    a grande diversidade do territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p><font size="3">A exist&ecirc;ncia dessa enorme biodiversidade tem implica&ccedil;&otilde;es    diretas para a sa&uacute;de humana e animal? Esta importante pergunta &eacute;    avaliada, quanto &agrave; sa&uacute;de animal, no artigo de Jos&eacute; Luiz    Cat&atilde;o-Dias (USP) sobre a relev&acirc;ncia do conhecimento sobre doen&ccedil;as    infecciosas de animais silvestres para a prote&ccedil;&atilde;o de nosso patrim&ocirc;nio    biol&oacute;gico e como quest&atilde;o central para nosso futuro bem estar.    Para conservar &eacute; preciso conhecer.</font></p>     <p><font size="3">Como o homem pode utilizar esses conhecimentos. &Eacute; sobre    esta &oacute;ptica que os pesquisadores Elaine Elizabetsky (UFRGS) e Jo&atilde;o    Batista Calixto (UFSC) escrevem seus artigos. O primeiro versando sobre a Etnofarmacologia,    ou seja, &quot;a explora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica interdisciplinar    dos agentes biologicamente ativos, tradicionalmente empregados ou observados    pelo homem&quot; e o segundo avaliando as possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o    de fitoter&aacute;picos e f&aacute;rmacos derivados de produtos nacionais. Neste    artigo s&atilde;o apontadas dire&ccedil;&otilde;es e metas que permitam ao Brasil    usar o seu parque cient&iacute;fico para esse desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="3">Finalmente, vem a quest&atilde;o de como usufruir das informa&ccedil;&otilde;es    obtidas, como regulamentar a sua utiliza&ccedil;&atilde;o e como, de forma organizada,    congregar cientistas com diferentes capacita&ccedil;&otilde;es sob um projeto    comum. Gostar&iacute;amos de ter inclu&iacute;do um texto sobre o problema da    biopirataria, diretamente relacionado ao tema da biodiversidade e t&atilde;o    em moda, mas a limita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o e a profundidade de    tratamento que requer n&atilde;o nos permitiram faz&ecirc;-lo. </font></p>     <p><font size="3">S&atilde;o descritos dois projetos em andamento. O primeiro    chamado de &quot;Mem&oacute;ria Naturalis&quot;, assinado por Leandro O. Salles    (Museu Nacional - RJ), Peter Mann de Toledo (Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi)    e Marcos Tavares (Museu de Zoologia da USP) que pretende viabilizar a forma&ccedil;&atilde;o    de uma rede informatizada dos acervos das cole&ccedil;&otilde;es nacionais.    Os pesquisadores contam os passos que, iniciados sob a &eacute;gide do MCT em    reuni&atilde;o realizada em 2002, resultaram na carta de Bras&iacute;lia e permitir&atilde;o    ao Brasil unir as diferentes cole&ccedil;&otilde;es e facilitar o seu acesso    e estudo. Saber qual &eacute; e aonde est&aacute; nosso acervo biol&oacute;gico    &eacute; uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica para o pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Em outro artigo que mostra a relev&acirc;ncia do trabalho multidisciplinar,    Carlos Alberto Joly (Unicamp) e &Eacute;rica Speglich (Cria) relatam a hist&oacute;ria    e o sucesso do projeto Biota/Fapesp que nasceu de uma vontade da comunidade    paulista e permitiu a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de projetos e a organiza&ccedil;&atilde;o    dos pesquisadores envolvidos no desvendar da biodiversidade do estado. No artigo,    os pesquisadores n&atilde;o s&oacute; relatam o projeto em si, mas fornecem    os endere&ccedil;os j&aacute; dispon&iacute;veis para consulta.</font></p>     <p><font size="3">Ainda dentro do t&oacute;pico de gerenciamento, &eacute; muito    importante que seja entendida a complexa legisla&ccedil;&atilde;o gerada sobre    o assunto, e qual a rela&ccedil;&atilde;o da mesma com as atividades de pesquisa    cient&iacute;fica. &Eacute; importante que o pa&iacute;s tenha uma legisla&ccedil;&atilde;o    pr&oacute;pria que permita salvaguardar suas riquezas, mas a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o    e o desconhecimento fazem com que qualquer riqueza seja in&oacute;cua. Este    assunto &eacute; tratado por Walter Colli (USP) que fez um importante levantamento    das leis, portarias e outros instrumentos legais que versam sobre o tema. O    cotejamento destas com a pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o brasileira    busca dar uma perspectiva que admita a busca do conhecimento de forma continuada    e progressiva, sem deixar de lado, sua possibilidade de explora&ccedil;&atilde;o    e a necessidade da conserva&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, como pode    ser legislada a explora&ccedil;&atilde;o sustentada de nossas riquezas. O &uacute;ltimo    artigo versa diretamente sobre o gerenciamento de projetos que possam direcionar    o esfor&ccedil;o de cientistas de diferentes &aacute;reas para a coloca&ccedil;&atilde;o    de produtos no mercado. Este &eacute; o t&oacute;pico tratado por Miguel Trefaut    Rodrigues (USP), onde s&atilde;o analisadas as formas de execu&ccedil;&atilde;o    e s&atilde;o exemplificados modelos que poderiam contribuir para colher os nossos    &quot;ovos de ouro&quot;, n&atilde;o s&oacute; mantendo a galinha, mas tamb&eacute;m    gerando descend&ecirc;ncia para que a biodiversidade brasileira seja algo mais    que hist&oacute;ria para os nossos filhos e netos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3"><b>Regina Pekelmann Markus e Miguel Trefaut Rodrigues </b>-    Instituto de Bioci&ecirc;ncias - USP</font></i></p>      ]]></body>
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