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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a17img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A<small>S COLE&Ccedil;&Otilde;ES ZOOL&Oacute;GICAS BRASILEIRAS:    PANORAMA E DESAFIOS</small></b></font></p>     <p><b><font size="3">Hussam Zaher    <br>   Paulo S.Young</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3">s museus de hist&oacute;ria natural    t&ecirc;m como fun&ccedil;&atilde;o principal armazenar, preservar e ordenar    o acervo de esp&eacute;cimes representando a diversidade biol&oacute;gica de    organismos (f&oacute;sseis e atuais) que povoaram o planeta at&eacute; os dias    de hoje. Esta diversidade n&atilde;o foi constante durante os 600 milh&otilde;es    de anos que constituem a hist&oacute;ria da vida na Terra, e apresentou epis&oacute;dios    dram&aacute;ticos de extin&ccedil;&atilde;o e recomposi&ccedil;&atilde;o faun&iacute;sticas    percept&iacute;veis atrav&eacute;s do registro f&oacute;ssil. Durante estes    &quot;pulsos&quot; de retra&ccedil;&atilde;o e de expans&atilde;o da vida terrestre,    sucederam-se milhares de linhagens de seres cujo testemunho f&oacute;ssil constitui    a &uacute;nica prova da sua exist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">A <i>biodiversidade</i> que conhecemos hoje em dia representa    apenas uma pequena parcela desta diversidade pret&eacute;rita. Mesmo assim,    ainda n&atilde;o fazemos id&eacute;ia do n&uacute;mero de organismos que habita    a Terra (1). Estima-se que devam existir de 10 a 100 milh&otilde;es de esp&eacute;cies.    Os cientistas descreveram at&eacute; hoje 1,7 milh&atilde;o de esp&eacute;cies,    uma &iacute;nfima fra&ccedil;&atilde;o de toda a diversidade estimada, e continuam    descobrindo diariamente esp&eacute;cies novas em todas as partes do mundo. O    simples confronto desses dois n&uacute;meros fornece a dimens&atilde;o do desafio    lan&ccedil;ado aos pesquisadores que tratam de mapear a biodiversidade.</font></p>     <p><font size="3">O termo <i>biodiversidade</i> carrega uma no&ccedil;&atilde;o    eminentemente hist&oacute;rica e evolutiva. Entretanto, o aprimoramento dos    conceitos sobre os mecanismos biol&oacute;gicos ligados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    desta biodiversidade foi vagaroso e seguiu o passo do descobrimento de novos    continentes e de seus biomas. At&eacute; o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX,    exemplares de plantas e animais eram coletados por aventureiros e comerciantes,    ao longo de suas viagens pelo mundo, e enviados aos centros europeus para alimentarem    os gabinetes de curiosidades que estimulavam o imagin&aacute;rio da nobreza.    Alguns dos gabinetes formaram, ent&atilde;o, os embri&otilde;es do que viriam    a ser grandes cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas europ&eacute;ias, como    por exemplo o Museu de Hist&oacute;ria Natural de Paris.</font></p>     <p><font size="3">No decorrer do s&eacute;culo XIX, o conhecimento acerca da biodiversidade    planet&aacute;ria expandiu-se significativamente, gra&ccedil;as &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o    do com&eacute;rcio mar&iacute;timo e das rotas de navega&ccedil;&atilde;o entre    o Novo e o Velho Mundo. Nessa &eacute;poca de ouro da Zoologia, os museus de    hist&oacute;ria natural j&aacute; haviam conquistado um papel preponderante    nas ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas como centros de estudo da biodiversidade.    A associa&ccedil;&atilde;o feita entre os museus de hist&oacute;ria natural    e o estudo da biodiversidade n&atilde;o parou de se estreitar e se fortalecer    no decorrer dos anos. Da mesma forma, a pesquisa em sistem&aacute;tica, que    trata dessas cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, passou a representar    a espinha dorsal do conhecimento em biodiversidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>POR QUE FORMAR E MANTER COLE&Ccedil;&Otilde;ES ZOOL&Oacute;GICAS?    </b>A import&acirc;ncia das cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, mantidas    especialmente nos museus de hist&oacute;ria natural, &eacute; ineg&aacute;vel.    Existem cole&ccedil;&otilde;es de hist&oacute;ria natural em quase todos os    pa&iacute;ses do mundo em que as ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas s&atilde;o    consideradas de primeira import&acirc;ncia para o desenvolvimento social. Algumas    dessas cole&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de abrang&ecirc;ncia mundial, abrigam    dezenas de milh&otilde;es de exemplares e t&ecirc;m um fluxo de visita&ccedil;&atilde;o    ininterrupto de biologistas, ambientalistas e outros pesquisadores que necessitam    consultar o seu acervo. As cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas constituem,    de fato, uma fonte crucial de informa&ccedil;&atilde;o para todos os que, por    sua atividade, t&ecirc;m contato com seres vivos. Isto envolve &aacute;reas    estrat&eacute;gicas de atua&ccedil;&atilde;o governamental, como a gest&atilde;o    do meio ambiente, a pesquisa agron&ocirc;mica, m&eacute;dica ou farmac&ecirc;utica    que, por sua vez, tem implica&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias em todos os n&iacute;veis    da sociedade.</font></p>     <p><font size="3">As cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas brasileiras constituem    um acervo inesgot&aacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o essencial que dever&aacute;,    no futuro, propiciar descobertas importantes ainda fora do alcance tecnol&oacute;gico    desta gera&ccedil;&atilde;o. Com o advento da revolu&ccedil;&atilde;o molecular,    elas passaram a representar bancos gen&eacute;ticos onde podem ser armazenadas    al&iacute;quotas de tecidos, imprescind&iacute;veis aos estudos de biologia    molecular e biotecnologia.</font></p>     <p><font size="3">As cole&ccedil;&otilde;es representam tamb&eacute;m uma heran&ccedil;a    cultural; um testemunho da rica hist&oacute;ria do descobrimento e da expans&atilde;o    da sociedade brasileira em seu territ&oacute;rio nacional. &Eacute; nas cole&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas que encontramos representantes da fauna j&aacute; extinta,    que habitou um dia os ecossistemas alterados de forma irrevers&iacute;vel pela    a&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica. Neste sentido, as cole&ccedil;&otilde;es    constituem uma base de dados essencial para os estudos de caracteriza&ccedil;&atilde;o    e impacto ambiental. </font></p>     <p><font size="3">Por fim, as cole&ccedil;&otilde;es s&atilde;o empregadas efetivamente    na forma&ccedil;&atilde;o de diversos profissionais cada vez mais qualificados    a enfrentar os desafios do desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a17img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>PANORAMA GERAL DAS COLE&Ccedil;&Otilde;ES ZOOL&Oacute;GICAS    BRASILEIRAS </b>O Brasil ganhou a sua primeira cole&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica gra&ccedil;as &agrave; iniciativa do imperador Dom Jo&atilde;o    VI, que fundou, em 1818, a Casa dos P&aacute;ssaros, institui&ccedil;&atilde;o    que deu origem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Posteriormente, em 1866    e 1886, foram criadas as cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas do Museu    Paraense Em&iacute;lio Goeldi e do Museu de Zoologia da Universidade de S&atilde;o    Paulo, respectivamente. Hoje, estas tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es abrigam    o maior acervo da nossa diversidade biol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="3">No decorrer do s&eacute;culo XX, e paralelamente a esses grandes    centros, diversas outras institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas constitu&iacute;ram    cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas regionais que passaram a formar uma    rede com propor&ccedil;&otilde;es e representatividade ainda mal estimadas.    As primeiras avalia&ccedil;&otilde;es sugerem que haja cerca de 26 milh&otilde;es    de esp&eacute;cimes depositados em cole&ccedil;&otilde;es brasileiras, sendo,    sem sombra de d&uacute;vida, o maior acervo do mundo sobre a regi&atilde;o neotropical.    Entretanto, a falta hist&oacute;rica de iniciativa na manuten&ccedil;&atilde;o    de um cadastro nacional de cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas dificulta    sobremaneira a elabora&ccedil;&atilde;o de um panorama efetivo sobre a situa&ccedil;&atilde;o    atual dessas cole&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3">Para alguns grupos de invertebrados, o n&uacute;mero de esp&eacute;cies    conhecidas no territ&oacute;rio nacional p&ocirc;de ser apenas inferido devido    &agrave; falta de estudos taxon&ocirc;micos abrangentes que incluam listagens    e cat&aacute;logos de esp&eacute;cies. Este &eacute; o caso dos platelmintos,    nemat&oacute;deos e insetos. (2)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A diversidade de insetos presente no territ&oacute;rio nacional    &eacute; estimada entre 91 mil e 126 mil esp&eacute;cies. Considerando o n&uacute;mero    de esp&eacute;cies ainda n&atilde;o descritas que aguardam nas gavetas das nossas    cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e as enormes lacunas de amostragem    na maioria dos biomas brasileiros, podemos considerar que o n&uacute;mero real    de insetos que habitam o territ&oacute;rio nacional deve ser dez vezes maior.    As cole&ccedil;&otilde;es brasileiras abrigam somente uma p&aacute;lida representa&ccedil;&atilde;o    desta biodiversidade. &Eacute; tamb&eacute;m nesse grupo que se torna mais evidente    a escassez de especialistas atuantes no Brasil, refor&ccedil;ando a impress&atilde;o    de que dificilmente conseguiremos chegar a um quadro de conhecimento adequado    acerca da nossa diversidade de insetos.</font></p>     <p><font size="3">Os demais grupos de invertebrados abrangem uma grande variedade    de formas, incluindo linhagens bem diversificadas como a dos aracn&iacute;deos    ou pouco conhecidas como a dos nematomorfas. Da mesma forma, a representatividade    desses grupos nas cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas brasileiras &eacute;    extremamente desigual. Como no caso dos insetos, parte do problema se deve &agrave;    falta de especialistas para esses grupos. Outras raz&otilde;es que ajudam a    acentuar a disparidade s&atilde;o a raridade do grupo em quest&atilde;o na natureza    ou os seus h&aacute;bitos de vida extremamente especializados e restritivos.    Muitos grupos s&atilde;o sazonais e aparecem &agrave; vista do coletor somente    durante curtos espa&ccedil;os de tempo, outros t&ecirc;m &aacute;reas de distribui&ccedil;&atilde;o    de apenas alguns metros quadrados. Todos esses par&acirc;metros devem ser levados    em conta em uma &aacute;rea de estudo que se estende por todo o territ&oacute;rio    brasileiro. Em muitos casos, o ato da coleta cient&iacute;fica se resume em    procurar uma agulha em um palheiro, e o sucesso da opera&ccedil;&atilde;o depende    necessariamente da experi&ecirc;ncia do coletor. Por fim, os entraves burocr&aacute;ticos    &agrave;s coletas cient&iacute;ficas, fomentados por uma legisla&ccedil;&atilde;o    pouco atenta &agrave;s reinvidica&ccedil;&otilde;es da comunidade cient&iacute;fica    e &agrave; realidade do trabalho de campo, carregam uma parcela significativa    da culpa por constitu&iacute;rem um empecilho s&eacute;rio ao desenvolvimento    da &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="3">O grupo dos vertebrados &eacute; o mais bem representado nas    cole&ccedil;&otilde;es brasileiras e do mundo. Para citar um exemplo, o Museu    de Zoologia da USP abriga uma cole&ccedil;&atilde;o de anf&iacute;bios e r&eacute;pteis    com mais de 230 mil exemplares, uma das dez maiores do mundo. Mesmo assim, apesar    do enorme volume de conhecimento produzido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    ainda existem importantes lacunas acerca dos vertebrados brasileiros. No decorrer    dos &uacute;ltimos 15 anos, foram descritas em m&eacute;dia, por ano, uma esp&eacute;cie    de mam&iacute;fero, uma de aves, tr&ecirc;s de r&eacute;pteis, seis de anf&iacute;bios    e 18 de peixes. A taxa constante de descoberta de novas esp&eacute;cies se deve    ao aumento significativo das cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas brasileiras    e ao crescente n&uacute;mero de especialistas atuando no Brasil. Por outro lado,    os mesmos dados apontam para a necessidade de maiores investimentos na &aacute;rea    no intuito de viabilizar a elabora&ccedil;&atilde;o de um quadro mais est&aacute;vel,    em m&eacute;dio prazo, sobre a biodiversidade dos vertebrados brasileiros. </font></p>     <p><font size="3">Indubitavelmente, o Brasil apresenta uma tradi&ccedil;&atilde;o    j&aacute; secular e bem arraigada em zoologia, o que o distingue da maioria    dos pa&iacute;ses latino-americanos. Os seus principais museus de hist&oacute;ria    natural s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es de renome internacional. Entretanto,    o desafio lan&ccedil;ado pela megadiversidade presente no nosso territ&oacute;rio    &eacute; grande e os meios empregados at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o est&atilde;o    &agrave; sua altura. Se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o a velocidade    da degrada&ccedil;&atilde;o da maioria dos ecossistemas, provavelmente muita    da diversidade que restou ser&aacute; invariavelmente perdida antes mesmo que    possamos conhec&ecirc;-la.</font></p>     <p><font size="3"><b>DIFICULDADES ENCONTRADAS NA MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DAS    COLE&Ccedil;&Otilde;ES ZOOL&Oacute;GICAS BRASILEIRAS</b> Com exce&ccedil;&atilde;o    de alguns apoios financeiros espor&aacute;dicos conhecidos, nunca houve, por    parte dos organismos de fomento, uma pol&iacute;tica de longo prazo de forma&ccedil;&atilde;o    e manuten&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas no Brasil.    A maioria das cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas brasileiras foi erguida    atrav&eacute;s do esfor&ccedil;o isolado de um ou alguns pesquisadores e institui&ccedil;&otilde;es,    impelidos pela necessidade de criar fontes essenciais de consulta e informa&ccedil;&atilde;o.    Entretanto, muitas destas cole&ccedil;&otilde;es encontram-se alocadas em institui&ccedil;&otilde;es    onde os pesquisadores t&ecirc;m dificuldade em obter os recursos necess&aacute;rios    para arcar com os altos custos de manuten&ccedil;&atilde;o, principalmente quando    se trata de institui&ccedil;&atilde;o do nordeste e do centro-oeste do Brasil.</font></p>     <p><font size="3">O resultado decorrente da falta de orienta&ccedil;&atilde;o    por parte dos organismos federais pode ser constatado na aus&ecirc;ncia de padroniza&ccedil;&atilde;o    dos acervos e de compromisso institucional em longo prazo. A falta de compromisso    institucional passa a representar uma amea&ccedil;a real &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es    regionais que, ao longo do tempo e ap&oacute;s a morte ou aposentadoria do pesquisador    respons&aacute;vel, s&atilde;o eventualmente descartadas por motivos imediatistas.    Isto tamb&eacute;m pode acontecer com institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa    de grande porte que passam repentinamente por profunda reforma em sua filosofia    de trabalho, motivada por um administrador alheio &agrave;s quest&otilde;es    de curadoria. Entretanto, esse problema pode ser facilmente contornado atrav&eacute;s    da implanta&ccedil;&atilde;o de mecanismos que criem de forma efetiva um compromisso    formal de manuten&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos acervos por    parte das institui&ccedil;&otilde;es mantenedoras de cole&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas. A iniciativa do CGEN em cadastrar todas as institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas que desejam ser fi&eacute;is deposit&aacute;rias do patrim&ocirc;nio    gen&eacute;tico nacional &eacute; um esfor&ccedil;o salutar nesta dire&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Agora sabemos que a nossa sobreviv&ecirc;ncia    depende da implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que levem, em curto    prazo, ao desenvolvimento sustentado atrav&eacute;s da prote&ccedil;&atilde;o    e manuten&ccedil;&atilde;o do nosso patrim&ocirc;nio natural. Entretanto, a    aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas ambientais bem sucedidas depende    fundamentalmente de uma base s&oacute;lida de informa&ccedil;&atilde;o acerca    da biodiversidade local e de sua rela&ccedil;&atilde;o com o ambiente. Essa    base &eacute; formada essencialmente pelas cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,    que oferecem um panorama geogr&aacute;fico e temporal abrangente dificilmente    alcan&ccedil;ado por qualquer tipo de estudo pontual. Por essa raz&atilde;o    o esfor&ccedil;o de coleta deve ser cont&iacute;nuo, no intuito de preservarmos    nos museus testemunhos desta biodiversidade ainda largamente inexplorada, e    preencher a enorme lacuna de informa&ccedil;&atilde;o acerca das esp&eacute;cies    existentes no nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3">O pr&oacute;prio controle do acesso e uso do patrim&ocirc;nio    gen&eacute;tico brasileiro depende da finaliza&ccedil;&atilde;o da fase, incontorn&aacute;vel,    de invent&aacute;rio ou mapeamento dos organismos presentes no territ&oacute;rio    nacional. Sem este <i>blue-print</i> da nossa biodiversidade, n&atilde;o haver&aacute;    meios poss&iacute;veis de controle racional por parte do governo e de seus in&uacute;meros    &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o (CGEN, Ibama, institutos    florestais, pol&iacute;cia alfandeg&aacute;ria, fiscais do Minist&eacute;rio    da Agricultura etc.).</font></p>     <p><font size="3">A implanta&ccedil;&atilde;o, em car&aacute;ter emergencial,    de uma pol&iacute;tica federal eficiente de manuten&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o    das cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas nacionais e regionais, constitui    uma meta essencial na busca da nossa autonomia intelectual em &aacute;reas estrat&eacute;gicas    como a biotecnologia bem como na constru&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento    sustentado da na&ccedil;&atilde;o. As cole&ccedil;&otilde;es zool&oacute;gicas    s&atilde;o um patrim&ocirc;nio inestim&aacute;vel da na&ccedil;&atilde;o e sua    manuten&ccedil;&atilde;o &eacute; de nossa responsabilidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Hussam Zaher </b>&eacute; professor    doutor e curador da Cole&ccedil;&atilde;o de Herpetologia do Museu de Zoologia    da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).    <br>   <b>Paulo S. Young </b>&eacute; professor doutor e curador da Cole&ccedil;&atilde;o    de Invertebrados do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro    (UFRJ).</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. May, R. M. Phil. Trans. R. Soc. Lond. B 345, 13-20. 1994.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Lewinsohn, T. M., Prado, P. I. <i>Biodiversidade brasileira:    s&iacute;ntese do estado atual do conhecimento</i>. S&atilde;o Paulo:Editora    Contexto, 2002.</font> ]]></body><back>
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