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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Centros de recursos biológicos: suporte ao desenvolvimento científico e inovação tecnológica]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA)  ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a18img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>C<small>ENTROS DE </small>R<small>ECURSOS </small>B<small>IOL&Oacute;GICOS:    SUPORTE AO DESENVOLVIMENTO CIENT&Iacute;FICO E INOVA&Ccedil;&Atilde;O TECNOL&Oacute;GICA</small></b></font></p>     <p><b><font size="3">Vanderlei Perez Canhos</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>COLE&Ccedil;&Otilde;ES MICROBIOL&Oacute;GICAS EX-SITU</b>    Microrganismos e material biol&oacute;gico t&ecirc;m sido historicamente preservados    e distribu&iacute;dos por cole&ccedil;&otilde;es de culturas de microrganismos,    bancos de sementes e reposit&oacute;rios de tecidos de c&eacute;lulas humanas    e animais. Os diferentes tipos de cole&ccedil;&otilde;es, sejam elas de trabalho,    institucionais ou de servi&ccedil;o, t&ecirc;m uma import&acirc;ncia destacada    na conserva&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o da diversidade gen&eacute;tica    e metab&oacute;lica de microrganismos e culturas de tecidos de c&eacute;lulas.    O material biol&oacute;gico destas cole&ccedil;&otilde;es &eacute; mat&eacute;ria-prima    para a obten&ccedil;&atilde;o dos mais variados produtos biotecnol&oacute;gicos    incluindo f&aacute;rmacos, alimentos, bebidas alco&oacute;licas e &aacute;cidos    org&acirc;nicos. S&atilde;o tamb&eacute;m utilizados na biorremedia&ccedil;&atilde;o    de res&iacute;duos industriais e no tratamento de esgotos dom&eacute;sticos.    Na agricultura, os microrganismos s&atilde;o importantes na fixa&ccedil;&atilde;o    biol&oacute;gica de nitrog&ecirc;nio e no controle biol&oacute;gico de pragas.    Culturas puras obtidas de cole&ccedil;&otilde;es de refer&ecirc;ncia s&atilde;o    utilizadas em atividades de ensino, estudos taxon&ocirc;micos, identifica&ccedil;&atilde;o    de pat&oacute;genos e testes de controle de qualidade de produtos e materiais    (1). Portanto, o material biol&oacute;gico conservado por m&eacute;todos adequados    em cole&ccedil;&otilde;es de culturas tem uma ampla gama de aplica&ccedil;&otilde;es    nas &aacute;reas de sa&uacute;de, agropecu&aacute;ria, ind&uacute;stria e meio    ambiente. A estimativa do mercado global para produtos derivados de recursos    gen&eacute;ticos nas &aacute;reas de f&aacute;rmacos, fitof&aacute;rmacos, agricultura    e outras aplica&ccedil;&otilde;es biotecnol&oacute;gicas situa-se na faixa de    US$ 500 a US$ 800 bilh&otilde;es por ano (2). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a18img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>EVOLU&Ccedil;&Atilde;O DAS COLE&Ccedil;&Otilde;ES DE SERVI&Ccedil;O</b>    Cole&ccedil;&otilde;es microbiol&oacute;gicas <i>ex-situ</i> podem ser classificadas    como cole&ccedil;&otilde;es de trabalho, cole&ccedil;&otilde;es institucionais    ou cole&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o. Como infra-estrutura fundamental    na conserva&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de recursos gen&eacute;ticos,    com a finalidade de pesquisa e desenvolvimento, as cole&ccedil;&otilde;es de    servi&ccedil;o merecem aten&ccedil;&atilde;o especial e contam com financiamento    de longo termo em pa&iacute;ses industrializados. A primeira cole&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;o que se tem registro, &eacute; a Cole&ccedil;&atilde;o Kral,    estabelecida em Praga, em 1890, com a finalidade de fornecer culturas puras    para estudos comparativos e identifica&ccedil;&atilde;o de bact&eacute;rias    patog&ecirc;nicas. No in&iacute;cio do s&eacute;culo 20, outras cole&ccedil;&otilde;es    de servi&ccedil;o foram estabelecidas na Europa, Estados Unidos e Jap&atilde;o,    com a finalidade b&aacute;sica de conservar e fornecer material de refer&ecirc;ncia    para estudos taxon&ocirc;micos. Estas cole&ccedil;&otilde;es passaram por um    cont&iacute;nuo processo de evolu&ccedil;&atilde;o, visando atender demandas    especializadas decorrentes do avan&ccedil;os na microbiologia industrial (d&eacute;cada    de 60), biotecnologia (d&eacute;cada de 80) e engenharia gen&eacute;tica e gen&ocirc;mica    (d&eacute;cada de 90). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Existem cerca de 470 cole&ccedil;&otilde;es de culturas de microrganismos    e c&eacute;lulas registradas no Centro Internacional de Dados da Federa&ccedil;&atilde;o    Mundial de Cole&ccedil;&otilde;es de Culturas (3). Destas, cerca de 20 cole&ccedil;&otilde;es    abrangentes podem ser enquadradas como cole&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o    e contam com forte respaldo governamental. As demais, cerca de 450, s&atilde;o    classificadas como cole&ccedil;&otilde;es especializadas de trabalho ou cole&ccedil;&otilde;es    institucionais de acesso restrito. Embora valiosas, essas cole&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o contam com o respaldo necess&aacute;rio para assegurar a sua perenidade,    sendo normalmente mantidas pelo esfor&ccedil;o individual de pesquisadores.    </font></p>     <p><font size="3">A consolida&ccedil;&atilde;o das principais cole&ccedil;&otilde;es    internacionais como infra-estrutura para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    ocorreu nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas. O mesmo n&atilde;o ocorreu com    as cole&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses em desenvolvimento, em fun&ccedil;&atilde;o    da aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas adequadas para o setor, recursos limitados    e falta de demanda industrial qualificada.</font></p>     <p><font size="3"><b>A MUDAN&Ccedil;A DE PARADIGMA</b> Na &uacute;ltima d&eacute;cada,    mudan&ccedil;as profundas de cunho pol&iacute;tico, regulat&oacute;rio e tecnol&oacute;gico    afetaram a forma de opera&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o    de interesse biotecnol&oacute;gico, criando novos desafios que devem ser superados.    Entre os desafios a serem vencidos, destaca-se a necessidade de desenvolvimento    de capacidade institucional (infra-estrutura e recursos humanos) que garanta    o dep&oacute;sito de material biol&oacute;gico em cole&ccedil;&otilde;es nacionais,    de acordo com as regras estabelecidas na Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade    Biol&oacute;gica (CDB). No Brasil, &eacute; urgente a necessidade de se equacionar    problemas de infraestrutura para dep&oacute;sito de material biol&oacute;gico    associado ao acesso monitorado, conforme Medida Provis&oacute;ria n&deg; 2.186-16,    de 2001, que disp&otilde;e sobre o acesso e remessa de material biol&oacute;gico    e reparti&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios advindos do uso dos recursos    gen&eacute;ticos.</font></p>     <p><font size="3">Outro problema a ser equacionado &eacute; o credenciamento e    implanta&ccedil;&atilde;o de centros deposit&aacute;rios de material biol&oacute;gico    associado a processos de patentes, de acordo com a Lei de Propriedade Industrial    vigente no pa&iacute;s. N&atilde;o existe, at&eacute; o momento, nenhuma autoridade    deposit&aacute;ria de material biol&oacute;gico para fins patent&aacute;rios    na Am&eacute;rica Latina.</font></p>     <p><font size="3">Mudan&ccedil;as no marco legal internacional referente &agrave;s    quest&otilde;es de bio&eacute;tica, bioterrorismo e seguran&ccedil;a biol&oacute;gica,    est&atilde;o resultando na imposi&ccedil;&atilde;o de medidas muito restritivas    de acesso ao material biol&oacute;gico patog&ecirc;nico. Essas restri&ccedil;&otilde;es    incluem o acesso a material de refer&ecirc;ncia, importante para o controle    epidemiol&oacute;gico de doen&ccedil;as infecciosas, controle de pragas agr&iacute;colas    e testes de qualidade de produtos industriais, como cosm&eacute;ticos e desinfetantes.    </font></p>     <p><font size="3">Em 1998, a Organiza&ccedil;&atilde;o para Coopera&ccedil;&atilde;o    e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) estabeleceu um grupo de trabalho para    discutir os desafios e as oportunidades associadas ao estabelecimento de uma    Rede Global de Centros de Recursos Biol&oacute;gicos. O documento resultante    recomenda o estabelecimento dessa rede, a ser constru&iacute;da a partir das    compet&ecirc;ncias existentes, mas de forma inclusiva, de modo a abrigar novas    cole&ccedil;&otilde;es com perfil complementar (4).</font></p>     <p><font size="3">A defini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia para a implementa&ccedil;&atilde;o    dessa rede global est&aacute; sendo objeto de estudo de grupo de trabalho, no    &acirc;mbito do programa de biotecnologia da OCDE. Composto por representantes    de pa&iacute;ses membros da OCDE e especialistas no tema, o grupo concentra    esfor&ccedil;os na defini&ccedil;&atilde;o de sistemas de acredita&ccedil;&atilde;o    e crit&eacute;rios de qualidade, em padr&otilde;es de opera&ccedil;&atilde;o    de centros de recursos biol&oacute;gicos e na abordagem de quest&otilde;es associadas    &agrave; biosseguran&ccedil;a e harmoniza&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>TECNOLOGIA DE INFORMA&Ccedil;&Atilde;O COMO INSTRUMENTO DE    DESENVOLVIMENTO</b> Avan&ccedil;os nas &aacute;reas de gen&ocirc;mica e prote&ocirc;mica,    e estudos de prospec&ccedil;&atilde;o da biodiversidade est&atilde;o gerando    novos materiais biol&oacute;gicos, variando de genes a organismos, e aumentando    a demanda por estudos <i>in silico</i> (computacional) visando a obten&ccedil;&atilde;o    da s&iacute;ntese do conhecimento existente. Os dados de seq&uuml;&ecirc;ncias    e seus sub-produtos, incluindo bibliotecas gen&ocirc;micas, chips de prote&iacute;nas    e microarrays de express&atilde;o, devem ser preservados juntamente com o material    biol&oacute;gico, e devem ser disponibilizados, assegurando os direitos de propriedade    intelectual. </font></p>     <p><font size="3">A integra&ccedil;&atilde;o transparente entre sistemas de informa&ccedil;&atilde;o    relevantes est&aacute; sendo catalisada pela ado&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es    e protocolos recomendados pelo GBIF, permitindo cruzar dados de microrganismos    com informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas (5).</font></p>     <p><font size="3">O Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o de Acesso a Recursos Biol&oacute;gicos    (Cabri) &eacute; uma iniciativa da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia que integra    as principais cole&ccedil;&otilde;es <i>ex-situ</i> de microrganismos e c&eacute;lulas,    via sistema federado de bancos de dados acess&iacute;vel via internet (6). S&atilde;o    26 cat&aacute;logos integrados com cerca de 90 mil &iacute;tens, incluindo c&eacute;lulas    humanas e animais, bact&eacute;rias e arqueas, fungos e leveduras, plasm&iacute;deos,    fagos, sondas de DNA, c&eacute;lulas de plantas e v&iacute;rus. Essa iniciativa    est&aacute; facilitando a implementa&ccedil;&atilde;o da Rede Europ&eacute;ia    de Centros de Recursos Biol&oacute;gicos (7). A rede tem como miss&atilde;o    facilitar e ampliar a oferta de produtos biol&oacute;gicos de qualidade para    a comunidade cient&iacute;fica e industrial. Novos centros com padr&otilde;es    de qualidade aceit&aacute;veis est&atilde;o sendo incorporados &agrave; rede.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a18img03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A SITUA&Ccedil;&Atilde;O DAS BRASILEIRAS</b>    Embora o Brasil se destaque no quadro internacional pela capacidade institucional,    quando comparado com outros pa&iacute;ses em desenvolvimento, o sistema existente    de cole&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o &eacute; ainda bastante incipiente,    em fun&ccedil;&atilde;o da falta de uma pol&iacute;tica adequada para o setor    (8). </font></p>     <p><font size="3">Na &aacute;rea de sa&uacute;de, o exemplo da Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz (Fiocruz) &eacute; significativo na medida que congrega no Instituto    Oswaldo Cruz, 11 centros de refer&ecirc;ncia nacionais, 5 centros colaboradores    da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, e 14 cole&ccedil;&otilde;es    de culturas, sendo 10 setoriais e 4 institucionais. &Eacute; exemplo da complexidade    da mat&eacute;ria, pois reflete o conv&iacute;vio simult&acirc;neo de cole&ccedil;&otilde;es    institucionais com cole&ccedil;&otilde;es especializadas de trabalho. &Eacute;    necess&aacute;rio adotar medidas que permitam um tratamento sist&ecirc;mico,    que possibilitem consolidar as cole&ccedil;&otilde;es permanentes de servi&ccedil;o    da Fiocruz de forma integrada a um sistema nacional de centros de recursos biol&oacute;gicos    a ser institu&iacute;do.</font></p>     <p><font size="3">No setor da agricultura, o conhecimento sobre a diversidade    de organismos diretamente relacionados &agrave; fertiliza&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica    de solos encontra-se em est&aacute;gio avan&ccedil;ado, em decorr&ecirc;ncia    dos esfor&ccedil;os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa).    A Cole&ccedil;&atilde;o de Culturas de Bact&eacute;rias Diazotr&oacute;ficas    da Embrapa- Agrobiologia possui um acervo valioso que inclui linhagens relevantes    para a elucida&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de fixa&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica    de nitrog&ecirc;nio e suas aplica&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. A cole&ccedil;&atilde;o    registra informa&ccedil;&otilde;es taxon&ocirc;micas, ecol&oacute;gicas e fisiol&oacute;gicas    sobre as linhagens do acervo. A Cole&ccedil;&atilde;o de Culturas de Fitobact&eacute;rias,    do Laborat&oacute;rio de Bacteriologia Vegetal, do Instituto Biol&oacute;gico    de S&atilde;o Paulo, mant&eacute;m um acervo que constitui a maior fonte de    linhagens bacterianas fitopatog&ecirc;nicas oriundas de &aacute;reas tropicais.</font></p>     <p><font size="3">Na &aacute;rea da gen&ocirc;mica funcional, o Brasil conta hoje    com uma significativa capacidade instalada para a execu&ccedil;&atilde;o de    projetos de seq&uuml;enciamento de genes. Esses avan&ccedil;os criam a necessidade    de se estabelecer uma estrat&eacute;gia adequada para a estocagem e distribui&ccedil;&atilde;o    dos clones gerados nos diversos projetos genoma, assim como no tratamento adequado    para a integra&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o associada a este    tipo de material biol&oacute;gico. O Centro Brasileiro de Estocagem de Genes    - Brazilian Clone Collection Center- (BCCCenter) foi criado para viabilizar    a estocagem e distribui&ccedil;&atilde;o dos clones gerados nos projetos financiados    pela Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo a Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo    (Fapesp). Inaugurado em 2001, o BCCCenter &eacute; o &uacute;nico centro de    estocagem de genes da Am&eacute;rica Latina especializado em genes de plantas    e fitopat&oacute;genos. </font></p>     <p><font size="3">Na setor de meio ambiente e ind&uacute;stria, a Cole&ccedil;&atilde;o    de Culturas Tropical (CCT) estabelecida, em 1988, como cole&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;o, teve um papel de destaque na capacita&ccedil;&atilde;o de    recursos humanos e presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os especializados    durante a d&eacute;cada de 90. Em fun&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos    limitados para a sua manuten&ccedil;&atilde;o e da falta de vis&atilde;o e compromisso    institucional, a cole&ccedil;&atilde;o foi desestruturada em 2001. A Cole&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Microrganismos de Ambiente e Ind&uacute;stria (CBMAI) estabelecida,    em 2001, com o respaldo institucional da Universidade Estadual de Campinas,    est&aacute; se estruturando para atender a demanda por servi&ccedil;os t&eacute;cnicos    especializados neste setor.</font></p>     <p><font size="3"><b>A REORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS COLE&Ccedil;&Otilde;ES    BRASILEIRAS</b> O in&iacute;cio de um tratamento organizado, visando o desenvolvimento    de uma pol&iacute;tica para a consolida&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es    de servi&ccedil;o, deu-se no final dos anos 80 atrav&eacute;s do Programa Setorial    de Cole&ccedil;&otilde;es de Culturas (PSCC) da Financiadora de Estudos e Projetos    (Finep). Na d&eacute;cada seguinte, o apoio a cole&ccedil;&otilde;es selecionadas    atrav&eacute;s de processo competitivo, teve continuidade no Programa de Apoio    ao Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (PADCT). Mais recentemente,    o apoio a cole&ccedil;&otilde;es foi retomado no programa de biotecnologia e    recursos gen&eacute;ticos do MCT (9) visando a consolida&ccedil;&atilde;o de    uma rede de centros de servi&ccedil;os com cole&ccedil;&otilde;es abrangentes    e permanentes nas &aacute;reas de sa&uacute;de, agricultura, meio ambiente e    ind&uacute;stria. No futuro, a rede consolidada de cole&ccedil;&otilde;es de    servi&ccedil;o dever&aacute; ser ampliada de forma a integrar centros de refer&ecirc;ncia,    cole&ccedil;&otilde;es especializadas e autoridades deposit&aacute;rias de material    biol&oacute;gico para fins patent&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="3">Com objetivo de catalogar e integrar os dados dos acervos existentes    em cole&ccedil;&otilde;es nacionais, o minist&eacute;rio est&aacute; apoiando    o desenvolvimento e a implementa&ccedil;&atilde;o do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o    de Cole&ccedil;&otilde;es de Interesse Biotecnol&oacute;gico (Sicol) (10). Lan&ccedil;ado    em 2002, o Sicol re&uacute;ne informa&ccedil;&otilde;es de 17 cole&ccedil;&otilde;es    de culturas, em um sistema de informa&ccedil;&atilde;o on-line atrav&eacute;s    do qual o usu&aacute;rio pode localizar linhagens de microrganismos, e cruzar    dados taxon&ocirc;micos (Species 2000), dados de literatura cient&iacute;fica    (Scielo e PubMed) e informa&ccedil;&otilde;es de genomas (GenBank), agregando    valor ao material biol&oacute;gico das cole&ccedil;&otilde;es brasileiras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em 2001, no escopo do Programa de Tecnologia Industrial B&aacute;sica    (11) o MCT constituiu um grupo de trabalho cujo produto foi a publica&ccedil;&atilde;o    do documento &quot;Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o da Conformidade de Material    Biol&oacute;gico&quot; (12). O documento traz uma an&aacute;lise do estado da    arte no setor e recomenda uma pol&iacute;tica de fomento para a constru&ccedil;&atilde;o    da base t&eacute;cnica de um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o da conformidade    de material biol&oacute;gico, de forma a ampliar a oferta de material biol&oacute;gico    certificado, estimulando o seu uso em pesquisas cient&iacute;ficas e inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="3"><b>DE COLE&Ccedil;&Otilde;ES DE SERVI&Ccedil;O &Agrave; REDE    BRASILEIRA DE CENTROS DE RECURSOS BIOL&Oacute;GICOS</b> O material biol&oacute;gico    certificado &eacute; um recurso de alto valor agregado, presente em in&uacute;meros    produtos dos mais diversos setores da economia. O acesso de insumos e produtos    ao mercado internacional estar&aacute; sujeito, de forma crescente, a uma complexa    legisla&ccedil;&atilde;o, constituindo-se potencialmente em barreiras sanit&aacute;rias    e comerciais. A supera&ccedil;&atilde;o destas barreiras depender&aacute; da    cria&ccedil;&atilde;o de uma estrutura de servi&ccedil;os tecnol&oacute;gicos    que responda aos procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o da conformidade e    que sejam capazes de fornecer, mediante certifica&ccedil;&atilde;o e formas    correlatas, a evid&ecirc;ncia de que os produtos atendem a requisitos t&eacute;cnicos    especificados em normas e regulamentos. As exig&ecirc;ncias relativas &agrave;    qualidade dos materiais biol&oacute;gicos para quaisquer fins representam um    grande salto na agrega&ccedil;&atilde;o de valor aos produtos decorrentes de    aplica&ccedil;&otilde;es industriais, agr&iacute;colas, de sa&uacute;de e ambientais.    Por outro lado, tais exig&ecirc;ncias demandam significativo investimento na    organiza&ccedil;&atilde;o da base t&eacute;cnica laboratorial, na forma&ccedil;&atilde;o    de quadros t&eacute;cnicos e intermedi&aacute;rios e no estabelecimento de log&iacute;stica    que garanta a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em ambiente de alta    confiabilidade quanto aos quesitos de biosseguran&ccedil;a, rastreabilidade,    sigilo e prote&ccedil;&atilde;o patent&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">A transforma&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o    em centros de recursos biol&oacute;gicos depende da defini&ccedil;&atilde;o    de uma pol&iacute;tica de Estado, que assegure a capacita&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua    de centros credenciados e a consolida&ccedil;&atilde;o de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o    que assegure a integra&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os. Isto s&oacute;    ser&aacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s de ado&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia    que garanta o apoio de longo prazo aos centros componentes da rede, associado    a um mecanismo de avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade e de desempenho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3">V<b>anderlei Perez Canhos </b>&eacute; diretor do Centro    de Refer&ecirc;ncia em Informa&ccedil;&atilde;o Ambiental (CRIA) e membro da    Diretoria Executiva da World Federation for Culture Collections-WFCC.</font></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Canhos, V.P. e Manfio, G.P. Microbial Resource Centres and    <i>Ex-Situ</i> Conservation. Em: <i>Applied Microbial Systematics</i>, Pags:    421- 446. Editores F.G. Priest e M. Goodfellow. Kluwer Academic Publishers.    2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Ten Kate, K. e Laird, S.A. <i>The commercial use of biodiversity:    access to genetic resources and benefit-sharing</i> – Earthscan Publications    Ltd, London. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. WFCC, World Federation for Culture Collections <a href="http://www.wfcc.info "><i>www.wfcc.info    </i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">4. OCDE, Biological Resource Centers: underpinning the future    of life sciences and biotechnology, Paris, Fran&ccedil;a. 66 p. 2001. <a href="http://www.SourceOECD.org"><i>http://www.SourceOECD.org</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">5. Canhos, V.P. &quot;Inform&aacute;tica para Biodiversidade:    padr&otilde;es, protocolos e ferramentas.&quot; <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>    55 (2): 45-47. 2003. </font><!-- ref --><p><font size="3">6. CABRI, Common Access to Biological Resources Information    <a href="http://www.cabri.org"><i>www.cabri.org</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">7. European Biological Resources Centers Network - EBRCN</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Canhos, V.P., Umino C. e Manfio, G.P. Cole&ccedil;&otilde;es    de Culturas de Microrganismos. Em: <i>Biodiversidade do Estado de S&atilde;o    Paulo, Brasil: s&iacute;ntese do conhecimento no final do s&eacute;culo XX</i>.    Volume 7: Infra-estrutura de Conserva&ccedil;&atilde;o <i>in-situ</i> e <i>ex-situ</i>,    Pags 81-101, Editores: M. C. W. de Brito e C.A. Joly Fapesp, S&atilde;o Paulo,    Brasil. 1999. <a href="http://www.biota.org.br"><i>http://www.biota.org.br</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">9. MCT, 2002. Programa de Biotecnologia e Recursos Gen&eacute;ticos    – Defini&ccedil;&atilde;o de Metas. Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia.    Bras&iacute;lia, DF. MCT, SEPCT, CGBI, 47p.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. SICol – Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Cole&ccedil;&otilde;es    de Interesse Biotecnol&oacute;gico <a href="http://sicol.cria.org.br"><i>sicol.cria.org.br</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">11. MCT. Programa Tecnologia Industrial B&aacute;sica e Servi&ccedil;os    Tecnol&oacute;gicos para a Inova&ccedil;&atilde;o e Competitividade. Minist&eacute;rio    da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Bras&iacute;lia, DF. MCT, SEPTE, CGPT. 100p.    2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. MCT. Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o de Conformidade    de Material Biol&oacute;gico. 2002. <a href="http://www.mct.gov.br/Temas/Desenv/MaterialBiologico.pdf"><i>www.mct.gov.br/Temas/Desenv/MaterialBiologico.pdf</i></a></font> ]]></body><back>
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