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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a21img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E<small>TNOFARMACOLOGIA</small></b></font> </p>     <p><b><font size="3">Elaine Elisabetsky</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><font size="3">&quot;O mal dos que estudam as supersti&ccedil;&otilde;es    &eacute; n&atilde;o    <br>   acreditar nelas. Isso os torna t&atilde;o suspeitos para tratar do assunto     <br>   como um biologista que n&atilde;o acreditasse em micr&oacute;bios.&quot;    <br>   M&aacute;rio Quintana</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A Etnofarmacologia n&atilde;o trata de supersti&ccedil;&otilde;es,    e sim do conhecimento popular relacionado a sistemas tradicionais de medicina.    Para apreciar o conhecimento popular &eacute; preciso admiti-lo como tal – um    corpo de conhecimento, um produto do intelecto humano – e n&atilde;o se pode    ser preconceituoso. A Etnofarmacologia &eacute; uma divis&atilde;o da Etnobiologia,    uma disciplina devotada ao estudo do complexo conjunto de rela&ccedil;&otilde;es    de plantas e animais com sociedades humanas, presentes ou passadas (1). Defini-se    Etnofarmacologia como &quot;a explora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica interdisciplinar    dos agentes biologicamente ativos, tradicionalmente empregados ou observados    pelo homem&quot; (2). </font></p>     <p><font size="3">Como estrat&eacute;gia na investiga&ccedil;&atilde;o de plantas    medicinais, a abordagem etnofarmacol&oacute;gica consiste em combinar informa&ccedil;&otilde;es    adquiridas junto a usu&aacute;rios da flora medicinal (comunidades e especialistas    tradicionais), com estudos qu&iacute;micos e farmacol&oacute;gicos. O m&eacute;todo    etnofarmacol&oacute;gico permite a formula&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses    quanto &agrave;(s) atividade(s) farmacol&oacute;gica(s) e &agrave;(s) subst&acirc;ncia(s)    ativa(s) respons&aacute;veis pelas a&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas relatadas    (3,4,5). Assim, se Tia Pixica, Dona Lulu ou Seu Lauca dizem que as folhas de    fulaninha (preparadas assim e usadas assado) curam aquele dado tipo de diarr&eacute;ia,    o m&eacute;todo etnofarmacol&oacute;gico permite a formula&ccedil;&atilde;o    de hip&oacute;teses como estas: H<sub>0</sub>= fulaninha n&atilde;o &eacute;    &uacute;til na cura ou manejo daquele tipo de diarr&eacute;ia; H<sub>1</sub>=    fulaninha interfere positivamente no curso natural daquele tipo de diarr&eacute;ia.    H&aacute; na esp&eacute;cie algum composto com atividade antimicrobiana ou antiviral?    Interfere no fluxo de &aacute;gua? Essas hip&oacute;teses podem ser testadas    com todos os controles e rigores que qualquer ci&ecirc;ncia s&eacute;ria exige,    levando em considera&ccedil;&atilde;o toda a informa&ccedil;&atilde;o (incluindo    modo de preparo e posologia) que traz o conhecimento tradicional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a21img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Argumenta-se que a cultura popular identifica sintomas, mas    n&atilde;o caracteriza ou entende as doen&ccedil;as como n&oacute;s; conclui-se,    por isso, que tais informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o servem de base &uacute;til    ao desenvolvimento de novos medicamentos. Trata-se afinal de cultura popular    ou ci&ecirc;ncia? Folclore (do ingl&ecirc;s <i>folk lore</i> = tribo saber)    ou <i>know-how</i> ? O que torna o conhecimento tradicional de interesse para    a ci&ecirc;ncia &eacute; que se trata de relatos verbais da observa&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica de fen&ocirc;menos biol&oacute;gicos, feitos por pessoas    qui&ccedil;&aacute; freq&uuml;entemente iletradas, mas algumas t&atilde;o perspicazes    como o s&atilde;o alguns cientistas. A aus&ecirc;ncia de educa&ccedil;&atilde;o    e cultura formais n&atilde;o implica em aus&ecirc;ncia de saber. Tal como o    gerado nas universidades, o conhecimento tradicional &eacute; cient&iacute;fico    <b>porque</b> suas conseq&uuml;&ecirc;ncias s&atilde;o refut&aacute;veis; nisso    difere da simples tradi&ccedil;&atilde;o, cren&ccedil;a ou religi&atilde;o,    embora em sistemas de medicina essas dimens&otilde;es tendem a se misturar (afinal,    quando uma opera&ccedil;&atilde;o de safena ou transplante &eacute; bem sucedida,    seja ela de que n&iacute;vel tecnol&oacute;gico for, a maioria de n&oacute;s    ainda exclama &quot;Gra&ccedil;as a Deus!&quot;, freq&uuml;entemente antes de    agradecer a equipe m&eacute;dica...). </font></p>     <p><font size="3">A sele&ccedil;&atilde;o etnofarmacol&oacute;gica de plantas    para pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D), baseada na alega&ccedil;&atilde;o    feita por seres humanos de um dado efeito terap&ecirc;utico em seres humanos,    pode ser um valioso atalho para a descoberta de f&aacute;rmacos. Neste contexto,    o uso tradicional pode ser encarado como uma pr&eacute;-triagem quanto &agrave;    propriedade terap&ecirc;utica (isso n&atilde;o implica em admitir que plantas    medicinais ou rem&eacute;dios caseiros sejam destitu&iacute;dos de toxicidade).    O valor deste atalho deve ser apreciado no seguinte contexto: a ind&uacute;stria    farmac&ecirc;utica considera razo&aacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o de 1:10.000    entre compostos comercializado/estudados; aquelas que contam com procedimentos    de triagem associados a qu&iacute;mica combinat&oacute;ria, clonagem de receptores    e automa&ccedil;&atilde;o/robotiza&ccedil;&atilde;o (<i>high trhough put screening</i>)    t&ecirc;m como razo&aacute;vel 1:250.000. Mesmo em casos em que se conhece o    mecanismo de a&ccedil;&atilde;o desejado e se tem o ensaio <i>in vitro</i> apropriado    para detect&aacute;-lo, a maior parte dos compostos que eventualmente interagem    com a enzima ou o receptor em quest&atilde;o n&atilde;o &eacute;, infelizmente,    biodispon&iacute;vel; ou, quando o &eacute;, acaba por demonstrar toxidade inesperada    em humanos. De cada dez compostos descobertos, quatro seguem para a fase de    desenvolvimento, enquanto existe uma taxa de 50% de desist&ecirc;ncia devido    a toxicidade/efeitos adversos, antes mesmo que uma fase cl&iacute;nica I completa    seja deslanchada (6). Esses n&uacute;meros indicam o valor de relatos de uso    tradicional em rela&ccedil;&atilde;o a biodisponibilidade e seguran&ccedil;a    relativa.</font></p>     <p><font size="3">Cabe notar que a Etnofarmacologia, por se basear em alega&ccedil;&otilde;es    de utilidade terap&ecirc;utica e n&atilde;o em determinado perfil qu&iacute;mico    das esp&eacute;cies (o que, em tese, indicaria a possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o    com um determinado alvo biol&oacute;gico), &eacute; particularmente &uacute;til    no caso de categorias de doen&ccedil;as cuja patofisiologia n&atilde;o &eacute;    bem conhecida (7). A mesma linha de racioc&iacute;nio pode ser aplicada com    rela&ccedil;&atilde;o &agrave; descoberta de produtos prot&oacute;tipo (com    mecanismos de a&ccedil;&atilde;o inovadores): a abordagem mecanicista baseia-se    na intera&ccedil;&atilde;o dos compostos com alvos farmacodin&acirc;micos predeterminados,    enquanto que a etnofarmacologia por partir de relatos de efeitos, pode levar    &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de produtos com mecanismos de a&ccedil;&atilde;o    sequer conhecidos. Por isso modelos <i>in vivo</i> tem papel importante em estudos    etnofarmacol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="3">O uso da express&atilde;o <b>sistema tradicional</b> n&atilde;o    implica admitir que se trata de um sistema est&aacute;tico ou uma forma de retardo    cultural (8), que n&atilde;o responde ou contrasta com a racionalidade e a modernidade    (9). A coexist&ecirc;ncia de v&aacute;rios sistemas de sa&uacute;de usados no    mundo todo e sua utiliza&ccedil;&atilde;o por diversas classes sociais, s&atilde;o    evid&ecirc;ncias consider&aacute;veis de que a intera&ccedil;&atilde;o &eacute;    din&acirc;mica, levando a altera&ccedil;&otilde;es em todos os sistemas que    coexistem. &Eacute; absolutamente fundamental para a estrat&eacute;gia etnofarmacol&oacute;gica    que se compreendam os conceitos do sistema do qual se obt&ecirc;m as informa&ccedil;&otilde;es;    observa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o contextualizadas s&atilde;o cientificamente    in&uacute;teis. J&aacute; que sistemas m&eacute;dicos s&atilde;o produtos de    culturas espec&iacute;ficas com enorme varia&ccedil;&atilde;o em termos de cren&ccedil;as    e pr&aacute;ticas m&eacute;dicas, uma detalhada base etnofarmacol&oacute;gica    &eacute; necess&aacute;ria para selecionar esp&eacute;cies como fontes de drogas    transculturalmente efetivas (3,7). </font></p>     <p><font size="3">Uma medida acurada do valor do conhecimento tradicional em P&amp;D    de novos f&aacute;rmacos s&oacute; seria poss&iacute;vel se pud&eacute;ssemos    comparar os resultados (em termos de custo/benef&iacute;cio) de uma amostra    razo&aacute;vel de pesquisas feitas com base em coletas de plantas ao acaso    ou por etnofarmacologia. Infelizmente, a maioria das ind&uacute;strias (e mesmo    a academia) n&atilde;o publica resultados negativos (mesmo resultados positivos    em termos estritamente farmacol&oacute;gicos que por quaisquer outras raz&otilde;es    n&atilde;o s&atilde;o aproveitados). No entanto, os dados mostrados na <a href="#tab01"><b>Tabela    1</b></a> s&atilde;o indicativos do valor do conhecimento tradicional. A vantagem    parece &oacute;bvia. Analisando compostos com potencial anticancer&iacute;geno    (10), verificou-se que a porcentagem de g&ecirc;neros/ esp&eacute;cies vegetais    ativas citadas em comp&ecirc;ndios de plantas medicinais, &eacute; consistentemente    pr&oacute;xima ao dobro das de triagem ao acaso. Quanto a antivirais, a sele&ccedil;&atilde;o    de plantas com uso tradicional mostrou uma porcentagem 5 vezes maior de subst&acirc;ncias    ativas (11). Os dados da Shaman Pharmaceuticals, que usa Etnofarmacologia como    eixo central de seu programa de P&amp;D, corroboram a tend&ecirc;ncia encontrada    com dados acad&ecirc;micos no contexto industrial (12,13). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a21tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Embora em P&amp;D o interesse praticamente resuma-se a plantas    como fonte de compostos qu&iacute;micos, o fato de que sistemas m&eacute;dicos    tradicionais s&atilde;o organizados como sistemas culturais permite profundas    diferen&ccedil;as nos significados de sa&uacute;de, doen&ccedil;a e etiologias    (14). Tais diferen&ccedil;as resultam em uma variedade de pr&aacute;ticas terap&ecirc;uticas    que n&atilde;o s&atilde;o facilmente acomodadas ou compreendidas no paradigma    bio-mec&acirc;nico da medicina ocidental contempor&acirc;nea. Conceitos como    dieta, medidas preventivas, manuten&ccedil;&atilde;o ativa do bem estar, posologias    de longo prazo/baixa dosagem, misturas complexas e/ou mecanismos de a&ccedil;&atilde;o    multifacetados, freq&uuml;entemente centrais em sistemas m&eacute;dicos tradicionais,    apenas recentemente come&ccedil;am a ser devidamente apreciados no ocidente.    A compreens&atilde;o de tais peculiaridades em termos farmacodin&acirc;micos    pode ser &uacute;til no desenvolvimento de novos paradigmas de uso de drogas.    De fato, constantemente se identificam novos alvos de a&ccedil;&atilde;o de    drogas e rem&eacute;dios tradicionais, que podem atuar como modificadores do    curso natural de patologias por mecanismos fisiol&oacute;gicos que ainda sequer    conhecemos (7).</font></p>     <p><font size="3">A maior parte da flora ainda desconhecida qu&iacute;mico/farmacologicamente,    e o saber tradicional associado existem predominantemente em pa&iacute;ses em    desenvolvimento. A perda da biodiversidade e o acelerado processo de mudan&ccedil;a    cultural acrescentam um senso de urg&ecirc;ncia no registro desse saber. A cria&ccedil;&atilde;o    de instrumentos legais de direitos de propriedade intelectual para conhecimentos    tradicionais &eacute; de fundamental import&acirc;ncia (15,16). O Brasil n&atilde;o    &eacute; apenas rico em diversidade de recursos gen&eacute;ticos; &eacute; um    pa&iacute;s rico em culturas, em gentes diferentes que tiveram e t&ecirc;m que    tirar a vida com a m&atilde;o. Ao fazer isso, manejam seu meio ambiente, conhecendo-o    em detalhes e no todo de suas conex&otilde;es e inter-rela&ccedil;&otilde;es.    O respeito ao meio ambiente e ao <i>modus vivendi </i>de comunidades tradicionais,    &eacute; essencial ao desenvolvimento sustent&aacute;vel e &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o    da sociobiodiversidade (17). Como dizia Conf&uacute;cio: &quot;Conhecer a ignor&acirc;ncia    &eacute; for&ccedil;a; ignorar o conhecimento &eacute; doen&ccedil;a.&quot;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Elaine Elisabetsky</b> &eacute;    farmac&oacute;loga, coordenadora do Laborat&oacute;rio de Etnofarmacologia e    professora do Departamento de Farmacologia(UFRGS). Atualmente preside a Sociedade    Internacional de Etnofarmacologia.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Berlin, B. On the making of a comparative ethnobiology. <i>In</i>:    Ethnobiological Classification: principles of categorization of plants and animals    in traditional societies, Princeton, Princeton University 1992.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Bruhn, J. G. e Holmstedt, B. &quot;Ethnopharmacology, objectives,    principles and perspectives&quot;. <i>In</i>: <i>Natural products as medicinal    agents</i>. Stuttgart: Hippokrates, 1982.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Elisabetsky, E. e Setzer, R. &quot;Caboclo concepts of disease,    diagnosis and therapy: implications for Ethnopharmacology and health systems    in Amazonia&quot;. <i>In</i>: <i>The amazon caboclo: historical and contemporary    perspectives</i>. Williamsburgh: <i>Studies On Third World Societies</i> Publication    Series, 32, 243, 1985.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Elisabetsky, E. J. <i>Ethnobiol.</i>, 6, 121, 1986.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Nunes, D.S. &quot;Chemical approaches to the study of Ethnomedicina&quot;l.    <i>In</i>: <i>Medicinal resources of the tropical forest: biodiversity and its    importance to human health</i>. New York: Columbia Univ.Press, 1996. </font><!-- ref --><p><font size="3">6. Harvey, A.L. &quot;Natural products for high-throughput screening&quot;.    <i>In</i>: <i>Ethnomedicine and drug development</i>, Advances Phytomedicine    , vol 1, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Elisabetsky,E. &quot;Traditional medicines and the new paradigm    of psychotropic drug ation&quot;. <i>In</i>: <i>Ethnomedicine and drug development,    advances phytomedicine</i>, vol 1, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Alvarado, L. &quot;Medical anthropology and the health professions:    selected literature review&quot;. <i>In</i>: Bauwens, E.E. (Ed.). <i>The anthropology    of health</i>. S.Louis: C.V.Mosby, 1978.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Roger, S. French trajectories: shaping modern times in rural    aveyron. Princeton: Princeton Univ., 1990. </font><!-- ref --><p><font size="3">10. Spujt, R. W. e Perdue Jr., R. E. <i>Cancer treat</i>. Rep.,    60, 979, 1976.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Vlietinck, A. J. e Van Den Berghe, D. A.J. <i>Ethnopharmacol.</i>,    32, 141, 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Carlson, T. J, Cooper, R., King, S.R., Rozhon, E.J. Royal    Soc. Chem., 200, 84, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Oubr&eacute;, A.Y., Carlson, T.J., King, S.R., Reaven, G.M.    <i>Diabetol.</i>, 40, 614, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">14. Worseley, P. Non-western medical systems. Ann. <i>Review    Anthropol.</i> 11, 315, 1982.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Elisabetsky, E. J. <i>Ethnopharmacol.</i>, 32, 235, 1990.</font><!-- ref --><p><font size="3">16. Cunningham, A.B. &quot;Ethics, etnobiological research,    and biodiversity&quot;. <i>In</i>: <i>WWF international publications</i>, Gland,    Switzerland, 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">17. Posey, D.A. <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, 35, 877, 1983.</font> ]]></body><back>
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