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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n3/a34fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="4">Guggenheim</font></P>     <P><font size=5><b>P<SMALL>ROJETO DE CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O NO</SMALL> R<SMALL>IO AINDA GERA POL&Ecirc;MICA</SMALL></b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A possibilidade da instala&ccedil;&atilde;o de um museu Guggenheim    no Rio de Janeiro, a exemplo de Berlim, Veneza e Bilbao, encaminhada com a assinatura    do contrato no final de abril &uacute;ltimo, entre o prefeito carioca C&eacute;sar    Maia e o diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Solomon Guggenheim, Thomas Krens,    desagradou uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o carioca. A principal cr&iacute;tica    s&atilde;o as cifras a serem desembolsadas pelo governo municipal, algo em torno    de US$ 200 milh&otilde;es, apenas na obra. Somam-se a&iacute; US$ 12 milh&otilde;es    do projeto do arquiteto franc&ecirc;s Jean Nouvel, US$ 24 milh&otilde;es anuais    para a utiliza&ccedil;&atilde;o de acervos, assessoria e licen&ccedil;a de uso    da marca Guggenheim por 25 anos e ainda os US$ 3 milh&otilde;es investidos em    estudos de viabilidade do museu no Rio. O desagrado estende-se, tamb&eacute;m,    aos termos do contrato, &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o do arquiteto e ao projeto    em si.</font></P>     <p><font size="3">O projeto de Nouvel, autor de obras como o Instituto do Mundo    &Aacute;rabe e a Funda&ccedil;&atilde;o Cartier, ambos em Paris, prev&ecirc;    salas para exibi&ccedil;&atilde;o de arte brasileira e latino-americana, a implanta&ccedil;&atilde;o    de uma tela gigantesca que servir&aacute; como portal de entrada para os visitantes,    uma ilumina&ccedil;&atilde;o especial para as salas de exposi&ccedil;&atilde;o,    todas subterr&acirc;neas, e at&eacute; mesmo uma minifloresta tropical, submersa,    com cachoeira, na ponta do P&iacute;er Mau&aacute;, onde ser&aacute; constru&iacute;do    o museu, como parte da proposta da prefeitura local de recuperar aquela decadente    regi&atilde;o portu&aacute;ria. </font></P>     <p><font size="3">Para o vereador M&aacute;rio Del Rey (PSB), um dos principais    opositores ao projeto, desde que o Rio entrou nessa concorr&ecirc;ncia, o prefeito    tem cometido uma s&eacute;rie de irregularidades motivando um movimento contra    a implanta&ccedil;&atilde;o do museu. &quot;O prefeito n&atilde;o atendeu &agrave;    lei org&acirc;nica do munic&iacute;pio e nem &agrave; lei federal de licita&ccedil;&otilde;es&quot;,    garante Del Rey.</font></P>     <p><font size="3">A avalia&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, feita pela funda&ccedil;&atilde;o,    mostrou que a implanta&ccedil;&atilde;o do museu &eacute; deficit&aacute;ria    pois requer elevado desembolso, na obra e na recupera&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o.    Mesmo assim, o contrato foi assinado sob a condi&ccedil;&atilde;o de a prefeitura    local se responsabilizar pelas poss&iacute;veis perdas. A funda&ccedil;&atilde;o    exigiu, ainda, garantias financeiras, como o dep&oacute;sito antecipado de US$    124 milh&otilde;es pelo uso dos servi&ccedil;os (uso da marca, consultoria,    empr&eacute;stimo do acervo) por 10 anos.</font></P>     <p><font size="3">Parte da popula&ccedil;&atilde;o carioca tamb&eacute;m &eacute;    contr&aacute;ria &agrave; iniciativa do prefeito. Segundo Del Rey, um abaixo-assinado,    recolhido em apenas um dia na praia de Copacabana, conseguiu 5.432 assinaturas    contr&aacute;rias &agrave; instala&ccedil;&atilde;o do Guggenheim. A R&aacute;dio    Globo tamb&eacute;m fez uma pesquisa com sua audi&ecirc;ncia e 92% dos entrevistados    eram contra. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mas nem todos s&atilde;o totalmente desfavor&aacute;veis ao    projeto. A professora de arquitetura e hist&oacute;ria da arte da PUC-Rio, Ana    Lu&iacute;za Nobre, afirma que um museu de tal porte poderia ajudar na forma&ccedil;&atilde;o    dos artistas, de cr&iacute;ticos e de curadores brasileiros, se houver a participa&ccedil;&atilde;o    desses profissionais em sua gest&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Para ela, faltam no Brasil exemplos de arte e arquitetura contempor&acirc;nea    para, por exemplo, apresentar para os alunos. No entanto, ela n&atilde;o acredita    que o projeto de Nouvel seja um grande exemplo. &quot;O tel&atilde;o e o cilindro    quase na mesma altura promovem um equil&iacute;brio, o que &eacute; uma composi&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria. Al&eacute;m disso, n&atilde;o parte de uma leitura da cidade    como um todo, ao contr&aacute;rio, d&aacute; as costas para ela&quot;, diz a    arquiteta. </font></P>     <p><font size="3">Outro complicador na opini&atilde;o da arquiteta diz respeito    &agrave; &aacute;rea onde ser&aacute; implantado. O museu tem uma posi&ccedil;&atilde;o    central para alavancar a revitaliza&ccedil;&atilde;o do local, o que vai exigir    um grande esfor&ccedil;o da prefeitura para conseguir viabilizar essa grande    reforma, sem a qual, o museu poder&aacute; ficar isolado.</font></P>     <p><font size="3">Ana Luiza considera fr&aacute;geis os argumentos dos cr&iacute;ticos    &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do museu. Ela lembra que um espa&ccedil;o    de arte contempor&acirc;nea n&atilde;o &eacute; substitu&iacute;vel por um museu    ind&iacute;gena, ou exposi&ccedil;&otilde;es de arte acad&ecirc;mica, por mais    belas que sejam. Tamb&eacute;m n&atilde;o aceita os argumentos de que h&aacute;    outras prioridades. &quot;N&atilde;o posso aceitar que se considere a arte como    algo secund&aacute;rio ou sup&eacute;rfluo&quot;,conclui.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><b><i>Simone Pallone</i></b></font></P>      ]]></body>
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