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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a01img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=5><b>U</b></FONT><FONT SIZE=3>ma das quest&otilde;es centrais do    N&uacute;cleo Tem&aacute;tico deste n&uacute;mero da <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>    dedicado &agrave; Gest&atilde;o das &Aacute;guas pode ser formulada sob a forma    de um paradoxo: Por que, no Brasil, havendo abund&acirc;ncia de &aacute;guas,    h&aacute; escassez? </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>As respostas a esta pergunta constituem um dos fios condutores    dos artigos sobre o tema e apontam para os diversos aspectos que envolvem o    ser &aacute;gua em estado natural e os de sua transforma&ccedil;&atilde;o cultural    em recurso h&iacute;drico. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>O planeta Terra, que j&aacute; foi chamado planeta &Aacute;gua    pela liq&uuml;idez de sua consist&ecirc;ncia, tem na geografia brasileira uma    concentra&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas doces equivalentes a 12% do total    existente no mundo. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>V&aacute;rios fatores interferem para motivar os riscos da escassez    da &aacute;gua enquanto valor econ&ocirc;mico, entre eles, o desperd&iacute;cio,    a polui&ccedil;&atilde;o, a contamina&ccedil;&atilde;o industrial, a despropor&ccedil;&atilde;o    entre demografia e disponibilidade natural, a ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada    do solo rural e urbano, as disputas pol&iacute;ticas pelo seu controle, a falta    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais que levem a uma cultura de    preserva&ccedil;&atilde;o, a cultura predat&oacute;ria de nossa longa tradi&ccedil;&atilde;o    de ocupa&ccedil;&atilde;o e abandono da terra, e a aus&ecirc;ncia do sentido    de cidadania capaz de encurtar, na popula&ccedil;&atilde;o, a dist&acirc;ncia    entre o p&uacute;blico e o privado, o particular e o coletivo, o individual    e o social. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>&Eacute; interessante notar que a formula&ccedil;&atilde;o do    paradoxo contido em nossa pergunta s&oacute; foi poss&iacute;vel gra&ccedil;as    &agrave; concep&ccedil;&atilde;o da Terra como um sistema. Gra&ccedil;as, portanto,    a uma mudan&ccedil;a do paradigma te&oacute;rico que, deixando de ser cartesiano,    permite ver, com clareza, a sistematicidade das rela&ccedil;&otilde;es entre    as partes vivas do planeta – plantas, microorganismos e animais – e as suas    partes n&atilde;o vivas - rochas, oceanos, rios e atmosfera. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Mudar, nessa &aacute;rea do conhecimento, da id&eacute;ia de que    o entendimento das partes leva &agrave; compreens&atilde;o do todo, para a id&eacute;ia    de que o todo &eacute; maior do que a soma das partes, e que &eacute; a sua    vis&atilde;o de conjunto que permite a compreens&atilde;o das partes, significou,    pois, uma revolu&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica para os estudos e pesquisas    cient&iacute;ficas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Mais interessante, ainda, &eacute; dar-se conta de que essa percep&ccedil;&atilde;o    sist&ecirc;mica da Terra e de seus contr&aacute;rios s&oacute; se explicita,    na forma que a conhecemos hoje, a partir dos anos 1960, quando todos pudemos    v&ecirc;-la, pelas fotos do Sputinik, envolta num manto azul e branco de &aacute;guas    e transpira&ccedil;&otilde;es. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>O poeta franc&ecirc;s Paul Eluard registrou num poema epigram&aacute;tico,    curto e leve, como conv&eacute;m ao g&ecirc;nero, denso e et&eacute;reo, como    cabe ao tema, a geometria da forma e a plasticidade suculenta desse fruto c&oacute;smico:    </FONT></P> <table width="50%" border="0" align="center" cellpadding="10">   <tr>      <td width="52%">    <p align="center"><FONT SIZE=3>L<small>A</small> T<small>ERRE          EST</small> </FONT></p></td>     <td width="48%">    <p align="center"><FONT SIZE=3>A T<small>ERRA &Eacute;</small></FONT></p></td>   </tr>   <tr>      <td>    <p align="center"><FONT SIZE=3><small>BLEU</small></FONT></p></td>     <td>    <p align="center"><FONT SIZE=3><small>AZUL</small></FONT></p></td>   </tr>   <tr>      <td>    <p align="center"><FONT SIZE=3><small>COMME UNE ORANGE</small></FONT></p></td>     <td>    <p align="center"><FONT SIZE=3><small>COMO UMA LARANJA</small></FONT></p></td>   </tr> </table>     <P><FONT SIZE=3>N&atilde;o podemos, contudo, deix&aacute;-lo ser sugado pela voracidade    da ignor&acirc;ncia e pela esperteza sabida dos oportunistas. Para que a beleza    c&oacute;smica e fluida do planeta n&atilde;o se decepcione nos detalhes de    sua conviv&ecirc;ncia com as sociedades humanas &eacute; preciso que os povos    e as na&ccedil;&otilde;es constituam com firmeza a cultura da preserva&ccedil;&atilde;o    e da gest&atilde;o competente de nossas &aacute;guas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Not&iacute;cias, informa&ccedil;&otilde;es, literatura e reportagens,    completam a cartografia da navega&ccedil;&atilde;o deste n&uacute;mero de nossa    revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="right"><FONT SIZE=3>C<small>ARLOS</small> V<small>OGT</small>    <br>   <i>Editor Chefe, outubro de 2003</i></FONT></P>      ]]></body>
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