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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><FONT SIZE=3>ANTROPOLOGIA</FONT></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img02.gif"></P>     <P><FONT SIZE=4><b>O estudo da sa&uacute;de e da doen&ccedil;a</b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Uma crian&ccedil;a nasce. A magia do nascimento &eacute; elaborada    de variadas maneiras pelas diferentes sociedades, gerando conhecimentos diversos    que o expliquem. Para algumas culturas africanas, por exemplo, a crian&ccedil;a    &eacute; reencarna&ccedil;&atilde;o de um ancestral, ou de um animal, portando    suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas e ps&iacute;quicas. H&aacute; cren&ccedil;as    da influ&ecirc;ncia do ambiente sobre o feto e da necessidade de cuidados necess&aacute;rios    com a gestante, como a satisfa&ccedil;&atilde;o de desejos ex&oacute;ticos,    para que a crian&ccedil;a nas&ccedil;a sem problemas de sa&uacute;de. Embora    existam diferentes maneiras de conceber fen&ocirc;menos biol&oacute;gicos e    entender os limites entre normalidade e anormalidade, entre corpo e alma, o    discurso biol&oacute;gico e m&eacute;dico &eacute;, em geral, predominante.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Para a antrop&oacute;loga Maria Cec&iacute;lia Souza Minayo, departamento    de ci&ecirc;ncias sociais e sa&uacute;de da Funda&ccedil;&atilde;o Instituto    Oswaldo Cruz (Fiocruz), existem dois momentos hist&oacute;ricos em que o discurso    biol&oacute;gico alcan&ccedil;ou sua maior express&atilde;o: o in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX, com o desenvolvimento da bacteriologia, e hoje, diante    do avan&ccedil;o extraordin&aacute;rio da gen&eacute;tica e dos estudos do genoma    e proteoma. "Com a ampla difus&atilde;o do saber biol&oacute;gico e m&eacute;dico,    ganha for&ccedil;a a id&eacute;ia de que as quest&otilde;es de sa&uacute;de    humana dependem apenas da biologia e das interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas.    Para a antropologia, tudo que afeta nosso corpo ou esp&iacute;rito (sa&uacute;de    e doen&ccedil;a) passa pela media&ccedil;&atilde;o cultural e n&atilde;o apenas    biol&oacute;gica", ressalta a pesquisadora.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a06fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Nesse cen&aacute;rio, um dos desafios enfrentados pelos antrop&oacute;logos    atuantes na &aacute;rea de sa&uacute;de &eacute; incorporar, em seus estudos,    id&eacute;ias e pr&aacute;ticas de grupos diversos, identificadas como patol&oacute;gicas,    desviantes, fruto da ignor&acirc;ncia ou atraso cultural e, por isso mesmo,    desconsideradas no universo cient&iacute;fico. A vis&atilde;o antropol&oacute;gica    da sa&uacute;de "permite reconhecer a grande variedade de concep&ccedil;&otilde;es    e tratamentos adotados pelas pessoas, e relativizar os pr&oacute;prios par&acirc;metros    impostos por nossa sociedade como a forma universal e correta", considera    a antrop&oacute;loga Ceres V&iacute;ctora, do N&uacute;cleo de Pesquisa em Antropologia    do Corpo e da Sa&uacute;de (Nupacs) da Universidade Federal do Rio Grande do    Sul (UFRGS). </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Um estudo realizado na periferia de Porto Alegre pelo n&uacute;cleo,    num bairro com alta incid&ecirc;ncia de portadores de HIV, demonstra essa diferen&ccedil;a    de percep&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. A aids surgiu com a caracter&iacute;stica    de ser uma "doen&ccedil;a do outro", fora do c&iacute;rculo geogr&aacute;fico    da pessoa. Essa imagem pode ter sido criada a partir da origem do pr&oacute;prio    v&iacute;rus, em pa&iacute;ses africanos; em seguida, como uma s&iacute;ndrome    que de grupos considerados de "risco" e com rela&ccedil;&otilde;es    "prom&iacute;scuas". Com a expans&atilde;o da aids no Brasil para    indiscriminadas camadas sociais, esse "outro" tornou-se algu&eacute;m    pr&oacute;ximo: um parente, um amigo, um vizinho. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Ao deixar de ser uma "doen&ccedil;a do outro", ao contr&aacute;rio    do esperado, n&atilde;o significou maior "conscientiza&ccedil;&atilde;o"    e ado&ccedil;&atilde;o de cuidados de preven&ccedil;&atilde;o . Em contrapartida,    acrescentavam &agrave; lista de pr&aacute;ticas para evitar o cont&aacute;gio,    o contato f&iacute;sico superficial como um abra&ccedil;o e uso comum de pratos    e talheres, que s&atilde;o cientificamente descartadas. A proximidade da doen&ccedil;a    gerou na popula&ccedil;&atilde;o do bairro uma esp&eacute;cie de banaliza&ccedil;&atilde;o    da aids, tornando-a uma "coisa normal" que passou a ser incorporada    ao cotidiano. Assim, a doen&ccedil;a que era "do outro" virou de "qualquer    um", da qual "ningu&eacute;m est&aacute; livre". </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><i><b>Susana Oliveira Dias</b></i></FONT></P>      ]]></body>

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