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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><FONT SIZE=3>ENTREVISTA</FONT></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img02.gif"></P>     <P><FONT SIZE=4><b>Marcelo Damy de Souza Santos</b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Marcelo Damy &eacute; um grande nome da f&iacute;sica no Brasil.    Ouvi-lo discorrer sobre sua vida de pesquisador acrescenta muito no conhecimento    da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no Brasil. Ele nasceu em Campinas, no interior    paulista, em 14 de julho de 1914. Tinha tudo para seguir a carreira de engenheiro,    mas optou por ser f&iacute;sico, influenciado pelo professor Gleb Wataghin –    de quem se lembra com enorme admira&ccedil;&atilde;o e respeito. Sua vida &eacute;    pontuada por realiza&ccedil;&otilde;es de diferentes matizes: influenciou para    que o primeiro reator nuclear da Am&eacute;rica do Sul fosse produzido no Brasil;    foi professor de alunos que se tornaram grandes cientistas; desenvolveu estudos    que tiveram reconhecimento internacional. Al&eacute;m de tudo, orgulha-se, tamb&eacute;m,    de ter consertado muitos aparelhos eletr&ocirc;nicos por prazer e "para    ganhar uns cobrinhos", e de inventar um aparelho para afinar instrumentos    musicais. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Como surgiu seu interesse pela f&iacute;sica?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><b>MARCELO DAMY</b> Quando decidi ser f&iacute;sico, a f&iacute;sica    nem existia no Brasil. Quem ensinava a mat&eacute;ria eram m&eacute;dicos, engenheiros,    farmac&ecirc;uticos. Entrei em contato com a f&iacute;sica no gin&aacute;sio,    em Campinas, com An&iacute;bal de Freitas, um excelente professor que me incentivou    muito. Em S&atilde;o Paulo, entrei na Escola Polit&eacute;cnica para fazer o    curso de engenharia eletricista (como era chamada na &eacute;poca), onde tive    como professor de f&iacute;sica um engenheiro, tamb&eacute;m muito bom. Depois,    ao ser criada a Faculdade de Filosofia, a &aacute;rea de matem&aacute;tica e    f&iacute;sica da Poli uniu-se a ela. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a07fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3><i>Como conheceu o professor Gleb Wataghin?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Wataghin era o professor no curso de f&iacute;sica na Faculdade    de Filosofia. Assisti a uma confer&ecirc;ncia dele no Instituto de Engenharia,    com outros colegas como o M&aacute;rio Schemberg, e foi surpreendente saber    que havia uma f&iacute;sica da qual n&oacute;s nunca hav&iacute;amos ouvido    falar. Naquele momento, ficamos sabendo que os f&iacute;sicos continuavam a    fazer descobertas em seus laborat&oacute;rios. Decidi assistir as aulas do Wataghin    como ouvinte.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>O que o fez mudar os rumos de sua carreira?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Depois de freq&uuml;entar o primeiro semestre, fiquei amigo dos    poucos alunos que haviam se matriculado na Faculdade de Filosofia para estudar    f&iacute;sica e fui assistir ao exame deles. Quando terminou, Wataghin virou-se    para mim e disse assim "<i>Venga!</i>". Respondi: "Professor,    n&atilde;o sou seu aluno, sou ouvinte. Sou da Escola Polit&eacute;cnica".    Mas ele insistiu: "N&atilde;o, voc&ecirc; est&aacute; sempre aqui e eu    quero ver o que voc&ecirc; aprendeu". Assim, de sopet&atilde;o, eu fiz    um exame oral (risos). E me sa&iacute; muito bem, t&atilde;o bem que ele me    prop&ocirc;s mudar da engenharia para a f&iacute;sica. Virei f&iacute;sico,    gra&ccedil;as a ele. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Naquela &eacute;poca, o professor Wataghin j&aacute; dava aulas    sobre mec&acirc;nica qu&acirc;ntica?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Sim! Ele era um dos maiores f&iacute;sicos da It&aacute;lia, era    amigo do Heisenberg... Quando a Faculdade de Filosofia foi criada, n&atilde;o    tinha nem pr&eacute;dio, por isso funcionava na Polit&eacute;cnica. Wataghin    tinha l&aacute; o seu escrit&oacute;rio, e arrumou uma mesa para mim e outra    para o M&aacute;rio Schemberg. Era uma sala grande, com duas mesas, um quadro    negro, dep&oacute;sito de livro, dep&oacute;sito de aparelho... lugar para aluno...    era tudo junto. Mas quando ele come&ccedil;ava a dar aula, todo mundo tinha    que ficar quieto. E foi assim que come&ccedil;ou. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Qual a diferen&ccedil;a do professor Wataghin em rela&ccedil;&atilde;o    a outros professores da Poli?</i></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>Ele era muit&iacute;ssimo diferente. A grande diferen&ccedil;a    era, basicamente, a seguinte: Wataghin era um homem que j&aacute; tinha trabalhado    com f&iacute;sica at&ocirc;mica e nuclear; ele acreditava no &aacute;tomo, em    part&iacute;culas elementares, em rea&ccedil;&otilde;es, em fazer descobertas    dentro da f&iacute;sica; j&aacute;, os outros professores da &eacute;poca, n&atilde;o.    Eles repetiam as mesmas coisas que liam ao prepararem suas aulas, na v&eacute;spera.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Os acad&ecirc;micos brasileiros da &eacute;poca resistiram    &agrave; vinda de Wataghin para o Brasil?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Havia uma resist&ecirc;ncia infinita, que n&atilde;o existe mais.    Por exemplo, falar em r&aacute;dio naquele tempo, o pessoal achava coisa de    loucos. Uma v&aacute;lvula de r&aacute;dio? Todos davam risadas. Havia um grande    atraso no tempo. Por exemplo, o livro de f&iacute;sica oficial daquele tempo    era de antes da Primeira Guerra Mundial. Quer dizer, &aacute;tomo era uma abstra&ccedil;&atilde;o...    E Wataghin falava em &aacute;tomo – "<i>particele elementare</i>"–    ... essas coisas todas.Grande parte dos professores combatia a Faculdade de    Filosofia por ensinar abstra&ccedil;&otilde;es. Eles tinham uma mentalidade    de antes da Primeira Guerra Mundial. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>O senhor poderia mencionar alguma aula inesquec&iacute;vel?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Acho que todas as aulas de Wataghin eram marcantes. Ele tinha    um outro conceito de ensino. Ele contava o fen&ocirc;meno que ele estudou, uma    experi&ecirc;ncia que ele fez. Os nossos professores contavam uma experi&ecirc;ncia    que algu&eacute;m escreveu em um livro. Possivelmente, nunca nem tinham feito    aquela experi&ecirc;ncia. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Na sua opini&atilde;o, o que &eacute; ser um pesquisador e    ser um professor?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Um bom professor &eacute; um pesquisador que gosta de contar as    coisas que faz e que viu outros fazerem. Eu n&atilde;o conhe&ccedil;o nenhum    bom professor que n&atilde;o tenha sido, ou n&atilde;o seja ainda, um pesquisador.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>O senhor foi professor do Cesar Lattes. Ele era um aluno diferenciado?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Com certeza! Ele &eacute; o maior cientista que o Brasil j&aacute;    produziu. A gente percebe pelas perguntas que o aluno faz em aula. Conforme    a pergunta, a gente sabe o seu n&iacute;vel, e um bom professor indica sempre    os livros mais modernos. Quando um aluno l&ecirc;, ele quer mais informa&ccedil;&otilde;es,    ent&atilde;o, faz perguntas sobre aquele tipo de pesquisa. A gente nota logo    o aluno que vai ser um pesquisador e aquele que n&atilde;o vai. Eu nunca tive    d&uacute;vidas com rela&ccedil;&atilde;o ao Cesar. Ele &eacute;, indiscutivelmente,    o melhor cientista que o Brasil j&aacute; teve. Pelas descobertas que ele fez    em f&iacute;sica experimental, do M&eacute;son pi. S&oacute; isso j&aacute;    chega... (risos)</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>O senhor foi professor de muitas mulheres que se dedicaram    ao estudo da F&iacute;sica?</i></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>Muitas mulheres, algumas excepcionais. As atuais professoras de    f&iacute;sica da PUC-SP, que fizeram doutoramento comigo, continuam fazendo    pesquisas de primeira ordem, em um acordo com a Universidade de Coimbra e com    um centro de pesquisas em Genebra - o maior centro de pesquisas do mundo, onde    est&aacute; a maior autoridade mundial em detectores de part&iacute;culas e    a aparelhagem mais perfeita que existe. N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as    nas pesquisas feitas por homens ou mulheres.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Como se criou o Instituto de F&iacute;sica Gleb Wataghin da    Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)? </i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Eu j&aacute; estava aposentado da USP e, no ano em que eu me aposentei,    o professor Zeferino Vaz, um homem de grande vis&atilde;o, resolveu criar a    Unicamp e me convidou para organizar o Instituto de F&iacute;sica. Assim eu    fui para l&aacute;. Na ocasi&atilde;o, t&iacute;nhamos f&iacute;sicos muito    bons que estavam treinando nos EUA, come&ccedil;ando pelo Rog&eacute;rio Cerqueira    Leite, e v&aacute;rios outros. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Quais linhas de pesquisas iniciaram-se nesse instituto?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Decidi iniciar pela f&iacute;sica no estado s&oacute;lido porque    era o ramo que estava mais em desenvolvimento e que dependia mais de uma s&eacute;rie    de teorias que tinham que ser verificadas. E tamb&eacute;m pela mec&acirc;nica    qu&acirc;ntica, de part&iacute;culas, que acabavam de surgir. Procurei trazer    o melhor pessoal que j&aacute; estava trabalhando nesses campos no exterior.    Mas, quando o indiv&iacute;duo vinha para c&aacute; tinha o compromisso de organizar    o seu laborat&oacute;rio igual ao que ele trabalhava l&aacute; fora, de modo    que toda a instrumenta&ccedil;&atilde;o que ele usava l&aacute; fora vinha para    o Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Onde est&aacute; o aparelho que o senhor usou nas pesquisas    sobre raios c&oacute;smicos e chuveiros penetrantes na Universidade de Cambridge    e trouxe para o Brasil, no seu retorno ?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3> Se eu contar, voc&ecirc;s n&atilde;o acreditam... foi para o    lixo! Jogaram o aparelho no lixo. O que tem ainda, do meu tempo, &eacute; o    betatron que eu montei, puxei quil&ocirc;metros de fios ali... Agora, aqui em    S&atilde;o Paulo, foi para o lixo o aparelho com o qual n&oacute;s fizemos todas    as pesquisas de raios c&oacute;smicos, e que eu trouxe da Inglaterra. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a07fig02.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3><i>Na sua opini&atilde;o, qualquer pessoa pode ser um cientista?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>N&atilde;o. Um cientista tem que ser, em primeiro lugar, inteligente    e tamb&eacute;m ser criativo. Criatividade a gente desenvolve no aluno enquanto    ele estuda, provocando. A gente descreve uma experi&ecirc;ncia no laborat&oacute;rio,    faz o aluno pegar um aparelho, montar um aparelho, tentar descobrir como ele    &eacute; feito, explicar porque aqui tem uma molinha, porque ali n&atilde;o    tem...</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Quais s&atilde;o seus interesses al&eacute;m da f&iacute;sica?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Os f&iacute;sicos t&ecirc;m que se interessar por muitas coisas.    Eu tenho v&aacute;rios hobbies. No tempo de estudante, o meu hobby foi mexer    em aparelhos de r&aacute;dio. Eu gostava de mexer com eletricidade, descobri    que podia ganhar algum dinheiro e, com isso, custeei meus estudos. Depois de    formado, meu interesse voltou-se para a m&uacute;sica. Minha m&atilde;e era    professora de piano, ent&atilde;o eu gostava muito de piano, mas n&atilde;o    tinha paci&ecirc;ncia de aprender, queria tocar logo de cara. Mas me casei com    uma pianista, a L&uacute;cia. A&iacute; voltou n&atilde;o s&oacute; o interesse    pela m&uacute;sica cl&aacute;ssica, que eu sempre cultivei, mas voltou a parte    experimental. Quero dizer, o piano encrencava e eu consertava (risos). N&oacute;s    t&iacute;nhamos aqui em casa, at&eacute; pouco tempo atr&aacute;s, um conjunto    renascentista de flautas doce. Eu tenho todos esses instrumentos antigos aqui    em casa, que n&oacute;s compramos na Europa, inclusive um cravo. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>O senhor sabe tocar esse cravo?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Quem toca &eacute; a L&uacute;cia. A L&uacute;cia d&aacute; concertos    de piano com "c", e eu, conserto com "s". Fiz um aparelho    para afinar instrumentos musicais que emite todas as notas de qualquer instrumento.    A L&uacute;cia, que &eacute; professora do Municipal, espalhou que eu tinha    um aparelho que afinava qualquer outro, e minha casa virou um inferno. Chegava    fim de semana e aparecia gente pedindo para eu afinar os aparelhos. Foi &oacute;timo    porque t&iacute;nhamos m&uacute;sica muita boa aqui nos fins de semana. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><i>Qual a gra&ccedil;a de ser cientista?</i></FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Eu me realizo, porque eu me sinto capaz de realizar as coisas    que eu gosto. Se eu quiser fazer um piano, eu fa&ccedil;o. Se eu quiser fazer    um bandolim, eu sei como calcular e faz&ecirc;-lo funcionar, verificar se ele    &eacute; bom. Agora, ser f&iacute;sico, &eacute; uma coisa bonita... D&aacute;    uma sensa&ccedil;&atilde;o de poder sobre a natureza. Poder sobre certas coisas    naturais, mas n&atilde;o sobre a vida. A f&iacute;sica &eacute; bonita porque    ela explica coisas que, para muitos, s&atilde;o misteriosas. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><i><b>Juliana Schober e Roberto Belis&aacute;rio</b></i></FONT></P>     ]]></body>
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