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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><FONT SIZE=3>PESQUISA</FONT></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a04img02.gif"></P>     <P><FONT SIZE=4><b>Estudos sobre o tema da guerra tamb&eacute;m se fazem nas universidades    brasileiras</b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Enquanto a m&iacute;dia faz de qualquer guerra um festival de    informa&ccedil;&otilde;es, existem poucas pesquisas brasileiras preocupadas    em analisar este fen&ocirc;meno, dando a impress&atilde;o de que a guerra como    manchete nos jornais &eacute; muito mais interessante do que como objeto de    estudo. Geraldo Lesbat Cavagnari Filho, fundador e pesquisador do N&uacute;cleo    de Estudos Estrat&eacute;gicos (NEE), da Unicamp, acrescenta que os estudos    sobre o tema ainda n&atilde;o est&atilde;o nas universidades e, sim, concentrados    nas escolas de altos estudos militares - como a Escola de Comando e Estado-Maior    do Ex&eacute;rcito, a Escola de Guerra Naval e a Escola de Comando e Estado-Maior    da Aeron&aacute;utica. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Segundo Carlos Eduardo de Melo Viegas da Silva, mestrando do N&uacute;cleo    de Pesquisas For&ccedil;as Armadas e Sociedade, da Universidade Federal de S&atilde;o    Carlos (UFScar), os estudos sobre guerra no Brasil come&ccedil;am a crescer    no meio acad&ecirc;mico, apesar de ainda serem vistos de forma preconceituosa    pelos acad&ecirc;micos, uma 'coisa de militar'.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a09fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>Apesar do preconceito no meio acad&ecirc;mico, os pesquisadores    chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia desses estudos "Tais    estudos s&atilde;o insumos no campo dos estudos estrat&eacute;gicos, e, sobretudo,    no campo do planejamento militar. Tanto para planejar como para conduzir uma    guerra &eacute; necess&aacute;rio o conhecimento do fen&ocirc;meno", diz    Cavagnari. "Em termos de rela&ccedil;&otilde;es internacionais, vivemos    um momento com muitos pontos de interroga&ccedil;&atilde;o. O Brasil &eacute;,    tradicionalmente, um pa&iacute;s que vive um problema complicado pois tem um    patrim&ocirc;nio riqu&iacute;ssimo e, como qualquer estado-na&ccedil;&atilde;o    constitu&iacute;do, tem a necessidade de defesa nacional.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Cavagnari salienta que o fato da condu&ccedil;&atilde;o da guerra    ser pol&iacute;tica e n&atilde;o militar, j&aacute; justificaria a presen&ccedil;a    dos estudos sobre guerra nas universidades para que se tenha uma massa cr&iacute;tica    de te&oacute;ricos e administradores civis de defesa. Ele conta que os estudos    estrat&eacute;gicos nas universidades antecedem a Primeira Guerra Mundial e    que, ao final da Segunda Guerra, j&aacute; estavam consolidados no &acirc;mbito    universit&aacute;rio das grandes pot&ecirc;ncias, como os EUA. Por&eacute;m,    o pesquisador considera que o poderio militar norte-americano n&atilde;o se    deve, apenas, &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o em estudos de guerra daquele pa&iacute;s.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>A geopol&iacute;tica americana, formulada na segunda metade do    s&eacute;culo XIX, foi fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o de uma marinha    potente, capaz de estar presente em todos os oceanos e na maioria dos mares,    al&eacute;m de ser capaz de afastar amea&ccedil;as &agrave; integridade do territ&oacute;rio    continental dos EUA. Cavagnari salienta a import&acirc;ncia da economia e tecnologia    norte-americana, sem as quais as proposi&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas    dos estudos n&atilde;o se tornariam realidade. "Sem esses dois vetores,    nenhuma proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica &eacute; capaz de desenvolver    poder militar". Segundo ele, uma boa estrat&eacute;gia n&atilde;o compensa    a fraqueza militar, ainda mais se a pot&ecirc;ncia mais forte estiver disposta    a empregar todos os seus meios - inclusive de destrui&ccedil;&atilde;o em massa    - para vencer.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Viegas acredita que, al&eacute;m de estudos sobre teoria b&eacute;lica,    &eacute; importante que o Brasil empenhe esfor&ccedil;os para dominar uma tecnologia    aeroespacial e tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de aperfei&ccedil;oar    o pessoal militar "&Eacute; preciso que os soldados tenham um alto n&iacute;vel    de instru&ccedil;&atilde;o para serem capazes de usar tecnologia sofisticada".    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3><b>PESQUISA BRASILEIRA</b> Um dos estudos que v&ecirc;m sendo    realizados no Brasil sobre teoria da guerra &eacute; o de Viegas, sob a orienta&ccedil;&atilde;o    de Jo&atilde;o Roberto Martins. O objetivo da pesquisa &eacute; examinar as    transforma&ccedil;&otilde;es que afetam a guerra no mundo contempor&acirc;neo    "tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas caracter&iacute;sticas como    fen&ocirc;meno pol&iacute;tico como em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es    em assuntos especificamente militares, que afetam as rela&ccedil;&otilde;es    de poder entre os Estados", conta Viegas. Para a realiza&ccedil;&atilde;o    desse estudo, ele far&aacute; uma revis&atilde;o das obras de autores importantes    da &aacute;rea, como Clausewitz, Jomini, Martim van Creveld e John Keegan.</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>"Como pretendemos discutir a postula&ccedil;&atilde;o de    Clausewitz que diz 'qualquer guerra ser&aacute; considerada um ato pol&iacute;tico',    &eacute; preciso analisar as obras de outros pensadores, como o historiador    John Keegan que nega por completo o paradigma pol&iacute;tico de Clausewitz",    conta Viegas. "Esse trabalho, ao comparar as diferentes concep&ccedil;&otilde;es    sobre a teoria da guerra, tomando como referencial cl&aacute;ssico Clausewitz,    e os autores mais recentes que o negam ou procuram super&aacute;-lo, pretende    contribuir para colocar em perspectiva alguns esquemas te&oacute;ricos de reflex&atilde;o    sobre o tema", complementa. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a09fig02.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>A pesquisa de Viegas &eacute; bastante pertinente no contexto    mundial atual. Desde os acontecimentos do dia 11 de setembro de 2001 e da declara&ccedil;&atilde;o    de guerra ao "terrorismo", a partir da alian&ccedil;a formada ao redor    dos EUA, tem - se falado sobre um "novo tipo de guerra" - como foi    declarado pelo pr&oacute;prio presidente George Bush.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><i><b>Juliana Schober</b></i></FONT></P>      ]]></body>

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