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</front><body><![CDATA[ <P><FONT SIZE=4><b>MIS</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE=5><b>R<small>ESGATE DA MEM&Oacute;RIA DA </small>TV<small> BRASILEIRA</small></b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a33fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE=3>A an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o televisiva pode revelar    algo da alma de uma sociedade, seus desejos, ambi&ccedil;&otilde;es, prefer&ecirc;ncias    de consumo, moda, h&aacute;bitos entre outros aspectos de comportamento. Portanto,    ao resgatar a hist&oacute;ria da televis&atilde;o, de alguma forma, a pr&oacute;pria    mem&oacute;ria social est&aacute; sendo preservada. No Brasil, conhecer a programa&ccedil;&atilde;o    de TV &eacute; conhecer o brasileiro, que &eacute; um agente que inspira a produ&ccedil;&atilde;o.    Alguns exemplos de produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas refor&ccedil;am    essa evid&ecirc;ncia, como o seriado semanal <i>A grande fam&iacute;lia</i>    que se baseia no cotidiano de uma fam&iacute;lia t&iacute;pica brasileira, com    seus agregados e suas brigas. O programa repete a f&oacute;rmula de sucesso    dos anos de 1970, quando era escrito pelo c&eacute;lebre dramaturgo Oduvaldo    Vianna Filho. Se comparados, percebemos que o antigo evidencia uma &eacute;poca    com mais ingenuidade e esperan&ccedil;a, em confronto ao que mostram as s&eacute;ries    atuais. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Outro programa significativo na hist&oacute;ria da televis&atilde;o    &eacute; o <i>Malu mulher</i>, que nos anos de 1980 discutia temas arrojados    para a &eacute;poca como emancipa&ccedil;&atilde;o feminina, orgasmo, aborto    e conflitos entre m&atilde;e e filha. O conjunto dos epis&oacute;dios ajuda    a entender a trajet&oacute;ria da mulher brasileira, sua inser&ccedil;&atilde;o    no mercado de trabalho, a aprova&ccedil;&atilde;o da lei do div&oacute;rcio,    etc. O programa &eacute;, ao mesmo tempo, um documento sobre a pr&oacute;pria    televis&atilde;o e sobre a hist&oacute;ria da mulher brasileira, da&iacute;    a import&acirc;ncia de ser conservado e ficar dispon&iacute;vel ao p&uacute;blico.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Al&eacute;m de viabilizar um estudo mais sociol&oacute;gico do    papel da televis&atilde;o, preservar sua hist&oacute;ria permite a recupera&ccedil;&atilde;o    das fitas, que viabilizam, entre outras coisas, o <i>remake</i>. Esse &eacute;    o papel que espera cumprir o Museu da Imagem e do Som (MIS)de S&atilde;o Paulo,    ao focar sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o televisiva    no in&eacute;dito plano diretor rec&eacute;m-divulgado. O intuito &eacute; direcionar    parte do projeto do museu para capta&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o    da mem&oacute;ria da televis&atilde;o brasileira, al&eacute;m de promover discuss&otilde;es    e debates sobre esse meio de comunica&ccedil;&atilde;o fundamental na composi&ccedil;&atilde;o    da cultura brasileira desde o seu surgimento at&eacute; os dias de hoje. </FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>O atual diretor do MIS, Amir Labaki, disse que encontrou receptividade    por parte das emissoras de TV, para se tornarem parceiras do museu em sua nova    linha de atua&ccedil;&atilde;o: "A televis&atilde;o brasileira descobriu    a import&acirc;ncia de sua mem&oacute;ria e o museu pretende ser uma esp&eacute;cie    de cole&ccedil;&atilde;o-&iacute;ndice dos grandes marcos de sua produ&ccedil;&atilde;o,    chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia dessa hist&oacute;ria    e ser um catalisador de um debate mais maduro sobre a arte da TV".</FONT></P>     <P><FONT SIZE=3>Parte da qualidade e diversidade desses acervos puderam ser conferidos    na mostra "Televis&atilde;o Paulista: 1965- 2000" que o museu exibiu    em sua reabertura oficial, em agosto. Na mostra, foram exibidos programas como    o <i>Aqui Agora</i> (SBT-1991), <i>TV Mulher</i> (Globo-1981), <i>Beto Rockefeller</i>    (Tupi-1968), <i>Vila S&eacute;samo</i> (Globo/Cultura-1975) entre outras produ&ccedil;&otilde;es.    Para ampliar o acervo, a id&eacute;ia &eacute; pedir a doa&ccedil;&atilde;o    dos arquivos das emissoras, o que parece ser muito conveniente para os dois    lados. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE=3>Parte desses acervos est&aacute; irremediavelmente perdida, pois    j&aacute; sofreram com inc&ecirc;ndios, inunda&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m    da reutiliza&ccedil;&atilde;o de fitas j&aacute; gravadas como meio de economizar.    O incentivo para essa iniciativa &eacute; mais raro porque prevalece a concep&ccedil;&atilde;o    de que televis&atilde;o &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o cultural de    segunda linha, diz Labaki.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right"><FONT SIZE=3><b><i>Patr&iacute;cia Mariuzzo</i></b></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v55n4/a33fig02.gif"></font></P>      ]]></body>
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