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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a01img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E</b><font size="3">m 1897, Freud comunicou a Wilhem Fliess,    em uma das tantas cartas que com ele trocou, que n&atilde;o acreditava mais    na sua <I>Neur&oacute;tica</I>, consolidando, assim, o abandono definitivo da    teoria da sedu&ccedil;&atilde;o, que preconizava a exist&ecirc;ncia de traumas    reais para a explica&ccedil;&atilde;o das neuroses. </font></font></p>     <p><font size="3">Os cr&iacute;ticos positivistas de Freud julgariam que a passagem    de seus estudos neurol&oacute;gicos do aparelho ps&iacute;quico para o m&eacute;todo    anal&iacute;tico-interpretativo consolidado em <I>A interpreta&ccedil;&atilde;o    dos sonhos</I> significava antes um recuo cient&iacute;fico do que um salto    no conhecimento da mente humana, t&atilde;o entusiasticamente anunciado pelo    seu autor. </font></p>     <p><font size="3">Ao longo dos anos, nem a psican&aacute;lise retrocedeu no esfor&ccedil;o    de compreender e analisar os mecanismos de funcionamento da psique humana, nem    tampouco a neuroci&ecirc;ncia, como sub-&aacute;rea multidisciplinar dos estudos    biol&oacute;gicos, deixou de avan&ccedil;ar na tentativa de explicar como o    c&eacute;rebro funciona e como se constitui e estrutura o circuito de suas rela&ccedil;&otilde;es    com a mente. </font></p>     <p><font size="3">A neuroci&ecirc;ncia tem conhecido um grande desenvolvimento,    em particular a partir dos anos 1990, d&eacute;cada marcada, entre outras coisas,    pelo invento da resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, tecnologia que passou a    possibilitar o registro de imagens de diferentes atividades do c&eacute;rebro,    em qualquer dom&iacute;nio das rela&ccedil;&otilde;es do homem com o mundo e    consigo mesmo. Mas se esses avan&ccedil;os s&atilde;o grandes, com conseq&uuml;&ecirc;ncias    importantes n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico,    como tamb&eacute;m do ponto de vista da aplicabilidade m&eacute;dica e terap&ecirc;utica    dos conhecimentos produzidos, o c&eacute;rebro e a mente humana continuam misteriosos    em suas rela&ccedil;&otilde;es, embora grupos de pesquisa j&aacute; anunciem    a descoberta dos genes da materialidade da consci&ecirc;ncia, ou, em outros    casos, das ra&iacute;zes org&acirc;nicas da viol&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3">O mist&eacute;rio, contudo, n&atilde;o afugenta, nem tampouco    assusta; ao contr&aacute;rio, atrai e motiva a continuidade dos estudos e a    pesquisa sistem&aacute;tica, como mostram, com riqueza de enfoques, os artigos    que comp&otilde;em o N&uacute;cleo Tem&aacute;tico deste n&uacute;mero da revista.    </font></p>     <p><font size="3">Com eles, as reportagens, as notas, as entrevistas, os textos    liter&aacute;rios comp&otilde;em, em fundo e forma, em figura e cen&aacute;rio,    em texto e enredo, a <I>gestalt</I> din&acirc;mica e criativa da <I>Ci&ecirc;ncia    e Cultura</I>. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="right"><font size="3">CARLOS VOGT    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <I>Editor Chefe, janeiro de 2004</I></font></p>      ]]></body>
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