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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O mundo do trabalho em mutação: profissões deixam de existir; novas funções são criadas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">OCUPA&Ccedil;&Otilde;ES</font></p>     <p><font size="4"><b>O mundo do trabalho em muta&ccedil;&atilde;o: profissões    deixam de existir; novas fun&ccedil;&otilde;es s&atilde;o criadas </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Um dos efeitos evidentes do aumento do uso da tecnologia no    setor produtivo &eacute; a diminui&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de postos    de trabalho. Especialistas que pesquisam o fen&ocirc;meno concordam que uma    sa&iacute;da para amenizar o grave impacto do desemprego sobre a sociedade &eacute;    reduzir o n&uacute;mero de horas trabalhadas, sem perda salarial. Essa, inclusive,    &eacute; uma das principais reivindica&ccedil;&otilde;es dos sindicatos, tanto    nos pa&iacute;ses desenvolvidos quanto nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos.    No entanto, a incorpora&ccedil;&atilde;o intensiva de tecnologia no mundo do    trabalho, seja na ind&uacute;stria, no com&eacute;rcio ou no setor de servi&ccedil;os,    trouxe uma realidade mais complexa que amplia o cen&szlig;rio da pesquisa e    n&atilde;o se restringe &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do emprego. Ocorre, hoje,    uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho    e no aparecimento de novas ocupa&ccedil;&otilde;es, com profiss&otilde;es sendo    extintas e outras, novas, criadas.</font></p>     <p><font size="3">Os sinais desse processo no Brasil foram detectados no trabalho    realizado para a mudan&ccedil;a na Classifica&ccedil;&atilde;o Brasileira de    Ocupa&ccedil;&otilde;es (CBO), lan&ccedil;ada em outubro de 2002. A CBO &eacute;    o documento utilizado por institui&ccedil;&otilde;es como o Instituto Brasileiro    de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) e o Minist&eacute;rio do Trabalho e    do Emprego (MTE) para reconhecer, nomear e codificar os t&iacute;tulos e o conte&uacute;do    das ocupa&ccedil;&otilde;es do mercado brasileiro. Segundo Cl&aacute;udia Paiva,    que chefia a divis&atilde;o da CBO nessa &aacute;rea, o surgimento de novas    tecnologias e a modifica&ccedil;&atilde;o das formas de organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho exigiram a atualiza&ccedil;&atilde;o do documento para o mercado    de trabalho brasileiro devido &agrave;s sens&iacute;veis modifica&ccedil;&otilde;es    dos &uacute;ltimos dez anos. </font></p>     <p><font size="3">A nova CBO 2002 tem uma s&eacute;rie de inova&ccedil;&otilde;es    em rela&ccedil;&atilde;o a sua vers&atilde;o anterior, de 1994. Entre as novas    ocupa&ccedil;&otilde;es descritas est&atilde;o as relativas a &aacute;reas com    perfil claramente tecnol&oacute;gico como biotecnologia, mecatr&ocirc;nica e    inform&aacute;tica. Mas as mudan&ccedil;as na CBO incluem, tamb&eacute;m, transforma&ccedil;&otilde;es    derivadas do mercado, como o crescimento dos setores de servi&ccedil;os culturais    e de comunica&ccedil;&otilde;es. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NOVAS FUN&Ccedil;&Otilde;ES</b> Uma das ocupa&ccedil;&otilde;es    em decl&iacute;nio identificadas &eacute; a de telefonista: a ocupa&ccedil;&atilde;o    est&aacute; sendo substitu&iacute;da pelos sistemas automatizados de atendimento    e por operadores de telemarketing.</font></p>     <p><font size="3">&quot;Apesar de a tecnologia ser o principal fator para cria&ccedil;&atilde;o    e extin&ccedil;&atilde;o de algumas profiss&otilde;es, ele n&atilde;o &eacute;    o &uacute;nico&quot;, afirma a soci&oacute;loga M&aacute;rcia de Paula Leite,    do Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o    da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para a pesquisadora, colaboram    nesse processo fatores econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e culturais. Como    exemplo, M&aacute;rcia cita os <I>motoboys</I>, uma categoria numerosa no Brasil    de hoje, que surgiu em decorr&ecirc;ncia do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o.    O adensamento populacional nas grandes cidades acarretou uma situa&ccedil;&atilde;o    de tr&acirc;nsito, que torna cada vez mais invi&aacute;vel o deslocamento de    pessoas e ve&iacute;culos. &quot;O surgimento e a expans&atilde;o dessa nova    categoria de trabalhadores decorre da necessidade de solucionar o problema.    Mas a motocicleta j&aacute; existia antes, ou seja, j&aacute; havia a tecnologia.    O seu uso &eacute; que mudou&quot;, assinala a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="3">As atividades culturais s&atilde;o, tamb&eacute;m, importantes    geradoras de emprego, e n&atilde;o est&atilde;o, necessariamente, ligadas ao    desenvolvimento tecnol&oacute;gico. No caso brasileiro, M&aacute;rcia cita o    carnaval como um evento que emprega sazonalmente milhares de pessoas em diversos    setores, com ocupa&ccedil;&otilde;es singulares, desde na produ&ccedil;&atilde;o    de fantasias, como prepara&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o    da performance nos desfiles. </font></p>     <p><font size="3">&quot;Em geral, as pessoas costumam vincular a extin&ccedil;&atilde;o    e cria&ccedil;&atilde;o de profiss&otilde;es ao uso de novas tecnologias, mas    &eacute; importante investigar a din&acirc;mica social como agente dessas transforma&ccedil;&otilde;es    o que, geralmente, &eacute; pouco abordado em estudos sobre esse tipo de fen&ocirc;meno&quot;,    considera a cientista social Bernardete W. Aued, coordenadora do n&uacute;cleo    de estudos sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho da Universidade    Federal de Santa Catarina (UFSC). </font></p>     <p><font size="3">Em seus estudos, Bernardete privilegia o contexto social de    surgimento e desaparecimento de determinadas profiss&otilde;es como, por exemplo,    a de alfaiate. Houve uma &eacute;poca em que as pessoas n&atilde;o tinham outra    forma de se vestir sen&atilde;o recorrendo aos servi&ccedil;os dos alfaiates,    cujas oficinas de confec&ccedil;&atilde;o funcionavam como espa&ccedil;os de    sociabilidade, como ponto de encontro para seus freq&uuml;entadores. &quot;Nesse    per&iacute;odo, o alfaiate era imprescind&iacute;vel; hoje, o trabalho manual    n&atilde;o consegue atender a demanda de roupas de uma sociedade industrializada,    e a profiss&atilde;o entrou em decl&iacute;nio&quot;, constata a cientista.</font></p>     <p><font size="3"><b>MUDAN&Ccedil;AS HIST&Oacute;RICAS</b> O per&iacute;odo p&oacute;s-guerra    foi marcado por uma revolu&ccedil;&atilde;o que afetou a vida das pessoas e    modificou a rela&ccedil;&atilde;o social entre capital e trabalho. Essa transforma&ccedil;&atilde;o    foi desencadeada pela substitui&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o tecnol&oacute;gico    fordista e taylorista, baseados na eletromec&acirc;nica, pelo novo padr&atilde;o    da microeletr&ocirc;nica empregada nas linhas de produ&ccedil;&atilde;o industrial    a partir da d&eacute;cada de 1970. </font></p>     <p><font size="3">Antes desse per&iacute;odo, as empresas norte-americanas detinham    o mercado mundial, mas passaram a sofrer a concorr&ecirc;ncia das ind&uacute;strias    europ&eacute;ias e japonesas. A linha de produ&ccedil;&atilde;o fordista, em    que a quantidade era a base da manufatura de bens, foi rapidamente substitu&iacute;da    por um modelo flex&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o industrial no qual a    qualidade passou a ser o ponto de refer&ecirc;ncia para a conquista de mercados    consumidores.</font></p>     <p><font size="3">Essa substitui&ccedil;&atilde;o ocorreu de formas e em &eacute;pocas    diferentes em todo o mundo. Segundo M&aacute;rcia, na Europa o fordismo incluiu    no sistema de produ&ccedil;&atilde;o o homem branco e de origem europ&eacute;ia,    deixando de fora os estrangeiros. J&aacute; no Brasil, esse regime foi marcado    por um outro tipo de processo de exclus&atilde;o. Uma grande parcela da popula&ccedil;&atilde;o    economicamente ativa est&aacute; dividida entre aqueles que t&ecirc;m os direitos    trabalhistas garantidos por carteira assinada e aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m.    &quot;Atualmente, essa exclus&atilde;o assume grandes propor&ccedil;&otilde;es,    pois os trabalhadores que n&atilde;o t&ecirc;m carteira assinada j&aacute; s&atilde;o    quase a metade da for&ccedil;a de trabalho&quot;, conclui a soci&oacute;loga.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Alexandre Zarias </I>e<I> Rafael Evangelista</i></font></p>     ]]></body>
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