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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">COOPERA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</font></p>     <p><font size="4"><b>A presen&ccedil;a da pesquisa estrangeira na Amaz&ocirc;nia    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> A rica biodiversidade da floresta tropical amaz&ocirc;nica,    que tem pelo menos 60% de sua extens&atilde;o em territ&oacute;rio brasileiro,    ainda &eacute; desconhecida ou mal entendida por muitos no pa&iacute;s. Praticamente    todos os grandes projetos de pesquisa em desenvolvimento na Amaz&ocirc;nia t&ecirc;m    participa&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os internacionais, como financiadores    ou com a presen&ccedil;a de pesquisadores. &quot;A coopera&ccedil;&atilde;o    internacional &eacute; o principal ator da pesquisa na Amaz&ocirc;nia&quot;,    considera a ge&oacute;grafa Bertha Becker, da Universidade Federal do Rio de    Janeiro (UFRJ). Grande parte da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre    a Amaz&ocirc;nia &eacute; sustentada por ag&ecirc;ncias internacionais. </FONT></p>     <p><font size="3">A maioria dos pesquisadores brasileiros concorda que o fato    em si n&atilde;o &eacute; negativo, mas colocam, como ressalva, a necessidade    de maior controle e o retorno das informa&ccedil;&otilde;es ao pa&iacute;s.    A autonomia excessiva das pesquisas estrangeiras na regi&atilde;o coloca em    quest&atilde;o quais os reais benef&iacute;ci&aacute;rios dessa coopera&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. O bi&oacute;logo Peter Mann de Toledo, diretor do Museu Paraense    Em&iacute;lio Goeldi (MPEG), considera os interc&acirc;mbios interessantes,    mas defende maior defini&ccedil;&atilde;o por parte do Brasil quanto ao que    se deseja nas coopera&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, estabelecendo regras.    O ocean&oacute;grafo Jos&eacute; Gomes, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa    na Amaz&ocirc;nia (Inpa), acrescenta que &eacute; ingenuidade achar que o Brasil    &eacute; auto-suficiente para fazer pesquisa na Amaz&ocirc;nia. &quot;Mas,    &eacute; fundamental que as parcerias aconte&ccedil;am em n&iacute;vel igualit&aacute;rio&quot;,    complementa. Entre os diversos especialistas que atuam    em institutos de pesquisa da regi&atilde;o h&aacute; um certo consenso de que    essa conviv&ecirc;ncia &eacute; imprescind&iacute;vel, pois a pesquisa brasileira    sozinha n&atilde;o se sustentaria, mas eles se preocupam com o destino das informa&ccedil;&otilde;es    obtidas e em como se ir&aacute; compartilhar tal conhecimento. Para    Tatiana S&aacute;, chefe-geral da Embrapa Amaz&ocirc;nia Oriental, &quot;n&atilde;o    devemos nos isolar, mas tamb&eacute;m n&atilde;o podemos fazer ‘vista grossa’&quot;.    O f&iacute;sico Paulo Artaxo da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) acrescenta    que n&atilde;o existe ci&ecirc;ncia isolada. </FONT></p>     <p><font size="3">&quot;Uma ci&ecirc;ncia tupiniquim at&eacute; fazemos sozinhos,    mas &eacute; um desperd&iacute;cio. Seriam pesquisas sem relev&acirc;ncia e    limitadas&quot;, diz Artaxo. Para Isabel Canto, pesquisadora associada do Instituto    de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade de Bras&iacute;lia    (UnB) &quot;n&atilde;o devemos ter um ‘sentimento xiita’ de que a Amaz&ocirc;nia    deve ser isolada do mundo. Temos que negociar, definir regras para a coopera&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. Ali&aacute;s, se par&aacute;ssemos as coopera&ccedil;&otilde;es,    certamente as parcerias teriam car&aacute;ter informal, fugindo mais ainda ao    controle da na&ccedil;&atilde;o&quot;, diz. </FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a07fig01.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>TENTATIVAS</b> O &quot;caminho do meio&quot; da coopera&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica na Amaz&ocirc;nia &eacute; um esfor&ccedil;o ainda insuficiente,    mas vis&iacute;vel. Segundo Isabel Canto, a inclus&atilde;o de pesquisadores    brasileiros nas discuss&otilde;es da formata&ccedil;&atilde;o da segunda fase    do Programa Piloto para Prote&ccedil;&atilde;o das Florestas Tropicais do Brasil    (PPG7) &eacute; um grande avan&ccedil;o. A iniciativa de inserir dez especialistas    brasileiros nas discuss&otilde;es do PPG7-II causou, inclusive, certo desconforto    &agrave; Ag&ecirc;ncia Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional    (USAID) e ao Banco Mundial (Bird), salienta Isabel. Outra    a&ccedil;&atilde;o positiva &eacute; a elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Plurianual    (PPA), tida como a primeira tentativa de institucionalizar o apoio &agrave;    pesquisa no Brasil, restringindo ou evitando grandes mudan&ccedil;as pela troca    de gestores. A inconst&acirc;ncia pol&iacute;tica &eacute; vista como um dos    entraves ao desenvolvimento cient&iacute;fico aut&ocirc;nomo na Amaz&ocirc;nia:    a&ccedil;&otilde;es isoladas e descontinuidade nos projetos inviabilizam a consolida&ccedil;&atilde;o    de uma pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica para aquela regi&atilde;o,    tornando o relacionamento dos cientistas brasileiros com as ag&ecirc;ncias internacionais    ainda mais pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="3">O Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT), atrav&eacute;s    do Conselho Nacional de Pesquisa Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica (CNPq),    lan&ccedil;ou um edital disponibilizando R$ 30 milh&otilde;es do Programa de    Apoio ao Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (PADCT) e do    Fundo Setorial de Infra-estrutura (CT-Infra) para iniciativas de parceria entre    as regi&otilde;es brasileiras para fortificar programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O objetivo &eacute; melhorar a distribui&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica dos n&uacute;cleos de excel&ecirc;ncia em pesquisa no pa&iacute;s.    A destina&ccedil;&atilde;o de 30% dos recursos dos fundos setoriais para essas    regi&otilde;es &eacute; outra a&ccedil;&atilde;o nesse sentido. Nos &uacute;ltimos    tr&ecirc;s anos, a comunidade regional tem discutido a cria&ccedil;&atilde;o    de um fundo exclusivo, o CT-Amaz&ocirc;nia, que reuniria, em um &uacute;nico    edital, os recursos resultantes da somat&oacute;ria dos percentuais de cada    um dos fundos setoriais. &quot;&Eacute; preciso melhorar a autonomia em rela&ccedil;&atilde;o    aos recursos internacionais&quot;, diz Isabel. A coopera&ccedil;&atilde;o desigual    n&atilde;o acontece somente entre Amaz&ocirc;nia e estrangeiros, mas, tamb&eacute;m,    na rela&ccedil;&atilde;o daquela regi&atilde;o com o Sudeste do pa&iacute;s.    Assim como existe o risco de os estrangeiros pautarem as pesquisas na Amaz&ocirc;nia    conforme seus interesses, tamb&eacute;m esse modelo pode ser replicado pelas    institui&ccedil;&otilde;es do Sudeste para o Norte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>S&iacute;lvia Fujiyoshi</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a07fig02.gif"></p>      ]]></body>
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