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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo sobre a população do alto Xingu é publicado na Science]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">CULTURA IND&Iacute;GENA</font></p>     <p><font size="4"><b>Estudo sobre a popula&ccedil;&atilde;o do alto Xingu &eacute;    publicado na Science </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O conhecimento sobre o passado das popula&ccedil;&otilde;es    ind&iacute;genas brasileiras ainda &eacute; pequeno, mas estudos recentes t&ecirc;m    ajudado a remediar essa falha. Gra&ccedil;as a uma pesquisa realizada por pesquisadores    brasileiros e americanos, publicada em setembro passado na revista <I>Science</I>,    sabemos hoje que popula&ccedil;&otilde;es muito sofisticadas habitaram a regi&atilde;o    do alto Xingu (AM) desde o s&eacute;culo IX. Infelizmente, essas popula&ccedil;&otilde;es    foram muito reduzidas com a chegada dos europeus no continente americano. Quando    os europeus chegaram na regi&atilde;o, encontraram a popula&ccedil;&atilde;o    dos &iacute;ndios cuicuros j&aacute; muito reduzida. Carlos Fausto, pesquisador    do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos    autores da pesquisa, afirma que evid&ecirc;ncias coletadas atrav&eacute;s da    hist&oacute;ria oral e documental mostram que a causa prov&aacute;vel dessa    queda demogr&aacute;fica brusca pode ter sido a var&iacute;ola uma doen&ccedil;a    que se espalha rapidamente e tem alto grau de letalidade. </font></p>     <p> <font size="3">&quot;A nossa tese &eacute; que a doen&ccedil;a chegou no s&eacute;culo    XVI quando j&aacute; existiam brancos europeus no continente americano. Como    a propaga&ccedil;&atilde;o da var&iacute;ola ocorre sem que haja, necessariamente,    o contato direto, bastando que sejam formadas cadeias de transmiss&atilde;o,    pode ter havido cont&aacute;gio por contato indireto, objetos ou roupas , por    exemplo&quot;, diz Fausto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a08fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Os antrop&oacute;logos, ling&uuml;istas, arque&oacute;logos    e os pr&oacute;prios &iacute;ndios que participaram da pesquisa, desenvolvida    desde 1990, realizaram escava&ccedil;&otilde;es e data&ccedil;&atilde;o de material    cer&acirc;mico, e mapearam 19 s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos no alto Xingu.    &quot;Nosso objetivo &eacute; entender e poder descrever como se passaram 1100    anos de desenvolvimento cultural na regi&atilde;o, atrav&eacute;s do estudo    da popula&ccedil;&atilde;o xinguana atual&quot;, conta Fausto. </font></p>     <p><font size="3">Certamente, os europeus que chegaram no alto Xingu n&atilde;o    foram os primeiros homens que tiveram o privil&eacute;gio de presenciar a exuberante    paisagem natural da regi&atilde;o. A popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena    local j&aacute; havia constru&iacute;do obras grandiosas, como aldeias compostas    por grandes estradas e fossos de defesa, al&eacute;m de ter modificado a paisagem    natural com &aacute;reas de planta&ccedil;&atilde;o para a subsist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">Esses europeus presenciaram aldeias e paisagens muito parecidas    com as que os pesquisadores presenciam hoje. &quot;As aldeias, no plano espacial,    s&atilde;o id&ecirc;nticas. Tanto no passado como hoje, h&aacute; uma pra&ccedil;a    em torno da qual se tem apenas um anel de casas e, em dire&ccedil;&atilde;o    da pra&ccedil;a, h&aacute; caminhos dispostos radialmente, que v&atilde;o at&eacute;    as pra&ccedil;as das aldeias atuais e s&atilde;o muito retos. No passado, esses    caminhos e as pra&ccedil;as centrais eram maiores e, em torno delas, havia v&aacute;rios    c&iacute;rculos de casas&quot;, descreve Fausto.</font></p>     <p><font size="3">Os fossos que circundavam as aldeias no passado e que serviam    para prote&ccedil;&atilde;o contra inimigos – provavelmente de outros grupos    ind&iacute;genas de l&iacute;ngua tupi e g&ecirc; – j&aacute; n&atilde;o existiam    mais quando aconteceram as invas&otilde;es europ&eacute;ias do s&eacute;culo    XVIII, o que fez com que os ind&iacute;genas ficassem ainda mais indefesos.    </font></p>     <p><font size="3"><b>GRANDEZA</b> Fausto diz ainda que o sistema social desses    ind&iacute;genas n&atilde;o diferia muito do atual. &quot;Uma hierarquia pol&iacute;tica    disting&uuml;ia as pessoas, a partir de linhagens de chefes. Esse prest&iacute;gio    estava ligado &agrave; capacidade de realizar grandes rituais&quot;, diz. Por    isso, as estradas eram t&atilde;o grandes, representando o poder do chefe que    as construiu – tal como fazem os pol&iacute;ticos at&eacute; hoje. </font></p>     <p><font size="3">Nas grandes estradas andavam homens a p&eacute;, que se deslocavam    entre as v&aacute;rias aldeias. &Eacute; poss&iacute;vel que o sistema econ&ocirc;mico    tamb&eacute;m fosse semelhante ao atual que, pelo menos desde o s&eacute;culo    XIX, se baseia em um sofisticado sistema de trocas entre v&aacute;rios grupos    ind&iacute;genas, com equival&ecirc;ncia entre objetos de prest&iacute;gio.    A cer&acirc;mica produzida pelos grupos aruaque, era trocada com colares e cintos    de caramujos dos caribes, que t&ecirc;m um valor equivalente a uma certa quantidade    de sal vegetal que, por sua vez, equivalia a um determinado tipo de arco de    madeira preta feita pelos &iacute;ndios tupi. Fausto acrescenta que, &quot;ainda    hoje, existe um grande festival intertribal de troca que &eacute; conhecido    pelo termo <I>camaiur&aacute;&quot;.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Juliana Schober</I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a08fig02.gif"></p>     ]]></body>
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