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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">BOT&Acirc;NICA</font></p>     <p><font size="4"><b>Digitaliza&ccedil;&atilde;o restaura obra do s&eacute;culo    XIX </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> O naturalista alem&atilde;o Carolus Fridericus Phillip von    Martius visitou o Brasil entre 1817 e 1820, junto com uma comitiva de 65 especialistas,    registrando e coletando a maior quantidade de informa&ccedil;&otilde;es relativas    &agrave; flora brasileira de que se tem not&iacute;cia. Elas est&atilde;o reunidas    na <i>Flora brasiliensis</i>, obra que at&eacute; hoje &eacute; refer&ecirc;ncia    para bot&acirc;nicos e taxonomistas e que ser&aacute; digitalizada e atualizada    em um esfor&ccedil;o conjunto da comunidade cient&iacute;fica. </font></p>     <p><font size="3">A id&eacute;ia &eacute; tornar dispon&iacute;vel, gratuitamente,    essa importante obra rara, descrita como &quot;um dos grandes feitos cient&iacute;ficos    de toda a hist&oacute;ria da biologia&quot; pelo coordenador do projeto, George    Shepherd da Unicamp. Com isso talvez seja poss&iacute;vel acelerar as pesquisas    sobre a flora do Brasil, estimada em um n&uacute;mero que pode variar de 35    mil a 70 mil esp&eacute;cies de angiospermas (plantas que possuem flores e frutos),    tamanho &eacute; o desconhecimento. O primeiro dos 130 fasc&iacute;culos foi    publicado em 1840 e o &uacute;ltimo s&oacute; ficou pronto 66 anos mais tarde,    38 anos depois da morte de seu idealizador. Est&atilde;o descritas 22.767 esp&eacute;cies    de plantas ao longo dos 46 volumes que comp&otilde;em a obra, com 3811 imagens    registradas em bel&iacute;ssimas litogravuras. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a10fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mesmo com todo o avan&ccedil;o do conhecimento cient&iacute;fico    nos &uacute;ltimos 100 anos, a publica&ccedil;&atilde;o de Martius ainda &eacute;    o registro mais completo. Para Shepherd, seriam necess&aacute;rios de 75 a 100    anos caso se quisesse publicar uma nova <i>Flora brasiliensis</i>. A estimativa    do coordenador do projeto parte de sua experi&ecirc;ncia em projeto similar,    um levantamento da flora do estado de S&atilde;o Paulo. Em andamento h&aacute;    dez anos, contando com uma equipe de pesquisadores, o estudo descreveu cerca    de 1,5 mil esp&eacute;cies em dois volumes publicados pela Fapesp, e outro que    est&aacute; a caminho. Faltam, por&eacute;m, mais 12 volumes para finalizar    o projeto. &quot;Falamos em conserva&ccedil;&atilde;o, mas nem sequer temos    informa&ccedil;&otilde;es de quantas esp&eacute;cies de plantas existem&quot;,    lamenta Shepherd, lembrando que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s mais rico do    mundo em angiospermas e em biodiversidade. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; a primeira vez que um grupo de pesquisadores    pensa em digitalizar a obra de Martius. A Biblioteca Nacional da Fran&ccedil;a    possui uma vers&atilde;o quase completa dispon&iacute;vel na internet. No entanto,    a baixa qualidade das imagens prejudica o trabalho minucioso do taxonomista    que precisa atentar para detalhes das estruturas retratadas em papel. Al&eacute;m    disso, a obra traz as informa&ccedil;&otilde;es em latim, como na vers&atilde;o    original. </font></p>     <p><font size="3">O novo projeto prev&ecirc; digitalizar em alta defini&ccedil;&atilde;o    as litogravuras, permitindo ao pesquisador ampliar &aacute;reas de seu interesse,    como se estivesse debru&ccedil;ado sobre o original. As informa&ccedil;&otilde;es    das esp&eacute;cies ter&atilde;o vers&atilde;o em portugu&ecirc;s e ingl&ecirc;s    e ser&atilde;o atualizadas - mais da metade das esp&eacute;cies precisa ter    sua nomenclatura revisada - o que possibilita o cruzamento com bancos de dados    cient&iacute;ficos do Brasil e do exterior. Ser&aacute; poss&iacute;vel, por    exemplo, localizar artigos cient&iacute;ficos, herb&aacute;rios que possuem    <i>exsicatas</i> (exemplares da planta seca), mapas de distribui&ccedil;&atilde;o    e localiza&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie de interesse, por meio de um sistema    de busca pelo nome popular ou cient&iacute;fico (atual ou antigo). Fotos, ilustra&ccedil;&otilde;es    e novas esp&eacute;cies dever&atilde;o ser inclu&iacute;das nesta que dever&aacute;    ser a nova edi&ccedil;&atilde;o da <i>Flora brasilienses</i>. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a10fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>QUALIDADE DO ACERVO</b> A digitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute;    um processo sofisticado de reprodu&ccedil;&atilde;o. Shepherd explica que existem    diferen&ccedil;as na qualidade dos exemplares dispon&iacute;veis no mundo. Por    este motivo, entre as reprodu&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis, optou-se    pela presente no Jardim Bot&acirc;nico de Missouri (EUA), que j&aacute; possui    experi&ecirc;ncia na digitaliza&ccedil;&atilde;o de acervos. Outro ponto delicado    &eacute; a pr&oacute;pria avalia&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias de plantas,    que deve ser feita por especialistas, muitas vezes ausentes no pa&iacute;s ou    que precisam trabalhar em conjunto para analisar fam&iacute;lias que possuem    at&eacute; 3 mil esp&eacute;cies, como &eacute; o caso da <i>Orquideacea</i>.</font></p>     <p><font size="3"><b>EQUIPE INTERNACIONAL</b> A equipe coordenada pelo bot&acirc;nico    da Unicamp re&uacute;ne, no Brasil, pesquisadores desta universidade, da USP    e do Centro de Refer&ecirc;ncia de Informa&ccedil;&atilde;o Ambiental (Cria);    nos Estados Unidos, os da Universidade de Wisconsin e do Jardim Bot&acirc;nico    de Missouri; e, ainda, do Jardim Bot&acirc;nico de Kew, na Inglaterra. &quot;Esse    projeto ser&aacute; importante para expor nossa ignor&acirc;ncia e chamar aten&ccedil;&atilde;o    para grupos de plantas ainda pouco estudados&quot;, destaca Shepherd.</font></p>     <p><font size="3">O projeto de uma digitaliza&ccedil;&atilde;o-piloto, abrangendo    6 a 8 fam&iacute;lias de plantas (a obra completa traz mais de 200 fam&iacute;lias)    deve durar aproximadamente dois anos. Foi encaminhado &agrave; Fapesp e a outras    fontes de financiamento, na expectativa de respostas positivas que permitam    que o projeto se concretize. O coordenador contabiliza que seriam necess&aacute;rios    cerca de R$250 mil para a primeira fase do projeto, que inclui compra de softwares,    computadores e profissionais que desenvolvam a arquitetura do <i>site</i>. </font></p>     <p><font size="3"> O Cria disp&otilde;e de uma curta vers&atilde;o do que seria    a digitaliza&ccedil;&atilde;o do material, que est&aacute; sob an&aacute;lise    da comunidade cient&iacute;fica para ajustes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A digitaliza&ccedil;&atilde;o permitir&aacute; n&atilde;o apenas    que um n&uacute;mero maior de pesquisadores tenha acesso &agrave; <i>Flora brasiliensis</i>,    mas tamb&eacute;m que ela seja preservada. Isso porque a publica&ccedil;&atilde;o    do s&eacute;culo XIX &eacute; utilizada rotineiramente nos laborat&oacute;rios    dos que estudam as plantas brasileiras e, n&atilde;o raras vezes, sem a manipula&ccedil;&atilde;o    apropriada a obras como esta, ocorrem danos que um dia poder&atilde;o ser irrepar&aacute;veis    e inviabilizar sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Para contar esta situa&ccedil;&atilde;o,    George Shepherd conta que o Instituto de Bot&acirc;nica da Unicamp providenciou    uma c&oacute;pia reduzida para os bi&oacute;logos e guardou a edi&ccedil;&atilde;o    original, agora reservada para aprecia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Germana Barata</i></font></p>      ]]></body>
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