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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">DOEN&Ccedil;A DO PRECONCEITO</font></p>     <p><font size="4"><b>Brasil supera &Iacute;ndia em casos de hansen&iacute;ase    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Em uma famosa cena do filme <i>Ben-Hur</i>, de 1954, o her&oacute;i-protagonista    Judah Ben-Hur, interpretado por Charlton Heston, invade um lepros&aacute;rio    para buscar sua m&atilde;e e a irm&atilde;, internadas por causa da doen&ccedil;a.    Vencedor de 11 Oscars, o filme mostrou na tela o estigma, descrito desde os    textos b&iacute;blicos, que o portador da doen&ccedil;a sofre. </font></p>     <p><font size="3">No Brasil, embora o termo &quot;lepra&quot; tenha sido abolido    em agosto de 1975, pelo Decreto 76.078, o preconceito persiste. A hansen&iacute;ase    tem cura, o tratamento &eacute; simples, relativamente r&aacute;pido, n&atilde;o    interrompe as atividades cotidianas e os medicamentos s&atilde;o obtidos gratuitamente    nos hospitais p&uacute;blicos espalhados por todo o pa&iacute;s. Mesmo assim,    dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), divulgados    em 2003, destacam o Brasil num desagrad&aacute;vel ranking: superou a &Iacute;ndia    e se transformou no pa&iacute;s com maior n&uacute;mero de casos de hansen&iacute;ase    no mundo. A m&eacute;dia brasileira &eacute; de 4,1 casos por 10 mil habitantes,    contra 3,2 casos da &Iacute;ndia. &quot;Os altos &iacute;ndices de incid&ecirc;ncia    da doen&ccedil;a devem-se &agrave; falta de diagn&oacute;stico e &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o    do tratamento, realizado por multiterapia de antibi&oacute;ticos&quot;, explica    a vice-presidente de pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz)    do Rio de Janeiro, Euzenir Nunes Sarno, que desenvolve pesquisas sobre a imunopatologia    das afec&ccedil;&otilde;es decorrentes da hansen&iacute;ase, uma doen&ccedil;a    que inclui-se num conjunto de mol&eacute;stias dermatol&oacute;gicas, entre    elas a sarna e o sarcoma de Kaposi. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a12fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONT&Aacute;GIO</b> Provocada por uma bact&eacute;ria de    multiplica&ccedil;&atilde;o lenta, a <i>Mycobacterium leprae</i>, a hansen&iacute;ase    pode ficar incubada por at&eacute; dez anos antes de desenvolver sintomas. A    transmiss&atilde;o se d&aacute; no contato &iacute;ntimo e freq&uuml;ente com    o doente, mas a maioria das pessoas &eacute; resistente &agrave; bact&eacute;ria:    de cada oito pessoas que t&ecirc;m contato com um portador de hansen&iacute;ase,    apenas um se contamina. &quot;A resist&ecirc;ncia &agrave; bact&eacute;ria pode    estar ligada &agrave; predisposi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica&quot;, avalia    Sarno. </font></p>     <p><font size="3">O coordenador do Instituto Lauro de Souza Lima, Diltor Vladimir    Opromolla, informa que as condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-econ&ocirc;micas,    a alimenta&ccedil;&atilde;o e os h&aacute;bitos pessoais interferem na contamina&ccedil;&atilde;o.    &quot;Quanto maior o n&uacute;mero de pessoas vivendo aglomeradas, como em favelas,    maior o risco de contamina&ccedil;&atilde;o&quot;, explica. O Instituto desenvolve    pesquisas com hansen&iacute;ase desde 1989. Antes disso, funcionava como asilo    aos portadores da doen&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="3"><b>TRATAMENTO</b> Para Opromolla, a falta de informa&ccedil;&atilde;o    contribui para que as pessoas n&atilde;o procurem ou abandonem o tratamento,    pois &eacute; uma doen&ccedil;a como outra qualquer, a diferen&ccedil;a &eacute;    o preconceito. O primeiro sintoma &eacute; o surgimento de manchas dormentes,    esbranqui&ccedil;adas ou avermelhadas, sem sensibilidade ao calor e &agrave;    dor. Sem o tratamento adequado, a bact&eacute;ria atinge o sistema nervoso perif&eacute;rico,    o que resulta em les&otilde;es motoras e deformidades irrevers&iacute;veis que    podem levar a amputa&ccedil;&atilde;o de extremidades. O tratamento por multiterapia    leva seis meses no caso da hansen&iacute;ase tipo paucibacilar (quando a bact&eacute;ria    &eacute; potencialmente menos nociva); ou um ano, protocolo para o tipo multibacilar    (a bact&eacute;ria &eacute; mais nociva). </font></p>     <p><font size="3"> No Brasil, a incid&ecirc;ncia da hansen&iacute;ase varia de    acordo com a regi&atilde;o: 20 estados t&ecirc;m taxas consideradas altas ou    muito altas da doen&ccedil;a. O Brasil assumiu o compromisso de erradicar a    doen&ccedil;a (reduzir o n&uacute;mero de casos a ponto de interromper a transmiss&atilde;o)    para menos de um caso por 10 mil habitantes at&eacute; 2005. O mesmo compromisso    foi firmado, em 1991, com meta de erradicar a doen&ccedil;a at&eacute; 2000,    o que n&atilde;o aconteceu.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Sabine Righetti</i></font></p>      ]]></body>
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