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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a15img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">OMC</font></p>     <p><font size="4"><b>Debilidade t&eacute;cnica dificulta negocia&ccedil;&atilde;o    para os pa&iacute;ses pobres </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O impasse que levou ao colapso da &uacute;ltima reuni&atilde;o    ministerial da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), em    Cancun, n&atilde;o teve apenas um car&aacute;ter pol&iacute;tico. A alega&ccedil;&atilde;o    dos pa&iacute;ses africanos, ao se negarem a discutir as chamadas quest&otilde;es    de Cingapura (investimentos, facilita&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio, compras    governamentais e pol&iacute;ticas de competi&ccedil;&atilde;o), pois n&atilde;o    se sentiam capazes de avaliar o efeito dessas medidas em sua economia, &eacute;    um problema real. As reuni&otilde;es ministeriais s&atilde;o, particularmente,    mais dif&iacute;ceis para os pa&iacute;ses subdesenvolvidos: extensas, complexas,    abrangem &aacute;reas t&atilde;o distintas como subs&iacute;dios agr&iacute;colas,    servi&ccedil;os ambientais e regras de patentes. &quot;Apenas pa&iacute;ses    ricos, com suas grandes delega&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o capazes de acompanhar    todos os assuntos&quot;, afirma Mark Ritchie, presidente do Institute for Agricultures    and Trade Policy (IATP) – Instituto por Pol&iacute;ticas em Agricultura e Com&eacute;rcio.    O IATP &eacute; uma das institui&ccedil;&otilde;es mais atuantes no acompanhamento    e na fiscaliza&ccedil;&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es da OMC.</font></p>     <p><font size="3">Ritchie considera que o embaixador brasileiro Rubens Ric&uacute;pero,    atual secret&aacute;rio-geral da United Nations Conference on Trade and Development    (Unctad) – Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Com&eacute;rcio    e Desenvolvimento – tem um papel importante neste cen&aacute;rio. &quot;&Eacute;    uma das pessoas mais experientes em com&eacute;rcio multilateral e acompanha    esse tipo de negocia&ccedil;&atilde;o desde a rodada Uruguai, quando foi criada    a OMC&quot;. O trabalho da Unctad &eacute;, justamente, assessorar os pequenos    pa&iacute;ses com informa&ccedil;&otilde;es que os permitam negociar em melhores    condi&ccedil;&otilde;es. Ric&uacute;pero explica que a institui&ccedil;&atilde;o    faz pesquisa, an&aacute;lise e coleta de dados, e busca preparar os pa&iacute;ses    em desenvolvimento para as negocia&ccedil;&otilde;es comerciais, oferecendo    informa&ccedil;&otilde;es sobre o com&eacute;rcio em agricultura e em outros    campos. &quot;Quase todos os pa&iacute;ses em desenvolvimento - tirando alguns    poucos asi&aacute;ticos - t&ecirc;m uma situa&ccedil;&atilde;o muito prec&aacute;ria.    Mesmo que tenham alguns quadros universit&aacute;rios de valor, n&atilde;o disp&otilde;em    de institui&ccedil;&otilde;es governamentais que absorvam tais pessoas, por    n&atilde;o poder pag&aacute;-las convenientemente&quot;, completa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a15fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ric&uacute;pero, antes e durante o encontro de Cancun, tem feito    sugest&otilde;es espec&iacute;ficas de reforma nos procedimentos da OMC, diz    Ritchie. Entre elas, est&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um comit&ecirc;    de ajuda global no campo jur&iacute;dico que possa assessorar os pa&iacute;ses    pobres. &quot;Ric&uacute;pero e seus colegas, como o embaixador jamaicano Anthony    Hill, reconhecem no com&eacute;rcio multilateral a &uacute;nica alternativa    para seus pa&iacute;ses, mas sabem, tamb&eacute;m, quanto os seus pa&iacute;ses    j&aacute; sofreram com ele&quot;, diz Ritchie. Hill &eacute; o criador do Reflection    Group (Grupo de Reflex&atilde;o), que re&uacute;ne embaixadores com mais de    35 anos de experi&ecirc;ncia no sistema diplom&aacute;tico global para discutirem    poss&iacute;veis mudan&ccedil;as para institui&ccedil;&otilde;es como a OMC.    </font></p>     <p><font size="3"><b>NOVO FORMATO</b> O embaixador brasileiro diz que, na Unctad,    existe consenso de que o com&eacute;rcio pode ser uma das &uacute;nicas chances    de desenvolvimento dos pa&iacute;ses pobres, por&eacute;m se questiona seu formato    atual. &quot;&Eacute; necess&aacute;rio um com&eacute;rcio mais equilibrado,    que n&atilde;o pode ser o atual que exclui, por exemplo, a agricultura, das    regras do sistema mundial. Segundo as regras atuais da OMC, praticamente todos    os subs&iacute;dios antes vigentes em mat&eacute;ria industrial e de manufaturas    s&atilde;o ilegais. No entanto, os subs&iacute;dios agr&iacute;colas s&atilde;o    quase todos perfeitamente admitidos&quot;.</font></p>     <p><font size="3"><b>GRUPO DOS 20</b> Os subs&iacute;dios agr&iacute;colas foram    o tema central da reuni&atilde;o de Cancun. Os pa&iacute;ses pobres, liderados    por Brasil, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul criaram, pela primeira    vez, uma frente – batizada de G-20 – para enfrentar o poder da Uni&atilde;o    Europ&eacute;ia e dos EUA. Embora n&atilde;o tenha sido o G-20 que levou ao    impasse em Cancun, Europa e EUA acusaram o grupo de criar uma confronta&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica improdutiva. A reuni&atilde;o no M&eacute;xico terminou quando    os pa&iacute;ses africanos negaram-se a negociar as quest&otilde;es de Cingapura,    no &uacute;ltimo dia do encontro. Como &eacute; preciso que haja um consenso    de todos os participantes sobre um texto final da reuni&atilde;o, o encontro    terminou sem que fosse aprovado um documento definitivo.</font></p>     <p><font size="3">Ritchie e Ric&uacute;pero discordam em suas avalia&ccedil;&otilde;es    do resultado da reuni&atilde;o de Cancun. Para Ric&uacute;pero, o ideal teria    sido uma maior abertura no setor agr&iacute;cola; Ritchie v&ecirc; no fracasso    das negocia&ccedil;&otilde;es uma vit&oacute;ria dos pa&iacute;ses pobres. Para    ele, &eacute; hora dos pa&iacute;ses em desenvolvimento pressionarem por mudan&ccedil;as,    aproveitando o apoio dos movimentos sociais. &quot;O governo Lula poderia pressionar    por mudan&ccedil;as concretas no sistema. No contexto da OMC, o Brasil pode    ter um papel importante para mudar os procedimentos. Particularmente se usar    o G-20&quot;, conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Rafael Evangelista</I></font></p>      ]]></body>
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