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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O uso de células-mãe para reparação tissular no sistema nervoso]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a19img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O <SMALL>USO DE C&Eacute;LULAS-M&Atilde;E PARA REPARA&Ccedil;&Atilde;O    TISSULAR NO SISTEMA NERVOSO</SMALL></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Ros&aacute;lia Mendez-Otero e Luiz Eug&ecirc;nio A. M. Mello    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><font size=5>A</font></b> era dos transplantes de &oacute;rg&atilde;os    trouxe consigo novas perspectivas e abriu um novo horizonte no tratamento de    in·meras doen&ccedil;as. Neste sentido, hoje os transplantes card&iacute;acos,    renais, hep&aacute;ticos, &oacute;sseos, de medula &oacute;ssea e de praticamente    quaisquer outras partes e &oacute;rg&atilde;os do corpo humano, permitem prolongar    a vida de pessoas que tiveram ou t&ecirc;m, enfarte, diabetes, cirrose hep&aacute;tica,    leucemia, fraturas &oacute;sseas e uma infinidade de outras enfermidades. A    mais not&aacute;vel exce&ccedil;&atilde;o diz respeito ao sistema nervoso. N&atilde;o    h&aacute; transplante de partes de tecido nervoso. No caso do sistema nervoso    perif&eacute;rico, freq&uuml;entemente uma les&atilde;o &eacute; seguida de    recupera&ccedil;&atilde;o sem a necessidade de um transplante. Nos casos onde    essa regenera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o acontece, em muitas vezes, h&aacute;    aspectos bioqu&iacute;micos inerentes &agrave; doen&ccedil;a e que inviabilizam    a efic&aacute;cia de um transplante. No caso do sistema nervoso central, por    defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode haver doador. </font></p>     <p><font size="3">No aspecto jur&iacute;dico, a legisla&ccedil;&atilde;o estabelece    que a doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os s&oacute; pode ser feita    quando ocorre morte encef&aacute;lica. Assim, o tecido nervoso j&aacute; est&aacute;    morto, e, portanto invi&aacute;vel, quando podem ser iniciados os procedimentos    de transplante. De outro lado, enquanto &eacute; poss&iacute;vel uma pessoa    saud&aacute;vel doar um de seus rins para transplante em um receptor compat&iacute;vel,    o mesmo n&atilde;o se aplica para o sistema nervoso, uma vez que ele, ao contr&aacute;rio    do rim, &eacute; um &oacute;rg&atilde;o &uacute;nico. Finalmente, caso fosse    poss&iacute;vel imaginar, em um exerc&iacute;cio futurista, a doa&ccedil;&atilde;o    total de sistema nervoso, uma esp&eacute;cie de invas&atilde;o de corpos, o    principal benefici&aacute;rio seria o doador e n&atilde;o o receptor como nos    demais transplantes. Nesse sentido, a possibilidade da cultura de neur&ocirc;nios    a partir de c&eacute;lulas primordiais, denominadas de c&eacute;lulas-m&atilde;e    ou c&eacute;lulas-tronco (do ingl&ecirc;s <I>stem cells</I>) abre a perspectiva    de estarmos na emerg&ecirc;ncia de uma nova era onde o &quot;transplante&quot;    e a substitui&ccedil;&atilde;o de partes do sistema nervoso se torne realidade.</font></p>     <p><font size="3">Terminada a diferencia&ccedil;&atilde;o do ser humano e constitu&iacute;dos    todos os seus tecidos, permanece ainda presente a possibilidade germinativa    em v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os. A medula &oacute;ssea constantemente    produz o sangue, o f&iacute;gado gera novos hepat&oacute;citos e as c&eacute;lulas    da pele descamam e s&atilde;o substitu&iacute;das por novas c&eacute;lulas apenas    para citar alguns exemplos. Em contrapartida, no sistema nervoso durante muito    tempo se acreditou que essa capacidade mit&oacute;tica, de prolifera&ccedil;&atilde;o    celular, cessaria logo ap&oacute;s o nascimento do indiv&iacute;duo. Nessa &oacute;ptica,    nascer&iacute;amos com um dado n&uacute;mero de neur&ocirc;nios, que ao longo    da vida iria sendo reduzido em decorr&ecirc;ncia da morte dessas c&eacute;lulas.    Pior ainda: essa morte, por n&atilde;o ser acompanhada de regenera&ccedil;&atilde;o,    levaria a v&aacute;rias das conseq&uuml;&ecirc;ncias naturais da velhice e contribuiria    para o aparecimento das doen&ccedil;as neurodegenerativas. Esse dogma - de que    novos neur&ocirc;nios n&atilde;o s&atilde;o criados no indiv&iacute;duo adulto    - come&ccedil;ou a ser mudado na d&eacute;cada de 1960 com observa&ccedil;&otilde;es    em animais de laborat&oacute;rio e precisou de cerca de 30 anos adicionais at&eacute;    que fosse ampliado para o ser humano. Esse amplo conjunto de trabalhos realizados    ao longo de mais de 40 anos estabelece hoje com clareza que duas &aacute;reas    do sistema nervoso - a regi&atilde;o adjacente ao ventr&iacute;culo lateral    e o giro denteado do complexo hipocampal - ret&ecirc;m o potencial proliferativo    e a possibilidade de gerar novos neur&ocirc;nios mesmo no ser humano adulto.    Al&eacute;m disto, estudos em diversos laborat&oacute;rios mostraram que essas    c&eacute;lulas – denominadas c&eacute;lulas-tronco neurais - quando retiradas    do sistema nervoso e mantidas em condi&ccedil;&otilde;es adequadas, podem dar    origem a c&eacute;lulas de outros tecidos, sugerindo que as c&eacute;lulas-tronco    neurais s&atilde;o pluripotentes e podem originar c&eacute;lulas de tecidos    com diferentes origens embrion&aacute;rias. No entanto, as c&eacute;lulas-tronco    neurais ainda n&atilde;o podem ser consideradas como uma alternativa vi&aacute;vel    para terapias celulares uma vez que s&oacute; poderiam ser obtidas de cad&aacute;veres,    s&atilde;o muito raras, e ainda n&atilde;o sabemos como isol&aacute;-las e purific&aacute;-las    em quantidades adequadas para um transplante. </font></p>     <p><font size="3">Em uma outra s&eacute;rie de estudos, diversos pesquisadores    mostraram que o mesmo fen&ocirc;meno de pluripotencialidade est&aacute; presente    em c&eacute;lulas-tronco isoladas de outros tecidos, como por exemplo, a medula    &oacute;ssea. C&eacute;lulas-tronco obtidas de medula &oacute;ssea t&ecirc;m    sido usadas na pr&aacute;tica m&eacute;dica como fonte de c&eacute;lulas hematopoi&eacute;ticas    e os transplantes de medula fazem parte do tratamento de doen&ccedil;as hematol&oacute;gicas    h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas. Mais recentemente observou-se que na    medula &oacute;ssea h&aacute; um outro tipo de c&eacute;lulas-tronco – denominada    c&eacute;lula tronco mesenquimal - que, em determinadas condi&ccedil;&otilde;es,    poderia dar origem a c&eacute;lulas de diversos tecidos incluindo mioc&aacute;rdio    e sistema nervoso. A grande vantagem da utiliza&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas    para terapias celulares &eacute; que as mesmas podem ser obtidas por aspira&ccedil;&atilde;o    de medula &oacute;ssea do pr&oacute;prio paciente, eliminando os problemas de    busca de doadores e de imuno-rejei&ccedil;&atilde;o. No momento, um estudo cl&iacute;nico    bem sucedido foi conclu&iacute;do em pacientes com insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca    congestiva que receberam inje&ccedil;&otilde;es de c&eacute;lulas de medula    &oacute;ssea (transplantes aut&oacute;logos) no cora&ccedil;&atilde;o. Estes    pacientes apresentaram melhora nos seus sintomas, sugerindo que as c&eacute;lulas    injetadas possam estar substituindo as c&eacute;lulas do cora&ccedil;&atilde;o    doente. </font></p>     <p><font size="3">Sob um ponto de vista pessimista, as expectativas que hoje se    levantam sobre o uso de c&eacute;lulas-m&atilde;e como uma verdadeira fonte    da juventude ou da vida eterna s&atilde;o an&aacute;logas &agrave;quelas que    surgiram com o advento da terapia g&ecirc;nica. Quando proposta originalmente    h&aacute; cerca de 20 anos, a terapia g&ecirc;nica prometia perspectivas fascinantes    para tratar v&aacute;rias das mesmas condi&ccedil;&otilde;es que hoje se imagina    pass&iacute;veis de tratamento com c&eacute;lulas-tronco: diabetes, defici&ecirc;ncias    enzim&aacute;ticas cong&ecirc;nitas e defici&ecirc;ncias imunol&oacute;gicas.    Os insucessos e dificuldades t&eacute;cnicas, no entanto, fazem com que ainda    hoje essas promessas estejam por se cumprir e sem prazo previsto. Por outro    lado, os dados concretos j&aacute; obtidos com pacientes card&iacute;acos e    c&eacute;lulas-m&atilde;e representam sucesso jamais alcan&ccedil;ado na terapia    g&ecirc;nica.Quais, ent&atilde;o, as limita&ccedil;&otilde;es do uso terap&ecirc;utico    de c&eacute;lulas-m&atilde;e? </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um primeiro obst&aacute;culo diz respeito &agrave; altera&ccedil;&atilde;o    da capacidade proliferativa e das perturba&ccedil;&otilde;es nesse sentido ocasionarem    neoplasias em decorr&ecirc;ncia das c&eacute;lulas injetadas. Al&eacute;m disso,    para que seja poss&iacute;vel a obten&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero significativo    de c&eacute;lulas, a partir de um conjunto restrito de precursores iniciais,    teria de ser feita a cultura dessas c&eacute;lulas. Contaminantes dessa cultura,    incluindo v&iacute;rus, pr&iacute;ons e toxinas teriam que ser exaustivamente    filtrados e eliminados antes de um eventual implante dessas c&eacute;lulas.    Finalmente, n&atilde;o h&aacute; ainda hoje garantia que em diversas patologias    as c&eacute;lulas-tronco n&atilde;o venham a apresentar o mesmo problema de    as c&eacute;lulas originais sendo substitu&iacute;das. Dizendo de outra forma,    no caso de pessoas com o mal de Parkinson, n&atilde;o h&aacute; como garantir    que os novos neur&ocirc;nios implantados na subst&acirc;ncia negra para produzir    dopamina n&atilde;o sejam igualmente vulner&aacute;veis &agrave;s agress&otilde;es    ambientais e tenham apenas uma sobreviv&ecirc;ncia fugaz. Todas essas quest&otilde;es    e d&uacute;vidas dependem de muita pesquisa tanto <I>in vivo</I> como <I>in    vitro</I> em animais de laborat&oacute;rio e no ser humano.</font></p>     <p><font size="3">Paralelamente a esses avan&ccedil;os necess&aacute;rios para    embasar novas aplica&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas, alguns protocolos    em pacientes j&aacute; come&ccedil;am a ser desenvolvidos. O tratamento de indiv&iacute;duos    com esclerose lateral amiotr&oacute;fica, por exemplo, teve um protocolo iniciado    na It&aacute;lia h&aacute; cerca de um ano, mas n&atilde;o existem, ainda, resultados    conclusivos. Essa doen&ccedil;a representa uma oportunidade &uacute;nica de    estudo, visto n&atilde;o contar ainda hoje com tratamentos verdadeiramente eficazes,    ter progn&oacute;stico fechado (cerca de tr&ecirc;s a quatro anos entre o diagn&oacute;stico    e o &oacute;bito) e ser relativamente localizada em termos de popula&ccedil;&atilde;o    neuronal acometida (neur&ocirc;nios motores do corno ventral da medula ou do    giro pr&eacute;-central). De fato, em doen&ccedil;as onde h&aacute; perda de    m&uacute;ltiplas linhagens neuronais, o processo de recupera&ccedil;&atilde;o    talvez seja muito mais complexo visto que, ou as c&eacute;lulas progenitoras    teriam que ter o potencial de se dividir em todas as linhagens perdidas, ou    ter&iacute;amos que injetar propor&ccedil;&otilde;es adequadas de cada linhagem    perdida. De outro lado, em doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas talvez    o processo de recupera&ccedil;&atilde;o ou de estagna&ccedil;&atilde;o da progress&atilde;o    da doen&ccedil;a demore v&aacute;rios anos para ser aferido e assim avaliada    a efic&aacute;cia terap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; que se considerar, tamb&eacute;m, a quest&atilde;o    de janelas de oportunidade. Em face de uma les&atilde;o medular, por exemplo,    &eacute; poss&iacute;vel que o implante de c&eacute;lulas-m&atilde;e at&eacute;    alguns meses ap&oacute;s a les&atilde;o permita a recupera&ccedil;&atilde;o    funcional devido ao re-estabelecimento de circuitos neuronais entre neur&ocirc;nios    sobreviventes. Passados alguns anos, no entanto, &eacute; poss&iacute;vel que    a cicatriz glial remanescente seja de tal extens&atilde;o que mesmo c&eacute;lulas    progenitoras n&atilde;o sejam capazes de transpassar esta cicatriz. Nesse sentido,    um estudo de sucesso talvez conte inicialmente com a &quot;sorte&quot; de ter    sido executado dentro da exata janela de oportunidade e na popula&ccedil;&atilde;o    mais indicada (jovens, digamos) para a demonstra&ccedil;&atilde;o de efeito.</font></p>     <p><font size="3">Todas as evid&ecirc;ncias dispon&iacute;veis parecem ainda indicar    que as c&eacute;lulas progenitoras dependem de influ&ecirc;ncias qu&iacute;micas    muito espec&iacute;ficas para definir seus destinos e compromissos. A caracteriza&ccedil;&atilde;o    precisa dessas influ&ecirc;ncias (fatores tr&oacute;ficos), em termos de sua    distribui&ccedil;&atilde;o temporal (que fatores, em que ordem) e de concentra&ccedil;&atilde;o,    deve ser semelhante a uma po&ccedil;&atilde;o de alquimista com min&uacute;cias    e cuidados insuspeitados, mas que, se dominados, nos permitiram conquistas inimagin&aacute;veis.    Nunca &eacute; demais relembrar que, por vezes, esses fatores tr&oacute;ficos    ter&atilde;o como prop&oacute;sito b&aacute;sico servir n&atilde;o apenas para    a sobreviv&ecirc;ncia dos neur&ocirc;nios, mas tamb&eacute;m para o estabelecimento    e manuten&ccedil;&atilde;o de conex&otilde;es sin&aacute;pticas. Nesse sentido,    o sistema nervoso estabelece uma dificuldade adicional &agrave;s terapias com    c&eacute;lulas-tronco, que &eacute; o fato de que, por vezes, as c&eacute;lulas    no sistema nervoso humano podem ter mais de um metro de extens&atilde;o. Assim,    como fazer para que mediante a mera administra&ccedil;&atilde;o de fatores tr&oacute;ficos,    conseguir que um neur&ocirc;nio motor do corno ventral da medula estabele&ccedil;a    adequadamente conex&otilde;es &quot;infinitamente&quot; distantes, se consideradas    sob a dimens&atilde;o do corpo celular (cerca de 50 milion&eacute;simos de metro    - micr&ocirc;metro)?</font></p>     <p><font size="3">Em resumo, como t&oacute;picos principais na &aacute;rea a serem    resolvidos antes que qualquer terapia tenha real chance de sucesso, t&ecirc;m    que ser identificados: fonte confi&aacute;vel e renov&aacute;vel de c&eacute;lulas;    formas de isolar subpopula&ccedil;&otilde;es celulares desejadas; formas de    obten&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero necess&aacute;rio de c&eacute;lulas    apropriadas; como as c&eacute;lulas respondem ao ambiente de les&atilde;o e    ao ambiente normal; como as c&eacute;lulas migram e estabelecem as conex&otilde;es    (sinapses) apropriadas; como as c&eacute;lulas podem modular a resposta imune;    como suprimir a poss&iacute;vel forma&ccedil;&atilde;o de tumores pelas c&eacute;lulas    implantadas. O desafio &eacute; grande, mas o futuro &eacute; promissor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Rosalia Mendez-Otero</b> &eacute; professora titular do    Instituto de Biof&iacute;sica Carlos Chagas Filho da UFRJ e pesquisadora do    Instituto do Mil&ecirc;nio de Bioengenharia Tecidual</I>    <br>   <I><b>Luiz Eugenio A. M. Mello</b> &eacute; professor    titular do Departamento de Fisiologia da Unifesp e pesquisador do Instituto    do Mil&ecirc;nio de Bioengenharia Tecidual</I></font> </p>      ]]></body>
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