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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a19img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>L<SMALL>OCALIZANDO A ATIVIDADE CEREBRAL VIA MAGNETOENCEFALOGRAFIA</SMALL></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Dr&aacute;ulio B. de Ara&uacute;jo, Ant&ocirc;nio Adilton    O. Carneiro e Oswaldo Baffa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> estudo das rela&ccedil;&otilde;es    entre o campo magn&eacute;tico e os seres vivos &eacute; dividido, metodologicamente,    em duas &aacute;reas: a magnetobiologia e o biomagnetismo (1). A primeira trata    dos poss&iacute;veis efeitos produzidos por esse campo sobre os seres vivos.    O biomagnetismo, por sua vez, ocupa-se das medidas diretas de campos magn&eacute;ticos    gerados pelos pr&oacute;prios seres vivos para, ent&atilde;o, encontrar novas    informa&ccedil;&otilde;es que possam ser &uacute;teis ao entendimento de sistemas    biof&iacute;sicos, desde diagn&oacute;sticos cl&iacute;nicos at&eacute; a terapia.    Por necessitar de instrumental altamente sens&iacute;vel, desenvolvido somente    na d&eacute;cada de 1970, o biomagnetismo &eacute; relativamente novo quando    comparado a outras &aacute;reas interdisciplinares que envolvem a f&iacute;sica.</font>  </p>     <p><font size="3">Dentre os principais campos de pesquisa, podemos destacar o    neuromagnetismo, o cardiomagnetismo, o gastromagnetismo, a biosusceptibilidade    magn&eacute;tica e o pneumomagnetismo (2).</font></p>     <p><font size="3">Neste artigo, estamos interessados na descri&ccedil;&atilde;o    da magnetoencefalografia (MEG) que, conforme o pr&oacute;prio nome indica, refere-se    ao estudo dos campos magn&eacute;ticos produzidos pelo c&eacute;rebro. Esses    campos aparecem devido &agrave; atividade el&eacute;trica neuronal, que &eacute;    caracterizada pela passagem de corrente el&eacute;trica ao longo da estrutura    dos neur&ocirc;nios, em resposta ao gradiente de concentra&ccedil;&atilde;o    de diferentes eletr&oacute;litos atrav&eacute;s da membrana de uma c&eacute;lula    nervosa. Essa corrente el&eacute;trica altera as concentra&ccedil;&otilde;es    de certos &iacute;ons, fazendo surgir um potencial de a&ccedil;&atilde;o que    se propaga ao longo da c&eacute;lula nervosa e que, por sua vez, faz aparecer    um campo magn&eacute;tico de intensidade e sentido bem definidos.</font></p>     <p><font size="3">Semelhante ao eletroencefalograma (EEG), primeiramente registrado    em 1929, pelo psiquiatra alem&atilde;o Hans Berger (1873-1941), a magnetoencefalografia    (MEG) mede, de maneira n&atilde;o-invasiva, a propaga&ccedil;&atilde;o de um    est&iacute;mulo nervoso no c&eacute;rebro. No entanto, os sinais magn&eacute;ticos    associados a essa corrente s&atilde;o t&ecirc;nues, bem menos intensos que seus    equivalentes el&eacute;tricos, estando na faixa de nT (10-9T) a fT (10-15T),    o que corresponde a aproximadamente um bilion&eacute;simo do campo magn&eacute;tico    da Terra, que &eacute; de 20 mT em nossa regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m do campo magn&eacute;tico terrestre, existem outras    fontes de campos magn&eacute;ticos provenientes de ru&iacute;do urbano, denominadas    de &quot;ru&iacute;dos magn&eacute;ticos ambientais&quot;, que dificultam as    medidas biomagn&eacute;ticas. Dentre as v&aacute;rias fontes, as mais comuns    e mais intensas s&atilde;o: as redes el&eacute;tricas, as antenas de comunica&ccedil;&atilde;o,    e os deslocamentos de grandes massas magn&eacute;ticas como carros e elevadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em raz&atilde;o dessa s&eacute;rie de complicadores, o surgimento    da MEG s&oacute; aconteceu 40 anos depois dos primeiros tra&ccedil;ados eletroencefalogr&aacute;ficos,    ou seja, no final da d&eacute;cada de 1960. Em um estudo pioneiro, David Cohen    (3), ent&atilde;o coordenador do Francis Bitter Magnetic Laboratory, integrado    ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), mediu a atividade magn&eacute;tica    cerebral utilizando indutores magn&eacute;ticos alojados em uma c&acirc;mara    magneticamente blindada. </font></p>     <p><font size="3">Um ano mais tarde, James Zimmerman (4) apresentou, pela primeira    vez, detectores de fluxo magn&eacute;tico altamente sens&iacute;veis, mediante    a utiliza&ccedil;&atilde;o de materiais supercondutores, conhecidos como <I>Superconducting    Quantum Interference Devices</I> (SQUIDs), e registrou a atividade card&iacute;aca    de seres humanos. Em 1972, o pr&oacute;prio doutor Cohen registrou, com a tecnologia    dos SQUIDs, a atividade espont&acirc;nea alfa cerebral em humanos (5).</font></p>     <p><font size="3">Desde ent&atilde;o, a MEG vem sofrendo avan&ccedil;os constantes    na detec&ccedil;&atilde;o de sinais cerebrais, com o desenvolvimento de novas    tecnologias que possibilitaram a constru&ccedil;&atilde;o de sistemas altamente    eficientes. Al&eacute;m disso, a modelagem das fontes de corrente, com algoritmos    robustos, permite &agrave; MEG aliar a alta resolu&ccedil;&atilde;o espacial    da resson&acirc;ncia magn&eacute;tica &agrave; excelente resolu&ccedil;&atilde;o    temporal da eletroencefalografia, inferior a 10 ms.</font></p>     <p><font size="3">A utiliza&ccedil;&atilde;o da MEG tamb&eacute;m passa pela necessidade    cl&iacute;nica, em especial de pacientes que ser&atilde;o submetidos &agrave;    interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. Nesses casos, o mapeamento pr&eacute;-cir&uacute;rgico    de regi&otilde;es corticais eloq&uuml;entes, como &aacute;reas motoras, somato-sensoriais    e de linguagem, &eacute; imperativo. &Eacute; indispens&aacute;vel buscar manter    a integridade funcional de regi&otilde;es subjacentes e adjacentes &agrave;quelas    que ser&atilde;o cirurgicamente removidas.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m do mapeamento pr&eacute;-cir&uacute;rgico, a MEG    tem se destacado na investiga&ccedil;&atilde;o de processos cerebrais complexos.    Como exemplo dessa aplica&ccedil;&atilde;o, foi investigado, em um trabalho    recente, o envolvimento de padr&otilde;es oscilat&oacute;rios cerebrais em tarefas    de navega&ccedil;&atilde;o em seres humanos assintom&aacute;ticos. Para estudar    esse problema, uma cidade em realidade virtual foi criada, por meio de um programa    comercial, Duke Nuken 3D<I> (3D Realms, Inc.)</I>. Usando um <I>mouse</I> para    navegar, medimos os padr&otilde;es de oscila&ccedil;&atilde;o neuronal espont&acirc;nea    que estivessem relacionados &agrave; atividade cognitiva de navega&ccedil;&atilde;o.    Como conclus&atilde;o, acreditamos que os ritmos do tipo teta, cuja freq&uuml;&ecirc;ncia    est&aacute; entre 4-7 Hz, t&ecirc;m um papel fundamental no ato de mover-se    por entre ambientes familiares ou n&atilde;o (6).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a25fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Algumas patologias, como &eacute; o caso de dist&uacute;rbios    epil&eacute;pticos, que est&atilde;o associadas a descargas nervosas anormais,    resultando em anomalias funcionais transit&oacute;rias, tamb&eacute;m podem    ser investigadas por MEG. Essas irregularidades observadas nos sinais cerebrais    em epilepsia s&atilde;o descargas recorrentes, s&iacute;ncronas, de uma por&ccedil;&atilde;o    relativamente extensa do c&eacute;rebro. Em algumas formas de epilepsia refrat&aacute;ria    &agrave; medica&ccedil;&atilde;o anticonvulsivante, a cirurgia pode ser indicada.    Esse procedimento &eacute; caracterizado pela remo&ccedil;&atilde;o (ressec&ccedil;&atilde;o)    do tecido epileptog&ecirc;nico, causador da atividade el&eacute;trica anormal.    Infelizmente, os m&eacute;todos de diagn&oacute;stico e localiza&ccedil;&atilde;o    das fontes das descargas ainda s&atilde;o muito imprecisos e invasivos. Dado    o n&uacute;mero de pacientes que sofrem desse mal, existe a necessidade de aperfei&ccedil;oamento    de m&eacute;todos de detec&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o de eventos    anormais. No Brasil, s&oacute; para se ter uma id&eacute;ia, aproximadamente    1% da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; acometida por essa enfermidade, e dentre    os indiv&iacute;duos afetados, 10-15% requerem o tratamento cir&uacute;rgico.</font></p>     <p><font size="3">Algumas formas de epilepsia s&atilde;o acompanhadas por distor&ccedil;&otilde;es    anat&ocirc;micas, evidentes em t&eacute;cnicas de neuroimagens de alta resolu&ccedil;&atilde;o    anat&ocirc;mica, como a MRI. No entanto, outros casos exibem altera&ccedil;&otilde;es    neurofisiol&oacute;gicas que n&atilde;o s&atilde;o combinadas a deforma&ccedil;&otilde;es    anat&ocirc;micas. Por conseguinte, sua caracteriza&ccedil;&atilde;o passa pela    an&aacute;lise dos tra&ccedil;ados da atividade el&eacute;trica cerebral, em    busca da localiza&ccedil;&atilde;o do tecido epileptog&ecirc;nico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>COMO DETECTAR A ATIVIDADE CEREBRAL?</b>    Detectar o sinal magn&eacute;tico &eacute; apenas parte do problema de localizar    suas fontes. A partir dos padr&otilde;es caracter&iacute;sticos observados nos    sinais, simultaneamente, em diferentes regi&otilde;es, podemos localizar, com    um erro da ordem de mil&iacute;metros, as regi&otilde;es cerebrais envolvidas.</font></p>     <p><font size="3">A atividade el&eacute;trica cerebral proveniente de uma regi&atilde;o    limitada do espa&ccedil;o pode, para a finalidade desta discuss&atilde;o, ser    modelada por um pequeno elemento de corrente ou dipolo de corrente el&eacute;trica.    Essa corrente &eacute; aquela produzida pelos potenciais p&oacute;s-sin&aacute;pticos    no corpo da c&eacute;lula. Tais elementos de corrente podem ser modelados de    modo a calcular o campo magn&eacute;tico produzido em diferentes regi&otilde;es    do espa&ccedil;o. O chamado problema direto, uma vez que estamos partindo das    fontes para a determina&ccedil;&atilde;o dos campos, possui solu&ccedil;&atilde;o    direta.</font></p>     <p><font size="3">Na MEG, contudo, desejamos exatamente o contr&aacute;rio. A    partir do campo magn&eacute;tico detectado, precisamos encontrar a localiza&ccedil;&atilde;o    das fontes que o produziram, ou seja, resolver o chamado problema inverso. Infelizmente,    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel determinarmos de maneira un&iacute;voca    as fontes de corrente atrav&eacute;s das medidas dos campos magn&eacute;ticos    por elas produzidos, j&aacute; que v&aacute;rias distribui&ccedil;&otilde;es    de corrente podem resultar em um mesmo campo medido. Dessa maneira, a solu&ccedil;&atilde;o    do problema passa por uma modelagem te&oacute;rica.</font></p>     <p><font size="3"><b>COMPARA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE A MEG E A EGG</b>    Juntamente com a EEG, a MEG constitui uma das &uacute;nicas t&eacute;cnicas    de neuroimagem capaz de medir a atividade el&eacute;trica cerebral diretamente.    A maior vantagem da MEG sobre a EEG refere-se ao seu poder de localiza&ccedil;&atilde;o    das fontes, bastante restrito no caso da EEG, bem como &agrave; sua capacidade    de detectar sinais cerebrais que durem menos que 10 ms.</font></p>     <p><font size="3">A compara&ccedil;&atilde;o entre a MEG e a EEG &eacute; inevit&aacute;vel.    Em ambos os m&eacute;todos, os sinais medidos s&atilde;o gerados pela atividade    s&iacute;ncrona neuronal, tendo ambos a capacidade de mapear essa atividade    com a precis&atilde;o de milisegundos. Existem, contudo, diferen&ccedil;as importantes    entre as duas t&eacute;cnicas:</font></p>     <p><font size="3"><b>1.</b> Enquanto a atividade registrada pelo EEG envolve uma    mistura de componentes radiais e tangenciais ao detector, a MEG mede, quase    que exclusivamente, fontes tangenciais, e, por conseguinte, &eacute; mais sens&iacute;vel    &agrave; atividade proveniente de sulcos e fissuras cerebrais. Somente dipolos    cujos componentes s&atilde;o tangenciais ao equipamento de medida produzem um    campo magn&eacute;tico n&atilde;o-nulo. Do ponto de vista da anatomia cerebral,    as c&eacute;lulas granulares (n&atilde;o piramidais) possuem simetria esf&eacute;rica,    n&atilde;o tendo um sentido definido de propaga&ccedil;&atilde;o do sinal el&eacute;trico.    Por conseq&uuml;&ecirc;ncia dessa simetria, o campo magn&eacute;tico produzido    tem resultante nula. J&aacute; no caso das c&eacute;lulas piramidais, devido    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o linear dos seus ax&ocirc;nios, &eacute;    poss&iacute;vel identificar um campo magn&eacute;tico resultante segundo uma    distribui&ccedil;&atilde;o dipolar. Felizmente, a circunvolu&ccedil;&atilde;o    em que a superf&iacute;cie cortical est&aacute; disposta propicia o aparecimento    de uma distribui&ccedil;&atilde;o determin&iacute;stica na orienta&ccedil;&atilde;o    dos dipolos de correntes. A presen&ccedil;a de componentes paralelos &agrave;    superf&iacute;cie gera campos magn&eacute;ticos que podem ser captados.</font></p>     <p><font size="3"><b>2.</b> O campo el&eacute;trico medido depende dos valores    da condutividade dos tecidos. Dessa maneira, uma interpreta&ccedil;&atilde;o    mais precisa sobre o EEG depende de informa&ccedil;&otilde;es sobre a condutividade    das diferentes camadas cerebrais, enquanto que essas inomogeneidades s&atilde;o    transparentes aos campos magn&eacute;ticos. Uma das grandes vantagens da MEG    sobre a EEG &eacute; a precis&atilde;o na localiza&ccedil;&atilde;o de fontes    de atividade cerebral, j&aacute; que distor&ccedil;&otilde;es, devidas &agrave;    caixa craniana ou demais tecidos extra-cerebrais, podem ser negligenciadas no    caso da MEG. Os erros de localiza&ccedil;&atilde;o de fontes corticais usando    a EEG (de 10 a 30 mm) (7), s&atilde;o bem maiores que aqueles provenientes da    MEG (de 1 a 5 mm) (8). Mesmo assim, &eacute; importante notar que a MEG &eacute;    menos sens&iacute;vel a localiza&ccedil;&otilde;es de fontes profundas que a    EEG, podendo acarretar um erro superior ao desta.</font></p>     <p><font size="3"><b>3.</b> Os equipamentos necess&aacute;rios para a EEG, em    compara&ccedil;&atilde;o com aqueles de MEG, s&atilde;o bem mais acess&iacute;veis.    Um dos principais problemas da MEG &eacute; seu alto custo. Al&eacute;m do custo    fixo do equipamento e ambiente de instala&ccedil;&atilde;o, as quantias dispensadas    para sua manuten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o baixas, em especial    devido &agrave; necessidade constante da presen&ccedil;a de h&eacute;lio l&iacute;quido,    indispens&aacute;vel na refrigera&ccedil;&atilde;o dos sensores do tipo SQUID.    Espera-se que com o aumento do uso dessa nova tecnologia ocorra uma economia    de escala e esses equipamentos tornem-se mais acess&iacute;veis. Outra perspectiva    &eacute; o desenvolvimento de sensores supercondutores baseados nos materiais    de &quot;alta temperatura&quot; cr&iacute;tica que operam a temperaturas de    nitrog&ecirc;nio liquido (-196o C), o que sem d&uacute;vida ir&aacute; revolucionar    essa &aacute;rea. </font></p>     <p><font size="3"><b>4.</b> Como n&atilde;o existe nenhum contato direto entre    os detectores da MEG e o paciente, as medidas podem ser obtidas de forma mais    r&aacute;pida.</font></p>     <p><font size="3">Durante muito tempo, v&aacute;rios estudos foram publicados    sobre as vantagens e desvantagens de uma t&eacute;cnica sobre a outra. Atualmente,    um sentimento de complementaridade tem dominado o pensamento nesse campo de    pesquisa. As vantagens de localiza&ccedil;&atilde;o de regi&otilde;es ativas    atrav&eacute;s da MEG s&atilde;o ineg&aacute;veis. &Eacute; bem verdade, tamb&eacute;m,    que a MEG oferece uma vis&atilde;o mais sens&iacute;vel de fontes tangenciais.    Mas o que dizer das fontes radiais? Um estudo de processos cognitivos atrav&eacute;s    da utiliza&ccedil;&atilde;o de ambas as t&eacute;cnicas &eacute;, sem sombra    de d&uacute;vida, a maneira mais completa de observa&ccedil;&atilde;o, de uma    perspectiva neurofisiol&oacute;gica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3"><b>Dr&aacute;ulio Barros de Ara&uacute;jo</b> &eacute; f&iacute;sico,    professor-doutor do Departamento de F&iacute;sica e Matem&aacute;tica da FFCLRP    – USP – campus de Ribeir&atilde;o Preto.    <br>   <b>Ant&ocirc;nio Adilton O. Carneiro</b> &eacute;    f&iacute;sico, pesquisador, p&oacute;s-doutorando no Departamento de F&iacute;sica    e Matem&aacute;tica da FFCLRP – USP – campus de Ribeir&atilde;o Preto.    <br>   <b>Oswaldo Baffa</b> &eacute; f&iacute;sico, professor-titular    do Departamento de F&iacute;sica e Matem&aacute;tica da FFCLRP – USP – campus    de Ribeir&atilde;o Preto.</font></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas: </font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. de Ara&uacute;jo, D.B., Carneiro, A.A.O., Moraes, E.R. &amp;    Baffa, O. <I>Ci&ecirc;ncia Hoje</I> 26, 24-30. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Carneiro, A.A.O., Ferreira, A., de Ara&uacute;jo, D.B., Sosa,    M., Moraes, E. &amp; Baffa, O. <I>Revista Brasileira de Ensino em F&iacute;sica</I>    22, 324-338. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Cohen D. <I>Science</I> 161, 784-786. 1968.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Zimmerman, J.E., Thiene, P., Harding, J.T. <I>Journal Applied    Physics</I> 41, 1572-1581. 1970.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Cohen D. Science 175 :(4022), 664-666. 1972.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. de Araujo, D. B., Baffa, O., Wakai, R. T.<I> Jounal of Cognitive    Neuroscience</I> 14, 70-78. 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Roth, B.J., Balish, M., Gorbach, A., Sato, S. <I>Electroencephalography    and Clinical Neurophysiology</I> 87, 175-184. 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Menninghauss, E., Lutkenhner, B., Gonz&aacute;lez, S.L. IEEE    <I>Transactions on Biomedical Engineering </I>41, 986-989. 1994.</font>  ]]></body><back>
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