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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a19img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>R<SMALL>ESSON&Acirc;NCIA</SMALL> M<SMALL>AGN&Eacute;TICA</SMALL> F<SMALL>UNCIONAL: AS FUN&Ccedil;&Otilde;ES    DO CER&Eacute;BRO REVELADAS POR SPINS NUCLEARES</SMALL></b></font></p>     <p><FONT size="3"><b>Roberto Covolan, Dr&aacute;ulio B. de Ara&uacute;jo, Antonio    Carlos dos Santos e Fernando Cendes</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>A</font></b> t&eacute;cnica de imagens por    resson&acirc;ncia magn&eacute;tica explora um fenmeno qu&acirc;ntico bastante    curioso, que ocorre em escala nuclear, e que foi descoberto de forma independente    por Felix Bloch e Edward Purcell, logo depois da II Guerra Mundial. Essa descoberta    lhes valeu o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica de 1952. Por&eacute;m, os desenvolvimentos    que levaram a aplica&ccedil;&atilde;o desse fen&ocirc;meno qu&acirc;ntico &agrave;    gera&ccedil;&atilde;o de imagens tomogr&aacute;ficas s&oacute; aconteceram na    d&eacute;cada de 1970. Recentemente, os principais respons&aacute;veis por esses    desenvolvimentos, Paul Lauterbur e Peter Mansfield, foram tamb&eacute;m agraciados    com o pr&ecirc;mio Nobel, dessa vez em Medicina e Fisiologia. </font></p>     <p> <font size="3"> Trata-se essencialmente do seguinte: quando a amostra de uma    determinada subst&acirc;ncia (ou mesmo tecido vivo) &eacute; colocada sob a    a&ccedil;&atilde;o de um intenso campo magn&eacute;tico, ela adquire uma t&ecirc;nue    magnetiza&ccedil;&atilde;o, resultante do alinhamento de seus <I>spins</I> nucleares    com a dire&ccedil;&atilde;o desse campo. No caso do hidrog&ecirc;nio, por exemplo,    cujo n&uacute;cleo consiste de um &uacute;nico pr&oacute;ton, h&aacute; apenas    duas possibilidades de orienta&ccedil;&atilde;o: paralela e anti-paralela. Na    condi&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio t&eacute;rmico com o ambiente, ocorre    uma pequena predomin&acirc;ncia de estados paralelos ao campo magn&eacute;tico    externo, de forma que essa magnetiza&ccedil;&atilde;o muito sutil se estabelece.    </font></p>     <p><font size="3">Um pulso de radiofreq&uuml;&ecirc;ncia (RF) lan&ccedil;ado sobre    a amostra desloca esses <I>spins</I> da dire&ccedil;&atilde;o em que se encontravam    predominantemente orientados, levando-os a um estado de energia excitado. Esse    pulso de RF &eacute; composto por ondas eletromagn&eacute;ticas semelhantes    &agrave;quelas emitidas por uma emissora de radio FM, sendo, portanto, totalmente    inofensivas. Tendo sido excitados por esse pulso de RF, os <I>spins</I> nucleares    tendem a retornar &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o inicial, em um estado    de energia mais baixa, mas, ao fazerem isso, emitem a energia excedente tamb&eacute;m    na forma de radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica. &Eacute; essa energia    que, ao ser detectada pelo equipamento, permite a forma&ccedil;&atilde;o de    imagens anat&ocirc;micas. </font></p>     <p><font size="3">Descobriu-se, por&eacute;m, h&aacute; cerca de dez anos, que    se poderia utilizar essas imagens para detectar pequenas altera&ccedil;&otilde;es    hemodin&acirc;micas localizadas naquelas regi&otilde;es predominantemente envolvidas    com determinadas fun&ccedil;&otilde;es cerebrais e, assim, produzirem imagens    funcionais do c&eacute;rebro. Essa t&eacute;cnica &eacute; conhecida na literatura    especializada como fMRI, de <I>functional Magnetic Resonance Imaging</I>    e ser&aacute; referida aqui como Resson&acirc;ncia Magn&eacute;tica funcional    (RMf). Dentre as t&eacute;cnicas utilizadas em RMf, a mais empregada atualmente    baseia-se no chamado efeito Bold. O termo Bold &eacute; uma sigla para <I>Blood    Oxygenation Level Dependent effect</I>, isso porque esse m&eacute;todo baseia-se    no n&iacute;vel de oxigena&ccedil;&atilde;o do sangue. O uso da t&eacute;cnica    Bold &eacute; t&atilde;o difundido atualmente que sempre que se fala em RMf,    considera-se, implicitamente, que o m&eacute;todo seja esse, a n&atilde;o ser    que um outro seja especificado. </font></p>     <p><font size="3">Embora os mecanismos que conectam ativa&ccedil;&atilde;o neuronal    e a fisiologia cerebral sejam ainda objeto de intensa pesquisa, &eacute; bem    sabido que ativa&ccedil;&atilde;o neuronal leva a um aumento no consumo de ATP    (adenosina trifosfato), o que implica em um aumento na demanda por glicose e    oxig&ecirc;nio. Para suprir a necessidade desses substratos b&aacute;sicos,    ocorre uma eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de perfus&atilde;o local,    ou seja, um aumento localizado de atividade neuronal leva a um aumento local    no volume e no fluxo de sangue . Essas altera&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas    associadas &agrave; atividade cerebral acabam sendo fundamentais para a RMf    em raz&atilde;o das propriedades magn&eacute;ticas da hemoglobina (Hb), componente    do sangue respons&aacute;vel pelo transporte e difus&atilde;o de oxig&ecirc;nio    no n&iacute;vel celular. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O que ocorre &eacute; que, ao atravessar a rede de vasos capilares,    a oxihemoglobina (hemoglobina carregando oxig&ecirc;nio) libera O2, transformando-se    em desoxihemoglobina (dHb), cujas propriedades paramagn&eacute;ticas atuam no    sentido de refor&ccedil;ar localmente os efeitos do campo magn&eacute;tico externo.    Portanto, naquelas regi&otilde;es do c&eacute;rebro em que se d&aacute; momentaneamente    uma atividade neuronal mais elevada, a passagem de hemoglobina do estado HbO2    para dHb &eacute; tamb&eacute;m mais pronunciada, levando a um s&uacute;bito    aumento da concentra&ccedil;&atilde;o local de dHb. Para suprir esse d&eacute;ficit    moment&acirc;neo de O2, ocorre um aumento no volume e no fluxo sangu&iacute;neo    locais, o que leva a uma posterior diminui&ccedil;&atilde;o na concentra&ccedil;&atilde;o    de dHb em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel basal. Essas altera&ccedil;&otilde;es    na concentra&ccedil;&atilde;o de dHb funcionam como um agente de contraste end&oacute;geno,    permitindo a gera&ccedil;&atilde;o de imagens funcionais. Embora a teoria acima    tenha sido aceita (e &quot;praticada&quot;) por quase uma d&eacute;cada, apenas    recentemente a correla&ccedil;&atilde;o entre o efeito Bold e atividade neuronal    foi demonstrada experimentalmente. Isso foi feito atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o    de medidas simult&acirc;neas dos sinais de RMf e da atividade el&eacute;trica    de neur&ocirc;nios do c&oacute;rtex visual do macaco (1). Contudo, detalhes    do mecanismo gerador do efeito Bold continuam sendo ainda objeto de intensa    investiga&ccedil;&atilde;o (2). A despeito de se tratar de uma t&eacute;cnica    incipiente, RMf tem sido aplicada a uma grande variedade de estudos funcionais,    que v&atilde;o desde experimentos t&atilde;o simples quanto a aposi&ccedil;&atilde;o    ritmada do polegar contra o indicador, at&eacute; investiga&ccedil;&otilde;es    neuropsicol&oacute;gicas envolvendo rea&ccedil;&otilde;es emocionais e julgamentos    morais (3), passando por estudos ligados a fun&ccedil;&otilde;es cognitivas    como linguagem (4) e mem&oacute;ria (5). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a26fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A possibilidade de se realizar estudos dessa natureza, de forma    n&atilde;o-invasiva e livre de riscos com material radioativo, abre a perspectiva    de serem criados novos padr&otilde;es para se avaliar pessoas com disfun&ccedil;&otilde;es    neuro-psiqui&aacute;tricas e pacientes neurol&oacute;gicos, sobretudo aqueles    pass&iacute;veis de serem submetidos a interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas    (6). Al&eacute;m disso, pode-se estudar volunt&aacute;rios sadios para elucidar    interessantes aspectos neurofisiol&oacute;gicos cerebrais, como diferentes tipos    de mem&oacute;ria, o processo de localiza&ccedil;&atilde;o espacial e navega&ccedil;&atilde;o,    por exemplo (7). De fato, um dos aspectos de RMf mais voltados para aplica&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas, tem sido a avalia&ccedil;&atilde;o de seu potencial em planejamento    cir&uacute;rgico. Nesses casos, pacientes candidatos a neurocirurgia s&atilde;o    submetidos a testes realizados atrav&eacute;s de RMf, a fim de mapear as regi&otilde;es    cerebrais respons&aacute;veis por fun&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias sens&oacute;rio-motoras    ou pela linguagem, mem&oacute;ria ou outras fun&ccedil;&otilde;es, visando minimizar    os riscos de d&eacute;ficits funcionais p&oacute;s-operat&oacute;rios. Classicamente,    a localiza&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas &eacute; obtida atrav&eacute;s    de referenciais anat&ocirc;micos conhecidos, o que &eacute; facilitado pelo    uso de t&eacute;cnicas de neuroimagem de alta resolu&ccedil;&atilde;o espacial,    como a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica. Entretanto, a presen&ccedil;a de    tumores, malforma&ccedil;&otilde;es art&eacute;rio-venosas (MAV) ou defeitos    anat&ocirc;micos p&oacute;s-traum&aacute;ticos, pode deformar a topografia cerebral,    resultando em uma conseq&uuml;ente dificuldade na localiza&ccedil;&atilde;o    dos limites anat&ocirc;micos. Al&eacute;m disso, les&otilde;es ocorrendo precocemente    no desenvolvimento do sistema nervoso central est&atilde;o ligadas &agrave;    reorganiza&ccedil;&atilde;o funcional cortical por processos de plasticidade    neuronal, podendo determinar uma modifica&ccedil;&atilde;o na localiza&ccedil;&atilde;o    de &aacute;reas funcionais. </font></p>     <p><font size="3">Para contornar esta limita&ccedil;&atilde;o, o mapeamento de    fun&ccedil;&otilde;es tem sido realizado por meio da estimula&ccedil;&atilde;o    el&eacute;trica cortical direta, intra ou extraoperat&oacute;ria. Neurologistas,    neurocirurgi&otilde;es e neuropsic&oacute;logos avaliam a localiza&ccedil;&atilde;o    de regi&otilde;es funcionais importantes por meio da aplica&ccedil;&atilde;o    de pulsos el&eacute;tricos focais, de baixa intensidade, na superf&iacute;cie    do c&oacute;rtex. Observa-se, ent&atilde;o, a rea&ccedil;&atilde;o exibida pelo    paciente em resposta ao est&iacute;mulo espec&iacute;fico a uma determinada    regi&atilde;o cerebral. </font></p>     <p><font size="3">Ainda que a localiza&ccedil;&atilde;o funcional pela estimula&ccedil;&atilde;o    direta seja precisa, esses m&eacute;todos s&atilde;o altamente invasivos ou,    quando realizados intraoperatoriamente, ficam limitados pelo tempo cir&uacute;rgico    e, em alguns casos, pela necessidade de se superficializar a anestesia durante    o procedimento. Outra limita&ccedil;&atilde;o &eacute; que, algumas vezes, &eacute;    necess&aacute;rio fazer estimula&ccedil;&otilde;es do lado contralateral, o    que exigiria uma segunda abertura craniana, inviabilizando o procedimento. Assim,    o desenvolvimento de m&eacute;todos n&atilde;o-invasivos &eacute;, portanto,    bastante desej&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="3">Essa linha de investiga&ccedil;&atilde;o tem procurado comparar    os resultados obtidos atrav&eacute;s de RMf com m&eacute;todos tradicionais    de mapeamento funcional, como por exemplo eletroencefalograma (EEG), teste de    inje&ccedil;&atilde;o intra-carot&iacute;dea de amital, estimula&ccedil;&atilde;o    cortical intraoperat&oacute;ria e outros. Embora seja evidente que cada patologia    requeira um conjunto pr&oacute;prio de t&eacute;cnicas de diagn&oacute;stico,    pode-se fazer uma id&eacute;ia do impacto potencial do uso cl&iacute;nico de    RMf considerando, por exemplo, o caso espec&iacute;fico da epilepsia. </font></p>     <p><font size="3">Para a maioria dos pacientes com epilepsia, o EEG &eacute; ainda    a t&eacute;cnica mais adequada para se localizar o foco gerador de crises. Esse    m&eacute;todo consiste, essencialmente, em se registrar as linhas de evolu&ccedil;&atilde;o    temporal de potenciais el&eacute;tricos gerados pela atividade neuronal, que    chegam &agrave; superf&iacute;cie do escalpo. Anomalias encontradas nos tra&ccedil;ados    de EEG servem para ajudar a identificar a natureza da patologia e a regi&atilde;o    mais prov&aacute;vel de sua ocorr&ecirc;ncia. Contudo, para v&aacute;rios pacientes    que necessitam de um tratamento cir&uacute;rgico para epilepsia de dif&iacute;cil    controle &eacute; necess&aacute;rio uma s&eacute;rie de exames complementares    a fim de se localizar, com a maior precis&atilde;o poss&iacute;vel, a chamada    zona epileptog&ecirc;nica. Alguns destes exames de natureza ‘invasiva’ trazem    riscos e desconforto para os pacientes (por exemplo, implanta&ccedil;&atilde;o    de eletrodos intracranianos). No Brasil, s&oacute; para se ter uma id&eacute;ia,    aproximadamente 1% da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; acometida por epilepsia    e 105 a 15% dos pacientes precisam de tratamento cir&uacute;rgico. </font></p>     <p><font size="3">Por raz&otilde;es como essa, torna-se evidente a necessidade    de se buscar t&eacute;cnicas alternativas e RMf &eacute; certamente uma das    principais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Atualmente, existe um consider&aacute;vel repert&oacute;rio    de estrat&eacute;gias em desenvolvimento que permitem avaliar os sistemas sensorial    e motor, al&eacute;m de fun&ccedil;&otilde;es como linguagem e mem&oacute;ria,    em pacientes com epilepsias de dif&iacute;cil controle com medicamentos e, conseq&uuml;entemente,    candidatos a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica (8). Essa &eacute;,    hoje, uma das &aacute;reas mais promissoras da pesquisa visando aplica&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas de RMf. Outras aplica&ccedil;&otilde;es envolvem a investiga&ccedil;&atilde;o    de processos de readapta&ccedil;&atilde;o cortical secund&aacute;ria a les&otilde;es    resultantes de patologias como esquizofrenia, doen&ccedil;a de Alzheimer, esclerose    m&uacute;ltipla, acidentes vasculares cerebrais, al&eacute;m de desordens neuro-psiqui&aacute;tricas    causadas por traumas cerebrais (6). </font></p>     <p><font size="3">Do ponto de vista da pesquisa b&aacute;sica e do desenvolvimento    tecnol&oacute;gico, os &uacute;ltimos anos tamb&eacute;m t&ecirc;m sido marcados    por importantes realiza&ccedil;&otilde;es nessa &aacute;rea. O trabalho citado    acima (1) sobre as bases neurofisiol&oacute;gicas de RMf &eacute; um bom exemplo    de como esses dois fatores t&ecirc;m sido combinados para produzir resultados    novos e fundamentais. E isso aponta para uma das dire&ccedil;&otilde;es em que    os m&eacute;todos de RMf est&atilde;o sendo aprimorados: aumento de resolu&ccedil;&atilde;o    espacial e temporal. </font></p>     <p><font size="3">A resolu&ccedil;&atilde;o espacial da RMf, que, tipicamente,    situa-se na faixa de 4-6 mm2 em uma imagem plana, &eacute; relativamente pobre    se comparada &agrave;s imagens anat&ocirc;micas convencionais obtidas atrav&eacute;s    de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica. Isso ocorre principalmente porque, em    experimentos funcionais, h&aacute; necessidade de se adquirir um n&uacute;mero    muito grande de imagens num curto per&iacute;odo de tempo. Contudo, em trabalhos    recentes, j&aacute; se conseguiu que essa defini&ccedil;&atilde;o fosse reduzida    para a escala submilim&eacute;trica de 0.25 mm2 em imagens geradas com seres    humanos (9) e para incr&iacute;veis 0.015 mm2 em experimentos realizados com    animais (10), permitindo, nesse caso, a observa&ccedil;&atilde;o de pequenas    estruturas intracorticais, como vasos sangu&iacute;neos min&uacute;sculos, que    normalmente seriam observ&aacute;veis apenas com o uso de microfotografias e    inje&ccedil;&atilde;o de contrastes. Para isso, por&eacute;m, fez-se uso de    um procedimento que est&aacute; longe de poder ser considerado n&atilde;o-invasivo,    com a implanta&ccedil;&atilde;o de bobinas de RF, respons&aacute;veis pela localiza&ccedil;&atilde;o    do sinal de RMf, diretamente no cr&acirc;nio dos animais estudados (10). </font></p>     <p><font size="3">A despeito do esfor&ccedil;o empregado nesse sentido, &eacute;    bem sabido que a resolu&ccedil;&atilde;o espacial em RMf n&atilde;o pode aumentar    indefinidamente, pelo menos aquela baseada em altera&ccedil;&otilde;es hemodin&acirc;micas,    de que estamos tratando aqui. Evid&ecirc;ncias de que o mecanismo regulador    de fluxo sangu&iacute;neo local se d&aacute; dentro de um dom&iacute;nio submilim&eacute;trico    (11), pr&oacute;prio de colunas corticais, estabelece esse n&iacute;vel como    limite intr&iacute;nseco em termos de resolu&ccedil;&atilde;o espacial para    qualquer m&eacute;todo de neuroimagem baseado em hemodin&acirc;mica, incluindo    obviamente a RMf. </font></p>     <p><font size="3">A resolu&ccedil;&atilde;o temporal tamb&eacute;m &eacute; limitada    por fatores intr&iacute;nsecos a essa metodologia. Isso porque as respostas    hemodin&acirc;micas evocadas por ativa&ccedil;&atilde;o neuronal apresentam    um per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia que pode chegar a alguns segundos at&eacute;    que atinjam sua amplitude m&aacute;xima. Contudo, Ogawa (um dos pioneiros em    RMf) e colaboradores demonstraram recentemente que &eacute; poss&iacute;vel    planejar experimentos criativos que permitam obter informa&ccedil;&otilde;es    na escala de milisegundos (11). </font></p>     <p><font size="3">Na esteira dos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos    mais recentes, o uso de t&eacute;cnicas multimodais surgiu como uma abordagem    inovadora, permitindo ampliar as possibilidades de uso da RMf, combinando-o    com outros m&eacute;todos dotados de capacidades complementares. O uso combinado    de eeg e RMf &eacute; um bom exemplo nesse sentido. As altera&ccedil;&otilde;es    de potenciais el&eacute;tricos registrados pelo eeg, al&eacute;m de estarem    diretamente associadas &agrave; atividade neuronal, podem ser medidas com precis&atilde;o    de milisegundos, ao passo que sua resolu&ccedil;&atilde;o espacial &eacute;    bastante pobre. O RMf, como vimos, &eacute; uma medida indireta da atividade    neuronal e sem grande resolu&ccedil;&atilde;o temporal, mas permite produzir    mapas da atividade cerebral de boa resolu&ccedil;&atilde;o espacial. A aplica&ccedil;&atilde;o    simult&acirc;nea dessas duas t&eacute;cnicas em um &uacute;nico experimento    tem sido vista como uma forma de superar suas limita&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas    e de potencializar suas virtudes. </font></p>     <p><font size="3">Um estudo recente (12), realizado com o uso combinado de eeg    e RMf, permitiu obter, pela primeira vez, detalhes das respostas hemodin&acirc;micas    geradas atrav&eacute;s do efeito Bold e associadas a altera&ccedil;&otilde;es    da atividade cerebral relacionadas a epilepsia. Observou-se que tais respostas    hemodin&acirc;micas apresentam aspectos bastante diferentes do padr&atilde;o    habitual, observado em situa&ccedil;&otilde;es normais. &Eacute; bem poss&iacute;vel    que essas respostas hemodin&acirc;micas alteradas venham a se constituir em    pistas fundamentais no esfor&ccedil;o para se desvendar os mecanismos de base    subjacentes a essas disfun&ccedil;&otilde;es cerebrais. Resultados como esses,    al&eacute;m de demais aspectos mencionados anteriormente, permitem vislumbrar    um grande potencial para o estudo <I>in vivo</I> da din&acirc;mica cerebral    atrav&eacute;s do uso de RMf, tanto em situa&ccedil;&otilde;es normais como    patol&oacute;gicas, o que a torna desde j&aacute; uma t&eacute;cnica indispens&aacute;vel    para o avan&ccedil;o da Neuroci&ecirc;ncia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Roberto Covolan</b> &eacute; f&iacute;sico e professor do    Instituto de F&iacute;sica Gleb Wataghin da Unicamp.    <br>   <b>Dr&aacute;ulio Barros de Ara&uacute;jo</b> &eacute;    f&iacute;sico e professor do Departamento de F&iacute;sica e Matem&aacute;tica    da FFCLRP - USP - campus de Ribeir&atilde;o Preto.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>Antonio Carlos dos Santos</b> &eacute; m&eacute;dico    neuroradiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP - campus de Ribeir&atilde;o    Preto.    <br>   <b>Fernando Cendes</b> &eacute; m&eacute;dico neurologista    e professor da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Unicamp.</I></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Logothetis, N.K., Pauls J, Augath M, et al. &quot;Neurophysiological    investigation of the basis of the fMRI signal&quot;. <I>Nature</I> 412, 150-157    2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Attwell, D. and Iadecola, C. &quot;The neural basis of functional    brain imaging signals&quot;. <I>Trends in Neurosciences </I>25, 621-625 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Moll, J., Oliveira-Souza, R., Bramati, I.E., Grafman, J.    &quot;Functional networks in emotional moral and nonmoral social judgments&quot;.    <I>Neuroimage</I> 16, 696-703 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Bookheimer, S. &quot;Functional MRI of language: new approaches    to understanding the cortical organization of semantic processing&quot;. <I>Annual    Review of Neuroscience</I> 25, 151-188 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Haist, F., Gore, J.B., Mao, H. &quot;Consolidation of human    memory over decades revealed by functional magnetic resonance imaging&quot;.    <I>Nature Neuroscience</I> 4, 1139-1145 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Wishart, H.A., Saykin, A.J. e McAllister, T.W. &quot;Functional    Magnetic Resonance Imaging: Emerging Clinical Applications&quot;. <I>Current    Psychiatry Reports</I> 4, 338-345 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Ara&uacute;jo, D.B., Salles, A., Tedeschi, W., et al. &quot;Spatiotemporal    Patterns of Human Navigation Investigated by MEG and fMRI&quot; <I>In</I>: Proceedings    of the 13th International Conference on Biomagnetism, Jena. p.863 – 865. 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Binder, J.R., Achten, E., Constable, R.T., et al. &quot;Functional    MRI in epilepsy&quot;. <I>Epilepsia</I> 43 (Suppl. 1), 51-63 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Duong, T.Q., Yacoub, E., Adriany, G., et al. &quot;High-Resolution,    Spin-Echo Bold, ad CBF fMRI at 4 and 7 T&quot;. <I>Magnetic Resonance in Medicine</I>    48, 589-593 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Logothetis, N.K., Merkle, H., Augath, et al. &quot;Ultra    High-Resolution fMRI in Monkeys with Implanted RF Coils&quot;. <I>Neuron</I>    35, 227-242 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Kim, S-G e Ogawa, S. &quot;Insights into new techniques    for high resolution functional MRI&quot;. <I>Current Opinion in Neurobiology</I>    12, 607-615 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. B&eacute;nar, C-G, Gross, D.W, Wang Y, et al. &quot;The    Bold response to interictal epileptiform discharges&quot;. <I>Neuroimage</I>    17, 1182-1192 2002.</font> ]]></body><back>
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