<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252004000100029</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Epilepsia sob nova perspectiva]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Min]]></surname>
<given-names><![CDATA[Li Li]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Unicamp Departamento de Neurologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<volume>56</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>44</fpage>
<lpage>45</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252004000100029&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252004000100029&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252004000100029&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a19img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E<SMALL>PILEPSIA</SMALL> S<SMALL>OB</SMALL> N<SMALL>OVA</SMALL> P<SMALL>ERSPECTIVA</SMALL></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Li Li Min</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <font size=5><b>U</b></font>ma crise epil&eacute;ptica pode    durar de segundos a minutos, por&eacute;m a sua repercuss&atilde;o pode durar    uma vida. Estima-se que cerca de 3 milh&otilde;es de brasileiros t&ecirc;m alguma    forma de epilepsia e aproximadamente 100 mil casos novos somam-se a cada ano.    Pelo menos 50% dos casos come&ccedil;am na inf&acirc;ncia ou adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">Epilepsia certamente n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno recente,    como demonstram documentos origin&aacute;rios do Oriente h&aacute; mais de 4    mil anos. O tratamento medicamentoso eficaz est&aacute; dispon&iacute;vel h&aacute;    mais de 100 anos e as crises podem ser controladas, na sua grande maioria (70%),    com medica&ccedil;&atilde;o de baixo custo, propiciando assim uma vida normal    a esses pacientes. Para aqueles que n&atilde;o respondem ao tratamento medicamentoso,    existe a possibilidade de tratamento cir&uacute;rgico, que tamb&eacute;m est&aacute;    dispon&iacute;vel h&aacute; mais de 100 anos. Pelos relatos hipocr&aacute;ticos,    h&aacute; mais de 2 mil anos sabemos que epilepsia n&atilde;o &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o    de causa demon&iacute;aca ou espiritual, como sugere o pr&oacute;prio termo    epilepsia, de origem grega, que significa &quot;ser tomado&quot;. Os progressos    cient&iacute;ficos em epilepsia s&atilde;o cont&iacute;nuos com um n&uacute;mero    expressivo de publica&ccedil;&otilde;es em literatura internacional (mais de    69mil publica&ccedil;&otilde;es na base de dados do <I>PubMed</I> usando palavra    <I>epilepsy</I> at&eacute; agosto de 2003).</font></p>     <p><font size="3">Contudo, mesmo assim somente 10% a 40% dos pacientes recebem    tratamento medicamentoso, e a oferta de tratamento cir&uacute;rgico &eacute;    praticamente inexistente no Brasil. Os m&eacute;dicos, incluindo uma parcela    de neurologistas, n&atilde;o est&atilde;o preparados para atender pacientes    com epilepsia. Um programa de tratamento sistem&aacute;tico dos pacientes com    epilepsia na rede b&aacute;sica de sa&uacute;de &eacute; inexistente. Sabe-se    que o n&atilde;o-tratamento est&aacute; associado &agrave; maior morbidade e    risco de morte s&uacute;bita, sendo maiores nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.    O encargo s&oacute;cio-econ&ocirc;mico da epilepsia ativa &eacute; desconhecido,    mas provavelmente muito alto no Brasil. </font></p>     <p><font size="3">As cren&ccedil;as e mitos que envolvem a epilepsia persistem    em nossa sociedade. Muitos ainda acreditam em possess&atilde;o demon&iacute;aca    como a explica&ccedil;&atilde;o para epilepsia, e buscam os tratamentos que    incluem o exorcismo e simpatias. Essa ignor&acirc;ncia contribui para perpetuar    a estigmatiza&ccedil;&atilde;o, uma triste realidade que desclassifica e exclui    os indiv&iacute;duos com epilepsia e seus familiares da sociedade. </font></p>     <p><font size="3">Tendo em vista essa situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das    pessoas com epilepsia no mundo, uma campanha global foi lan&ccedil;ada em 1997,    liderada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, Liga Internacional    Contra Epilepsia (ILAE) e Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional dos Pacientes    com Epilepsia (IBE), com o intuito principal de esclarecer e desmistificar a    epilepsia. Em 2001, a campanha global entrou em sua segunda fase, com a&ccedil;&otilde;es    centradas nos projetos demonstrativos. Os projetos demonstrativos t&ecirc;m    como ponto principal o aspecto intervencionista, de forma a promover modifica&ccedil;&atilde;o    no sistema de sa&uacute;de, otimizando tratamento, diagn&oacute;stico e preven&ccedil;&atilde;o    da epilepsia na comunidade, visando em &uacute;ltima an&aacute;lise, fornecer    qualidade de vida melhor a estes indiv&iacute;duos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Desde o dia 30 de junho de 2002, o projeto Aspe (Assist&ecirc;ncia    &agrave; Sa&uacute;de de Pacientes com Epilepsia – <I><a href="http://www.aspebrasil.org">www.aspebrasil.org</a></I>)    integra oficialmente a campanha global como executor do projeto demonstrativo    no Brasil, tendo Campinas e S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto, no interior    paulista, como &aacute;rea alvo de atua&ccedil;&atilde;o. Desde ent&atilde;o,    uma equipe multidisciplinar com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas    (Unicamp) - Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o    e Labjor -, da Faculdade de Medicina de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto    e em parceria com as secretarias municipais de sa&uacute;de das duas cidades    com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, executa o projeto demonstrativo com    dura&ccedil;&atilde;o de quatro anos, iniciado em 27 de Setembro de 2002 (ver    cronograma).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a28fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>OS OBJETIVOS GERAIS DO PROJETO DEMONSTRATIVO S&Atilde;O:</b></font></p>     <p><font size="3">• Avaliar procedimentos que melhorem a identifica&ccedil;&atilde;o,    encaminhamento e o tratamento de pessoas com epilepsia , por meio do sistema    de atendimento prim&aacute;rio &agrave; sa&uacute;de j&aacute; existente e com    a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade.</font></p>     <p><font size="3">• Desenvolver um modelo de tratamento integral de epilepsia    que possa ser aplicado em &acirc;mbito nacional, tendo como palco principal    rede b&aacute;sica de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="3"><b>ESPECIFICAMENTE, O PROJETO DEMONSTRATIVO VISA:</b></font></p>     <p><font size="3"><b>1. </b>Avaliar a pr&aacute;tica de encaminhamento corrente    (diagn&oacute;stico, tratamento e seguimento) de pacientes com epilepsia na    &aacute;rea urbana do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3"><b>2.</b> Estimar:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">a) preval&ecirc;ncia das formas ativas de epilepsia;    <br>   b) a porcentagem da lacuna de tratamento via uma metodologia    ativa de localiza&ccedil;&atilde;o de casos;    <br>   c) as mudan&ccedil;as que o projeto pode trazer na &aacute;rea    de estudo.</font></p>     <p><font size="3"><b>3.</b> Determinar a etiologia e fatores de risco em associa&ccedil;&atilde;o    com a epilepsia na comunidade.</font></p>     <p><font size="3"><b>4. </b>Reduzir e erradicar causas preven&iacute;veis de epilepsia    na comunidade.</font></p>     <p><font size="3"><b>5.</b> Determinar o conhecimento, as atitudes e o atendimento    de pacientes com epilepsia entre os profissionais na rede prim&aacute;ria de    sa&uacute;de, antes e depois de terem sido submetidos a um treinamento em epilepsia.</font></p>     <p><font size="3"><b>6.</b> Desenvolver normas t&eacute;cnicas para identifica&ccedil;&atilde;o,    educa&ccedil;&atilde;o, tratamento e seguimento de pacientes com epilepsia na    rede prim&aacute;ria de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="3"><b>7.</b> Promover um estudo de tratamento de formas de epilepsia,    usando antiepil&eacute;pticos de primeira linha pelos m&eacute;dicos do atendimento    prim&aacute;rio &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="3"><b>8.</b> Desenvolver estrat&eacute;gias para a implementa&ccedil;&atilde;o    de um programa cir&uacute;rgico, custo-efetivo para o tratamento de epilepsias    refrat&aacute;rias a medica&ccedil;&otilde;es antiepil&eacute;pticas.</font></p>     <p><font size="3"><b>9. </b>Desenvolver um programa de educa&ccedil;&atilde;o    profissional continuada em epilepsia para profissionais da rede prim&aacute;ria    de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>10. </b>Promover consci&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre epilepsia    via programa educacional direcionado &agrave; comunidade.</font></p>     <p><font size="3"><b>11.</b> Promover educa&ccedil;&atilde;o continuada para professores    de escolas prim&aacute;rias e secund&aacute;rias e difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    sobre epilepsia.</font></p>     <p><font size="3"><b>12.</b> Desenvolver um programa de desestigmatiza&ccedil;&atilde;o    da epilepsia e de melhora da aceita&ccedil;&atilde;o social. </font></p>     <p><font size="3"><b>13. </b>Promover grupos de gerenciamento e suporte para pessoas    com epilepsia.</font></p>     <p><font size="3"><b>14. </b>Reduzir a carga econ&ocirc;mica e social da epilepsia    nas &aacute;reas estudadas.</font></p>     <p><font size="3">A mudan&ccedil;a dessa situa&ccedil;&atilde;o paradoxal, no    entanto, s&oacute; ocorrer&aacute; na medida em que todos entendam que a epilepsia    &eacute; um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. A solu&ccedil;&atilde;o    requer uma resposta social e m&eacute;dico-assistencial ampla e mantida. Neste    aspecto, o (a) leitor(a) torna-se, de agora em diante, uma fonte de refer&ecirc;ncia    e formador(a) de opini&atilde;o na nossa sociedade e deve posicionar-se contra    o preconceito e desinforma&ccedil;&atilde;o. A epilepsia precisa ser vista sob    nova perspectiva para que enfim possa sair das sombras.</font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><b>Li Li Min</b> &eacute; m&eacute;dico, professor doutor    do Departamento de Neurologia da Unicamp e coordenador da Campanha Global Contra    Epilepsia no Brasil.</I></font> </p>      ]]></body>
</article>
