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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a29img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a29fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">NEUROARTE</font></p>     <p><font size="4"><b>Onde a ci&ecirc;ncia se encontra com a arte </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O g&ecirc;nio renascentista Leonardo Da Vinci (1452-1519) &eacute;    um dos inspiradores no trabalho dos integrantes da Oficina Da Vinci, coordenada    pelo pesquisador Norberto Garcia-Cairasco, do Laborat&oacute;rio de Neurofisiologia    e Neuroetologia Experimental (LNNE) da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o    Preto de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="3">A neuroarte &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o recente que    congrega uma s&eacute;rie de express&otilde;es associadas a artes pl&aacute;sticas    e neuroci&ecirc;ncias. O termo expressa fen&ocirc;menos mistos nas duas &aacute;reas,    que podem ser fus&otilde;es, influ&ecirc;ncias de ambas as partes ou, inclusive,    material art&iacute;stico produzido por indiv&iacute;duos que sofrem de problemas    neurol&oacute;gicos ou psiqui&aacute;tricos, explica Garcia-Cairasco.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O pesquisador rejeita a id&eacute;ia de que existe incompatibilidade    entre os dois campos de inven&ccedil;&otilde;es humanas. &quot;Existem muitas    converg&ecirc;ncias e coincid&ecirc;ncias na express&atilde;o de ambas, o que    faz com que seja extremamente simples o tr&acirc;nsito de uma para outra&quot;.    N&atilde;o &eacute; por acaso que ele tem grande admira&ccedil;&atilde;o por    Da Vinci, uma das express&otilde;es m&aacute;ximas de desenvolvimento aliado    entre atividades cient&iacute;ficas e art&iacute;sticas na hist&oacute;ria da    humanidade.</font></p>     <p><font size="3">No universo da neuroarte &eacute; poss&iacute;vel buscar uma    explica&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica para a arte, e tamb&eacute;m criar    um tipo de arte que se apropria de elementos gr&aacute;ficos das neuroci&ecirc;ncias.    Muitas quest&otilde;es podem ser abordadas: como o homem viu seu pr&oacute;prio    enc&eacute;falo por milh&otilde;es de anos, e como expressou isso nas artes    visuais; como se processa a informa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica; ser&aacute;    que o c&eacute;rebro/enc&eacute;falo do artista pl&aacute;stico &eacute; diferente    dos outros? Garcia-Cairasco considera priorit&aacute;rio que &quot;no campo    de trabalho e no cotidiano do laborat&oacute;rio que dirijo, as pessoas tenham    pensamentos disciplinados para a est&eacute;tica, incorporados a produ&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas&quot;. </font></p>     <p><font size="3">&quot;Com o avan&ccedil;o do conhecimento em neuroanatomia,    com o aux&iacute;lio dos detalhamentos estruturais advindos das dissec&ccedil;&otilde;es    e obras dos grandes mestres das Artes Visuais na Renascen&ccedil;a - Michelangelo    (1475-1564) e Da Vinci (1452-1519) - e da Medicina - Vesalius (1514-1564) e    Albinus (1697-1770) - a possibilidade de correlacionar estrutura e fun&ccedil;&atilde;o    foi aumentada. Dessa maneira, grandes artistas incursionaram em tarefas ditas    cient&iacute;ficas&quot;, conta.</font></p>     <p><font size="3">Em 1998, foi inaugurada a Neuroscience Art Gallery na revista    eletr&ocirc;nica <I>Mente e C&eacute;rebro</I> da Unicamp, com 20 obras digitais    do pesquisador. Garcia-Cairasco relata, ainda, que, desde 2002, incentiva seus    alunos a percorrerem o caminho da neuroarte na Oficina Da Vinci. &quot;Eles    mudam sua rotina de trabalho cient&iacute;fico para se dedicarem &agrave; arte,    aprendem neuroanatomia com o desenho e a explora&ccedil;&atilde;o de ferramentas    cl&aacute;ssicas e digitais de desenho&quot;. Al&eacute;m das artes visuais,    ele salienta que a neuroarte pode ser desenvolvida em outros campos, como a    m&uacute;sica e a produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria. Em 2003, o laborat&oacute;rio    realizou, numa experi&ecirc;ncia pioneira no Brasil e no exterior, o II Simp&oacute;sio    do LNNE sobre o tema neuroarte. Este evento reuniu quase 140 pessoas e teve    expostos 28 trabalhos, todos gr&aacute;ficos, digitalizados, produto de intera&ccedil;&otilde;es    entre cientistas e artistas pl&aacute;sticos. A programa&ccedil;&atilde;o de    palestras e todos os trabalhos est&atilde;o na internet: <I><a href="http://www.rfi.fmrp.usp.br/%7Eneuro-arte">http://rfi.fmrp.usp.br/~neuro-arte</a></i>.</font></p>     <p><font size="3">Essa intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e artistas &eacute;    uma tend&ecirc;ncia mundial. &quot;Desde 1997, a Wellcome Trust Foundation ap&oacute;ia    o SciArt, que financia projetos entre cientistas e artistas, n&atilde;o apenas    no campo das neuroci&ecirc;ncias&quot;. Mais recentemente, no Science Museum,    tamb&eacute;m em Londres, aconteceu a exposi&ccedil;&atilde;o <I>Head on: art    with the brain in mind (Cara a cara: a arte do c&eacute;rebro)</I> que inclu&iacute;a    a exibi&ccedil;&atilde;o de trabalhos encomendados (colabora&ccedil;&atilde;o    entre artistas contempor&acirc;neos e neurocientistas), trabalhos hist&oacute;ricos    sobre a mente e o c&eacute;rebro e trabalhos contempor&acirc;neos sobre neuroci&ecirc;ncias.</font></p>      ]]></body>
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