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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a35fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="4"><b>Ci&ecirc;ncia e Literatura </b></FONT></p>     <p><font size=5><b>O<SMALL>LIVER</SMALL> S<SMALL>ACKS &Eacute; UM ANTROP&Oacute;LOGO EM</SMALL> M<SMALL>ARTE</SMALL></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O ingl&ecirc;s Oliver Sacks &eacute; um neurologista    com muitos pacientes para estudar e hist&oacute;rias para contar. O olhar de    Sacks sobre seus pacientes, nos nove livros que j&aacute; publicou, torna-os    extremamente interessantes revelando mist&eacute;rios da mente humana. Algumas    das obras, pelo potencial em dramaturgia, foram adaptadas para o cinema. O filme    mais conhecido &eacute; <I>Tempo de despertar,</I> baseado no livro de mesmo    nome,produ&ccedil;&atilde;ode 1991, tendo Robin Williams e Robert De Niro nos    pap&eacute;is principais. O livro conta a hist&oacute;ria de um grupo de pacientes    com letargia encef&aacute;lica, que retornam subitamente ao mundo ap&oacute;s    d&eacute;cadas de &quot;sono&quot;. Presenciar o &quot;renascimento&quot; dessas    pessoas permitiu a Sacks repartir a experi&ecirc;ncia daquelas vidas incomuns    - que maravilharam e intrigaram o autor - com muitas outras pessoas, via literatura    e cinema.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m de um humanizado neurologista, Sacks tamb&eacute;m    se revela um ex&iacute;mio contador de hist&oacute;rias. Em sua obra, a complexidade    de seus casos cl&iacute;nicos aparece em narrativas envolventes e muito pr&oacute;ximas    do cotidiano das pessoas. Muitas vezes, os pacientes parecem ser apenas um pretexto    para Sacks compartilhar com os leitores a dura fragilidade humana e os esfor&ccedil;os    empregados para a sobreviv&ecirc;ncia em meio a grandes adversidades que transformam    a vida em uma realidade, muitas vezes, quase insuport&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="3">O caso do pintor que ficou dalt&ocirc;nico, contado no livro    <I>Um antrop&oacute;logo em Marte</I>, &eacute; um exemplo da incr&iacute;vel    capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o humana a condi&ccedil;&otilde;es adversas.    Esse pintor torna-se completamente dalt&ocirc;nico devido a um acidente de carro,    deixa de viver no mundo colorido conhecido para olhar a vida nas tonalidades    cinza, preta e branca. Sacks consegue transmitir as emo&ccedil;&otilde;es causadas    por essa transforma&ccedil;&atilde;o na vida de um artista que tinha na cor    sua inspira&ccedil;&atilde;o, e relata o lento processo de adapta&ccedil;&atilde;o,    nada f&aacute;cil, &agrave; nova realidade. </font></p>     <p><font size="3">Em <I>A ilha dos dalt&ocirc;nicos</I>, o neurologista depara-se    com uma situa&ccedil;&atilde;o peculiar numa ilha do Atol de Pingelap, no Pac&iacute;fico.    Isolados, os habitantes da ilha nasciam dalt&ocirc;nicos e desenvolviam um tipo    de vida completamente adaptado a essa condi&ccedil;&atilde;o. E, se lembrarmos    de Darwin e Wallace, podemos entender ainda melhor o fasc&iacute;nio de Sacks    pelo caso, porque a ilha foi um dos objetos do estudo que deu origem &agrave;    teoria da evolu&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o d&aacute; para pensar em evolu&ccedil;&atilde;o    sem pensar em adapta&ccedil;&atilde;o, ali&aacute;s, em muitas adapta&ccedil;&otilde;es    – como as dos pacientes de Sacks. </font></p>     <p><font size="3">Garimpando rea&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es na    vida de seus pacientes, Sacks encontra um repert&oacute;rio rico para desenvolver    seu vi&eacute;s liter&aacute;rio. O escritor tira o avental e segue em busca    de respostas mais abrangentes sobre a vida humana, incorporando &agrave; sua    forma&ccedil;&atilde;o de neurologista a vis&atilde;o de antrop&oacute;logo.    Mostra que n&atilde;o &eacute; preciso ir longe, fazer uma grande viagem, cruzar    oceanos, para descobrir um mundo sempre surpreendente, que existe dentro do    &quot;pequeno&quot; espa&ccedil;o da cabe&ccedil;a das pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Juliana Schober</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a35fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a35fig03.gif"></p>      ]]></body>
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