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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>Restaura&ccedil;&atilde;o</b></FONT></p>     <p><font size=5><b>P<SMALL>OL&Ecirc;MICA NOS</SMALL> 500 <SMALL>ANOS DE</SMALL> D<SMALL>AVID DE</SMALL> M<SMALL>ICHELANGELO</SMALL></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Uma das esculturas mais c&eacute;lebres do Renascimento, o    <I>David</I>, de Michelangelo, est&aacute; sendo restaurada para comemorar seus    500 anos em meio a muita pol&ecirc;mica sobre o melhor m&eacute;todo a ser empregado,    apesar de 11 anos de estudos e discuss&otilde;es. A restauradora Agnese Parronchi,    respons&aacute;vel inicial pela limpeza, pretendia utilizar escovas de p&ecirc;lo    e borrachas, mas demitiu-se em abril passado por diverg&ecirc;ncias no grupo    em rela&ccedil;&atilde;o ao seu m&eacute;todo de trabalho. A limpeza reiniciou-se    em setembro, sob responsabilidade de outra restauradora italiana, Cinzia Parnigoni,    que agora limpa a escultura com compressas de &aacute;gua destilada. </font></p>     <p><font size="3">Nenhum processo de restaura&ccedil;&atilde;o &eacute; absolutamente    inofensivo e cabe ao restaurador, ap&oacute;s exames minuciosos do estado da    obra e considerando custos e benef&iacute;cios dos v&aacute;rios m&eacute;todos    poss&iacute;veis, optar pelo m&eacute;todo que cause menos danos, avalia F&aacute;tima    Faria Gomes, especialista em museologia, conservadora e restauradora de bens    culturais em S&atilde;o Paulo. No caso do <I>David</I>, F&aacute;tima diz que    os dois m&eacute;todos propostos – limpeza a seco e limpeza &uacute;mida - t&ecirc;m    pr&oacute;s e contras e seria muito complicado avaliar o melhor &agrave; dist&acirc;ncia,    sem ver a obra. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a42fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Por ter ficado exposta ao ar livre durante s&eacute;culos, sofrendo    a a&ccedil;&atilde;o de chuva, polui&ccedil;&atilde;o, excremento de aves, entre    outras agress&otilde;es, al&eacute;m do &quot;banho&quot; de &aacute;cido clor&iacute;drico    que recebeu em sua &uacute;ltima limpeza, em 1843, a superf&iacute;cie da obra    esculpida por Michelangelo se fragilizou. Em situa&ccedil;&otilde;es semelhantes,    F&aacute;tima considera que a utiliza&ccedil;&atilde;o de escovas pode causar    um desgaste ainda maior ao m&aacute;rmore, al&eacute;m de empurrar a sujeira,    aderida &agrave; cera aplicada por Michelangelo na obra, para dentro dos poros    do material. Como antes da limpeza &uacute;mida com &aacute;gua destilada, pretende-se    utilizar <I>white spirit</I> (&aacute;gua raz mineral) para remover a camada    de cera, tal a&ccedil;&atilde;o pode expor ainda mais a superf&iacute;cie do    m&aacute;rmore, considera a muse&oacute;loga. </font></p>     <p><font size="3">&quot;Nenhuma limpeza dar&aacute; &agrave; obra o aspecto de    quando foi realizada pelo artista. O tempo e a hist&oacute;ria j&aacute; deixaram    suas marcas e nada ir&aacute; apagar isso e n&oacute;s temos o dever de respeitar    essa situa&ccedil;&atilde;o. Como restauradores, devemos ter consci&ecirc;ncia    de que o nosso papel &eacute; apenas o de permitir, com interfer&ecirc;ncias    m&iacute;nimas, que a integridade e a leitura da obra sejam mantidas, n&atilde;o    s&oacute; para o deleite, mas para a pesquisa e o conhecimento de nossa hist&oacute;ria,    em todos os sentidos&quot;, conclui a restauradora brasileira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>MARCO DE FLOREN&Ccedil;A</b> A est&aacute;tua de <I>David</I>    ficou pronta em 1504 e esteve exposta em frente ao Palazzo Vecchio (Pal&aacute;cio    Velho), na Piazza della Signoria (Pra&ccedil;a da Senhoria), em Floren&ccedil;a,    at&eacute; 1873, quando foi transferida para o interior da Galleria dell’Accademia    (Galeria da Academia), para proteg&ecirc;-la de mais desgastes externos. Desde    1910, uma r&eacute;plica marca a entrada do pal&aacute;cio, e as propor&ccedil;&otilde;es    humanas quase perfeitas do original podem ser admiradas na Accademia, que recebe    cerca de 1,2 milh&atilde;o de visitantes a cada ano.</font></p>     <p><font size="3">Desde a cria&ccedil;&atilde;o inspirada de Michelangelo, a escultura    sofreu v&aacute;rios ataques: al&eacute;m dos protestos e tentativas de cobri-la    com uma tanga, h&aacute; 500 anos, os florentinos receberam-na com pedradas    e, em outra ocasi&atilde;o, um banco foi arremessado contra ela por desordeiros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Maria Carolina Aguiar</I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><i><img src="/img/revistas/cic/v56n1/a42fig02.gif"></i></p>      ]]></body>
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