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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">VIOL&Ecirc;NCIA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a04img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Criminalidade altera perfil urbano </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o aumento da viol&ecirc;ncia    causou forte impacto s&oacute;cio-econ&ocirc;mico nas grandes cidades: maiores    gastos p&uacute;blicos e privados com seguran&ccedil;a, perda de investimentos    no com&eacute;rcio e ind&uacute;stria, mudan&ccedil;a de h&aacute;bitos de consumo.    Diante desse chamado &quot;custo da criminalidade&quot;, a pr&oacute;pria configura&ccedil;&atilde;o    urbana sofreu mudan&ccedil;as. O cen&aacute;rio &eacute;, hoje, pontuado por    condom&iacute;nios, ruas e bairros fechados, resid&ecirc;ncias com altos muros    e cercas eletrificadas. Para a pesquisadora Denise M&ocirc;naco do N&uacute;cleo    de Estudos sobre Habita&ccedil;&atilde;o e Modos de Vida (Nomads) da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP), &quot;a expans&atilde;o de empreendimentos fechados    faz parte de estrat&eacute;gias imobili&aacute;rias e de marketing que utilizam    a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a como apelo principal. Persuadem consumidores,    que s&atilde;o bombardeados pela m&iacute;dia diariamente, com relatos sensacionalistas    sobre crimes violentos&quot;, afirma Denise. </font></p>     <p><font size="3">Para a antrop&oacute;loga Tereza Pires Caldeira, da Universidade    da Calif&oacute;rnia e autora do livro <i>Cidade de muros</i>, os condom&iacute;nios    fechados constituem-se em um novo padr&atilde;o de segrega&ccedil;&atilde;o    espacial e desigualdade social na cidade. Um novo modelo de segrega&ccedil;&atilde;o    substitui, aos poucos, a dicotomia centro-rico x periferia-pobre.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a05fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">&quot;A implanta&ccedil;&atilde;o dessas novas formas espaciais    deriva de um padr&atilde;o de assentamento urbano destinado a alguns privilegiados,    acentuando as disparidades sociais e ressaltando um processo de nega&ccedil;&atilde;o    da esfera p&uacute;blica, e de sua diversidade. O espa&ccedil;o urbano aparece,    neste contexto, como perigoso, ca&oacute;tico, impessoal, doentio, cinza; espa&ccedil;o    a ser evitado e que deve ser isolado&quot;, enfatiza Denise. </font></p>     <p><font size="3"><b>CUSTO DA VIOL&Ecirc;NCIA</b> Al&eacute;m de mudar a forma    de o cidad&atilde;o se relacionar com a cidade, os altos &iacute;ndices de criminalidade    acarretam problemas de ordem s&oacute;cio-econ&ocirc;mica. Segundo dados do    Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apenas em 1997, o Brasil perdeu    10,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em raz&atilde;o da falta de seguran&ccedil;a.    O c&aacute;lculo inclui despesas com servi&ccedil;os decorrentes da viol&ecirc;ncia    como: hospitais, pol&iacute;cia, aparatos de seguran&ccedil;a e sistema judicial.    Valor subestimado, segundo os especialistas, pois n&atilde;o leva em conta perdas    com turismo, atividades econ&ocirc;micas noturnas, investimentos externos, entre    outras receitas indiretas afetadas pelo crime. </font></p>     <p><font size="3">Para T&uacute;lio Kahn, coordenador de an&aacute;lise e planejamento    da Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Estado de S&atilde;o Paulo,    essas estimativas ainda s&atilde;o prec&aacute;rias.&quot;N&atilde;o se consegue    precisar a dimens&atilde;o real desses impactos, que v&atilde;o dos diretos,    como custo do combate e preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, a v&aacute;rios    indiretos, onde se inclui, por exemplo, a perda de vida produtiva do jovem,    parcela da popula&ccedil;&atilde;o onde est&atilde;o as maiores taxas de homic&iacute;dio.    Esses s&atilde;o custos incalcul&aacute;veis&quot;, declara. </font></p>     <p><font size="3">Kahn acrescenta que &eacute; preciso diferenciar os tipos de    crimes e locais onde ocorrem, para buscar compreender as motiva&ccedil;&otilde;es    e perfil do criminoso. Roubos e furtos em geral acontecem em bairros de classe    m&eacute;dia alta, por exemplo. &quot;Nesse tipo de crime existe rela&ccedil;&atilde;o    direta com os n&iacute;veis de riqueza e n&atilde;o com os de pobreza, como    geralmente &eacute; dito&quot;. Segundo ele, ao fazer um levantamento dos locais    de maior incid&ecirc;ncia de roubos e furtos, observa-se que s&atilde;o &aacute;reas    com maior circula&ccedil;&atilde;o ou ac&uacute;mulo de bens, regi&otilde;es    com alta concentra&ccedil;&atilde;o de riqueza. J&aacute; homic&iacute;dios    ocorrem, em maior n&uacute;mero, nos bairros pobres e as motiva&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o passionais ou relacionadas ao tr&aacute;fico de drogas em sua maioria.</font></p>     <p><font size="3">Para o coordenador, o planejamento urbano pode contribuir na    redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia. Ele acredita que    o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o tardio, acelerado e desordenado dos    pa&iacute;ses latino-americanos gerou muitos conflitos sociais que seriam a    raiz do problema da criminalidade. &quot;Os pa&iacute;ses que tiveram um desenvolvimento    r&aacute;pido e tardio possuem, em geral, desordenamento urbano e as maiores    taxas de criminalidade do mundo&quot;, conclui Kahn.</font></p>     <p><font size="3">Denise M&ocirc;naco assinala que a rela&ccedil;&atilde;o entre    planejamento urbano e qualidade de vida nas grandes cidades faz parte de uma    concep&ccedil;&atilde;o do pensamento urban&iacute;stico existente desde a d&eacute;cada    de 1960 no Brasil. Hoje, por&eacute;m, o papel do planejamento urbano no crescimento    da criminalidade foi minimizado diante de outros fatores, como as vari&aacute;veis    s&oacute;cio-econ&ocirc;micas e a fal&ecirc;ncia institucional. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>M&aacute;rcia Tait Lima</i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a05fig02.gif"></p>      ]]></body>

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