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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">PERCEP&Ccedil;&Atilde;O DA CI&Ecirc;NCIA</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a04img02.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Crian&ccedil;as refletem o imagin&aacute;rio social</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Embora o contato direto com a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    e tecnol&oacute;gica n&atilde;o seja experimentado por todos, cada um possui    suas pr&oacute;prias imagens da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. Buscar estes    s&iacute;mbolos n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. Em geral, question&aacute;rios    s&atilde;o empregados para extrair dados quantitativos, prioritariamente, de    um p&uacute;blico alvo determinado, mas muitas vezes a pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o    das perguntas j&aacute; induz as respostas. Para coletar impress&otilde;es enraizadas    na mente da sociedade, uma equipe do Laborat&oacute;rio Interdisciplinar da    Escola Internacional Superior de Estudos Avan&ccedil;ados, na It&aacute;lia,    trabalhou com crian&ccedil;as de 8 anos, j&aacute; alfabetizadas e capazes de    organizar um n&iacute;vel razo&aacute;vel de discurso, mas que ainda n&atilde;o    expostas ao estudo de ci&ecirc;ncias. &quot;Parte do imagin&aacute;rio &#91;de ci&ecirc;ncia&#93;    se constr&oacute;i nos primeiros anos da inf&acirc;ncia&quot;, afirma Yurij    Castelfranchi, um dos coordenadores do estudo e atualmente pesquisador do Laborat&oacute;rio    de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp.</font></p>     <p><font size="3">Assim, a equipe italiana, coordenada tamb&eacute;m por Daniele    Gouthier, buscou na atividade l&uacute;dica uma forma de deixar as crian&ccedil;as    suficientemente confort&aacute;veis para permitir o acesso a seu imagin&aacute;rio.    &quot;N&atilde;o quer&iacute;amos estudar a imagem tida pelas crian&ccedil;as,    mas, por meio delas, analisar a imagem que a sociedade tem&quot;, explica Castelfranchi,    sobre a hip&oacute;tese que conduziu o estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a12fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Oito crian&ccedil;as por turma foram selecionadas ao acaso para    construir uma hist&oacute;ria em que tivesse, obrigatoriamente, tr&ecirc;s personagens    - uma crian&ccedil;a de 8 anos, um cientista e um ser indefinido, classificado    de um &quot;n&atilde;o-sei-o-qu&ecirc;&quot; – que, em um certo momento, enfrentariam    um problema a ser solucionado em conjunto. Os personagens escolhidos, cada qual    com seu prop&oacute;sito, aproximavam a crian&ccedil;a da hist&oacute;ria, permitiam    analisar o papel do cientista e davam asas &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o,    por meio do ser imagin&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">Diante de uma enorme folha de papel e munidos de l&aacute;pis,    canetas e giz de cera colorido, os personagens foram surgindo dentro de uma    mesma hist&oacute;ria din&acirc;mica e fant&aacute;stica. De forma geral, os    cientistas eram estereotipados como homens brancos, por vezes vestidos com avental,    &oacute;culos, microsc&oacute;pios e de cabelos arrepiados. Surgiram tamb&eacute;m    mulheres, geralmente desenhadas por meninas que pediam permiss&atilde;o para    a escolha do g&ecirc;nero, evidenciando a consci&ecirc;ncia com a discrimina&ccedil;&atilde;o.    Os &quot;n&atilde;o-sei-o-qu&ecirc;&quot; eram majoritariamente representados    por monstros, inspirados em imagens midi&aacute;ticas como <i>Pokem&oacute;n</i>    e <i>Harry Potter</i>. </font></p>     <p><font size="3">&quot;O elemento m&iacute;tico da ci&ecirc;ncia est&aacute;    bastante presente nos desenhos&quot;, diz Castelfranchi que, a partir das dimens&otilde;es    &eacute;ticas, de poder e magia refletidas nas hist&oacute;rias, identificou    alguns mitos bem marcados. Entre eles est&aacute; o mito do fruto proibido,    como descrito na B&iacute;blia. H&aacute; tamb&eacute;m o mito do Golem, monstro    de lama da mitologia judaica, fruto de uma cria&ccedil;&atilde;o humana que    acaba fugindo de controle.</font></p>     <p><font size="3">As cria&ccedil;&otilde;es fant&aacute;sticas eram sempre acompanhadas    de momentos chamados de fase verbal, onde as crian&ccedil;as eram questionadas    sobre o rumo e acontecimentos da hist&oacute;ria, quando surgiam conceitos cient&iacute;ficos,    como foi o caso de m&eacute;todo, experimento, an&aacute;lise, modelo e hip&oacute;tese,    explicados de forma bastante elaborada.</font></p>     <p><font size="3">A pesquisa foi desenvolvida em seis escolas distribu&iacute;das    igualmente na zona rural, na periferia e em centros urbanos no sul e no norte    da It&aacute;lia, mas n&atilde;o houve diferen&ccedil;as significativas entre    as crian&ccedil;as dos diferentes locais. Os professores n&atilde;o participaram    das atividades, uma vez que sua imagem, geralmente associada ao controle, poderia    prejudicar o trabalho. A atividade, baseada na metodologia conhecida como grupo    focal, teve uma dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de uma hora, era orientada    por um moderador incumbido de catalisar a intera&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as,    al&eacute;m de um observador, que analisava o comportamento do moderador e gravava    as conversas em &aacute;udio. </font></p>     <p><font size="3">A &uacute;ltima fase do trabalho desenvolvido com as crian&ccedil;as    italianas inclu&iacute;a a proposta de reda&ccedil;&atilde;o de uma carta contando    a crian&ccedil;as brasileiras como s&atilde;o os cientistas. Segundo Castelfranchi,    esta fase era particularmente importante para que as crian&ccedil;as passassem    da fantasia para a realidade, momento em que a compreens&atilde;o se estabelece.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a12fig02.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A pesquisa desenvolvida com as crian&ccedil;as na It&aacute;lia    conseguiu detectar in&uacute;meras dimens&otilde;es da ci&ecirc;ncia, incluindo    a de magia, poder e dom&iacute;nio, manipula&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o,    &eacute;tica (o cientista destruindo e salvando), pr&aacute;tica e tecnologia    (o cientista inventando e construindo), a do conhecimento (pesquisa e m&eacute;todo)    e tamb&eacute;m a social. Mas, diferentemente de pesquisas que analisam a percep&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia por adultos, em que os aspectos positivos costumam ser mais    evidenciados – &quot;adultos tem medo de contar a parte ruim da ci&ecirc;ncia&quot;    - no caso das crian&ccedil;as, os dois p&oacute;los da ci&ecirc;ncia, ou seja,    o lado positivo e negativo, surgem simultaneamente, sendo que o lado mais obscuro    – como o dos riscos causados e de cientistas serem super poderosos ou malucos    — est&aacute; mais vis&iacute;vel. O coordenador da pesquisa explica que a vis&atilde;o    que as pessoas t&ecirc;m de ci&ecirc;ncia n&atilde;o costuma ser manique&iacute;sta,    com a exist&ecirc;ncia de grupos totalmente favor&aacute;veis ou contr&aacute;rios    aos avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia. Mas, aproxima-se muito mais daquela revelada    pelas crian&ccedil;as, em que se mostrou complexa e por vezes contradit&oacute;ria.    Gra&ccedil;as &agrave; abordagem sugerida pelos pesquisadores para a cria&ccedil;&atilde;o    de uma hist&oacute;ria fant&aacute;stica, o imagin&aacute;rio mais profundo    que a sociedade tem da ci&ecirc;ncia foi trazido &agrave; tona.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Germana Barata</b></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a12fig03.gif"></p>      ]]></body>

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