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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b><font size=5>A<small>PRESENTA&Ccedil;&Atilde;O </small></font></b></p>     <p align="center"><font size=5><b>C<small>IDADE BRASILEIRA: UMA OU MUITAS?</small></b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Raquel Rolnik</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>O</font></b> campo de pesquisa e reflex&atilde;o    sobre as cidades brasileiras &eacute; hoje vasto e multidisciplinar. Ge&oacute;grafos,    dem&oacute;grafos, urbanistas, economistas, soci&oacute;logos, antrop&oacute;logos,    cientistas pol&iacute;ticos, administradores e historiadores sediados em centros    de pesquisa de v&aacute;rios pontos do pa&iacute;s "pensam" a cidade,    a partir dos recortes definidos por suas disciplinas e viv&ecirc;ncias nas cidades    brasileiras, numa produ&ccedil;&atilde;o que tem crescido com a velocidade e    intensidade de nosso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">O Brasil urbano do in&iacute;cio do terceiro mil&ecirc;nio &eacute;    marcado por uma enorme diversidade de situa&ccedil;&otilde;es e din&acirc;micas    urbanas. Metr&oacute;poles e centros regionais parecem continuar sendo o destino    inevit&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o jovem – homens e mulheres – de pequenas cidades do interior. Assim, em distintas partes do pa&iacute;s,    cidades crescem a taxas superiores a 10% ao ano enquanto outras s&atilde;o povoados    por velhos e seus netos. </font></p>     <p><font size="3">Nas &aacute;reas din&acirc;micas do pa&iacute;s – ligadas    ao agroneg&oacute;cio, p&oacute;los industriais, de turismo e de log&iacute;stica, – cidades surgem do nada ou se expandem rapidamente reproduzindo o modelo    de exclus&atilde;o territorial que tem orientado o desenvolvimento urbano do    pa&iacute;s. Dessa forma, favelas, periferias e loteamentos irregulares deixam    de ser marca de metr&oacute;poles e capitais para definir um modelo de expans&atilde;o    urbana nos poucos pontos/p&oacute;los que a concentram. De outro lado, o esvaziamento    demogr&aacute;fico de zonas rurais e pequenas cidades persiste, constituindo    juntamente com os assentamentos prec&aacute;rios nas cidades em expans&atilde;o,    o l&oacute;cus da pobreza e precariedade urban&iacute;stica. </font></p>     <p><font size="3">De alguma forma, esses temas estiveram presentes na produ&ccedil;&atilde;o    acad&ecirc;mica sobre as cidades desde o final dos anos 1970 e permanecem, agora    com muito mais diversidade de olhares e profundidade emp&iacute;rica. Nesse    ponto, talvez a grande contribui&ccedil;&atilde;o tenha sido a diversifica&ccedil;&atilde;o    do l&oacute;cus de pesquisa, incluindo cidades pequenas e m&eacute;dias do interior,    capitais e centros regionais nas distintas regi&otilde;es do pa&iacute;s. Esse    movimento, fundamental para agu&ccedil;ar a an&aacute;lise das din&acirc;micas    urbanas em sua diversidade, foi fruto tamb&eacute;m da multiplica&ccedil;&atilde;o    de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e n&uacute;cleos de pesquisa    no pa&iacute;s: de pouco mais de 20, concentrados apenas no Rio de Janeiro,    Campinas, S&atilde;o Paulo, Bras&iacute;lia, Porto Alegre, Belo Horizonte e    Recife, em 1983, quando foi fundada a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s    Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur),    expandiu-se para mais de 300 em 2003, sediados em cidades de diferentes tamanhos    em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s. Destaca-se tamb&eacute;m aqui a melhoria    e disponibilidade de fontes est&aacute;veis e permanentes de pesquisa – sobretudo demogr&aacute;ficas e s&oacute;cio econ&ocirc;micas, que marcou a    d&eacute;cada de 1990. Ainda nesse campo, cumpre destacar o avan&ccedil;o das    pesquisas na compreens&atilde;o do processo de produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    das cidades, constitui&ccedil;&atilde;o de seus mercados imobili&aacute;rios    e fundi&aacute;rios e suas rela&ccedil;&otilde;es com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.    </font></p>     <p><font size="3">Entretanto, os anos 1990 marcaram a entrada em cena de novos    temas na agenda de pesquisa urbana. Em primeiro lugar, um dos campos que se    expandiu enormemente foi o da hist&oacute;ria urbana e do urbanismo, ampliando    horizontes emp&iacute;ricos e te&oacute;ricos at&eacute; ent&atilde;o restritos    ao mito da inexist&ecirc;ncia de cidades planejadas e pr&eacute;-desenhadas    no pa&iacute;s. Ainda nesse campo, novas pesquisas de hist&oacute;ria das cidades    nos ajudam a compreender as complexas rela&ccedil;&otilde;es entre urbanismo,    economia e pol&iacute;tica. Destaca-se, tamb&eacute;m, a reflex&atilde;o sobre    novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, com o triunfo    do shopping center, do condom&iacute;nio fechado e outras formas de privatiza&ccedil;&atilde;o    e fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o sobre as formas de sociabilidade    e estruturas urbanas tradicionais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A expans&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da democracia    no pa&iacute;s turbinaram a agenda de pesquisa urbana, incluindo o campo das    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e processos decis&oacute;rios como tema. A    quest&atilde;o da cidadania, em um primeiro momento restrita ao estudo dos movimentos    sociais urbanos, expandiu-se na dire&ccedil;&atilde;o dos processos pol&iacute;ticos    envolvidos na gest&atilde;o das cidades, incluindo a reflex&atilde;o sobre os    atores ou agentes envolvidos nestes processos. Da mesma forma, toda uma &aacute;rea    de avalia&ccedil;&atilde;o de impacto de implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas – notadamente habitacional – contribuiu para um grande avan&ccedil;o    na reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre as pol&iacute;ticas de desenvolvimento    urbano praticadas por diferentes n&iacute;veis de governo. </font></p>     <p><font size="3">A intensidade, velocidade e modelo excludente da urbaniza&ccedil;&atilde;o    brasileira trouxeram &agrave; tona todo um campo de pesquisa ligada aos impactos    ambientais e, mais particularmente, ao aspecto social da urbaniza&ccedil;&atilde;o,    juntamente com o tema da viol&ecirc;ncia urbana e da express&atilde;o conflituosa    de um territ&oacute;rio constru&iacute;do por desterritorializados e exclu&iacute;dos.    Neste campo, soci&oacute;logos, antrop&oacute;logos e urbanistas t&ecirc;m procurado    apontar para as ra&iacute;zes da viol&ecirc;ncia, uma das marcas contempor&acirc;neas    de um novo etos urbano, fragmentado e totalmente fora do controle das pol&iacute;ticas    governamentais. </font></p>     <p><font size="3">Os artigos presentes neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico est&atilde;o    longe de constituir uma amostra de todo esse universo. A exig&uuml;idade do    espa&ccedil;o nos obrigou a limitar o n&uacute;mero de artigos assim como as    tem&aacute;ticas por eles cobertas. Desta forma, temos apenas uma pequena parte    de um painel mais amplo do que se pensa e se produz sobre as cidades brasileiras    hoje. Procuramos incluir olhares de diferentes disciplinas e de grupos situados    em distintas partes do pa&iacute;s. A geografia, hist&oacute;ria, demografia,    sociologia e o urbanismo est&atilde;o presentes nesta colet&acirc;nea. A antropologia    e economia urbanas, al&eacute;m da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, s&atilde;o    os grandes ausentes. Esperamos que o leitor, muito provavelmente ele mesmo um    morador de cidade, possa, com este micropanorama, parcial, agu&ccedil;ar seu    pr&oacute;prio olhar sobre esta para engajar-se, como s&atilde;o engajados os    textos aqui presentes, na luta por cidades mais equilibradas e justas no nosso    pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Raquel Rolnik</b> &eacute; professora titular da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    da PUC de Campinas e Secret&aacute;ria Nacional de Programas Urbanos do Minist&eacute;rio    das Cidades. </i></font></p>      ]]></body>

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