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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a15img01.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font size=5><b><a name="title"></a>S<small>&Atilde;O</small> P<small>AULO, S&Eacute;CULO XXI:    A MAIOR METR&Oacute;POLE DAS</small> A<small>M&Eacute;RICAS</small><a href="#nt">*</a></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Paulo de Martino Jannuzzi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b> Para uma regi&atilde;o que,    em 1950, apresentava uma popula&ccedil;&atilde;o de 2,6 milh&otilde;es e que,    em 2000, j&aacute; havia passado dos 17 milh&otilde;es n&atilde;o parece imposs&iacute;vel,    pelo menos aos olhos de um leigo, que a capital paulistana e seus munic&iacute;pios    metropolitanos vizinhos venham a concentrar, nos pr&oacute;ximos 50 anos, um    contingente do tamanho da maior aglomera&ccedil;&atilde;o metropolitana hoje    existente, como a de T&oacute;quio, com seus 26,4 milh&otilde;es de habitantes.    De fato, &eacute; poss&iacute;vel que a Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o    Paulo (RMSP) ultrapasse a de T&oacute;quio em algum momento do futuro j&aacute;    que, pelas proje&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o Jap&atilde;o    dever&aacute; ter, em 2050, pelo menos 10 milh&otilde;es de pessoas a menos    que em 2000. Mas parece improv&aacute;vel que a metr&oacute;pole paulista acompanhe    o ritmo previsto para Lagos na Nig&eacute;ria, Jacarta na Indon&eacute;sia,    Dhaka em Bangladesh, Karachi no Paquist&atilde;o ou Bombaim, Nova Deli e Calcut&aacute;    na &Iacute;ndia, que continuar&atilde;o crescendo a taxas elevadas nas primeiras    d&eacute;cadas deste s&eacute;culo e se tornar&atilde;o as aglomera&ccedil;&otilde;es    urbanas mais populosas do s&eacute;culo XXI, desbancando, al&eacute;m de T&oacute;quio,    a Cidade do M&eacute;xico e Nova Iorque da posi&ccedil;&atilde;o que detiveram    por muitas d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="3">Os argumentos que parecem atestar essa performance mais modesta    para o futuro da RMSP est&atilde;o vinculados &agrave; din&acirc;mica populacional    do seu n&uacute;cleo central, o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo. Afinal,    as tend&ecirc;ncias de crescimento populacional dos &uacute;ltimos 20 anos sugerem    que a capital caminha, nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, para a estabiliza&ccedil;&atilde;o    do seu contingente de residentes, tal como observado em grandes centros urbanos    nos EUA, na Europa e na Am&eacute;rica Latina. E, ainda que a popula&ccedil;&atilde;o    do conjunto dos munic&iacute;pios perif&eacute;ricos continue a crescer mais    rapidamente, ultrapassando a da capital at&eacute; 2020, o teto para a RMSP    parece j&aacute; definido: mesmo em um cen&aacute;rio em que a RMSP mantivesse    sua parcela de 10% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira nas pr&oacute;ximas    d&eacute;cadas – cifra observada nos &uacute;ltimos 20 anos, mas com tend&ecirc;ncia    declinante – a popula&ccedil;&atilde;o residente n&atilde;o chegaria a mais    de 25 milh&otilde;es no s&eacute;culo XXI, j&aacute; que se estima que o contingente    demogr&aacute;fico nacional se estabilize por volta dos 250 milh&otilde;es no    per&iacute;odo (1). Especular sobre o crescimento populacional do munic&iacute;pio    de S&atilde;o Paulo &eacute; o objetivo desse trabalho. Antes, por&eacute;m,    como forma de se entender o quadro atual e os condicionantes futuros do crescimento    urbano e intraurbano do munic&iacute;pio, faz-se uma r&aacute;pida descri&ccedil;&atilde;o    sobre a din&acirc;mica demogr&aacute;fica passada e suas manifesta&ccedil;&otilde;es    sobre o territ&oacute;rio paulistano. Depois, com base nos resultados preliminares    de uma pesquisa realizada com especialistas e pesquisadores da din&acirc;mica    demogr&aacute;fica do munic&iacute;pio, apresenta-se alguns dados prospectivos    que podem servir de refer&ecirc;ncia para se pensar e antever as necessidades    de planejamento f&iacute;sico e de oferta de infraestrutura vi&aacute;ria, de    transportes e servi&ccedil;os urbanos na capital at&eacute; 2010.</font></p>     <p><font size="3"><b>O CRESCIMENTO POPULACIONAL DA CAPITAL: 1950-2000</b> O contingente    populacional que o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo veio a atingir s&oacute;    pode ser entendido, ademais da perman&ecirc;ncia de n&iacute;veis relativamente    elevados de fecundidade por boa parte do s&eacute;culo XX e queda dos n&iacute;veis    de mortalidade em todas faixas et&aacute;rias ao longo do per&iacute;odo, pela    persist&ecirc;ncia de um intenso fluxo de imigrantes at&eacute; os anos 1970,    que n&atilde;o apenas contribu&iacute;a para aumentar a popula&ccedil;&atilde;o    no momento da chegada, como tamb&eacute;m pelos seus efeitos indiretos posteriores,    seja atrav&eacute;s dos filhos que acabariam por se fixar na capital, seja atrav&eacute;s    da vinda de familiares e amigos deixados na origem, mobilizados a migrar em    algum momento depois.</font></p>     <p><font size="3">Assim, em 50 anos, de 1900 a 1950, a popula&ccedil;&atilde;o    de S&atilde;o Paulo aumentou em mais de nove vezes seu tamanho, passando de    cerca de 240 mil habitantes para 2,2 milh&otilde;es. Em termos m&eacute;dios,    isso representou uma taxa de crescimento de 4,5% anuais. Foi um processo extremamente    r&aacute;pido, alimentado por numerosos contingentes de migrantes do interior    do estado, de Minas Gerais, dos estados do Nordeste e mesmo de outros pa&iacute;ses    (It&aacute;lia, Portugal, Espanha, Jap&atilde;o, Oriente etc). Movida pelos    investimentos p&uacute;blicos e privados, a economia paulistana crescia a taxas    elevadas, abrindo oportunidades de emprego e acesso a servi&ccedil;os p&uacute;blicos    e privados a enormes contingentes de migrantes que, em sua maioria, na origem    vivenciavam um quadro completamente oposto, marcado pela ina&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica, insufici&ecirc;ncia de oferta de vagas no mercado de trabalho    e "desassist&ecirc;ncia" do poder p&uacute;blico. Contudo, os recursos que traziam    e a renda auferida na capital n&atilde;o permitia aos migrantes mais que residir    precariamente nos corti&ccedil;os centrais e nas extensas &aacute;reas n&atilde;o    ocupadas &agrave; beira dos rios e vias de grande circula&ccedil;&atilde;o,    situadas nas zonas perif&eacute;ricas da capital e nos munic&iacute;pios vizinhos.    A partir dos anos 1960, como decorr&ecirc;ncia dos efeitos da interioriza&ccedil;&atilde;o    do desenvolvimento econ&ocirc;mico no estado de S&atilde;o Paulo, as taxas de    crescimento da RMSP e da capital come&ccedil;am apresentar algum arrefecimento.    A popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, que ainda    crescia a 3,7 % ao ano nos 1970, apresentaria uma forte queda no ritmo de crescimento    na d&eacute;cada seguinte (1,2% ao ano), passando a apresentar, pela primeira    vez na sua hist&oacute;ria recente, mais sa&iacute;das de pessoas do que entradas    de migrantes. A capital paulistana estava pois perdendo seu poder de atra&ccedil;&atilde;o    e reten&ccedil;&atilde;o migrat&oacute;ria, no bojo da crise do emprego, da    perda do dinamismo industrial, do redirecionamento dos fluxos migrat&oacute;rios    para cidades m&eacute;dias, da amplifica&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno    de retorno dos migrantes do Nordeste e de outras regi&otilde;es. A viol&ecirc;ncia,    a perda de qualidade de vida, os problemas de polui&ccedil;&atilde;o sonora,    do ar e visual e outras deseconomias da aglomera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    passaram a ter peso crescente na decis&atilde;o de sa&iacute;da de fam&iacute;lias    da capital, sobretudo as de classe m&eacute;dia e m&eacute;dia-alta, que passaram    a se dirigir a outras cidades pr&oacute;ximas na Regi&atilde;o Metropolitana,    na Baixada Santista e em localidades mais distantes, na regi&atilde;o de Campinas,    Atibaia e S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos. </font></p>     <p><font size="3">Nos anos 1990, o crescimento demogr&aacute;fico permaneceu baixo,    sinalizando a continuidade do processo de evas&atilde;o populacional do munic&iacute;pio.    De fato, pelos resultados do &uacute;ltimo censo demogr&aacute;fico, a popula&ccedil;&atilde;o    do munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo totalizava 10,4 milh&otilde;es de pessoas,    apontando para uma taxa m&eacute;dia anual de crescimento abaixo de 1% entre    1991 e 2000. Presenciou-se, pois, a continuidade da tend&ecirc;ncia de evas&atilde;o    populacional do munic&iacute;pio, mas em volumes menores, talvez pelo desempenho    mais favor&aacute;vel da economia paulista durante parte da d&eacute;cada. Estima-se    que, entre entradas e sa&iacute;das de pessoas, a evas&atilde;o tenha sido de    cerca de 442 mil pessoas no per&iacute;odo (menor que o saldo negativo de 756    mil entre 1990 e 1991). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>REDISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O ESPACIAL DA POPULA&Ccedil;&Atilde;O    NA CAPITAL: 1980-2000</b> Ao longo de todo esse per&iacute;odo, a paisagem urbana    passou por n&iacute;veis crescentes de compacta&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea    edificada pela verticaliza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o territorial da    zona urbana. Esses processos se deram progressivamente do Centro e bairros pr&oacute;ximos    (Santa Ifig&ecirc;nia, Santa Cec&iacute;lia, Liberdade, Para&iacute;so, Aclima&ccedil;&atilde;o)    para bairros mais afastados (Santana, Penha, Lapa e Pinheiros), com a ocupa&ccedil;&atilde;o    dos terrenos baldios (no Jardim Europa, Sumar&eacute;, Vila Clementino) e dos    "vazios" existentes entre loteamentos constru&iacute;dos nas d&eacute;cadas    anteriores (Planalto Paulista, Sumarezinho, Jardim das Bandeiras), estendendo-se    para os n&uacute;cleos suburbanos estabelecidos ao longo das ferrovias e vias    de circula&ccedil;&atilde;o rodovi&aacute;ria, estendendo a mancha urbana da    capital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a17fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Esse padr&atilde;o radioc&ecirc;ntrico de expans&atilde;o da    cidade configurou-se a partir dos anos 1920, seguindo a l&oacute;gica da concep&ccedil;&atilde;o    urban&iacute;stica de Prestes Maia (e das interven&ccedil;&otilde;es urbanas    que se seguiram nas d&eacute;cadas posteriores) e a l&oacute;gica da exclus&atilde;o    social a que os trabalhadores imigrantes estavam sujeitos ao aportar na capital    (2). Os custos de terrenos e dos alugu&eacute;is das &aacute;reas j&aacute;    urbanizadas (muitas j&aacute; em processo de verticaliza&ccedil;&atilde;o) for&ccedil;avam    a ocupa&ccedil;&atilde;o territorial cada vez mais perif&eacute;rica do munic&iacute;pio,    atrav&eacute;s de loteamentos irregulares e a autoconstru&ccedil;&atilde;o.    Assim, na d&eacute;cada de 1960, a regi&atilde;o anelar mais perif&eacute;rica    da cidade, compreendendo a Zona Leste, Zona Noroeste (Jaragu&aacute; e adjac&ecirc;ncias)    e ao sul de Santo Amaro, viriam crescer cerca de 13% ao ano, cifra muito mais    alta que a do munic&iacute;pio no per&iacute;odo (4,6% aa). Os bairros centrais,    contudo, cresciam a menos de 1% ao ano, indicando um processo de evas&atilde;o    populacional e diminui&ccedil;&atilde;o da densidade demogr&aacute;fica de popula&ccedil;&atilde;o    residente. </font></p>     <p><font size="3">A an&aacute;lise dos dados de crescimento demogr&aacute;fico    dos distritos a partir dos anos 1980 revela a continuidade do processo de periferiza&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio. As taxas de crescimento dos    distritos centrais passaram a ser n&atilde;o apenas mais baixas como tamb&eacute;m    negativas, denotando uma forte evas&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o residente    nos bairros centrais e de ocupa&ccedil;&atilde;o mais antiga. Nos anos 1980,    dos 96 distritos paulistanos 41 apresentaram diminui&ccedil;&atilde;o absoluta    de popula&ccedil;&atilde;o residente; entre 1996 e 2000, esse n&uacute;mero    aumentou para 56, ao incorporar outros distritos localizados em regi&atilde;o    menos central. Observa-se, pois, um movimento de "esvaziamento" populacional    absoluto em ritmo crescente no tempo e no espa&ccedil;o se processando a partir    dos distritos mais centrais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a17tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O processo de "esvaziamento populacional" da regi&atilde;o central    pode ser constatado visivelmente pela quantidade de im&oacute;veis e pr&eacute;dios    desocupados nos distritos da S&eacute;, Br&aacute;s e Santa Cec&iacute;lia.    De fato, nos anos 1980 esses distritos decresciam a taxas anuais negativas em    torno de 1 a 2%; tend&ecirc;ncia que veio a se acentuar na d&eacute;cada de    1990. O espraiamento espacial do processo pode ser atestado pelo comportamento    dos distritos do Lim&atilde;o, Freguesia do &Oacute; e Moema, mais afastados    do centro, mas de ocupa&ccedil;&atilde;o antiga na capital, que passaram a perder    moradores nos anos 1990, depois de apresentar taxas baixas de crescimento na    d&eacute;cada de 1980. Na periferia, por outro lado, as taxas de crescimento    de alguns distritos mantiveram-se altas ou at&eacute; mesmo se elevaram no per&iacute;odo    mais recente, como o distrito de Anhanguera, que teve sua taxa de crescimento    demogr&aacute;fica anual aumentada de 8% para 13% entre as duas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas. Em Cidade Tiradentes, situado na Zona Leste, em que pese a forte    queda nas taxas de crescimento demogr&aacute;fico no per&iacute;odo, estas se    mant&ecirc;m bastante altas em rela&ccedil;&atilde;o a dos demais distritos    da capital (acima de 7 % ao ano nos anos 1990). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute; quem note um certo arrefecimento desse processo de    evas&atilde;o populacional dos distritos centrais e vislumbre uma certa recupera&ccedil;&atilde;o    do crescimento demogr&aacute;fico de alguns distritos pr&oacute;ximos ao Centro    que antes perdiam popula&ccedil;&atilde;o. Talvez isso decorra porque o estoque    de residentes j&aacute; diminuiu de forma significativa nas d&eacute;cadas passadas    ou talvez seja resultado da desvaloriza&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis    e da degrada&ccedil;&atilde;o do Centro ou ainda das iniciativas do poder p&uacute;blico    de recupera&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas. Mas, o certo &eacute; que,    &agrave; luz das evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas recentes, o padr&atilde;o    radioc&ecirc;ntrico-centr&iacute;fugo da ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio    paulistano, delineado nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, ainda    continua operando. Seguindo a l&oacute;gica hist&oacute;rica da ocupa&ccedil;&atilde;o    territorial no munic&iacute;pio, a popula&ccedil;&atilde;o de renda mais baixa,    que n&atilde;o pode arcar com a valoriza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria (e    do aluguel), acabou se deslocando para moradias mais distantes na periferia,    ocupando loteamentos populares ou voltando para as favelas e corti&ccedil;os    j&aacute; existentes nas &aacute;reas mais centrais do munic&iacute;pio. </font></p>     <p><font size="3"><b>PROJE&Ccedil;&Otilde;ES DEMOGR&Aacute;FICAS PARA O MUNIC&Iacute;PIO    DE S&Atilde;O PAULO</b> Tendo como refer&ecirc;ncia tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas    descritas anteriormente    <br>   e poss&iacute;veis cen&aacute;rios futuros de desenvolvimento regional elaborou-se    tr&ecirc;s hip&oacute;teses acerca do ritmo de crescimento populacional do munic&iacute;pio    de S&atilde;o Paulo para o horizonte de 2000-2010.</font></p>     <p><font size="3">O primeiro cen&aacute;rio hipot&eacute;tico constru&iacute;do    – Tendencial – sup&otilde;e a continuidade das tend&ecirc;ncias manifestadas    nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, de crescimento populacional menos intenso    que a m&eacute;dia nacional (0,5% ao ano entre 2000 e 2010 na capital contra    1,2% aa no pa&iacute;s), por conta da persist&ecirc;ncia de dificuldades do    mercado de trabalho da capital, do custo elevado de moradia, do agravamento    das deseconomias da aglomera&ccedil;&atilde;o urbana (polui&ccedil;&atilde;o,    congestionamentos, viol&ecirc;ncia urbana, etc) e impacto crescente das restri&ccedil;&otilde;es    ambientais, em especial com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; disponibilidade de    &aacute;gua, fator que come&ccedil;a a adquirir visibilidade importante (3).    Nesse cen&aacute;rio, manter-se-ia o padr&atilde;o e ritmo da mobilidade residencial    em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; periferia e munic&iacute;pios da Regi&atilde;o    Metropolitana. </font></p>     <p><font size="3">Os dois outros cen&aacute;rios explorat&oacute;rios constru&iacute;dos    – Equil&iacute;brio e Retomada- tamb&eacute;m sup&otilde;em a manuten&ccedil;&atilde;o    desse processo de periferiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, mas    com uma melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de absor&ccedil;&atilde;o do mercado    de trabalho paulistano – pelo melhor desempenho da economia brasileira – levando    a retomada de fluxos mais volumosos de migrantes para a regi&atilde;o metropolitana    e capital. A diferen&ccedil;a entre esses dois &uacute;ltimos cen&aacute;rios    est&aacute; na capacidade de fixa&ccedil;&atilde;o de novos e antigos habitantes    no territ&oacute;rio municipal, que &eacute; maior no Cen&aacute;rio Retomada    que no Cen&aacute;rio Equil&iacute;brio (crescimento m&eacute;dio de 1,6 % aa    entre 2000 e 2010, superior a m&eacute;dia nacional, no primeiro cen&aacute;rio,    contra 1,2% aa no segundo). </font></p>     <p><font size="3">Por meio de um question&aacute;rio estruturado, enviado por    correio, esses cen&aacute;rios foram submetidos para an&aacute;lise de 54 especialistas    e pesquisadores das quest&otilde;es relacionadas &agrave; din&acirc;mica demogr&aacute;fica    e planejamento urbano da capital (4). Na avalia&ccedil;&atilde;o de 23 dos 30    especialistas consultados que responderam ao question&aacute;rio, o Cen&aacute;rio    Tendencial constitui-se no mais fact&iacute;vel. A conjuntura do mercado de    trabalho, a evolu&ccedil;&atilde;o dos custos de moradia e o comportamento da    viol&ecirc;ncia, polui&ccedil;&atilde;o e outros fatores ligados &agrave; qualidade    de vida foram apontados como os fatores determinantes ou condicionantes do ritmo    de crescimento populacional da capital. </font></p>     <p><font size="3">A maioria dos especialistas consultados revelou n&atilde;o acreditar    na efic&aacute;cia da legisla&ccedil;&atilde;o e da fiscaliza&ccedil;&atilde;o    no ordenamento da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana e nas &aacute;reas de mananciais.    &Eacute; revelador dessa descren&ccedil;a o fato de que, ao serem solicitados    a apontar as &aacute;reas de maior dinamismo demogr&aacute;fico na presente    d&eacute;cada, dois ter&ccedil;os dos respondentes n&atilde;o hesitou em apontar    a Zona Leste (Leste 2) e metade dos mesmos, a regi&atilde;o mais ao sul de S&atilde;o    Paulo (Sul 2). A regi&atilde;o do entorno das rodovias Anhanguera e Bandeirantes    (Norte 2) foram tamb&eacute;m citadas por n&uacute;mero expressivo de especialistas    (13 dos 24 que responderam a esse quesito do question&aacute;rio). </font></p>     <p><font size="3">Os pesquisadores apontaram ainda a possibilidade de que pol&iacute;ticas    urbanas espec&iacute;ficas – nas &aacute;reas de transporte, habita&ccedil;&atilde;o,    acesso a servi&ccedil;os p&uacute;blicos- tamb&eacute;m venham ter papel relevante    na din&acirc;mica demogr&aacute;fica futura do munic&iacute;pio (5). A maioria    deles acha, inclusive, que &eacute; poss&iacute;vel que as interven&ccedil;&otilde;es    e programas p&uacute;blicos possam ter algum efeito na retomada da ocupa&ccedil;&atilde;o    residencial nas &aacute;reas centrais. </font></p>     <p><font size="3">Tomando-se esses subs&iacute;dios como par&acirc;metros para    as proje&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas do munic&iacute;pio, e introduzindo-os    no modelo apresentado em Jannuzzi &amp; Jannuzzi (6), a popula&ccedil;&atilde;o    da capital chegaria, em 2010, a cerca de 10,9 milh&otilde;es. A taxa m&eacute;dia    de crescimento demogr&aacute;fico entre 2000 e 2010 seria da ordem de 0,5% ao    ano, significando um acr&eacute;scimo anual de mais de 50 mil pessoas por ano.    Mesmo com um saldo migrat&oacute;rio negativo, o munic&iacute;pio continuaria    a crescer em fun&ccedil;&atilde;o do crescimento vegetativo, garantido pela    enorme parcela de mulheres em idade reprodutiva residente na cidade. Mantidas    essas tend&ecirc;ncias o teto populacional do munic&iacute;pio n&atilde;o passaria    de 12,5 milh&otilde;es de pessoas ao longo do s&eacute;culo XXI. </font></p>     <p><font size="3">Como era de se esperar, como consequ&ecirc;ncia do padr&atilde;o    radioc&ecirc;ntrico-centr&iacute;fugo da ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio    paulistano e da baixa efetividade da fiscaliza&ccedil;&atilde;o no ordenamento    da ocupa&ccedil;&atilde;o residencial, o modelo de proje&ccedil;&atilde;o aponta    que os distritos mais perif&eacute;ricos em dire&ccedil;&atilde;o ao eixo Anhanguera,    ao sul e a leste tenderiam a continuar crescendo a taxas comparativamente mais    elevadas, concentrando cerca de dois ter&ccedil;os dos mun&iacute;cipes em 2010.    Os distritos situados na &aacute;rea central de S&atilde;o Paulo manteriam a    tend&ecirc;ncia de evas&atilde;o populacional, mas em ritmo cada vez menor.    Comportamento similar devem apresentar os distritos situados no anel intermedi&aacute;rio,    entre o centro e a periferia. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Pelo que apontam as    proje&ccedil;&otilde;es, o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo n&atilde;o dever&aacute;    concentrar mais de 12,5 milh&otilde;es de pessoas no futuro. A julgar pelo que    se passou em Nova Iorque, Los Angeles, Buenos Aires e mais recentemente na Cidade    do M&eacute;xico, o arrefecimento do crescimento populacional de S&atilde;o    Paulo &eacute; uma tend&ecirc;ncia, em boa medida, inexor&aacute;vel. Ainda    assim, a RMSP passar&aacute; a ser a maior aglomera&ccedil;&atilde;o urbana    das Am&eacute;ricas, tend&ecirc;ncia que pode vir a se concretizar j&aacute;    na presente d&eacute;cada.</font></p>     <p><font size="3">Taxas mais baixas de crescimento populacional poder&atilde;o    dar algum f&ocirc;lego ao poder p&uacute;blico em termos da necessidade de expandir    a infraestrutura em determinados setores e &aacute;reas do munic&iacute;pio    – por exemplo, escolas de ensino fundamental e postos de sa&uacute;de nos distritos    de crescimento mais baixo – viabilizando a realoca&ccedil;&atilde;o de recursos    e esfor&ccedil;os para atender outras demandas sociais, nas &aacute;reas de    maior dinamismo demogr&aacute;fico. &Eacute; pouco frente aos d&eacute;ficits    acumulados em termos de servi&ccedil;os urbanos, transportes, moradia etc. Mas    antever essas oportunidades pode garantir algum ganho efetivo em termos de condi&ccedil;&otilde;es    de vida para a popula&ccedil;&atilde;o paulistana. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Paulo de Martino Jannuzzi</b> &eacute; matem&aacute;tico    e professor da Escola Nacional de Ci&ecirc;ncias Estat&iacute;sticas do IBGE.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <a name="nt"></a><b>Notas e refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas    </b></font></p>     <p><font size="3"> <a href="#title">*</a> Este trabalho resulta das atividades    de pesquisa realizadas no &acirc;mbito do projeto "Proje&ccedil;&otilde;es populacionais    para pequenas &aacute;reas: m&eacute;todos e aplica&ccedil;&otilde;es no Brasil",    desenvolvido com financiamento do CNPq (Proc. 305071/02-5). </font></p>     <p><font size="3">1. Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Divis&atilde;o de Popula&ccedil;&atilde;o.    <i>World urbanization prospects: The 1999 revision</i>. New York, 2001. </font></p>     <p><font size="3">2. Rolnik,R. <i>Folha explica</i>: S&atilde;o Paulo. S&atilde;o    Paulo: Publifolha, 2000. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">3. Carmo,R.L., Tagnin,R. Uso m&uacute;ltiplo da &aacute;gua    e m&uacute;ltiplos conflitos em contextos urbanos: o caso do Reservat&oacute;rio    Billings. <i>In</i>: Anais do IX Encontro Nacional da ANPUR. Rio de Janeiro,    2001. </font></p>     <p><font size="3">4. Trata-se de um painel – Delphi – com especialistas, para    incorporar opini&atilde;o balizada sobre o crescimento populacional do munic&iacute;pio    de S&atilde;o Paulo para o horizonte de 2000-2010. Vale observar que o question&aacute;rio    n&atilde;o trazia detalhes t&atilde;o espec&iacute;ficos acerca dos cen&aacute;rios    como os apresentados acima. </font></p>     <p><font size="3">5. A segunda rodada do painel Delphi aprofunda essa quest&atilde;o,    procurando identificar a intensidade do impacto demogr&aacute;fico geral no    munic&iacute;pio e os rebatimentos espaciais das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    e de outros fatores citados. </font></p>     <p><font size="3">6. Jannuzzi,P.M., Jannuzzi, N. Proje&ccedil;&atilde;o populacional    para pequen&iacute;ssimas &aacute;reas: m&eacute;todo e resultados para o munic&iacute;pio    de S&atilde;o Paulo. <i>In</i>: Anais do XIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais,    Ouro Preto, 2002 (CD-Rom).</font></p>      ]]></body>

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