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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a15img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b><a name="title"></a>C<small>ONSTRU&Ccedil;&Atilde;O E DECONSTRU&Ccedil;&Atilde;O    DO CENTRO PAULISTANO</small><a href="#nt">*</a></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Candido Malta Campos</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> O quadro cr&iacute;tico identificado    hoje na &aacute;rea central de S&atilde;o Paulo combina fen&ocirc;menos recentes    – deteriora&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos e privados, perda    de popula&ccedil;&atilde;o e atratividade imobili&aacute;ria, informaliza&ccedil;&atilde;o    do com&eacute;rcio – com quest&otilde;es derivadas da pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o    urban&iacute;stica da cidade ao longo do s&eacute;culo XX. Obras e pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas, num primeiro momento, constru&iacute;ram o centro paulistano,    mas posteriormente contribu&iacute;ram para sua populariza&ccedil;&atilde;o    – trazendo um novo perfil social e outro dinamismo econ&ocirc;mico – e para    a degrada&ccedil;&atilde;o de muitas &aacute;reas, ao mesmo tempo em que incentivava    a afirma&ccedil;&atilde;o de novas centralidades no privilegiado vetor sudoeste.    For&ccedil;as de mercado e interesses imobili&aacute;rios, envolvidos nessa    transfer&ecirc;ncia da centralidade dominante para os "novos centros" da calha    do rio Pinheiros, t&ecirc;m sido decisivamente escorados pela atua&ccedil;&atilde;o    do poder p&uacute;blico e suas pol&iacute;ticas urbanas.</font></p>     <p><font size="3">A recente exacerba&ccedil;&atilde;o dessa tend&ecirc;ncia, al&eacute;m    de agravar o cen&aacute;rio de desigualdade, segrega&ccedil;&atilde;o e deteriora&ccedil;&atilde;o    dos espa&ccedil;os urbanos em geral, hoje amea&ccedil;a comprometer a integridade    urban&iacute;stica e o papel social da &aacute;rea central. No quadro dos atuais    debates, planos e propostas visando a requalifica&ccedil;&atilde;o do centro    hist&oacute;rico, torna-se imprescind&iacute;vel, portanto, salientar o papel    de pol&iacute;ticas e interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas nesse processo,    destacando as principais etapas de atua&ccedil;&atilde;o estatal na afirma&ccedil;&atilde;o    e posterior deslocamento da centralidade dominante em S&atilde;o Paulo, at&eacute;    mesmo no sentido de contribuir para esbo&ccedil;ar a possibilidade de uma mudan&ccedil;a    substancial nas posturas prevalentes at&eacute; o momento. </font></p>     <p><font size="3">Podemos identificar quatro momentos decisivos nessa trajet&oacute;ria:    </font></p>     <p><font size="3"><b>1.</b> Ao longo da Rep&uacute;blica Velha, a constitui&ccedil;&atilde;o    de uma primeira centralidade, como um n&uacute;cleo terci&aacute;rio elitizado    de fisionomia "europ&eacute;ia", por meio de alargamentos, demoli&ccedil;&otilde;es,    legisla&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria e disciplinadora, normas edil&iacute;cias,    obras de embelezamento e outros incentivos;    <br>   <b>2.</b> em meados do s&eacute;culo XX, a expans&atilde;o    rumo ao centro novo, a abertura do tecido urbano ao autom&oacute;vel e a verticaliza&ccedil;&atilde;o    intensiva, estruturadas sobre as obras do Plano de Avenidas de 1930;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>3.</b> a partir de 1965, uma nova leva de grandes obras    vi&aacute;rias, que reduziu a &aacute;rea central a um n&oacute; de articula&ccedil;&atilde;o    e passagem na macro-estrutura de circula&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;vel    ent&atilde;o criada, deteriorando setores inteiros, ao mesmo tempo estruturando    o "centro expandido" e abrindo ao autom&oacute;vel o quadrante sudoeste, eleito    como sede das novas centralidades dominantes;    <br>   <b>4.</b> mais recentemente, iniciativas no sentido de    consolidar e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidade &agrave;    regi&atilde;o por transporte coletivo (metr&ocirc;, terminais e corredores de    &ocirc;nibus) consagrou sua nova voca&ccedil;&atilde;o popular, enquanto a pedestrianiza&ccedil;&atilde;o    de logradouros e outras medidas de tr&aacute;fego contribu&iacute;am para afastar    do centro hist&oacute;rico os ve&iacute;culos particulares e, conseq&uuml;entemente,    os setores motorizados de maior renda. </font></p>     <p><font size="3">Nesse sentido a transforma&ccedil;&atilde;o do centro deve ser    entendida tamb&eacute;m como resultado de sucessivas pol&iacute;ticas urbanas    que, atuando em conjunto com for&ccedil;as do mercado imobili&aacute;rio, depois    de instaurar a centralidade dominante, levaram – e ainda levam – &agrave; desmontagem    daquilo que havia sido constru&iacute;do com empenho ao longo do s&eacute;culo    XX. </font></p>     <p><font size="3">Em cada momento, a renova&ccedil;&atilde;o urbana adotou par&acirc;metros    desvinculados dos que pautavam a situa&ccedil;&atilde;o anterior, mesmo em se    tratando de realiza&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o recentes. Assim a cidade    repete um padr&atilde;o autof&aacute;gico, destruindo esfor&ccedil;os coletivos    acumulados na configura&ccedil;&atilde;o arquitet&ocirc;nica e urban&iacute;stica    dos espa&ccedil;os centrais. Incongru&ecirc;ncias espaciais e defici&ecirc;ncias    funcionais contribuem para desqualificar a regi&atilde;o. Enquanto isso novos    usos entram em choque, de um lado, com os remanescentes da centralidade dominante,    e, de outro, com um quadro constru&iacute;do resultante de requisitos distintos,    formado por diversas camadas n&atilde;o necessariamente coerentes, correspondentes    &agrave;s distintas etapas de forma&ccedil;&atilde;o, expans&atilde;o e supera&ccedil;&atilde;o    do centro hist&oacute;rico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a18fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>FORMA&Ccedil;&Atilde;O DE UM CENTRO (1870-1930)</b> A ocupa&ccedil;&atilde;o    inicial em acr&oacute;pole predominou at&eacute; meados do s&eacute;culo XIX:    a colina hist&oacute;rica que hoje corresponde ao centro velho abarcava quase    toda a cidade e reunia uma gama variada de fun&ccedil;&otilde;es e de popula&ccedil;&otilde;es.    Ap&oacute;s a chegada da ferrovia entre 1867 e 1875, a expans&atilde;o urbana    se acelerou bruscamente, extrapolando a colina hist&oacute;rica com a consolida&ccedil;&atilde;o    dos poucos arruamentos j&aacute; existentes e uma infinidade de novos loteamentos.    </font></p>     <p><font size="3">Os de elite e de padr&atilde;o m&eacute;dio elegeram as dire&ccedil;&otilde;es    oeste, topograficamente mais favor&aacute;vel, e sudoeste; por outro lado, junto    &agrave;s linhas f&eacute;rreas e &agrave;s v&aacute;rzeas inund&aacute;veis    que desvalorizavam as dire&ccedil;&otilde;es norte e leste, estabeleceram-se    os bairros populares e industriais, levando a uma dicotomia entre as faces valorizadas    e desprestigiadas da &aacute;rea central, que prevalece at&eacute; hoje. Mais    ao longe come&ccedil;aram a se multiplicar, a partir de 1890, os loteamentos    e n&uacute;cleos perif&eacute;ricos. </font></p>     <p><font size="3">A colina hist&oacute;rica tornava-se, ent&atilde;o, o n&uacute;cleo    central de um territ&oacute;rio urbanizado em expans&atilde;o cont&iacute;nua.    Naquele momento os requisitos da economia cafeicultora exigiam a conforma&ccedil;&atilde;o    de um n&uacute;cleo terci&aacute;rio que comportasse as fun&ccedil;&otilde;es    institucionais, administrativas, comerciais e financeiras do modelo agroexportador    vigente. Para cumprir esse papel foi eleita em S&atilde;o Paulo a colina que    sediava o n&uacute;cleo urbano original, onde poder p&uacute;blico e agentes    privados promoveram uma altera&ccedil;&atilde;o radical nos padr&otilde;es de    uso e ocupa&ccedil;&atilde;o.(1) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Eliminando a diversidade de usos e moradores ent&atilde;o existentes,    pol&iacute;ticas de "saneamento" e remodela&ccedil;&atilde;o intensificadas    ap&oacute;s 1890 visavam retirar da &aacute;rea central usos e habitantes indesej&aacute;veis    como corti&ccedil;os, oper&aacute;rios, casebres e prostitui&ccedil;&atilde;o.    (2) O C&oacute;digo de Posturas de 1886, proibindo corti&ccedil;os e estabelecendo    novos padr&otilde;es edil&iacute;cios – seguido por diversas outras leis municipais    nesse sentido – o C&oacute;digo Sanit&aacute;rio de 1894, (3) normas policiais,    incentivos para moradias oper&aacute;rias na zona suburbana, desapropria&ccedil;&otilde;es,    demoli&ccedil;&otilde;es e substitui&ccedil;&atilde;o de inquilinos levaram    &agrave; expuls&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es de menor renda do centro,    enquanto os moradores da classe dominante se mudavam para os novos bairros de    elite.(4) </font></p>     <p><font size="3">Por meio da segrega&ccedil;&atilde;o urbana diferenciavam-se    os setores urbanos eleitos para sediar as fun&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio,    particularmente na &aacute;rea central. Em contraste, a instala&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora junto ao cintur&atilde;o ferrovi&aacute;rio-industrial    fez com que parte do entorno imediato do centro adquirisse fei&ccedil;&atilde;o    oper&aacute;ria e popular. Os estratos de menor renda concentrados a leste passaram    a contar com um centro pr&oacute;prio no Br&aacute;s, com com&eacute;rcio, teatros,    cinemas, exprimindo a dualidade causada pela segrega&ccedil;&atilde;o espacial    e o car&aacute;ter socialmente excludente adquirido pelo centro principal. </font></p>     <p><font size="3">Tal pol&iacute;tica era acompanhada pela reconstru&ccedil;&atilde;o    das edifica&ccedil;&otilde;es (igualmente imposta e/ou favorecida pelo poder    p&uacute;blico, por meio de leis, incentivos, demoli&ccedil;&otilde;es e alargamento    de ruas) e pela remodela&ccedil;&atilde;o dos logradouros p&uacute;blicos, procurando    conformar espa&ccedil;os centrais elitizados, esteticamente qualificados.(5)    Estimulou-se a substitui&ccedil;&atilde;o do casario colonial existente por    pr&eacute;dios comerciais de poucos andares e arquitetura ecl&eacute;tica, buscando    um aspecto "europeu" considerado indispens&aacute;vel para legitimar os espa&ccedil;os    dominantes. A partir de 1912 leis espec&iacute;ficas para vias de prest&iacute;gio    resultantes do alargamento de ruas como S&atilde;o Jo&atilde;o e L&iacute;bero    Badar&oacute; impuseram esse novo padr&atilde;o com requintes de detalhamento.    O mesmo ocorreu em logradouros ent&atilde;o criados, como as pra&ccedil;as da    S&eacute; e do Patriarca. (6) </font></p>     <p><font size="3">Para atender ao tr&aacute;fego crescente e a novos padr&otilde;es    espaciais e est&eacute;ticos quase todas as ruas do atual centro velho foram    gradualmente alargadas, realinhadas, niveladas e retificadas entre 1895 e a    d&eacute;cada de 1930, minimizando as irregularidades do tra&ccedil;ado original    e refor&ccedil;ando o papel estruturante do "tri&acirc;ngulo" das ruas Direita,    S&atilde;o Bento e Quinze de Novembro. </font></p>     <p><font size="3">Imponentes edif&iacute;cios p&uacute;blicos, muitos com projeto    do escrit&oacute;rio Ramos de Azevedo, passaram a abrigar as institui&ccedil;&otilde;es    republicanas no centro: das secretarias g&ecirc;meas do P&aacute;tio do Col&eacute;gio,    iniciadas em 1886, at&eacute; o Pal&aacute;cio da Justi&ccedil;a terminado em    1936. </font></p>     <p><font size="3">Espa&ccedil;os visualmente ordenados formariam os quadros dominantes    da capital agroexportadora. Usos comerciais e institucionais "nobres" eram atra&iacute;dos    por meio de incentivos fiscais, oferecidos a quem constru&iacute;sse, no "tri&acirc;ngulo",    regi&atilde;o da S&eacute; e junto ao Teatro Municipal, segundo os novos padr&otilde;es    edil&iacute;cios, e promovesse ali usos comerciais "nobres", como o com&eacute;rcio    de luxo, artigos importados, restaurantes e assim por diante.(7) </font></p>     <p><font size="3">O modelo dominante pedia a emula&ccedil;&atilde;o dos bulevares    parisienses, na linha da Avenida Central carioca, mas a atua&ccedil;&atilde;o    do diretor de obras municipais Victor Freire (8) e do consultor franc&ecirc;s    Bouvard, contratado em 1911, trouxe refer&ecirc;ncias sitteanas: o aproveitamento    da paisagem acidentada levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do excepcional conjunto    do Anhangaba&uacute;, somat&oacute;ria de interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    e privadas coordenadas por meio de "acordos de cavalheiros". Entre 1918 e 1921    Victor Freire tentou consagrar em lei esse modelo de ocupa&ccedil;&atilde;o:    (9) um centro compacto e terci&aacute;rio com alturas m&aacute;ximas padronizadas    entre quatro e nove andares, com teto m&aacute;ximo de trinta metros, estruturado    sobre o "tri&acirc;ngulo" tradicional e o "tri&acirc;ngulo ampliado" (proposto    por Freire em 1911 e aberto nas d&eacute;cadas seguintes com o alargamento das    ruas L&iacute;bero Badar&oacute;, Boa Vista e Benjamin Constant); presidindo    uma &aacute;rea urbana formada por bairros residenciais horizontais (nos quais    era proibida a verticaliza&ccedil;&atilde;o (10) e estruturada sobre linhas    radiais de bondes convergindo sobre o "tri&acirc;ngulo"). Contudo, a press&atilde;o    expansionista exacerbada pela industrializa&ccedil;&atilde;o logo levaria &agrave;    supera&ccedil;&atilde;o desse modelo, e os limites propostos por Freire seriam    derrubados pela C&acirc;mara.(11) O centro constru&iacute;do ao longo da Rep&uacute;blica    Velha tornava-se insuficiente. No momento em que se esbo&ccedil;ava certa integridade    urban&iacute;stica, obtida a grande custo em torno de pontos como Anhangaba&uacute;,    avenida S&atilde;o Jo&atilde;o, pra&ccedil;as da S&eacute; e do Patriarca, esta    seria atropelada por um novo patamar de interven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"><b>A EXPANS&Atilde;O DA &Aacute;REA CENTRAL EM MEADOS DO S&Eacute;CULO    XX</b> A grande restri&ccedil;&atilde;o dos setores dominantes ao centro velho    era a sua pequena dimens&atilde;o, incapaz de comportar a press&atilde;o expansionista.    No primeiro p&oacute;sguerra a quest&atilde;o da expans&atilde;o do centro ganhou    impulso e manifestou-se sob tr&ecirc;s aspectos:</font></p>     <p><font size="3"><b>1.</b> a travessia rumo ao centro novo, &aacute;rea preferencial    para receber usos centrais (em termos de condi&ccedil;&otilde;es topogr&aacute;ficas    e por estar na dire&ccedil;&atilde;o dos loteamentos de elite), facilitada com    a substitui&ccedil;&atilde;o do antigo viaduto do Ch&aacute; por uma estrutura    de maior capacidade entre 1936 e 1938, e por outras interven&ccedil;&otilde;es    e alargamentos na regi&atilde;o, unindo iniciativas p&uacute;blicas e privadas    (avenida 9 de Julho, ruas Xavier de Toledo, Conselheiro Crispiniano, Marconi,    Edif&iacute;cio Esther e outros) e adotando um gabarito de 10 a 11 pavimentos;    (12)    <br>   <b>2.</b> a verticaliza&ccedil;&atilde;o intensiva da    colina central, j&aacute; que a escala "europ&eacute;ia" esbo&ccedil;ada nas    duas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX passou a ser considerada insuficiente    do ponto de vista imobili&aacute;rio. Os C&oacute;digos de Obras de 1920, 1929    e 1934, vinculando a altura dos edif&iacute;cios &agrave; largura das ruas,    abriram caminho aos primeiros "arranha-c&eacute;us": Sampaio Moreira, Martinelli,    Saldanha Marinho e outros; (13) e    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>3.</b> a proposta do Per&iacute;metro de Irradia&ccedil;&atilde;o    (14), solu&ccedil;&atilde;o concebida entre 1922 e 1924 pelo engenheiro municipal    Jo&atilde;o Florence de Ulh&ocirc;a Cintra, (15) desenvolvida em seguida em    conjunto com Francisco Prestes Maia, (16) engenheiro civil e arquiteto do governo    estadual, desembocando no Plano de Avenidas de 1930. (17) Propunha-se estruturar    uma expans&atilde;o do centro em grande escala, por meio de um anel vi&aacute;rio    formado por largas avenidas circundando o centro hist&oacute;rico sem penetr&aacute;-lo,    articulando art&eacute;rias radiais que acessariam os diferentes quadrantes    da cidade. </font></p>     <p><font size="3">Destinava-se a desafogar o "tri&acirc;ngulo" e a colina hist&oacute;rica,    estruturando, com radiais e outros dois circuitos perimetrais, um ambicioso    esquema radial-perimetral de circula&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel para    a cidade, incentivando seu crescimento horizontal e vertical, e abrindo novas    frentes de verticaliza&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria    – o esbo&ccedil;o do atual "centro expandido". </font></p>     <p><font size="3">O per&iacute;metro de Ulh&ocirc;a Cintra significava superar    decisivamente a centralidade dominante, at&eacute; ent&atilde;o restrita &agrave;    colina hist&oacute;rica e a um pequeno trecho do morro do Ch&aacute;. A implanta&ccedil;&atilde;o    do Per&iacute;metro de Irradia&ccedil;&atilde;o (avenidas Senador Queiroz, Ipiranga,    S&atilde;o Lu&iacute;s, Rua Maria Paula, viadutos 9 de Julho, Jacare&iacute;    e Dona Paulina, avenidas Rangel Pestana e Merc&uacute;rio) e outras obras do    Plano de Avenidas a partir da primeira gest&atilde;o de Prestes Maia como prefeito    (1938-1945), como vias radiais (Rio Branco, Bar&atilde;o de Limeira, Liberdade),    a diametral Norte-Sul (9 de Julho / Prestes Maia / Tiradentes / Ponte das Bandeiras)    e o in&iacute;cio da segunda perimetral (Amaral Gurgel / Largo do Arouche /    Duque de Caxias), acarretariam altera&ccedil;&otilde;es radicais na configura&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea central. (18) </font></p>     <p><font size="3">A verticaliza&ccedil;&atilde;o passou a ser permitida em toda    a zona urbana a partir do C&oacute;digo de Obras Arthur Saboya (1929), mas ainda    vinculada &agrave; largura da via e a outras normas que privilegiavam a ocupa&ccedil;&atilde;o    vertical intensiva da zona mais central. Ao longo das d&eacute;cadas de 1930,    1940 e 1950 o C&oacute;digo de Obras foi sendo revisto no sentido de tentar    disciplinar esse processo, mas com resultados d&iacute;spares. </font></p>     <p><font size="3">Nas vias de prest&iacute;gio do centro novo a ocupa&ccedil;&atilde;o    vertical passou a ser incentivada, disciplinada por regulamenta&ccedil;&atilde;o    cuidadosa: gabaritos m&iacute;nimos no alinhamento, criando conjuntos homog&ecirc;neos    em ruas como Marconi e Xavier de Toledo, avenidas Ipiranga, 9 de Julho, S&atilde;o    Lu&iacute;s e Vieira de Carvalho; escalonamento dos pr&eacute;dios, com eleva&ccedil;&otilde;es    suplementares em recuo, e torres mais altas marcando pontos focais – edif&iacute;cios    do Banco do Estado e It&aacute;lia; padr&otilde;es minuciosos para marquises,    cal&ccedil;adas e elementos definidores do espa&ccedil;o p&uacute;blico, tudo    criando um ambiente moderno e metropolitano.(19) </font></p>     <p><font size="3">Contudo, de modo geral a legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    conseguiu uniformizar o perfil vertical do centro, marcado por disparidades    de altura e pela justaposi&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es distintos. Com    exce&ccedil;&atilde;o de alguns trechos de prest&iacute;gio n&atilde;o se logrou    a integridade urban&iacute;stica almejada, e a ocupa&ccedil;&atilde;o intensiva    dos terrenos centrais por grandes conjuntos de escrit&oacute;rios ou de quitinetes    (20) levaria ao controle dos coeficientes de aproveitamento e das densidades    residenciais a partir de 1957, inviabilizando a continuidade da ocupa&ccedil;&atilde;o    residencial dirigida aos setores de renda m&eacute;dia/baixa na regi&atilde;o.(21)    </font></p>     <p><font size="3">No segundo p&oacute;s-guerra, enquanto o centro velho, congestionado    e de dif&iacute;cil acesso por autom&oacute;vel, perdia atratividade e se popularizava,    o centro novo tornou-se p&oacute;lo cultural (Masp, na rua Sete de Abril, MAM),    de lazer ("Cinel&acirc;ndia" da avenida S&atilde;o Jo&atilde;o), vida noturna    e com&eacute;rcio de luxo. Entre as d&eacute;cadas de 1940 e 1960 essa regi&atilde;o    reinou inconteste, concentrando os usos de prest&iacute;gio e a centralidade    dominante em S&atilde;o Paulo. Enquanto isso a cria&ccedil;&atilde;o do sistema    de transporte coletivo por &ocirc;nibus com linhas radiais convergindo na &aacute;rea    central deu in&iacute;cio &agrave; populariza&ccedil;&atilde;o do centro velho,    com os terminais de &ocirc;nibus nas pra&ccedil;as da S&eacute; e Cl&oacute;vis    Bevilacqua, servindo &agrave; Zona Leste. </font></p>     <p><font size="3">O agravamento da car&ecirc;ncia de transportes coletivos e o    adensamento intensivo dos velhos e novos espa&ccedil;os centrais aprofundavam    os problemas urbanos, ao mesmo tempo em que se reduzia a capacidade de investimento    do munic&iacute;pio em face do crescimento da cidade. A persist&ecirc;ncia dos    interesses fundi&aacute;rios no marco socioecon&ocirc;mico impunha estreitos    limites no que se refere ao alcance do poder regulador do Estado. Como resultado,    a exclus&atilde;o das massas trabalhadoras, inclusive em termos urban&iacute;sticos,    possibilitou a moderniza&ccedil;&atilde;o da cidade sem alterar o quadro vigente    de domina&ccedil;&atilde;o e desigualdade.(22) </font></p>     <p><font size="3">A exacerba&ccedil;&atilde;o de mecanismos presentes na produ&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o urbano em S&atilde;o Paulo a partir dos anos 1940 – explora&ccedil;&atilde;o    imobili&aacute;ria intensiva dos setores centrais por meio da verticaliza&ccedil;&atilde;o    em an&eacute;is sucessivos; concentra&ccedil;&atilde;o dos investimentos p&uacute;blicos    e privados nos setores eleitos pelas camadas dominantes; prioriza&ccedil;&atilde;o    das obras vi&aacute;rias e da circula&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel – acabaria    conduzindo o centro hist&oacute;rico a uma situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="3"><b>INTERVEN&Ccedil;&Atilde;O E CRISE</b> A partir da gest&atilde;o    Faria Lima (1965-1969) o poder p&uacute;blico passou a priorizar uma nova leva    de grandes obras vi&aacute;rias, que teria graves conseq&uuml;&ecirc;ncias para    o futuro do centro hist&oacute;rico. As diretrizes radiais-perimetrais do Plano    de Avenidas – juntamente com as propostas vi&aacute;rias constantes do Relat&oacute;rio    Moses de 1950, interligando rodovias e aeroportos; do programa de vias de fundo    de vale de 1953; e do redesenho da segunda perimetral por Prestes Maia em 1956    – foram transformadas em elementos de uma malha de vias r&aacute;pidas cortando    o munic&iacute;pio, ancorada em um ambicioso conjunto de vias expressas e arteriais,    com papel diametral, radial, perimetral e outros (Tiradentes, 23 de Maio, Rubem    Berta, Washington Lu&iacute;s, Tiradentes, Radial Leste, liga&ccedil;&atilde;o    Leste-Oeste, avenida do Estado, marginais Tiet&ecirc; e Pinheiros, Bandeirantes,    etc.), incluindo muitos viadutos, elevados, vias em trincheira, pontes e trevos,    na maior parte constru&iacute;dos ao longo das d&eacute;cadas de 1960, 1970    e 1980.(23)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a18fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MAPA 1:</b> Grandes obras vi&aacute;rias na &aacute;rea central    a partir da d&eacute;cada de 1960: cria&ccedil;&atilde;o da macro-acessibilidade    em escala urbana com vias expressas, t&uacute;neis, elevados, trincheiras e    viadutos. O centro se torna n&oacute; de articula&ccedil;&atilde;o e passagem    para a circula&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel.</font></p>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio do Per&iacute;metro de Irradia&ccedil;&atilde;o,    que havia aberto a &aacute;rea do centro novo e favorecido seu aproveitamento,    as novas obras, muitas em desn&iacute;vel, passaram a tratar a regi&atilde;o    central como mero n&oacute; de articula&ccedil;&atilde;o e passagem nessa nova    macro-estrutura vi&aacute;ria, priorizando a circula&ccedil;&atilde;o em grande    escala em detrimento das &aacute;reas atravessadas. (24) </font></p>     <p><font size="3">Com o elevado Costa e Silva ("Minhoc&atilde;o"), a liga&ccedil;&atilde;o    Leste-Oeste, os viadutos do parque Dom Pedro II, e o elevado da avenida 9 de    Julho, deteriorou-se drasticamente o entorno do centro, mesmo em faces at&eacute;    ent&atilde;o mais valorizadas. Ao mesmo tempo a abertura da avenida Faria Lima    (1965-1968), somada ao alargamento e reurbaniza&ccedil;&atilde;o da avenida    Paulista (1970-1974) criaram novas centralidades de prest&iacute;gio na dire&ccedil;&atilde;o    dos Jardins e do rio Pinheiros – que j&aacute; concentravam os bairros residenciais    de mais alta renda – com acesso f&aacute;cil por autom&oacute;vel, mas desvinculadas    do centro hist&oacute;rico. </font></p>     <p><font size="3">Esse movimento seria exacerbado por outras grandes obras nas    d&eacute;cadas de 1980 e 1990: avenida Lu&iacute;s Carlos Berrini, extens&atilde;o    da Marginal Pinheiros e as novas pontes do Morumbi, Transam&eacute;rica, Jo&atilde;o    Dias, Ary Torres, viaduto Arm&ecirc;nia; Nova Faria Lima (1995); complexo Ayrton    Senna e t&uacute;nel Sebasti&atilde;o Camargo (1996); avenidas &Aacute;guas    Espraiadas, Helio Pellegrino, Chedid Jafet; que consagraram o deslocamento da    centralidade dominante para a calha do Pinheiros, concentrando o terci&aacute;rio    avan&ccedil;ado, o setor financeiro, as multinacionais e os empreendimentos    imobili&aacute;rios de maior visibilidade. </font></p>     <p><font size="3">Esse processo foi acompanhado pela promulga&ccedil;&atilde;o    da legisla&ccedil;&atilde;o de zoneamento a partir de 1972, consagrando o novo    papel da &aacute;rea central como um dos n&uacute;cleos de um grande "centro    expandido" pelo qual se distribuem os usos terci&aacute;rios e o adensamento    imobili&aacute;rio. A Z5 central de alta densidade foi prolongada na dire&ccedil;&atilde;o    sudoeste por um "corredor" de Z5 nas avenidas Consola&ccedil;&atilde;o e Paulista    e pelas Z4, Z3, corredores e outras zonas privilegiadas que se espalham por    todo o centro expandido, mas que permanecem concentradas no quadrante sudoeste.    (25) Z3 e Z4 permitem quase a mesma variedade de usos e um aproveitamento m&aacute;ximo    equivalente ao que &eacute; permitido em Z5, cujo diferencial – maiores taxas    de ocupa&ccedil;&atilde;o e menores recuos – n&atilde;o foi suficiente para    atrair investimentos na &aacute;rea central.</font></p>     <p><font size="3"><b>TRANSPORTE COLETIVO E POPULARIZA&Ccedil;&Atilde;O</b> Com    a inaugura&ccedil;&atilde;o das linhas norte-sul (1974-1978) e leste-oeste (1979-1988)    do metr&ocirc;, cruzando-se na S&eacute;, e a consolida&ccedil;&atilde;o dos    terminais de &ocirc;nibus do parque Dom Pedro II (1996) pra&ccedil;a Princesa    Isabel e pra&ccedil;a da Bandeira (1987), e dos corredores de &ocirc;nibus 9    de Julho – Santo Amaro (1987) e Rio Branco – Cachoeirinha (1991), entre outros,    garantiram-se condi&ccedil;&otilde;es excepcionais de acessibilidade ao centro    hist&oacute;rico por transporte coletivo. </font></p>     <p><font size="3">A &aacute;rea central j&aacute; concentrava os pontos finais    das linhas de &ocirc;nibus que protagonizavam o transporte p&uacute;blico em    S&atilde;o Paulo desde os anos 1940. Junto com a transforma&ccedil;&atilde;o    das esta&ccedil;&otilde;es ferrovi&aacute;rias (Luz, Roosevelt, J&uacute;lio    Prestes) em terminais de sub&uacute;rbio e a presen&ccedil;a da esta&ccedil;&atilde;o    rodovi&aacute;ria nos Campos El&iacute;seos, isso j&aacute; havia favorecido    a acessibilidade por parte das camadas de menor renda e a populariza&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea central. Ao mesmo tempo a integra&ccedil;&atilde;o deficiente    entre os diversos modos de transporte coletivo passou a exigir transbordos a    p&eacute;, gerando intensos fluxos de pedestres nas ruas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Enquanto o autom&oacute;vel se tornava o meio de transporte    preferencial das camadas de alta e m&eacute;dia renda, seu acesso ao centro    hist&oacute;rico era prejudicado pela aus&ecirc;ncia de garagens e estacionamentos,    pedestrianiza&ccedil;&atilde;o de ruas (cal&ccedil;ad&otilde;es criados entre    1975 e 1978), m&atilde;os &uacute;nicas, vias exclusivas de t&aacute;xis e &ocirc;nibus    institu&iacute;das para racionalizar o tr&aacute;fego. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a18fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MAPA 2:</b> Interven&ccedil;&otilde;es na circula&ccedil;&atilde;o    e nos transportes da regi&atilde;o central a partir de 1975. Melhoria das condi&ccedil;&otilde;es    de acesso por transporte coletivo: metr&ocirc;, corredores e terminais de &ocirc;nibus,    cal&ccedil;ad&otilde;es, vias exclusivas de &ocirc;nibus e t&aacute;xi.</font></p>     <p><font size="3">Tudo isso – mais a obsolesc&ecirc;ncia dos edif&iacute;cios    e a degrada&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos – contribuiu    para alterar o perfil dos usu&aacute;rios do centro, que se tornou ponto de    com&eacute;rcio e servi&ccedil;os de car&aacute;ter popular, com forte presen&ccedil;a    de ambulantes. Tal fen&ocirc;meno, antes vis&iacute;vel principalmente no centro    velho, atingiu tamb&eacute;m o centro novo ap&oacute;s 1985, quando o acesso    a este foi facilitado pela linha leste-oeste do metr&ocirc; e pelos corredores    de &ocirc;nibus. </font></p>     <p><font size="3">Ao mesmo tempo interven&ccedil;&otilde;es de tom moderno ligadas    &agrave;s obras do metr&ocirc; remodelaram espa&ccedil;os centrais, com pedestrianiza&ccedil;&atilde;o    e reforma de espa&ccedil;os p&uacute;blicos: largos de S&atilde;o Bento e de    S&atilde;o Francisco (1975), nova pra&ccedil;a da S&eacute; (1978), novo Anhangaba&uacute;    (1985-1992). Outra proposta modernista (pedestrianiza&ccedil;&atilde;o e portal    na pra&ccedil;a do Patriarca) foi implantada recentemente (2002). </font></p>     <p><font size="3">Desde os anos 1970 a recupera&ccedil;&atilde;o do Martinelli    e do Caetano de Campos sinalizava o in&iacute;cio da revaloriza&ccedil;&atilde;o    do patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico local. A partir de 1990 pol&iacute;ticas    de revitaliza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o salientaram o restauro e reaproveitamento    de edif&iacute;cios hist&oacute;ricos, como fulcros de um poss&iacute;vel retorno    ao centro. Pretendia-se reequilibrar o perfil social e reativar a din&acirc;mica    econ&ocirc;mica de &aacute;reas como a Luz, com a sala S&atilde;o Paulo e a    Pinacoteca do Estado. A transfer&ecirc;ncia da prefeitura para o Pal&aacute;cio    das Ind&uacute;strias (1992), o centro cultural do Banco do Brasil, a recupera&ccedil;&atilde;o    de fachadas incentivada por isen&ccedil;&atilde;o de IPTU, (26) o restauro da    S&eacute; e outras iniciativas se enquadraram nessa diretriz. No entanto, a    aposta na voca&ccedil;&atilde;o cultural tem resultado at&eacute; agora em realiza&ccedil;&otilde;es    isoladas, ilhas de qualidade em meio a um quadro urbano e arquitet&ocirc;nico    degradado, sem alavancar a recupera&ccedil;&atilde;o do entorno.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Mais que o "abandono"    da regi&atilde;o ou a populariza&ccedil;&atilde;o de seu perfil comercial, o    que comprometeu a integridade do centro hist&oacute;rico de S&atilde;o Paulo    foi a exacerba&ccedil;&atilde;o da segrega&ccedil;&atilde;o e das desigualdades    urbanas, indissoci&aacute;veis de nosso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o;    e o desvirtuamento de suas qualidades constru&iacute;das, obliteradas pela superposi&ccedil;&atilde;o    de sucessivos padr&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o sem considera&ccedil;&atilde;o    com o quadro existente, dos quais a atual ocupa&ccedil;&atilde;o popular, prec&aacute;ria    e irregular conforma apenas a &uacute;ltima camada.</font></p>     <p><font size="3">Enquanto os setores dominantes priorizaram o centro hist&oacute;rico,    este se manteve como foco preferencial das invers&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o    da centralidade, mas na medida em que as frentes de valoriza&ccedil;&atilde;o,    verticaliza&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o dos usos terci&aacute;rios    de prest&iacute;gio se deslocaram no rumo sudoeste, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    passaram a incentivar esse movimento, consolidando a transfer&ecirc;ncia da    centralidade dominante. Os resultados foram custos crescentes em termos de provis&atilde;o    de infra-estrutura, comprometimento da mobilidade e do tr&aacute;fego, perda    generalizada da qualidade de vida e acirramento das desigualdades urbanas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A aparente incongru&ecirc;ncia de uma cidade que abdica de seu    pr&oacute;prio centro, desperdi&ccedil;ando o investimento historicamente concentrado    na regi&atilde;o, s&oacute; pode ser explicada, no caso paulistano, pela presen&ccedil;a    de um modelo de crescimento ao mesmo tempo intensivo e autof&aacute;gico, motivado    pelo processo imobili&aacute;rio, mas alimentado sistematicamente por pol&iacute;ticas    e interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. </font></p>     <p><font size="3">No entanto, as for&ccedil;as centr&iacute;petas do modelo radial-perimetral    reafirmado desde o Plano de Avenidas dificultaram a cria&ccedil;&atilde;o de    outros p&oacute;los de atra&ccedil;&atilde;o na Grande S&atilde;o Paulo, ocorrendo    em vez disso o incha&ccedil;o do n&uacute;cleo original, formando o "centro    expandido", do qual a fatia mais valorizada passou a abrigar "novos centros"    cada vez mais distantes no vetor sudoeste. Enquanto isso as linhas radiais do    sistema de &ocirc;nibus e das redes de metr&ocirc; e trem mantiveram seu foco    no antigo n&uacute;cleo central que, portanto, permaneceu como destino preferencial    dos setores n&atilde;o motorizados. </font></p>     <p><font size="3">Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, iniciativas    institucionais e empresariais diversas tem posto em relevo a crise vivida pelo    centro de S&atilde;o Paulo, que se tornou objeto de um crescente debate e de    uma multiplica&ccedil;&atilde;o de propostas. (27) Contudo, a despeito de melhorias    pontuais, foram abandonados projetos ambiciosos como a reforma do parque Dom    Pedro II (1989) e o concurso de id&eacute;ias para a regi&atilde;o (1997) –    enquanto as opera&ccedil;&otilde;es urbanas Anhangaba&uacute; (1990) e Centro    (1996) n&atilde;o surtiram o efeito esperado. </font></p>     <p><font size="3">Para reverter esse processo de "desconstru&ccedil;&atilde;o"    do centro paulistano, que p&otilde;e em risco o quadro urbano criado ao longo    do &uacute;ltimo s&eacute;culo, seria preciso inaugurar outra etapa no que se    refere &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    – o que at&eacute; o momento ainda n&atilde;o se confirmou – e tamb&eacute;m    evitar que a nova leva de interven&ccedil;&otilde;es perpetue a tend&ecirc;ncia    de desconsiderar qualidades constru&iacute;das em per&iacute;odos anteriores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Candido Malta Campos</b> &eacute; arquiteto e urbanista,    doutor pela FAU / USP, professor adjunto do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie em S&atilde;o    Paulo.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><a name="nt"></a>Notas e refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas    </b></font></p>     <p><font size="3"> <a href="#title">*</a> Vers&atilde;o ampliada deste trabalho    foi apresentada no X Encontro Nacional da Anpur- Associa&ccedil;&atilde;o Nacional    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional,    em Belo Horizonte, maio de 2003.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">1. Programas de melhoramentos semelhantes foram desenvolvidos    em outras cidades brasileiras. "Os melhoramentos das &aacute;reas centrais"    <i>In</i>: Leme, M. C. da S. (org.) <i>Urbanismo no Brasil 1895-1965</i>. S&atilde;o    Paulo: Fupam / Studio Nobel, 1998, pp. 276-299. </font></p>     <p><font size="3">2. Rolnik, R. <i>A cidade e a lei: Legisla&ccedil;&atilde;o,    pol&iacute;tica urbana e territ&oacute;rios na cidade de S&atilde;o Paulo.</i>    S&atilde;o Paulo: Studio Nobel, 1997, pp. 66-92. </font></p>     <p><font size="3">3. Lemos, C. A. C. <i>A Rep&uacute;blica ensina a morar (melhor)</i>.    S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1998, p. 86. </font></p>     <p><font size="3">4. A Lei Municipal 498, de 28 de agosto de 1899, estabeleceu    prescri&ccedil;&otilde;es para constru&ccedil;&atilde;o de casas oper&aacute;rias,    com padr&otilde;es m&iacute;nimos de habitabilidade e isen&ccedil;&atilde;o    de impostos, fora do per&iacute;metro urbano central. </font></p>     <p><font size="3">5. Campos, C. M. <i>Os rumos da cidade: Urbanismo e moderniza&ccedil;&atilde;o    em S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Senac, 2002, pp. 95-100. </font></p>     <p><font size="3">6. Lei Municipal 1.585, de 3 de setembro de 1912. </font></p>     <p><font size="3">7. Leis Municipais 761, de 20 de julho de 1904 e 1011, de 6    de julho de 1907. </font></p>     <p><font size="3">8. Freire, V. da S. "Os melhoramentos de S&atilde;o Paulo."    <i><b>In</b> Revista Polytechnica</i> 33 (vol. VI) fevereiro a mar&ccedil;o    de 1911. </font></p>     <p><font size="3">9. "Regulamento para construc&ccedil;&otilde;es particulares."    <i>In: Boletim do Instituto de Engenharia</i> 5 (vol. II) janeiro de 1919. </font></p>     <p><font size="3">10. Resolu&ccedil;&atilde;o Municipal 171, de 29 de janeiro    de 1921. Desde 1914 o prefeito Washington Luiz dividiu o munic&iacute;pio em    quatro zonas: central, urbana, suburbana e rural (Leis Municipais 1788, de 28    de maio de 1914, e 1874, de 12 de maio de 1915.) com objetivos fiscais e de    cadastro, combinados a normas de ocupa&ccedil;&atilde;o do solo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">11. Lei Municipal 2.332, de 9 de novembro de 1920. </font></p>     <p><font size="3">12. Ato Municipal 582, de 17 de mar&ccedil;o de 1934. </font></p>     <p><font size="3">13. Somekh, N. "A cidade vertical e o urbanismo modernizador:    S&atilde;o Paulo: 1920-1939. Tese de Doutoramento, FAU / USP, 1994. </font></p>     <p><font size="3">14. Baseado no conceito dos <i>p&eacute;rim&egrave;tres de rayonnement</i>    teorizados por E. H&eacute;nard: "La circulation dans les villes modernes. L'automobilisme    et les voies rayonnantes de Paris." Cap&iacute;tulo VI (publicado originalmente    em 1905) de seus <i>&Eacute;tudes sur les transformations de Paris</i>. Paris:    L'Equerre, s.d.p., pp. 179-232. </font></p>     <p><font size="3">15. Annaes da C&acirc;mara Municipal de S&atilde;o Paulo: 1922.    S&atilde;o Paulo: Piratininga, 1922, p. 573 e 595-596; Cintra, J. F. de U. "Projecto    de uma avenida circular constituindo per&iacute;metro de irradia&ccedil;&atilde;o."    <i><b>In</b> Boletim do Instituto de Engenharia</i> 24 (vol. V) janeiro-mar&ccedil;o    de 1924. </font></p>     <p><font size="3">16. Maia, F. P. &amp; Cintra, J. F. de U. "Um problema atual:    Os grandes melhoramentos de S&atilde;o Paulo." <i>In Boletim do Instituto de    Engenharia</i> 26/27 (vol. VI) outubro de 1924 a mar&ccedil;o de 1925; 28 (vol.    VI) mar&ccedil;o a junho de 1925; 29 (vol. VI) julho a outubro de 1925; e 31    (vol. VI) mar&ccedil;o a junho de 1926. </font></p>     <p><font size="3">17. Maia, F. P. <i>Estudo de um plano de avenidas para a cidade    de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Melhoramentos, 1930. </font></p>     <p><font size="3">18. Maia, F. P. <i>Os melhoramentos de S&atilde;o Paulo</i>.    S&atilde;o Paulo: PMSP, 1945. </font></p>     <p><font size="3">19. Decretos-Lei Municipais 41, de 3 de agosto de 1940; 75,    de 11 de fevereiro de 1941; e 92, de 2 de maio de 1941. </font></p>     <p><font size="3">20. Sampaio, M. R. A. de (org.): <i>A promo&ccedil;&atilde;o    privada de habita&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e a arquitetura moderna 1930-1964.</i>    S&atilde;o Paulo: Rima / Fapesp, 2002. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">21. Feldman, S. "Planejamento e zoneamento: S&atilde;o Paulo    1947-1962. Tese de doutoramento, FAU / USP, 1996. </font></p>     <p><font size="3">22. Maricato, E. <i>Metr&oacute;pole na periferia do capitalismo:    ilegalidade, desigualdade, viol&ecirc;ncia</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1996.    </font></p>     <p><font size="3">23. Dinis, H. "A estrutura&ccedil;&atilde;o vi&aacute;ria de    S&atilde;o Paulo". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em arquitetura e urbanismo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2002. </font></p>     <p><font size="3">24. Vasconcelos, E. A. de. <i>Circular &eacute; preciso, viver    n&atilde;o &eacute; preciso: a hist&oacute;ria do tr&acirc;nsito na cidade de    S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: AnnaBlume / Fapesp, 1999, p. 150-156.    </font></p>     <p><font size="3">25. Leis Municipais 7.805, de 1&ordm; de novembro de 1972; e    8.001, de 24 de dezembro de 1973. </font></p>     <p><font size="3">26. Lei Municipal 12.350, de 1997. </font></p>     <p><font size="3">27. Meyer, R. (org.) Os centros das metr&oacute;poles: Reflex&otilde;es    e propostas para-cidade democr&aacute;tica do s&eacute;culo XXI. S&atilde;o    Paulo: Viva o Centro / Terceiro Nome, 2002.</font></p>      ]]></body>

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