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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>Arte popular</b></font></p>     <p><font size=5><b><i>H</i><small><i>IP-HOP</i>: DAS SE&Ccedil;&Otilde;ES POLICIAIS PARA OS    CADERNOS CULTURAIS DOS JORNAIS</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a25fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O <i>hip-hop</i> &eacute; t&atilde;o urbano quanto as grandes    constru&ccedil;&otilde;es de concreto e as esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc;,    e cada dia se torna mais presente nas grandes metr&oacute;poles mundiais. No    Brasil, &eacute; a voz cantada dos pres&iacute;dios, est&aacute; nos grafites    que embelezam ou enfeiam muros e paredes das grandes cidades, nas roupas da    juventude, &eacute; um movimento que invade as metr&oacute;poles brasileiras    da periferia para o centro. Para muitos jovens, o <i>hip-hop</i> vem fazendo    a diferen&ccedil;a, mudando jeitos de pensar, dando oportunidades e denunciando    a desigualdade social e racial.</font></p>     <p><font size="3">&quot;O <i>hip-hop</i> nasceu na periferia dos bairros pobres    de Nova York. Pode ser considerada uma cultura juvenil urbana&quot;, explica    Viviane Melo de Mendon&ccedil;a Magro, psic&oacute;loga que estuda o movimento    no Brasil, com &ecirc;nfase na quest&atilde;o de g&ecirc;nero. &quot;O <i>hip-hop</i>    &eacute; formado por tr&ecirc;s elementos: a m&uacute;sica (<i>rap</i>), as    artes pl&aacute;sticas (o grafite) e a dan&ccedil;a (o <i>break</i>). No <i>hip-hop</i>    os jovens usam as express&otilde;es art&iacute;sticas como uma forma de luta    e resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica&quot;, diz a pesquisadora. </font></p>     <p><font size="3">Micael Herschmann, autor do livro O <i>funk e o hip-hop invadem    a cena</i> e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta    que o <i>hip-hop</i> &quot;nacional&quot; chegou no Brasil h&aacute; pouco mais    de vinte anos, mobilizando inicialmente a juventude negra e trabalhadora da    cidade de S&atilde;o Paulo. &quot;Um de seus introdutores foi o <i>rapper</i>    Nelson que, ainda nos anos 1980, trouxe o ritmo para a pra&ccedil;a da S&eacute;,    na capital paulista. O programa de r&aacute;dio mais antigo foi <i>Rap Brasil</i>,    dirigido pelo Dr. Rap, veiculado na r&aacute;dio Metropolitana FM&quot;, diz    Herschmann.</font></p>     <p><font size="3">Enraizado nas camadas populares urbanas, o <i>hip-hop</i> afirmou-se    no Brasil e no mundo com um discurso pol&iacute;tico a favor dos exclu&iacute;dos,    sobretudo dos negros. N&atilde;o &eacute; por acaso que o famoso <i>rapper</i>    Mano Brown teve uma recep&ccedil;&atilde;o t&atilde;o calorosa na Febem do Br&aacute;s,    em S&atilde;o Paulo, em um show realizado em 2003. Os jovens detentos sabiam    de cor as letras das m&uacute;sicas, que falavam da realidade dos moradores    das periferias.&quot;As hist&oacute;rias do <i>rap</i> s&atilde;o fict&iacute;cias    ou reais, mas tratam de pessoas que vivem na periferia&quot; conta Viviane.</font></p>     <p><font size="3"><b>HIP-HOP BRASILEIRO &Eacute; &Uacute;NICO</b> Apesar de ser    um movimento origin&aacute;rio das periferias norte-americanas, o <i>hip-hop</i>    n&atilde;o encontrou barreiras no Brasil, onde se instalou com certa naturalidade.    &quot;A apropria&ccedil;&atilde;o de elementos que n&atilde;o est&atilde;o necessariamente    legitimados na cultura brasileira deu-se de forma mais natural e tranq&uuml;ila    porque estamos em um mundo globalizado&quot;, considera Herschmann. O que, no    entanto, n&atilde;o significa que o <i>hip-hop</i> brasileiro n&atilde;o tenha    influ&ecirc;ncias locais. O movimento no Brasil &eacute; h&iacute;brido, com    tra&ccedil;os evidentes da cultura nacional: no <i>hip-hop</i> brasileiro tem    rap com um pouco de samba, <i>break</i> parecido com capoeira e grafites de    cores muito vivas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mas as diferen&ccedil;as est&atilde;o al&eacute;m do vis&iacute;vel.    Na opini&atilde;o dos militantes brasileiros, o <i>hip-hop</i> nacional &eacute;    mais cr&iacute;tico e politizado que o norte-americano. &quot;O <i>hip-hop</i>    brasileiro &eacute; muito melhor do que o americano, que foi banalizado. Muitos    representantes do <i>hip-hop</i> l&aacute; fora se venderam para o sistema.    No Brasil o <i>hip-hop</i> &eacute; mais consciente, quer ver o povo melhorar    e prega a informa&ccedil;&atilde;o&quot; declara Cibele Cristiane Rodrigues,    militante do movimento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a25fig02.gif" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="183,335,318,352" href="http://www.meninosdomorumbi.org.br">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Apesar do <i>hip-hop</i> ser um espa&ccedil;o que permite aos    jovens das periferias se inserirem na sociedade de forma politizada e cr&iacute;tica,    a imagem dos jovens ligados ao movimento nem sempre foi positiva. &quot;Os meios    de comunica&ccedil;&atilde;o constru&iacute;ram imagens e representa&ccedil;&otilde;es    de uma forma muito negativa, do delinq&uuml;ente juvenil, como se eles fossem    uma esp&eacute;cie de inimigo n&uacute;mero um das cidades&quot;, afirma Herschmann,    que iniciou suas pesquisas sobre o <i>hip-hop</i> e o <i>funk</i> quando come&ccedil;aram    os arrast&otilde;es no Rio de Janeiro, em 1992. </font></p>     <p><font size="3"><b>A MARCA DOS ARRAST&Otilde;ES</b> Segundo    Herschmann, a abordagem dram&aacute;tica e ca&oacute;tica da m&iacute;dia sobre    os arrast&otilde;es naquele ano, na praia de Ipanema, influenciou negativamente    a imagem dos jovens que viviam nas periferias da cidade, e os jovens pertencentes    ao <i>hip-hop</i> n&atilde;o ficaram imunes.</font></p>     <p><font size="3">Ele diz que as representa&ccedil;&otilde;es e os sentidos atribu&iacute;dos    ao &quot;arrast&atilde;o&quot; em 1992 – associados a imagens violentas e conflitos    entre jovens e policiais – despertaram na sociedade certa curiosidade sobre    os jovens das periferias brasileiras. Pouco se sabia sobre eles e alguns estudos    come&ccedil;aram a ser realizados sobre o assunto.</font></p>     <p><font size="3">O pesquisador considera os arrast&otilde;es de 1992/93 um &quot;divisor    de &aacute;guas&quot; para o <i>hip-hop</i>. &quot;A partir daquele momento,    com a intensa veicula&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia, o <i>hip-hop</i> e o    <i> funk</i> adquirem uma nova dimens&atilde;o, colocando em discuss&atilde;o    o 'lugar do pobre' no debate pol&iacute;tico e intelectual do pa&iacute;s&quot;.    Em sua pesquisa, ele observou que, enquanto o <i>funk</i> ia se afirmando na    cultura urbana carioca ao longo dos anos 1980, o <i>hip-hop</i> se instalava    na noite paulistana. Segundo Herschmann, o <i>hip-hop</i> aparenta ser um movimento    mais politizado que o <i>funk</i>, por&eacute;m, &quot;o fato de produzir uma    m&uacute;sica alegre, rom&acirc;ntica e bem-humorada n&atilde;o implica em uma    postura apol&iacute;tica do <i>funk</i>&quot;. </font></p>     <p><font size="3">Atualmente, o <i>hip-hop</i> &eacute; uma express&atilde;o popular    muito mais evidente que o <i>funk</i>, e j&aacute; cruzou as fronteiras de todos    estados. Para a psic&oacute;loga Viviane, sejam brancos ou negros, muitos jovens    brasileiros t&ecirc;m encontrado no movimento uma esperan&ccedil;a. &quot;O    <i>hip-hop</i> tem um lado pol&iacute;tico forte, de conscientiza&ccedil;&atilde;o.    Eles se organizam cada vez mais para que possam criar alternativas para os jovens    da periferia n&atilde;o ca&iacute;rem na criminalidade, nas drogas&quot;, conlui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i><b>Juliana Schober</b></i></font></p>      ]]></body>
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