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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n2/a32img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3">LUIGI AUGUSTO DE OLIVEIRA</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b>V<small>EL&Oacute;RIO</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Veio, olhou-nos as caras como quem nem queria pensar em ter    vindo. Discreto ouvimo-lhe o ganido. E assistimos ao rabo circular o vento.    </font></p>     <p><font size="3">No bojo do sil&ecirc;ncio cada conforto, um a um, era entregue    &agrave; digest&atilde;o – lento, lento. Algu&eacute;m n&atilde;o ag&uuml;entou    mais, disse, olhos baixos, verdade seja dita, meus caros, n&atilde;o o conhecemos    mais que a esse vira-pulgas que o acompanhava. As palavras planavam desconjuntadas,    como se a frase, qual lagartixa incomodada com o peso de rabos excessivos, as    fosse deixando cair uma a uma. Foi uma distra&ccedil;&atilde;o acodir-me uma    lembran&ccedil;a de Drummond: Lento, conhecer; obscuro, ter conhecido.</font></p>     <p><font size="3">Mas algu&eacute;m – outro – ent&atilde;o ecoou tardio: que muito    prov&aacute;vel que cadelas cidade afora o houvessem conhecido melhor que qualquer    de n&oacute;s ali, que o chor&aacute;vamos ressecados.</font></p>     <p><font size="3">Foi uma indigna&ccedil;&atilde;o muda, como podia, meu deus    do c&eacute;u – se ali mesmo, ao quarto cont&iacute;guo &agrave; sala, enviuvava    a vi&uacute;va –, dizer aquilo, em voz t&atilde;o clara no meio da reserva quieta    de sil&ecirc;ncio que a noite a custo preservava?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O agudo enregelante do lamento – &uacute;nico e agoniado – enfim    nos tirou alguns da letargia. Corremos eu, amigo de t&atilde;o velha inf&acirc;ncia    do velado, e mais o cunhado dele, e enquanto um afastava os de curiosidade mais    empedernida, o outro ia for&ccedil;ando a porta com o ombro; revez&aacute;vamos.</font></p>     <p><font size="3">Mas ela j&aacute; ali n&atilde;o estava, nem chorando ao toalete,    nem enforcada ou envenenada no desmedido arm&aacute;rio do quarto do casal.</font></p>     <p><font size="3">No espelho t&atilde;o vetusto quanto o arm&aacute;rio, notei,    num relance muito breve – mas suficiente a quem conhecesse o habitat –, a aus&ecirc;ncia    do par preferido de sapatos de boate, e de um certo fisgante vestido vermelho...    e, como numa arrebenta&ccedil;&atilde;o antiga na areia da mem&oacute;ria, desvelo    macio as sedas nas calcinhas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Luigi Augusto Oliveira</b>, natural de Areado, MG, &eacute;    servidor p&uacute;blico em S&atilde;o Paulo. Autor da novela </i>Dalma, na rede    <i>(Cone Sul, 1997; esgotada; Pr&ecirc;mio Festival Universit&aacute;rio, da    revista Livro Aberto e Xerox), do romance</i> Solo para ti <i>(Lemos, 2001;    Pr&ecirc;mio Redescoberta da Literatura, da revista</i> Cult<i>), da novela-dueto    </i>Alice &agrave; Passarinho <i>(in&eacute;dita; vers&atilde;o para teatro    pelo Grupo F&uacute;ria, Cuiab&aacute;, 2000, intitulada &quot;Pintando Alice&quot;)    e do volume de poesia </i>Crucial e v&atilde;o <i>(in&eacute;dito, Pr&ecirc;mio    Cidade de Belo Horizonte, 2002).</i></font></p>      ]]></body>

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