<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252004000300003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Institutos de pesquisa buscam autonomia para crescer]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barata]]></surname>
<given-names><![CDATA[Germana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<volume>56</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>6</fpage>
<lpage>7</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252004000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252004000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252004000300003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">POL&Iacute;TICA CIENT&Iacute;FICA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Institutos de pesquisa buscam autonomia para crescer </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os principais institutos paulistas de pesquisa, com suas sedes    coloniais em &aacute;reas rurais do final do s&eacute;culo XIX, nasceram com    a miss&atilde;o de impulsionar a economia agr&iacute;cola e sanar problemas    de sa&uacute;de p&uacute;blica. Foram importantes instrumentos na industrializa&ccedil;&atilde;o    e moderniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Na atualidade, s&atilde;o 16, espalhados    por todo o estado. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, por&eacute;m, muitos institutos    sofreram um processo de degrada&ccedil;&atilde;o e, todos, foram obrigados a    reinventar a forma de gerir os descont&iacute;nuos recursos vindos do governo    estadual, via secretarias, e que s&atilde;o freq&uuml;entemente realocados,    cortados ou contingenciados.</font></p>     <p><font size="3">O Instituto Butantan, por exemplo, maior produtor de vacinas    e soros do pa&iacute;s, redefiniu o financiamento de suas pesquisas b&aacute;sicas,    determinando, j&aacute; no final da d&eacute;cada de 1980, que seus pesquisadores    buscassem recursos junto a ag&ecirc;ncias de fomento, como fazem as universidades    p&uacute;blicas. Ana Moura da Silva, diretora de desenvolvimento cient&iacute;fico    do Butantan, afirma que, de in&iacute;cio, a medida causou consterna&ccedil;&atilde;o,    mas foi absorvida e acabou incentivando a melhora na qualidade das pesquisas    e da forma&ccedil;&atilde;o profissional. Hoje, dos 111 pesquisadores contratados    no instituto, 73 s&atilde;o doutores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Reformula&ccedil;&atilde;o semelhante viveu o Instituto Biol&oacute;gico,    que buscou parcerias com a iniciativa privada e ag&ecirc;ncias de fomento &agrave;    pesquisa para fortalecer a infra-estrutura e a equipe, que conta hoje 120 pesquisadores    e outros 300 bolsistas (entre p&oacute;s-graduandos e estagi&aacute;rios). Ant&ocirc;nio    Batista Filho, diretor da institui&ccedil;&atilde;o, atribui parte dessas implementa&ccedil;&otilde;es    &agrave; melhora de acesso &agrave;s verbas da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo    &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp). Hoje, as ag&ecirc;ncias    s&atilde;o a principal fonte externa de recursos para pesquisa, contribuindo    com mais de 10% do or&ccedil;amento do Biol&oacute;gico e chegando pr&oacute;ximo    a 20 % no Butantan.</font></p>     <p><font size="3">Outra estrat&eacute;gia, adotada igualmente pelos dois institutos,    foi aproximar a pesquisa b&aacute;sica da aplicada, por meio de grupos de trabalhos    conjuntos para definir prioridades, otimizar o uso de equipamentos caros e promover    interc&acirc;mbios acad&ecirc;micos. Pesquisadores s&atilde;o credenciados para    dar aulas nas universidades e orientar trabalhos dentro de suas institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3"><b>PESQUISA DA USP</b> Para diagnosticar as mudan&ccedil;as vividas    por profissionais de institutos de pesquisa, Gildo Magalh&atilde;es dos Santos    Filho, do Departamento de Hist&oacute;ria da Universidade de S&atilde;o Paulo    (USP), analisou depoimentos de 32 pesquisadores da &aacute;rea de bioci&ecirc;ncias,    com experi&ecirc;ncia m&eacute;dia de 22 anos de trabalho, em cinco tradicionais    institutos paulistas de pesquisa: Butantan (de 1901), Biol&oacute;gico (de 1927),    Bot&acirc;nico (de 1938), da Pesca (de 1969) e de Economia Agr&iacute;cola (de    1943). </font></p>     <p><font size="3">Entre as dificuldades listadas pelos entrevistados, que dificultam    o bom desempenho do trabalho, est&atilde;o: excessiva burocracia; falta de recursos    p&uacute;blicos e verbas para comprar equipamentos, material de pesquisa, servi&ccedil;os    de manuten&ccedil;&atilde;o, material de consumo e servi&ccedil;os prestados    por terceiros; perda da qualifica&ccedil;&atilde;o profissional; falta de contrata&ccedil;&otilde;es    de t&eacute;cnicos de n&iacute;vel m&eacute;dio. </font></p>     <p><font size="3">Ot&aacute;vio Mercadante, que dirige o Butantan, reconhece os    obst&aacute;culos colocados pela burocracia, mas acredita que algumas pr&aacute;ticas    adotadas podem otimizar a tomada de decis&otilde;es. Entre elas, ele menciona    a cria&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Butantan, em 1989, que passou    a administrar os recursos provenientes da venda de produtos da institui&ccedil;&atilde;o,    antes entregues para o governo estadual. Criou-se, tamb&eacute;m, o N&uacute;cleo    de Gest&atilde;o Estrat&eacute;gica com representantes da administra&ccedil;&atilde;o    da funda&ccedil;&atilde;o e do instituto, assim como diretores de cada divis&atilde;o,    respons&aacute;veis por otimizar a aplica&ccedil;&atilde;o de recursos e definir    estrat&eacute;gias.</font></p>     <p><font size="3"><b>NOVAS CONTRATA&Ccedil;&Otilde;ES</b> No final do ano passado,    o governo paulista autorizou a contrata&ccedil;&atilde;o de 360 pesquisadores    para dar novo f&ocirc;lego aos institutos de pesquisa, depois de quase uma d&eacute;cada    sem mudan&ccedil;as no quadro. Ficou faltando, por&eacute;m, concurso p&uacute;blico    para contratar t&eacute;cnicos de ensino m&eacute;dio. </font></p>     <p><font size="3">Os pesquisadores ouvidos no estudo realizado na USP enfatizam,    tamb&eacute;m, a necessidade de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.    Quando a carreira de pesquisador foi criada, em 1977, possu&iacute;a status    semelhante ao de professor universit&aacute;rio. Desde ent&atilde;o, seus sal&aacute;rios    sofreram defasagem superior a 50% em rela&ccedil;&atilde;o aos do professor    universit&aacute;rio com a mesma forma&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">O pesquisador Gildo Magalh&atilde;es ressalta, por&eacute;m,    que nas universidades a atividade de doc&ecirc;ncia fica em desvantagem em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; pesquisa: "os profissionais s&atilde;o cada vez mais cobrados    a publicar suas pesquisas cient&iacute;ficas, como forma de maior prest&iacute;gio    profissional; muitas turmas sofrem com a atua&ccedil;&atilde;o de professores    que, ent&atilde;o, sequer se d&atilde;o ao trabalho de preparar as aulas ou    as delegam para seus alunos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, decaindo    a qualidade geral do ensino". O diretor do Butantan acredita que "a    situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; ruim para todos", mas destaca que a    autonomia universit&aacute;ria conquistada pelas universidades estaduais permitiu    melhorar sua pol&iacute;tica salarial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na opini&atilde;o do historiador da USP, as entrevistas permitem    concluir que muitos pesquisadores mant&ecirc;m-se na profiss&atilde;o por idealismo    ou falta de alternativas. Uma das sa&iacute;das sugeridas por ele seria envolver    a sociedade e a pr&oacute;pria comunidade cient&iacute;fica na luta pela manuten&ccedil;&atilde;o    da qualidade dessas institui&ccedil;&otilde;es. "Acredito que os institutos    de pesquisa ter&atilde;o que ser competentes para criar oportunidades a cada    nova amea&ccedil;a", prev&ecirc; Batista. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Germana Barata</b></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03fig02.gif"></p>      ]]></body>
</article>
