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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">MEDICAMENTO</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img02.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Superdose reduz morte cerebral em pacientes em coma </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O uso de uma dose aumentada de manitol, droga bastante conhecida,    de baixo custo e largo uso nas emerg&ecirc;ncias m&eacute;dicas, pode representar    surpreendente avan&ccedil;o na recupera&ccedil;&atilde;o de pacientes em coma.    &Eacute; o que demonstra a pesquisa coordenada pelo neurocirurgi&atilde;o J&uacute;lio    Cruz, professor da Universidade Federal Paulista (Unifesp) e presidente da Central    Internacional de Neuro-Emerg&ecirc;ncias: com 100% dos pacientes selecionados    entre a vida e a morte, apenas 20% faleceram. "A experi&ecirc;ncia &eacute;    in&eacute;dita no Brasil envolvendo emerg&ecirc;ncias neurocir&uacute;rgicas    e a &uacute;nica com sucesso no cen&aacute;rio internacional, realizada com    humanos, pois as pesquisas publicadas at&eacute; agora s&oacute; tinham funcionado    em animais de laborat&oacute;rio", afirma Cruz.</font></p>     <p><font size="3">Seu trabalho iniciou-se em 1985, nos Estados Unidos, e foi ampliado    por uma equipe internacional de pesquisadores no per&iacute;odo de 1997 a 2001.    Prosseguiu no Brasil envolvendo um grupo de 69 pacientes nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es    de risco de morte tratados com a dosagem convencional do medicamento e outros    72 pacientes com a dosagem aumentada, al&eacute;m de um protocolo de procedimentos    de emerg&ecirc;ncia, igual nos dois grupos.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; alguns anos, sobreviviam apenas 20% dos pacientes    em estado de coma; com a aplica&ccedil;&atilde;o otimizada do manitol (uma dose    de 500ml em adulto) ainda na fase de pronto-atendimento, o &iacute;ndice de    sobreviv&ecirc;ncia subiu para 76%. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Segundo o especialista, o ganho com a aplica&ccedil;&atilde;o    da alta dose do manitol ocorre porque o medicamento diminui a press&atilde;o    intracraniana, aumenta a oxigena&ccedil;&atilde;o cerebral e o fluxo sangu&iacute;neo,    revertendo as les&otilde;es no tronco cerebral e evitando que o paciente caminhe    r&aacute;pido para a morte cerebral. Cruz afirma que o uso no manitol &eacute;    pr&aacute;tica rotineira nas UTIs, mas a dosagem usual &eacute; quatro vezes    menor. A ado&ccedil;&atilde;o do medicamento j&aacute; no PS, antes mesmo de    se fazer qualquer tipo de exame, evita o tempo de espera de um paciente at&eacute;    dar entrada na UTI. "Quanto mais cedo o doente sair do coma, melhor ser&aacute;    sua recupera&ccedil;&atilde;o e menor o risco de ficar com seq&uuml;elas",    avalia Cruz.</font></p>     <p><font size="3">A investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de Cruz come&ccedil;ou    nos Estados Unidos, em 1985, quando ele trabalhou nos maiores centros internacionais    dentro de sua especialidade. Passou 11 anos na Universidade da Pensilv&acirc;nia,    em Filad&eacute;lfia, e outros dois em Houston, no Texas. Numa primeira fase,    Cruz pesquisou o uso do manitol na UTI, com um sistema de monitoramento computadorizado,    desenvolvido pela ind&uacute;stria a partir de sua pesquisa. Em seguida, o trabalho    passou a ser feito j&aacute; no pronto-socorro. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a07fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Na pesquisa internacional foram avaliados 141 pacientes em coma    profundo que deram entrada em pronto-socorros de oito hospitais no Brasil, na    It&aacute;lia e no Jap&atilde;o. Todos apresentavam les&otilde;es cerebrais    graves, envolvendo incha&ccedil;o e hemorragia, causadas por algum trauma.</font></p>     <p><font size="3">O &uacute;nico efeito colateral, resultante da aplica&ccedil;&atilde;o    de alta dose de manitol – a hipotens&atilde;o – &eacute; evitado com a aplica&ccedil;&atilde;o    de soro logo ap&oacute;s o medicamento. "Para cada 500ml de manitol, aplicamos    1 litro de soro", explica Cruz.</font></p>     <p><font size="3">A sugest&atilde;o do pesquisador &eacute; que nos procedimentos    de urg&ecirc;ncia o medicamento passe a ser aplicado j&aacute; nos locais do    acidente, por uma equipe preparada para tal procedimento. "Ainda faltam    estudos complementares mas j&aacute; se investiga o uso de alta dose de manitol    tamb&eacute;m em casos de coma causados por afogamento, derrames e meningites    graves", antecipa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a07fig02.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os resultados da pesquisa coordenada por Cruz foram publicados    em artigo da revista <I>Neurosurgery</I>, de setembro de 2002, escrito com outros    dois coordenadores da pesquisa: Giulio Minoja, da It&aacute;lia, e Kazuo Okuchi,    do Jap&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I><b>Sabine Righetti</b></I></font></p>      ]]></body>
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