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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">MUNDO DO TRABALHO</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Mudan&ccedil;as geram impacto at&eacute; nas rela&ccedil;&otilde;es    pessoais </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os efeitos da globaliza&ccedil;&atilde;o e do uso intensivo    de instrumentos criados pela tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    impactam somente o mundo do trabalho e o padr&atilde;o de emprego. A sociedade    como um todo se depara com enormes mudan&ccedil;as nas suas rela&ccedil;&otilde;es    familiares e interpessoais. O resultado &eacute; que, hoje, o cotidiano da fam&iacute;lia    se aproxima cada vez mais do ambiente do pr&oacute;prio trabalho. </font></p>     <p><font size="3">A primeira evid&ecirc;ncia &eacute; a repeti&ccedil;&atilde;o    de alguns modelos de gest&atilde;o empresarial levados para o ambiente do lar.    As pessoas, como as empresas, passam a terceirizar de forma radical suas tarefas.    As atividades dom&eacute;sticas e o transporte de filhos ou mesmo de parentes    a passeios, a m&eacute;dicos ou a festas, por exemplo, h&aacute; muito s&atilde;o    contratadas nas classes econ&ocirc;micas com maior poder aquisitivo, afirma    o soci&oacute;logo Ricardo Antunes, pesquisador da Unicamp.</font></p>     <p><font size="3">Devido &agrave; necessidade de demonstrar maior empenho no emprego,    muitos profissionais ficam ausentes de suas casas na maior parte do tempo ou    estendem seu trabalho para o lar. Apesar dos poucos estudos com esse foco, pesquisadores    apontam que as rela&ccedil;&otilde;es familiares t&ecirc;m procurado se adequar    a isso, principalmente para driblar a falta de tempo livre para a conviv&ecirc;ncia    entre pais e filhos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a09fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"A instabilidade e informaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho    fez com que a vida das pessoas dentro de casa tamb&eacute;m se alterasse",    diz Antunes. "A readequa&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os de fam&iacute;lia    &eacute; uma imposi&ccedil;&atilde;o das circunst&acirc;ncias", ressalta.    "Os filhos, por exemplo, t&ecirc;m de se habituar ao fato de os pais desaparecerem    de cena durante uns tempos", relata a antrop&oacute;loga Jan English-Leuck,    da Universidade de San Jose (EUA), &agrave; revista portuguesa <I>Grande Reportagem</I>.    Ela &eacute; autora de um estudo sobre a cultura do Vale do Sil&iacute;cio,    na Calif&oacute;rnia, sobre a implanta&ccedil;&atilde;o cada vez mais r&aacute;pida    de tecnologia no cotidiano das pessoas. </font></p>     <p><font size="3"><b>COMPLEXO DE CULPA</b> O al&iacute;vio para a sensa&ccedil;&atilde;o    de abandono que aflige as fam&iacute;lias veio com a populariza&ccedil;&atilde;o    da express&atilde;o "tempo de qualidade", seja nos consult&oacute;rios    especializados em terapia familiar ou nas conversas informais entre amigos.    O mais importante, teoricamente, n&atilde;o seria mais a quantidade de horas    presentes na vida do filho e sim a qualidade desse tempo. Verdade? H&aacute;    controv&eacute;rsias. "Muitos h&aacute;bitos e a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    s&atilde;o instant&acirc;neos, precisam de tempo para ser constru&iacute;dos.    N&atilde;o d&aacute; para ser pai ou m&atilde;e de minuto", diz a psic&oacute;loga    do trabalho Ana Cristina Fran&ccedil;a, professora da USP. "Pensamos que    a qualidade &eacute; maior, mas n&atilde;o &eacute;. As rela&ccedil;&otilde;es    est&atilde;o mais desgastadas, esgar&ccedil;adas e desumanizadas", completa    Antunes.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da irregularidade desse tempo de qualidade &agrave;    disposi&ccedil;&atilde;o, muitos pais acabam conciliando encontros familiares    com "contatos ou oportunidade de neg&oacute;cios". S&atilde;o os encontros    com clientes no clube de futebol ou na apresenta&ccedil;&atilde;o de teatro    do filho. "Mas os pais h&atilde;o de encontrar um tempo (para seus filhos)    porque todos os objetivos que se prop&otilde;em a cumprir s&atilde;o encarados    tal como qualquer tarefa de trabalho a ser executada", descreve a antrop&oacute;loga    Jan English-Leuck, ressaltando a semelhan&ccedil;a entre o comportamento mantido    dentro do ambiente de trabalho com o familiar.</font></p>     <p><font size="3"><b>TECNOLOGIAS NO RELACIONAMENTO</b> Outra similaridade &eacute;    o uso de tecnologias para rastrear o que os trabalhadores – ou, no caso, os    filhos – andam fazendo. A crescente tend&ecirc;ncia das empresas em utilizarem    esses recursos para saber como os funcion&aacute;rios usam a internet, por exemplo,    tamb&eacute;m est&aacute; presente na rela&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos.    Celulares e bipes d&atilde;o aos pais a sensa&ccedil;&atilde;o de que, mesmo    ausentes, conseguem controlar a vida de seus filhos e estar por dentro do que    acontece com eles.</font></p>     <p><font size="3">"O celular, por exemplo, s&oacute; serve como uma forma    de controle se houver confian&ccedil;a e qualidade de v&iacute;nculo entre duas    partes", diz Ana Cristina. Mas espionar filhos, recebendo um relat&oacute;rio    peri&oacute;dico sobre o que eles andam fazendo, por meio de v&aacute;rios tipos    de softwares – como <I>child-safe</I>, <I>watch rigth</I>, <I>e-blaster</I>    e outros – j&aacute; &eacute; visto por muitos como um abuso. "&Eacute;    evidente que um procedimento como esse pode gerar nos filhos um sentimento de    profunda frustra&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; t&atilde;o devastador quanto    os que ouvem conversas telef&ocirc;nicas ou l&ecirc;em di&aacute;rios dos filhos",    considera o soci&oacute;logo Jos&eacute; Pastore, especialista em rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho e desenvolvimento institucional, em seu artigo "Espionando    seus filhos", publicado no J<I>ornal da Tarde</I>.</font></p>     <p><font size="3"><b>RELA&Ccedil;&Otilde;ES SUPERFICIAIS</b> "Com o excesso de    informa&ccedil;&otilde;es, de instrumentos tecnol&oacute;gicos e de hor&aacute;rios    sobrecarregados, as rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas acontecem com mais    velocidade e com menos compromisso de continuidade", acrescenta a psic&oacute;loga    Ana Cristina. "A linguagem e os conceitos empresariais s&atilde;o importados    para as rela&ccedil;&otilde;es pessoais e recontextualizados na fam&iacute;lia",    cita a antrop&oacute;loga americana em seu estudo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I><b>Gabriela Di Giulio</b></I></font></p>      ]]></body>
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