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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a11fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">GEOPOL&Iacute;TICA</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img02.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Os diferentes muros sociais que se erguem no mundo contempor&acirc;neo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">As cidades muradas da Idade M&eacute;dia eram constitu&iacute;das    para proteger suas comunidades do invasor, da barb&aacute;rie. Os muros de nossa    hist&oacute;ria contempor&acirc;nea – constru&iacute;dos por Israel na Cisjord&acirc;nia,    no lado leste da Palestina e pelos Estados Unidos, na fronteira com o M&eacute;xico    – por tr&aacute;s de uma fun&ccedil;&atilde;o comum, que &eacute; &quot;tentar    impedir, de modo absoluto, a transposi&ccedil;&atilde;o, pela popula&ccedil;&atilde;o,    da fronteira entre duas unidades pol&iacute;ticas distintas&quot;, diferenciam-se    do seu cong&ecirc;nere mais famoso de nosso passado recente, o muro de Berlim.    Na an&aacute;lise dos ge&oacute;grafos Ricardo Castillo (da Unicamp) e Ricardo    Mendes Antas Junior (da Unifieo), apesar das conseq&uuml;&ecirc;ncias tr&aacute;gicas,    o muro de Berlim derivou-se de um per&iacute;odo hist&oacute;rico de equil&iacute;brio    pol&iacute;tico – a Guerra Fria – entre duas pot&ecirc;ncias: os EUA e a Uni&atilde;o    Sovi&eacute;tica. J&aacute; os atuais, em territ&oacute;rio palestino e mexicano,    representam a exacerba&ccedil;&atilde;o do poder, &quot;a tirania de poderes    desmedidos e sem peias&quot;.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As fronteiras, obsoletas no conceito popular da globaliza&ccedil;&atilde;o,    est&atilde;o longe de acabar, mas passam por uma profunda reformula&ccedil;&atilde;o,    avaliam os pesquisadores. &quot;Conforme v&aacute;rias vezes afirmou o ge&oacute;grafo    Milton Santos – pensador atual que melhor refletiu sobre o tema – da mesma forma    que as fronteiras podem ser um instrumento de coa&ccedil;&atilde;o e controle,    tamb&eacute;m se apresentam como instrumento de prote&ccedil;&atilde;o e de    emancipa&ccedil;&atilde;o das sociedades nacionais&quot;, afirmam.</FONT></p>     <p><font size="3">Pouco comentado, o &quot;muro do M&eacute;xico&quot; (ou &quot;muro    do Imp&eacute;rio&quot;, como preferem alguns) que separa este pa&iacute;s dos    Estados Unidos, vai da praia de Tijuana, no Oceano Pac&iacute;fico, e se estende    sem interrup&ccedil;&atilde;o por toda a fronteira entre os dois pa&iacute;ses    at&eacute; chegar no rio Grande. Come&ccedil;a a 150 metros mar adentro, como    uma arma&ccedil;&atilde;o de 8 metros de altura de barras de a&ccedil;o e concreto,    e se transforma numa linha de alambrados, paredes de concreto ou marcas de pedra.    Alguns pontos estrat&eacute;gicos s&atilde;o vigiados com rigor, usando-se de    c&acirc;meras, luzes e sensores eletr&ocirc;nicos, controlados pela pol&iacute;cia    de fronteira. </FONT></p>     <p><font size="3">Estudos da Universidade de Houston mostram que de 1994 at&eacute;    hoje morreram mais de 2,2 mil pessoas tentando atravessar a fronteira. O ano    de 1994 marca a cria&ccedil;&atilde;o da Operation Gatekeeper, na Calif&oacute;rnia,    especializada na vigil&acirc;ncia da fronteira. At&eacute; aquele ano, o n&uacute;mero    de mortes vinha diminuindo, mas passa a crescer em 1995. Um aumento significativo    &eacute; registrado entre os anos de 1999 e 2000, pulando de 250 para mais de    350 mortes por ano. Em quase 30 anos de hist&oacute;ria, morreram entre 800    e 1 mil pessoas tentando atravessar o muro de Berlim.</FONT></p>     <p><font size="3">Para Castillo e Antas, o muro entre o M&eacute;xico e os Estados    Unidos &eacute; apenas a evid&ecirc;ncia concreta que separa o mundo subdesenvolvido    do desenvolvido de modo geral. &quot;&Eacute; o caso mais grave, pois esse muro    &eacute; uma absolutiza&ccedil;&atilde;o de uma das maiores contradi&ccedil;&otilde;es    do per&iacute;odo atual: a maior concentra&ccedil;&atilde;o de riquezas j&aacute;    havida na hist&oacute;ria. O fato &eacute; que h&aacute;, tamb&eacute;m, um    &quot;muro&quot; entre Brasil e Estados Unidos. E entre n&oacute;s e a Inglaterra,    a Fran&ccedil;a, a Alemanha etc&quot;. Para eles, enquanto a circula&ccedil;&atilde;o    de mercadorias, capitais, informa&ccedil;&otilde;es e fluxos financeiros fica    liberada no contexto atual, a dos homens &eacute; cada vez mais restringida.</FONT></p>     <p><font size="3"><b>MURO &Eacute;TNICO</b> J&aacute; o muro localizado no Oriente    M&eacute;dio, que adentra territ&oacute;rios palestinos ocupados por Israel    teria outra natureza. &quot;Esse &eacute; um muro &eacute;tnico, da recusa de    integra&ccedil;&atilde;o entre povos, da recusa da paz&quot;, dizem os pesquisadores.    Alegando quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, o governo de Israel est&aacute;    construindo uma barreira de mais de 700 km na Cisjord&acirc;nia.</font></p>     <p><font size="3">Com exce&ccedil;&atilde;o do governo norte-americano, as principais    lideran&ccedil;as internacionais t&ecirc;m condenado, com alguma veem&ecirc;ncia,    Israel pela constru&ccedil;&atilde;o do muro. A fronteira que ele estabelece    vai al&eacute;m da chamada &quot;linha verde&quot;, marco internacionalmente    reconhecido como limite de Israel. Em artigo intitulado &quot;Muro, humilha&ccedil;&atilde;o    e roubo&quot;, o ling&uuml;ista e ativista pol&iacute;tico americano de origem    judaica Noam Chomsky questiona os argumentos de seguran&ccedil;a para sua constru&ccedil;&atilde;o.    &quot;O que o muro realmente faz &eacute; tomar terras palestinas&quot;, afirma.    Segundo ele, a &aacute;rea que Israel est&aacute; tomando para si possui os    melhores recursos naturais da regi&atilde;o. Os colonos israelenses instalados    nesse territ&oacute;rio ter&atilde;o garantido o direito de uso da terra; j&aacute;    os palestinos precisar&atilde;o reivindicar o direito de &quot;viverem em suas    pr&oacute;prias casas&quot;, afirma Chomsky. Ap&oacute;s a press&atilde;o internacional,    Israel anunciou que alterar&aacute; o desenho atual do muro, aproximando-o –    mas n&atilde;o o igualando – da &quot;linha verde&quot;.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Rafael Evangelista</b></i></FONT></p>      ]]></body>
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