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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">MUSEUS DE CI&Ecirc;NCIA</font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a03img02.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Latino-americanos: muita criatividade, pouca organiza&ccedil;&atilde;o    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Conten&ccedil;&atilde;o de recursos, pouca organiza&ccedil;&atilde;o,    criatividade de sobra e bons profissionais. Com essa composi&ccedil;&atilde;o    de elementos, os centros e museus de ci&ecirc;ncia latino-americanos logram    organizar exposi&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas, equiparando-se aos maiores    e melhores do mundo. Este &eacute; o cen&aacute;rio tra&ccedil;ado por Julia    Tag&uuml;e&ntilde;a Parga, f&iacute;sica e diretora-executiva da Rede de Populariza&ccedil;&atilde;o    da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia na Am&eacute;rica Latina e Caribe (<I>Rede    Pop</I>). O desafio &eacute; popularizar a ci&ecirc;ncia no segundo continente    com as piores condi&ccedil;&otilde;es do mundo neste setor. H&aacute; 12 anos    &agrave; frente do Museu Universum, do M&eacute;xico, Julia acredita na cultura    cient&iacute;fica como forma de tornar as pessoas mais tolerantes e, assim,    fomentar atividades pac&iacute;ficas. </font></p>     <p><font size="3"><I>Qual &eacute; a vis&atilde;o sobre a inser&ccedil;&atilde;o    da educa&ccedil;&atilde;o no Museu Universum?</I></font></p>     <p><font size="3"><b>JULIA:</b> A concep&ccedil;&atilde;o atual    &eacute; de uma rela&ccedil;&atilde;o muito forte com a educa&ccedil;&atilde;o    informal ou n&atilde;o formal, mesmo nos cursos que s&atilde;o dados nos museus.    O museu permite &agrave;s crian&ccedil;as seguirem um ritmo pessoal de aprendizagem.    A fun&ccedil;&atilde;o do museu &eacute; ser um detonador de interesses, dando-lhes    a informa&ccedil;&atilde;o sobre livros ou atividades complementares. Outro    trabalho importante &eacute; com os adultos que, a partir de uma certa idade,    deixam de ir &agrave; escola e perdem o contato com a ci&ecirc;ncia. A ida ao    museu pode detonar um processo de educa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua. Existem    museus mexicanos que t&ecirc;m conv&ecirc;nios com escolas sem infra-estrutura    e lhes oferecem laborat&oacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>Um museu deve trabalhar a inclus&atilde;o social?</I></font></p>     <p><font size="3">Com os problemas sociais tremendos existentes em nossos pa&iacute;ses,    penso que deve haver programas que saiam dos museus e visitem as comunidades,    organizem projetos e exposi&ccedil;&otilde;es em lugares remotos. Parte do problema    do Brasil e do M&eacute;xico &eacute; que s&atilde;o pa&iacute;ses enormes,    com muitas car&ecirc;ncias e dificuldades de locomo&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o    &eacute; importante existir museus que viajem pelo pa&iacute;s, como projetos    em <I>traillers</I>, que levam exposi&ccedil;&otilde;es at&eacute; regi&otilde;es    mais remotas. S&atilde;o atividades sobretudo divertidas, para popula&ccedil;&otilde;es    que n&atilde;o tem op&ccedil;&otilde;es de lazer. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a12fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I>O que falta para as pessoas chegarem aos museus de ci&ecirc;ncia?    </I></font></p>     <p><font size="3">Uma op&ccedil;&atilde;o &eacute; planejar visitas, como nos    conv&ecirc;nios com as secretarias de educa&ccedil;&atilde;o, que possam ser    inclu&iacute;das em seus planos de atividades. Isso ocorre muito no M&eacute;xico.    Outro caminho &eacute; obter verbas para transporte das crian&ccedil;as de comunidades    carentes aos museus. Al&eacute;m disso, deve-se adequar as visitas para cada    grupo. H&aacute; um movimento muito forte nos museus no sentido de buscar saber    o que o visitante deseja, visando atrair um p&uacute;blico maior. </font></p>     <p><font size="3"><I>Como se d&aacute; o interc&acirc;mbio com a Associa&ccedil;&atilde;o    Norte-Americana de Centros de Ci&ecirc;ncia (ASTC)? </I></font></p>     <p><font size="3">Em geral, as pessoas que trabalham em museus de ci&ecirc;ncia    de qualquer parte do planeta s&atilde;o colaboradoras. Na filosofia de trabalho    est&aacute; impl&iacute;cita a quest&atilde;o da inclus&atilde;o social, que    preocupa todos os museus. Um grande centro de ci&ecirc;ncias &#91;nos EUA, por    exemplo&#93; tem visitantes de diferentes origens e, por isso, h&aacute; interesse    em aprender, conhecer e colaborar com a Am&eacute;rica Latina, justamente para    entender esse tipo de visitante mesclado, que &eacute; nossa caracter&iacute;stica    cont&iacute;nua. Os EUA podem ter menos problemas econ&ocirc;micos, mas t&ecirc;m    grandes problemas de diferen&ccedil;as culturais. Acredito que os processos    de paz mundial t&ecirc;m muito a ver com o conhecer. O conhecimento entre as    pessoas fomenta atividades pac&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="3"><I>Como trabalhar a rela&ccedil;&atilde;o entre arte e ci&ecirc;ncia    na divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica?</I></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Arte e ci&ecirc;ncia t&ecirc;m, em comum, seus processos criativos    e a busca de padr&otilde;es: o cientista os encontra, o artista os cria. A arte    envolve emo&ccedil;&otilde;es e, portanto, quando existe algo de art&iacute;stico    em uma exposi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, ela pode, por meio da emo&ccedil;&atilde;o,    mostrar a ci&ecirc;ncia &agrave;s pessoas de uma outra maneira. </font></p>     <p><font size="3"><I>Os Estados Unidos tendem a usar a linha </i>hands on,<I>    o car&aacute;ter interativo nos museus. Qual o caminho escolhido no Museu Universum?    </i></font></p>     <p><font size="3">Para evitar o perigo das exposi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    serem nada mais do que tocar bot&otilde;es, entendo interatividade num sentido    mais amplo. Para o visitante sentir-se um pouco cientista &eacute; necess&aacute;ria    uma certa atividade e n&atilde;o apenas o observar. A Am&eacute;rica Latina    tem uma originalidade muito particular que se deve cultivar. Os museus norte-americanos,    por exemplo, s&atilde;o parecidos entre si; na Am&eacute;rica Latina, que tem    menos organiza&ccedil;&atilde;o e dinheiro, os museus n&atilde;o se parecem.    O Brasil, por exemplo, tem muitos museus pequenos e essa &eacute; uma boa estrat&eacute;gia,    porque a divulga&ccedil;&atilde;o pode estender-se por diferentes lugares. No    M&eacute;xico seguimos um outro caminho, criando museus mais espetaculares.    Hoje, por&eacute;m, estamos buscando fazer casas de ci&ecirc;ncia e museus um    pouco menores, que abarquem todo o pa&iacute;s. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a12fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I>Dentro dos museus de ci&ecirc;ncias como se d&aacute; o di&aacute;logo    entre o que &eacute; cient&iacute;fico com o que &eacute; cultural? </I></font></p>     <p><font size="3">Deve-se ter componentes culturais, porque ci&ecirc;ncia &eacute;    cultura. Mas temos que ser muito rigorosos e acad&ecirc;micos, no que se acredita    ser conhecimento cient&iacute;fico, porque a pseudoci&ecirc;ncia &eacute; muito    mais f&aacute;cil de transmitir e muito mais popular. Esse &eacute; o fio da    navalha. &Eacute; preciso respeitar o conhecimento tradicional sem cair no charlatanismo.    Como se faz? Com crit&eacute;rio e cuidado para n&atilde;o criticar certo tipo    de vis&atilde;o h&aacute; muito tempo ligadas &agrave; nossa hist&oacute;ria.    Criamos no museu uma se&ccedil;&atilde;o chamada &quot;os conselhos da av&oacute;&quot;,    com conselhos de cozinha que as donas de casa seguem. Isso n&atilde;o &eacute;    pseudoci&ecirc;ncia, &eacute; o que se aprendeu por experi&ecirc;ncia. &Eacute;    preciso, tamb&eacute;m, deixar claro nas exposi&ccedil;&otilde;es que a ci&ecirc;ncia    n&atilde;o &eacute; absoluta e nem est&aacute; terminada. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I> <b>Germana Barata e Daniel Chiozzini</b></I></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a12fig03.gif" border="0" usemap="#Map">    <map name="Map">     <area shape="rect" coords="74,46,164,62" href="http://www.redpop.org" target="_blank">   </map> </p>      ]]></body>
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