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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância de disvutir o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a14img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A IMPORT&Acirc;NCIA DE DISVUTIR O USO DE C&Eacute;LULAS-TRONCO    EMBRION&Aacute;RIAS PARA FINS TERAP&Ecirc;UTICOS</b></font></p>     <p><FONT size="3"><b>Patricia Pranke</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b><font size=5>A</font></b> c&eacute;lula-tronco (CT) &eacute;    definida como a c&eacute;lula com capacidade de gerar diferentes tipos celulares    e reconstituir diversos tecidos. Al&eacute;m disso, a CT apresenta a propriedade    de auto-renova&ccedil;&atilde;o, ou seja, gerar uma c&oacute;pia id&ecirc;ntica    a si mesma. As c&eacute;lulas-tronco podem ser chamadas de "adulta" e "embrion&aacute;ria".    As c&eacute;lulas-tronco adultas (CTA) mais facilmente dispon&iacute;veis e    comumente utilizadas nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    as c&eacute;lulas-tronco hematopo&eacute;ticas, cujas principais fontes s&atilde;o    a medula &oacute;ssea e o sangue de cord&atilde;o umbilical. As c&eacute;lulas-tronco    embrion&aacute;rias (CTE) s&atilde;o definidas por sua origem, e s&atilde;o    derivadas do est&aacute;gio do blastocisto do embri&atilde;o (1). A CTE &eacute;    normalmente utilizada, em alguns pa&iacute;ses, a partir dos blastocistos gerados    em cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o, onde o casal doa, para a pesquisa    com fins terap&ecirc;uticos, os blastocistos n&atilde;o utilizados para a fertiliza&ccedil;&atilde;o    <I>in vitro</I>.</FONT></p>     <p><font size="3">O blastocisto corresponde &agrave;s c&eacute;lulas entre o quarto    e quinto dias ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o, mas antes ainda da implanta&ccedil;&atilde;o    no &uacute;tero, que ocorre a partir do sexto dia (1, 2). O blastocisto compreende    cerca de 150 c&eacute;lulas. Esse est&aacute;gio precede a fase embrion&aacute;ria,    denominada g&aacute;strula, &eacute; considerada uma c&eacute;lula indiferenciada    da fase de m&oacute;rula ou bl&aacute;stula de um embri&atilde;o (3).</font></p>     <p><font size="3">A CTE apresenta grande plasticidade. A propriedade de plasticidade    refere-se &agrave; capacidade da c&eacute;lula em originar diferentes tipos    de tecidos. A grande plasticidade das CTE deve-se ao fato do blastocisto ser    capaz de originar todos os &oacute;rg&atilde;os do corpo humano. Ap&oacute;s    a fecunda&ccedil;&atilde;o, o zigoto divide-se e diferencia-se at&eacute; produzir    um organismo adulto que consiste em mais de 200 tipos de c&eacute;lulas. Entre    esses, neur&ocirc;nios, c&eacute;lulas musculares (mi&oacute;citos), c&eacute;lulas    epiteliais, c&eacute;lulas sang&uuml;&iacute;neas, c&eacute;lulas &oacute;sseas    (oste&oacute;citos), cartilagem (condr&oacute;citos) e outras (4). Sendo assim,    as CTE podem reconstituir qualquer tecido do organismo humano, comprovando que    as CTE s&atilde;o as c&eacute;lulas que mais apresentam plasticidade (5-11).</font></p>     <p><font size="3">Devido a sua grande plasticidade, as CTE t&ecirc;m sido vistas    como a melhor fonte de c&eacute;lulas reconstituidoras de qualquer tecido do    corpo humano. As CTE t&ecirc;m sido usadas na reconstitui&ccedil;&atilde;o de    tecido card&iacute;aco em pacientes que sofreram infarto do mioc&aacute;rdio.    Estudos experimentais t&ecirc;m sido realizados em modelos animais usando-se    as c&eacute;lulas-tronco para doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas, como doen&ccedil;as    de Parkinson ou Alzheimer. A terap&ecirc;utica com essas c&eacute;lulas v&ecirc;m    mostrando ser promissora, uma vez que pesquisas preliminares t&ecirc;m mostrado    o sucesso do uso dessa nova tecnologia. A pesquisa com as CTE tem se tornado    uma esperan&ccedil;a no tratamento da diabetes, na reconstitui&ccedil;&atilde;o    &oacute;ssea e dent&aacute;ria, na regenera&ccedil;&atilde;o de tecido renal    e hep&aacute;tico. Pesquisas com as CTE, ainda, t&ecirc;m sido vistas por muitos    pesquisadores como a mais importante ferramenta na recupera&ccedil;&atilde;o    de pacientes que sofreram les&atilde;o na medula espinhal e hoje vivem em cadeiras    de rodas. O uso cl&iacute;nico das c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias    apresenta-se como a principal esperan&ccedil;a da ci&ecirc;ncia no tratamento    de diversas doen&ccedil;as neuromusculares degenerativas e de in&uacute;meras    outras doen&ccedil;as sem cura at&eacute; o presente momento. </font></p>     <p><font size="3">A nova era na medicina refere-se &agrave; regenera&ccedil;&atilde;o    tecidual baseando-se nos avan&ccedil;os dos estudos com as c&eacute;lulas-tronco.    Essa nova terapia promete revolucionar a medicina do futuro. No entanto, o uso    das CTE tem causado pol&ecirc;mica ao redor do mundo. O maior questionamento    &eacute;tico refere-se &agrave; necessidade de destruir os embri&otilde;es humanos    para trabalhar com as CTE. Devido ao fato de muitas pessoas considerarem que    a vida humana come&ccedil;a no momento da concep&ccedil;&atilde;o, in&uacute;meros    autores mostram-se contra a utiliza&ccedil;&atilde;o das CTE (12, 13) e questionam    a necessidade do uso das mesmas, sugerindo que as CTA poderiam substitu&iacute;-las    (14-23). Se as CTA apresentassem a mesma plasticidade das CTE, n&atilde;o haveria    mais necessidade de usar essas &uacute;ltimas, evitando a pol&ecirc;mica em    torno de seu uso na terapia regenerativa. No entanto, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; plasticidade das CTA, os resultados s&atilde;o ainda confusos e controversos.    Muitos estudos mostram que a plasticidade das CTA &eacute; uma esperan&ccedil;a    crescente (24-29), enquanto v&aacute;rios outros questionam a sua plasticidade    (10, 30-38). Al&eacute;m disso, outros trabalhos mostram que as CTA apresentam    problemas como o fato dessas c&eacute;lulas n&atilde;o crescerem bem em cultura    ou apresentarem maiores problemas de compatibilidade (5, 11). Outra vantagem    das CTE, quando comparadas com as CTA, &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o a telomerase,    a enzima que restaura os tel&ocirc;meros, a parte final do DNA, o que controla    o n&uacute;mero de vezes que as c&eacute;lulas podem se dividir. A telomerase    est&aacute; presente em grandes concentra&ccedil;&otilde;es nas CTE, mas n&atilde;o    nas CTA. Sendo assim, nas CTA os tel&ocirc;meros est&atilde;o encurtados o que    limita a capacidade de prolifera&ccedil;&atilde;o celular (39). Em outras palavras,    as c&eacute;lulas s&atilde;o mais velhas e, portanto, t&ecirc;m uma vida mais    curta. Devido a esses fatores, muitos pesquisadores acham necess&aacute;rio    estudar as CTE, frente a incerteza da plasticidade das CTA e de sua capacidade    regenerativa, pois apenas atrav&eacute;s da pesquisa as respostas a essas perguntas    ser&atilde;o obtidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A pol&ecirc;mica em rela&ccedil;&atilde;o ao uso do blastocisto    como fonte de c&eacute;lulas-tronco para fins terap&ecirc;uticos baseia-se no    fato dessas c&eacute;lulas serem ou n&atilde;o consideradas com o status de    um ser humano, ou seja, se esse embri&atilde;o j&aacute; pode ser considerado    como sendo uma pessoa ou n&atilde;o. A pesquisa com CTE visa utilizar principalmente    o blastocisto como fonte dessas c&eacute;lulas. O embri&atilde;o &eacute; a    denomina&ccedil;&atilde;o dada durante as oito primeiras semanas de desenvolvimento,    ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o. Muitos n&atilde;o reconhecem que o embri&atilde;o,    especialmente nos est&aacute;gios iniciais, seja uma pessoa. Com esta finalidade    foi proposta a denomina&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;-embri&atilde;o (40).</font></p>     <p><font size="3">Sendo assim, pr&eacute;-embri&atilde;o tem sido o termo usado    para caracterizar as c&eacute;lulas at&eacute; o est&aacute;gio de blastocisto.    O pr&eacute;-embri&atilde;o caracteriza os primeiros cinco dias de desenvolvimento    embrion&aacute;rio, isto &eacute;, desde a fecunda&ccedil;&atilde;o at&eacute;    a implanta&ccedil;&atilde;o no &uacute;tero. A justificativa para a utiliza&ccedil;&atilde;o    do termo pr&eacute;-embri&atilde;o &eacute; a de que in&uacute;meros &oacute;vulos    fecundados s&atilde;o eliminados naturalmente antes de se implantarem no &uacute;tero.    O termo embri&atilde;o, portanto, seria aplicado apenas &agrave;queles que j&aacute;    estivessem nidados no endom&eacute;trio materno (40). De acordo com o relat&oacute;rio    Warnock, por sua vez, a denomina&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;-embri&atilde;o    &eacute; utilizada at&eacute; o 14º dia ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o    (41), <I><a href="http://www.bioetica.ufrgs.br/clone.htm" target="_blank">www.bioetica.ufrgs.br/clone.htm</a></I>,    quando come&ccedil;a o desenvolvimento do sistema nervoso central. Sendo assim,    muitos comit&ecirc;s &eacute;ticos permitem sua pesquisa, adotando a denomina&ccedil;&atilde;o    de pr&eacute;-embri&otilde;es para diferenci&aacute;-los dos embri&otilde;es,    com os quais certos procedimentos n&atilde;o podem ser realizados (41).</font></p>     <p><font size="3">Parece que a pergunta mais importante &eacute;: quando o ser    humano passa a existir como um indiv&iacute;duo com direitos civis? Existem    basicamente tr&ecirc;s linhas de pensamento para essa quest&atilde;o. Para os    que pensam que a vida humana come&ccedil;a no momento da fertiliza&ccedil;&atilde;o,    o embri&atilde;o tem os mesmos direitos que uma pessoa, &eacute; merecedor de    todo respeito e deve ser protegido como tal, pois possui os mesmos direitos    &eacute;ticos e civis de qualquer ser humano. Os que consideram o embri&atilde;o    (ou pr&eacute;-embri&atilde;o) apenas como um conjunto de c&eacute;lulas, julgam    que ele n&atilde;o merece nenhuma diferen&ccedil;a de tratamento que qualquer    outro grupo celular (42). H&aacute; ainda quem se posicione de forma intermedi&aacute;ria,    defendendo que o pr&eacute;-embri&atilde;o, embora seja um organismo vivo, tem    status especial, mas n&atilde;o tem o status de um ser humano, por isso n&atilde;o    se justifica proteg&ecirc;-lo como a uma pessoa (40, 42). </font></p>     <p><font size="3">Muitos acreditam que a partir da fecunda&ccedil;&atilde;o j&aacute;    deve ser considerado um ser humano, uma vez que essas c&eacute;lulas, no ambiente    uterino, iriam gerar um ser humano. Mas outra quest&atilde;o pol&ecirc;mica    seria: a vida &eacute; o &oacute;vulo e o espermatoz&oacute;ide ou a vida &eacute;    o &oacute;vulo, o espermatoz&oacute;ide e o &uacute;tero (ou seja: o ambiente    apropriado)? Olhando por esse ponto de vista, as CTE n&atilde;o deveriam ser    consideradas como um ser humano uma vez que, se essas c&eacute;lulas fossem    implantadas em um cora&ccedil;&atilde;o danificado, por exemplo, seriam as c&eacute;lulas    card&iacute;acas a serem geradas e n&atilde;o uma crian&ccedil;a que nascer&aacute;    naquele cora&ccedil;&atilde;o. Assim ocorre com qualquer outro tecido que receba    essas c&eacute;lulas. Ou seja, seria o ambiente que modula o destino dessas    c&eacute;lulas o diferencial para serem ou n&atilde;o consideradas como um ser    humano? Em recente publica&ccedil;&atilde;o, o livro <I>&Eacute;tica em pesquisa:    reflex&otilde;es</I> apresenta cita&ccedil;&otilde;es que podem vir ao encontro    dessa observa&ccedil;&atilde;o: "Se a fertiliza&ccedil;&atilde;o ocorrer em    laborat&oacute;rio, o conjunto de c&eacute;lulas pr&eacute;-embrion&aacute;rias    dever&aacute; ser implantado no &uacute;tero materno para continuar desenvolvendo-se";    "O embri&atilde;o somente continuar&aacute; desenvolvendo-se se for implantado    no &uacute;tero materno mas, se isso n&atilde;o ocorrer, aquelas c&eacute;lulas    com potencial biol&oacute;gico para virem a ser uma pessoa morrer&atilde;o no    laborat&oacute;rio"; "O zigoto j&aacute; apresenta autonomia biol&oacute;gica    de vida, ou seja, pode vir a ser um indiv&iacute;duo pleno, desde que se desenvolva    em um ambiente apropriado" (43).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a17fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outra quest&atilde;o pol&ecirc;mica e sem uma solu&ccedil;&atilde;o    ainda clara &eacute; o destino que se d&aacute; aos embri&otilde;es (ou pr&eacute;-embri&otilde;es)    que est&atilde;o congelados nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o    e que n&atilde;o foram (ou n&atilde;o ser&atilde;o) utilizados pelos casais    para a reprodu&ccedil;&atilde;o. O prazo m&aacute;ximo de armazenamento desses    pr&eacute;-embri&otilde;es nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o,    sugerido pelo Relat&oacute;rio Warnock, &eacute; de at&eacute; cinco anos ap&oacute;s    o in&iacute;cio do congelamento (40). O Conselho Federal de Medicina no Brasil    recomenda que os embri&otilde;es n&atilde;o devem ser implantados ap&oacute;s    quatro anos de congelamento. Esse fato tem gerado pol&ecirc;mica ao redor do    mundo quando os primeiros prazos de armazenamento venceram. Por exemplo, em    1996, na Inglaterra, houve um debate mundial sobre a obrigatoriedade de que    todos os embri&otilde;es ingleses congelados fossem destru&iacute;dos, o que    efetivamente foi feito. Na Espanha, estima-se que j&aacute; existam mais de    1 mil embri&otilde;es que deviam ser igualmente destru&iacute;dos (40).</font></p>     <p><font size="3">A destrui&ccedil;&atilde;o desses embri&otilde;es &eacute; apenas    uma das alternativas. A sua utiliza&ccedil;&atilde;o em procedimentos com casais    est&eacute;reis (doa&ccedil;&atilde;o de embri&atilde;o) ou em projetos de pesquisa    s&atilde;o outras alternativas (40). Sendo que no Brasil o n&uacute;mero de    crian&ccedil;as carentes &agrave; espera de ado&ccedil;&atilde;o &eacute; enorme,    a primeira alternativa n&atilde;o tem sido vista como uma forma de solucionar    o problema. Por outro lado, segundo citado em<I> &Eacute;tica em pesquisa: reflex&otilde;es</I>    muitos pesquisadores s&eacute;rios t&ecirc;m se posicionado a favor do uso desses    embri&otilde;es em pesquisas, desde que o prazo para a implanta&ccedil;&atilde;o    j&aacute; tenha vencido. "Dessa forma seria dada uma utilidade a essas c&eacute;lulas    que seriam descartadas por for&ccedil;a da lei, devido ao vencimento do prazo    de validade para a implanta&ccedil;&atilde;o" (40). Al&eacute;m disso, estipular    um "prazo de validade" significa admitir que essas c&eacute;lulas n&atilde;o    s&atilde;o adequadas para o implante intra-uterino. Sendo assim, proibir a utiliza&ccedil;&atilde;o,    para fins terap&ecirc;uticos, dos embri&otilde;es congelados que ser&atilde;o    (ou j&aacute; est&atilde;o sendo) destru&iacute;dos, pode ser comparada &agrave;    proibi&ccedil;&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os    de cad&aacute;veres para a doa&ccedil;&atilde;o. Manter esses pr&eacute;-embri&otilde;es    congelados para sempre nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o &eacute;    uma utopia. Se existe um prazo de validade, essas c&eacute;lulas estariam sendo    condenadas &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o, sem que um destino digno lhes    seja dado. Apesar de muitos casais ainda terem d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o    ao destino que deve ser dado aos pr&eacute;-embri&otilde;es congelados (44),    em recente pesquisa realizada entre casais que t&ecirc;m embri&otilde;es congelados    nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o na Su&eacute;cia, 92% desses    preferem do&aacute;-los para a pesquisa com c&eacute;lulas-tronco em lugar de    descart&aacute;-los (45). </font></p>     <p><font size="3">Um dos fatos que gerou uma grande pol&ecirc;mica na sociedade    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das CTE para fins    terap&ecirc;uticos, &eacute; que outros pesquisadores defendem a gera&ccedil;&atilde;o    de embri&otilde;es especificamente com essa finalidade, inclusive com a compra    de &oacute;vulos e s&ecirc;men para realizar esse tipo de pesquisas, com o consentimento    dos indiv&iacute;duos que venderam seus materiais biol&oacute;gicos (40). Produzir    embri&otilde;es (ou pr&eacute;-embri&otilde;es) em laborat&oacute;rio com o    objetivo &uacute;nico de utiliz&aacute;-los para a pesquisa terap&ecirc;utica    tem sido considerado por muitos como anti&eacute;tico e, ainda mais conden&aacute;vel,    se o objetivo for o lucro atrav&eacute;s do com&eacute;rcio de embri&otilde;es    (12-14, 19, 20, 23). No entanto, certamente os pr&eacute;-embri&otilde;es que    foram desenvolvidos com o objetivo de reprodu&ccedil;&atilde;o, mas que sobraram    e est&atilde;o congelados nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o ter&atilde;o outro destino sen&atilde;o serem destru&iacute;dos.    Permitir a destrui&ccedil;&atilde;o desses pr&eacute;-embri&otilde;es, enquanto    poderiam ser usados na pesquisa cl&iacute;nica com o intuito de salvar vidas,    pode igualmente ser visto como um desperd&iacute;cio. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os, quando ocorre    a chamada "morte cerebral", &eacute; considerada como um ato altru&iacute;sta    e nobre em in&uacute;meros pa&iacute;ses ocidentais. Se a morte encef&aacute;lica    &eacute; inquestionavelmente considerada como o fim da vida, muitos pesquisadores    consideram que o in&iacute;cio da vida humana tamb&eacute;m devesse seguir o    mesmo crit&eacute;rio, ou seja: o in&iacute;cio da atividade cerebral. O termo    pr&eacute;-embri&atilde;o tem sido utilizado por muitos como esse marco, j&aacute;    que &eacute; ap&oacute;s o 14º dia que as primeiras c&eacute;lulas do sistema    nervoso come&ccedil;am a se desenvolver (46). Sendo assim, os pr&eacute;-embri&otilde;es    congelados nas cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o que ser&atilde;o    destru&iacute;dos porque n&atilde;o ser&atilde;o mais utilizados ou por haver    ultrapassado o "prazo de validade", seriam vistos como doadores de &oacute;rg&atilde;o,    j&aacute; que est&atilde;o tendo um status de "n&atilde;o atividade cerebral".    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a17fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Duas outras situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bastante controversas,    gerando pol&ecirc;mica e discuss&atilde;o ao redor do mundo. Em diversos pa&iacute;ses,    incluindo o Brasil, o uso do dispositivo intra-uterino (DIU) e da p&iacute;lula    do dia seguinte s&atilde;o facilmente aceitas, mas a utiliza&ccedil;&atilde;o    dos pr&eacute;-embri&otilde;es, como fonte de c&eacute;lulas-tronco para a pesquisa    e a cl&iacute;nica, n&atilde;o. Essas situa&ccedil;&otilde;es parecem contradit&oacute;rias    uma vez que se referem &agrave;s mesmas c&eacute;lulas. O DIU de progesterona    impede a implanta&ccedil;&atilde;o do blastocisto no &uacute;tero. Uma vez que    a implanta&ccedil;&atilde;o ocorre a partir do sexto dia, o blastocisto seria    quem estaria sendo destru&iacute;do atrav&eacute;s desse m&eacute;todo contraceptivo.    A p&iacute;lula do dia seguinte destr&oacute;i as c&eacute;lulas at&eacute;    72 horas ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o. Portanto, os dois m&eacute;todos    estariam destruindo as c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias, tanto quanto    como se essas c&eacute;lulas, j&aacute; produzidas e congeladas, fossem utilizadas    para a pesquisa cl&iacute;nica. Certamente a sociedade est&aacute; diante de    um dilema. Se o conjunto de c&eacute;lulas &eacute; considerado como um ser    humano desde a fecunda&ccedil;&atilde;o, antes ainda da implanta&ccedil;&atilde;o    no &uacute;tero, se deveria proibir o DIU, a p&iacute;lula do dia seguinte e    o congelamento dos embri&otilde;es. Al&eacute;m disso, mesmo que o congelamento    de embri&otilde;es seja proibido, algum destino deve ser dado aos milhares de    pr&eacute;-embri&otilde;es que j&aacute; est&atilde;o congelados nas cl&iacute;nicas    de fertiliza&ccedil;&atilde;o do Brasil e do mundo. </font></p>     <p><font size="3">Muitos s&atilde;o os pa&iacute;ses onde a pesquisa e tratamento    com as c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias s&atilde;o permitidos e t&ecirc;m    mostrado resultados promissores. Pa&iacute;ses como Austr&aacute;lia, Canad&aacute;,    Israel, Jap&atilde;o, centros de pesquisas do setor privado nos Estados Unidos,    e v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa, como Inglaterra e Su&eacute;cia, entre    outros, j&aacute; est&atilde;o desenvolvendo pesquisas com essas c&eacute;lulas.    No Brasil, ainda n&atilde;o est&aacute; claro o que acontecer&aacute; com as    pesquisas. </font></p>     <p><font size="3">Em 28 de agosto de 2003 foi realizado, no Hospital de Cl&iacute;nicas    de Porto Alegre, o evento: "Discuss&atilde;o sobre pesquisa utilizando c&eacute;lulas-tronco    embrion&aacute;rias humanas", onde foram debatidas quest&otilde;es &eacute;ticas    sobre o uso ou n&atilde;o das c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias para    a pesquisa com fins terap&ecirc;uticos. Um dos objetivos do evento foi esclarecer    a comunidade em geral sobre o assunto, para que cada cidad&atilde;o possa ter    sua opini&atilde;o a respeito da quest&atilde;o. Foram abordados os seguintes    t&oacute;picos: o que &eacute; c&eacute;lula-tronco; sua poss&iacute;vel utiliza&ccedil;&atilde;o    em pesquisa e na atividade cl&iacute;nica; legisla&ccedil;&atilde;o brasileira    sobre o assunto; quest&otilde;es &eacute;ticas envolvidas; entre outros. O evento    contou com a participa&ccedil;&atilde;o de diversos pesquisadores e profissionais    da &aacute;rea da sa&uacute;de, da &eacute;tica, da &aacute;rea jur&iacute;dica,    bem como representantes do governo federal na &aacute;rea da sa&uacute;de. A    discuss&atilde;o foi aberta a todos os participantes. No final houve uma pesquisa    interativa, onde o p&uacute;blico participou emitindo sua opini&atilde;o sobre    o assunto. Dentre algumas quest&otilde;es colocadas nessa pesquisa, destacamos    a seguir os resultados mais interessantes. Os dados referem-se &agrave; pesquisa    realizada com 223 pessoas participantes do evento.</font></p>     <p><font size="3">Quando questionados se "a destrui&ccedil;&atilde;o do blastocisto,    independentemente dos fins, era o aniquilamento de uma vida", 25,8% entre os    participantes responderam que sim, enquanto 74,2% responderam que n&atilde;o.    Ao serem questionados: "a partir de que momento do desenvolvimento humano passa    a existir uma vida com direitos", 22,3% responderam que desde o momento da concep&ccedil;&atilde;o,    59,2% responderam que depois da implanta&ccedil;&atilde;o no &uacute;tero (ap&oacute;s    o 6º dia depois da concep&ccedil;&atilde;o), 9,7% achavam que a partir do 3º    m&ecirc;s ap&oacute;s a concep&ccedil;&atilde;o, 7,8% consideravam que era apenas    ap&oacute;s o nascimento e, ainda, 1% respondeu que seria na adolesc&ecirc;ncia.    Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; opini&atilde;o dos participantes quanto ao    uso das c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias para pesquisa com fins terap&ecirc;uticos,    41,0% dos participantes achavam adequado produzir embri&otilde;es (ou pr&eacute;-embri&otilde;es)    especificamente para pesquisa ou uso cl&iacute;nico, enquanto que 59,0% n&atilde;o    achavam adequado a produ&ccedil;&atilde;o dos pr&eacute;-embri&otilde;es para    esse fim. Quando questionados sobre se era ou n&atilde;o adequado utilizar,    para pesquisas cient&iacute;ficas, os embri&otilde;es (ou pr&eacute;-embri&otilde;es)    j&aacute; congelados e n&atilde;o utilizados para a reprodu&ccedil;&atilde;o,    88,1% dos participantes responderam que sim, enquanto 11,9% responderam que    n&atilde;o. Outro interessante resultado foi obtido quando foi questionada a    opini&atilde;o dos participantes em rela&ccedil;&atilde;o ao destino que deveria    ser dado aos pr&eacute;-embri&otilde;es que est&atilde;o congelados nas cl&iacute;nicas    de fertiliza&ccedil;&atilde;o: 12,6% responderam que os mesmos deveriam ser    doados para casais que desejariam ter filhos, 2,1% acham que deveriam ser implantados    em mulheres "barrigas de aluguel" para, ap&oacute;s, os rec&eacute;m-nascidos    serem adotados, 1,1% pensam que os pr&eacute;-embri&otilde;es deveriam ser destru&iacute;dos,    82,1% responderam que esses pr&eacute;-embri&otilde;es deveriam ser utilizados    para pesquisa com fins terap&ecirc;uticos, enquanto que 2,1% acham que os mesmos    deveriam permanecer congelados "para sempre". Essa &uacute;ltima op&ccedil;&atilde;o    foi dada aos participantes para entender a opini&atilde;o dos mesmos, embora    se saiba que essa op&ccedil;&atilde;o seja ut&oacute;pica, pois n&atilde;o h&aacute;    qualquer forma de garantia que os pr&eacute;-embri&otilde;es poderiam permanecer    congelados por longo per&iacute;odo de tempo. Por fim, quando os participantes    foram questionados com a pergunta: " o que faria se tivesse um filho, um parente    pr&oacute;ximo ou uma pessoa querida afetado por uma doen&ccedil;a degenerativa    letal cuja &uacute;nica esperan&ccedil;a de tratamento fosse com c&eacute;lulas-tronco    de um embri&atilde;o congelado a ser descartado", 1,1% dos participantes respondeu    que deixaria essa pessoa morrer mesmo sabendo que esse embri&atilde;o congelado    teria uma chance de menos de 5% de tornar-se uma vida, 6,8% dos entrevistados    responderam que "se fosse meu filho a minha decis&atilde;o poderia ser diferente    da op&ccedil;&atilde;o citada anteriormente", 73,9% afirmaram que usariam as    c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias sem questionar e 18,2% dos entrevistados    responderam que produziriam embri&otilde;es para tentar a cura da doen&ccedil;a    do filho ou pessoa querida. A mesma pesquisa pode ser realizada acessando-se    o site: <I><a href="http://www.ufrgs.br/celulastronco" target="_blank">www.ufrgs.br/celulastronco</a></I>,    que foi divulgado atrav&eacute;s de uma reportagem sobre o evento na &eacute;poca,    publicada em jornal local. Os resultados da pesquisa do site diferem, em algumas    quest&otilde;es, dos obtidos com os participantes do evento. Esse fato refor&ccedil;a    a import&acirc;ncia da comunidade ter suas d&uacute;vidas esclarecidas e obter    conhecimento adequado para formar opini&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a    quest&otilde;es desta natureza. </font></p>     <p><font size="3">Como visto, o assunto &eacute; muito pol&ecirc;mico e tem gerado    discuss&atilde;o em diversos pa&iacute;ses do mundo. Independentemente das pessoas    serem a favor ou contra esse tipo de pesquisa no Brasil, o assunto deve ser    debatido e a comunidade em geral deve ser adequadamente esclarecida, para que    a mesma possa emitir sua opini&atilde;o sobre o assunto e ser ouvida pelos &oacute;rg&atilde;os    competentes. A lei deve ser clara para evitar a utiliza&ccedil;&atilde;o dessas    c&eacute;lulas sem a seriedade necess&aacute;ria. </font></p>     <p><font size="3">Mais do que uma quest&atilde;o cient&iacute;fica, religiosa    ou pol&iacute;tica, essa &eacute; uma quest&atilde;o filos&oacute;fica. &Eacute;    &oacute;bvio que os cientistas dos diversos pa&iacute;ses que realizam pesquisas    com blastocistos n&atilde;o acreditam que est&atilde;o destruindo vidas, pois    seu objetivo &eacute; justamente salvar vidas. Ao lado dessa discuss&atilde;o    filos&oacute;fica, focando o aspecto cient&iacute;fico, a possibilidade de pesquisa    e uso cl&iacute;nico das c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias a partir    do blastocisto, pode ser a &uacute;nica chance de salvar a vida de in&uacute;meros    pacientes que sofrem de doen&ccedil;as incur&aacute;veis e que t&ecirc;m nessas    pesquisas a &uacute;nica esperan&ccedil;a de sobrevida. Sendo assim, &eacute;    importante que seja debatida a possibilidade do uso dessas c&eacute;lulas do    ponto de vista &eacute;tico e clinicamente eficaz. O destino a ser dado &agrave;s    CT embrion&aacute;rias, ou pr&eacute;-embri&otilde;es congelados, deve ser discutido.    Al&eacute;m disso, deve ser considerada a possibilidade da utiliza&ccedil;&atilde;o    dessas c&eacute;lulas no desenvolvimento de pesquisas que possam vir a ajudar    no tratamento de diferentes enfermidades. S&oacute; atrav&eacute;s da discuss&atilde;o    e conscientiza&ccedil;&atilde;o da comunidade poderemos constituir uma sociedade    onde a &eacute;tica e a ci&ecirc;ncia poder&atilde;o caminhar na mesma dire&ccedil;&atilde;o    para a constru&ccedil;&atilde;o de um futuro melhor. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Patricia Pranke</b> &eacute; farmac&ecirc;utica e professora    de hematologia da Faculdade de Farm&aacute;cia da UFRGS e PUCRS. &Eacute; professora    e pesquisadora do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em medicina:    ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas – UFRGS, com doutorado na UFRGS e no Banco de    Sangue de Cord&atilde;o Umbilical, New York Blood Center.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></p>     <p><font size="3">1. Kirschstein, R. and Skirboll, L. "Stem Cells: Scientific    Progress and Future Research Directions. The Embryonic Stem Cell". Report prepared    by National Institutes of Health. 2001b.</FONT></p>     <p><font size="3"> <a href="http://stemcells.nih.gov/stemcell/pdfs/chapter2.pdf" target="_blank"><i>http://stemcells.nih.gov/stemcell/pdfs/chapter2.pdf</i></a>    </FONT></p>     <p><font size="3">2. Moore, K.L., Persaud, T.V.N. e Shiota, K. <i>Color atlas    of clinical embryology</i>. Chapter 1: "The First Two Weeks of Human Development".    W.B.Saunders Company. Philadelphia, London. New york, St. Louis, Sydney, Toronto,    p&aacute;g.: 1-12. 2000.</FONT></p>     <p><font size="3">3. Rey, L. <i>Dicion&aacute;rio de termos t&eacute;cnicos de    medicina e sa&uacute;de</i>. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, pags    99-100. 1999. </FONT></p>     <p><font size="3">4. Kirschstein, R. and Skirboll, L. "Stem Cells: Scientific    Progress and Future Research Directions. The Stem Cell". Report prepared by    National Institutes of Health. 2001a. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> <a href="http://stemcells.nih.gov/stemcell/pdfs/chapter1.pdf" target="_blank"><i>http://stemcells.nih.gov/stemcell/pdfs/chapter1.pdf</i></a>    </FONT></p>     <p><font size="3">5. "Human embryonic stem cell lines: socio-legal concerns and    therapeutic promise". C R Biol, 325 (10): 1009-1012. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">6. "Human embryonic stem cells" <i>J Cell Sci</i>, 113 (Pt 1):    5-10. 2000.</FONT></p>     <p><font size="3">7. "Human pluripotent stem cells: a progress report" <i>Curr    Opin Genet Dev</i>,11 (5): 595-599. 2001.</FONT></p>     <p><font size="3">8. "Neural progenitors from human embryonic stem cells" <i>Nat    Biotechnol</i>, 19 (12): 1134-1140. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">9. "Potential benefits of cell cloning for human medicine".    <i>Reprod Fertil Dev</i>, 10 (1): 121-125. 1998</FONT></p>     <p><font size="3">10. Wurmser, A.E., Gage, F.H. "Stem cells: cell fusion causes    confusion". <i>Nature</i>, 416: 485–487. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">11. "Embryonic stem cells and potency to induce transplantation    tolerance". <i>Expert Opin Biol Ther</i>, 3 (1): 5-13. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">12. "Stem cell research in Germany: ethics of healing vs. human    dignity". <i>Med Health Care Philos</i>, 6 (1): 5-16. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">13. "Stem cell research need not be carried out utilizing human    embryos". <i>Reprod Biomed Online</i>, 6 (2): 168-169. 2003.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">14. "Ethical issues in stem cell research". <i>Med J Malaysia</i>,    58 Suppl A:111-8. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">15. "Potential of embryonic and adult stem cells in vitro".    <i>Biol Chem</i>, 384 (10-11): 1391-409. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">16. "Early human development: new data raise important embryological    and ethical questions relevant for stem cell research". <i>Naturwissenschaften</i>,91    (1): 1-21. 2004.</FONT></p>     <p><font size="3">17. "Bioterrorism, embryonic stem cells, and Frankenstein".    <i>J Relig Health</i>, 41 (2): 305-309. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">18. "Stem Cell Transplantation and Ethics: A European Overview".    <i>Fetal Diagn Ther</i>, 19 (2): 113-118. 2004.</FONT></p>     <p><font size="3">19. "Ethical questions of the human embryonic stem cells research".    <i>Rinsho Shinkeigaku</i>, 42 (11): 1147-1148. 2002. </FONT></p>     <p><font size="3">20. "Ethical consideration of experimentation using living human    embryos: the Catholic Church's position on human embryonic stem cell research    and human cloning". <i>Clin Exp Obstet Gynecol</i>, 30 (2-3): 77-81. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">21. "The ethics of cloning and human embryo research". <i>Princet    J Bioeth</i>, 5: 25-36. 2002. </FONT></p>     <p><font size="3">22. "Human embryonic stem cell therapy". <i>Theol Stud</i>,    62 (4): 811-824. 2001.</FONT></p>     <p><font size="3">23. "Human embryonic stem cell research: an ethical controversy    in the US &amp; Germany". <i>Biomed Sci Instrum</i>, 39: 567-572. 2003.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">24. "Recipes for adult stem cell plasticity: fusion cuisine    or readymade?" <i>J Clin Pathol</i>, 57 (2):113-120. 2004.</FONT></p>     <p><font size="3">25. Holden, C., Vogel, G. "Plasticity: time for a reappraisal?"    <i>Science</i>, 296: 2126–2129. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">26. "Hematopoietic stem cells: can old cells learn new tricks?"    <i>J Leukoc Bio</i>, 73 (5): 547-555. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">27. "Plastic adult stem cells: will they graduate from the school    of hard knocks?" <i>J Cell Sci</i>, 116 (Pt 4): 599-603. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">28. "Plasticity of adult stem cells". <i>Transfus Clin Biol</i>,    10 (3): 103-108. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">29. Theise, N.D., Krause, D.S., Sharkis, S. Comment on "Little    evidence for developmental plasticity of adult hematopoietic stem cells". <i>Science</i>,    299 (5611): 1317a. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">30. "Stem cell plasticity or fusion: two approaches to targeted    cell therapy". <i>Blood Cells Mol Dis</i>, 32 (1): 65-67. 2004.</FONT></p>     <p><font size="3">31. DeWitt, N., Knight, J. "Biologists question adult stem-cell    versatility" <i>Nature</i>, 416: 354. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">32. Wells, W.A. "Is transdifferentiation in trouble?". <i>J    Cell Biol</i>, 157: 15–18. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">33. "Stem cell plasticity: an overview". <i>Blood Cells Mol    Dis</i>, 32 (1): 1-4. 2004.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">34. "Plasticity of adult stem cells". <i>Transfus Clin Biol</i>,    10 (3): 103-108. 2003. </FONT></p>     <p><font size="3">35. "Stem cell colloquy: conclusion". <i>C R Biol</i>, 325 (10):    1065-1071. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">36. "Little evidence for developmental plasticity of adult hematopoietic    stem cells. <i>Science</i>, 297 (5590): 2256-2259. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">37. "Smooth muscle cells, but not myocytes, of host origin in    transplanted human hearts" <i>Circulation</i>, 106 (1): 17-19. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">38. "The new stem cell biology: something for everyone" <i>Mol    Pathol</i>, 56 (2): 86-96. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">39. "Stem cells: hype and reality. Hematology" <i>Am Soc Hematol    Educ Program</i>, 369-391. 2002.</FONT></p>     <p><font size="3">40. Goldim, J.R. "O que &eacute; o embri&atilde;o". In: Kipper,    D.J., Marques, C.C., Feij&oacute;, A. <i>&Eacute;tica em pesquisa: reflex&otilde;es</i>.    Edipucrs, Porto Alegre, p&aacute;g.: 55-59. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">41. Matte, U. "Pesquisa envolvendo o uso de c&eacute;lulas-tronco    embrion&aacute;rias". <i>In:</i> Kipper, D.J., Marques, C.C., Feij&oacute;,    A. <i>&Eacute;tica em pesquisa: reflex&otilde;es</i>. Edipucrs, Porto Alegre,    p&aacute;g.: 81-87. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">42. Badalotti, M. "Uso de embri&otilde;es humanos na cl&iacute;nica    e na pesquisa". <i>In:</i> Kipper, D.J., Marques, C.C., Feij&oacute;, A. <i>&Eacute;tica    em pesquisa: reflex&otilde;es</i>. Edipucrs, Porto Alegre, p&aacute;g.: 89-105.    2003</FONT></p>     <p><font size="3">43. Alho, C.S. "Esclarecendo algumas quest&otilde;es sobre embri&otilde;es    humanos clonados". In: Kipper, D.J., Marques, C.C., Feij&oacute;, A. <i>&Eacute;tica    em pesquisa: reflex&otilde;es</i>. Edipucrs, Porto Alegre, p&aacute;g.61-69.    2003.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">44. "Embryo donation for medical research: attitudes and concerns    of potential donors". <i>Hum Reprod</i>, 18 (4): 871-877. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">45. "Donation of embryos for stem cell research--how many couples    consent?" <i>Hum Reprod</i>, 18 (6): 1353-1355. 2003.</FONT></p>     <p><font size="3">46. Valentim Neto, J.G., Falavigna, A. <i>Neuroanatomia. Tomo    II. Embriologia do sistema nervoso</i>. Edipucrs, Porto Alegre, p&aacute;g.    27. 2003. </FONT></p>      ]]></body>
</article>
