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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a14img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>CLONAGEM: UMA CHANCE &Agrave; VIDA </b></font></p>     <p><FONT size="3"><b>Munira Tanezi Guilhon e S&aacute;</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b><font size=5>A</font></b> clonagem &eacute; tema recorrente    na literatura, faz parte do imagin&aacute;rio da sociedade muito antes mesmo    das descobertas cient&iacute;ficas. </FONT></p>     <p><font size="3"> Digamos que o homem consiga. C&oacute;pias intermin&aacute;veis    de outros homens a perambular mundo afora. Einstein, Newton, Leonardo da Vinci,    Michelangelo em plena contemporaneidade. Ainda assim seriam apenas fisicamente    iguais, pois a alma, fonte motora dos atos humanos, independe da materialidade    do corpo. </FONT></p>     <p><font size="3">Diga-nos ent&atilde;o, o porqu&ecirc; da clonagem reprodutiva?</font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o temos tempo para isso!</font></p>     <p><font size="3">Nossa luta &eacute; a nossa verdade, lutamos pela e n&atilde;o    contra a vida. N&atilde;o ousar&iacute;amos sequer pensar que para salvar dever&iacute;amos    destruir. Seria a nega&ccedil;&atilde;o de nossa pr&oacute;pria verdade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Passamos todos os segundos de nossas vidas tentando conter entre    as m&atilde;os um punhado de &aacute;gua que cisma em escorrer pelos dedos.</font></p>     <p><font size="3"><b>VOC&Ecirc;S J&Aacute; TENTARAM, ENTRE AS M&Atilde;OS, SEGURAR    UMPUNHADO DE &Aacute;GUA?</b> Por mais que voc&ecirc; fa&ccedil;a, lentamente    ela se vai. Por vezes, mal respiramos com medo de derramar um pouco mais. Mas    mesmo assim, ela se vai...</font></p>     <p><font size="3">E assim permanecemos durante anos, at&eacute; que o primeiro    relato de utiliza&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias,    publicado pela equipe do professor James. A. Thomson, da Universidade de Wisconsin,    nos Estados Unidos em 1998, trouxe-nos um fio de esperan&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="3">Numa linguagem simplista, as c&eacute;lulas-tronco seriam os    disquetes, as fitas cassetes, ou as fitas de v&iacute;deo que podem receber    qualquer tipo de grava&ccedil;&atilde;o. Em uma fita cassete podemos gravar    in&uacute;meras m&uacute;sicas dos mais diferentes estilos. &Eacute; o processo    de programa&ccedil;&atilde;o que transforma algo que originariamente n&atilde;o    tem defini&ccedil;&atilde;o, em algo com grande e variado valor de uso. &Eacute;    a partir da grava&ccedil;&atilde;o que a fita, no caso, adquire funcionalidade.</font></p>     <p><font size="3"><b>ONDE EST&Atilde;O ESSAS MARAVILHAS?</b> Encontramos c&eacute;lulas-tronco    nos tecidos adultos, entre eles c&eacute;lulas de cord&atilde;o umbilical e    medula &oacute;ssea, ou ainda nos embri&otilde;es. Para as c&eacute;lulas-tronco    do cord&atilde;o umbilical, ele teria de ser congelado no nascimento. Nos tecidos    adultos, as descobertas recentes evidenciaram que h&aacute; c&eacute;lulas-tronco    em mais tecidos do que se imaginava. E tamb&eacute;m se observou que elas t&ecirc;m    mais versatilidade que o esperado, de modo que foi poss&iacute;vel transformar    c&eacute;lulas-tronco de um tecido em c&eacute;lulas de outros. Os cientistas    deixam claro, entretanto, n&atilde;o saberem at&eacute; que ponto essas c&eacute;lulas-tronco    obtidas de tecidos adultos s&atilde;o vi&aacute;veis, pois elas envelhecem junto    com o organismo. </font></p>     <p><font size="3">Quando se trata do uso de c&eacute;lulas-tronco adultas, a legisla&ccedil;&atilde;o    costuma ser a mesma dos transplantes de &oacute;rg&atilde;os; quanto &agrave;s    c&eacute;lulas-tronco de cord&otilde;es umbilicais n&atilde;o parece haver nenhuma    restri&ccedil;&atilde;o &eacute;tica ou moral. Mas existe sim, neste caso, uma    restri&ccedil;&atilde;o maior, uma restri&ccedil;&atilde;o social, uma vez que    em nosso pa&iacute;s n&atilde;o existe nenhum banco de cord&atilde;o umbilical    p&uacute;blico, e sim uns poucos particulares, onde s&oacute; e somente s&oacute;    aos donos dos cord&otilde;es, que pagam pela guarda dos mesmos, ser&aacute;    dado o benef&iacute;cio de sua <B>poss&iacute;vel</B> utiliza&ccedil;&atilde;o,    uma vez que o risco do dono n&atilde;o vir a usar o seu cord&atilde;o &eacute;    muito grande. O Banco P&uacute;blico de Cord&otilde;es funcionaria como um banco    de &oacute;rg&atilde;os, onde todos poderiam ser beneficiados. </font></p>     <p><font size="3">Com base no relato da professora Catherine Verfaille e de seus    colegas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, entendo que, nesse    momento, as c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias s&atilde;o a melhor op&ccedil;&atilde;o,    porque podem ser cultivadas fora do organismo vivo, na linguagem cient&iacute;fica    – <I>in vitro</I>, por longos per&iacute;odos e transformadas em todos os tipos    de c&eacute;lulas do corpo, ao contr&aacute;rio das c&eacute;lulas adultas.    </font></p>     <p><font size="3">O fio de esperan&ccedil;a toma forma e, de m&iacute;nimas promessas,    se passa a grandes certezas.</font></p>     <p><font size="3"><b>COM AS CERTEZAS VIERAM AS POL&Ecirc;MICAS</b> Alguns segmentos    t&ecirc;m assumido uma posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, pois afirmam    que para retirar as c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias &eacute; necess&aacute;rio    destruir os embri&otilde;es com cinco dias de vida, ou seja, levar &agrave;    morte seres humanos, pois entendem que a vida tem in&iacute;cio na concep&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="3">Mas para conceber n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio fecundar?    N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que ocorra a fus&atilde;o do espermatoz&oacute;ide    com o &oacute;vulo?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Isso me faz lembrar da lei judaica Halach&aacute;. Diz o presidente    da Comiss&atilde;o Bio&eacute;tica do Conselho Rab&iacute;nico da Am&eacute;rica,    rabino Moshe D. Tendler: "um &oacute;vulo fertilizado <I>in vitro </I>n&atilde;o    tem <B>humanidade</B>. Sem a implanta&ccedil;&atilde;o em um &uacute;tero permanece    um zigoto ou pr&eacute;-embri&atilde;o, n&atilde;o sendo vista a destrui&ccedil;&atilde;o    do mesmo como um aborto".</font></p>     <p><font size="3">Eu pergunto, parafraseando um pai freq&uuml;entador da Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM), que atende tamb&eacute;m os afetados    pelas Amiotrofias Espinhais Progressivas: o que seria de uma semente se n&atilde;o    fecundada pela terra? Uma frut&iacute;fera alimentaria os homens enquanto semente?</font></p>     <p><font size="3">Essa disparidade de entendimento me faz indagar: as cl&iacute;nicas    de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida n&atilde;o estariam ent&atilde;o provocando    a morte de milhares de seres humanos?</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; de conhecimento p&uacute;blico que de cada 10 embri&otilde;es    criados nos laborat&oacute;rios das cl&iacute;nicas de reprodu&ccedil;&atilde;o    assistida, apenas dois s&atilde;o implantados com sucesso. Na Espanha h&aacute;    mais de 40 mil embri&otilde;es sem destino. No Brasil, n&atilde;o h&aacute;    controle do que &eacute; feito com o descarte e tamb&eacute;m n&atilde;o sabemos    quantos j&aacute; foram descartados ou ainda o n&uacute;mero exato de embri&otilde;es    que ser&atilde;o levados ao descarte. Sabe-se, sim, que ap&oacute;s atingirem    o limite de sua validade, os embri&otilde;es congelados perdem sua capacidade    de reprodu&ccedil;&atilde;o, mas ainda assim poderiam ser usados para fins terap&ecirc;uticos.    </font></p>     <p><font size="3">O que seria a vida? </font></p>     <p><font size="3">• propriedade que caracteriza os organismos cuja exist&ecirc;ncia    evolui do nascimento at&eacute; a morte</font></p>     <p><font size="3">• conjunto de atividades e fun&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas    que constituem a qualidade que distingue o corpo vivo do morto</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; f&aacute;cil perceber que para significar a vida devemos    saber o significado da morte. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca:    "&eacute; preciso viver para morrer, e para morrer basta estar vivo". </font></p>     <p><font size="3">A aus&ecirc;ncia da respira&ccedil;&atilde;o e dos batimentos    card&iacute;acos significava a morte. Com a evolu&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias,    a reanima&ccedil;&atilde;o de um paciente com parada card&iacute;aca e respirat&oacute;ria    (PCR) &eacute; uma realidade. Toda e qualquer pessoa com a m&iacute;nima chance    de ser salva deve ser reanimada. Entretanto, quando constatada parada total    e irrevers&iacute;vel das fun&ccedil;&otilde;es encef&aacute;licas, ou seja,    quando o c&eacute;rebro p&aacute;ra de funcionar e deixa de exercer suas fun&ccedil;&otilde;es    de forma irrevers&iacute;vel, a morte &eacute; constatada. N&atilde;o h&aacute;    d&uacute;vidas quanto a isso.</font></p>     <p><font size="3">Quando os cientistas dizem que um embri&atilde;o de cinco dias    n&atilde;o tem o status da vida, &eacute; porque al&eacute;m das c&eacute;lulas,    nesse est&aacute;gio, n&atilde;o estarem diferenciadas, os primeiros sinais    de apari&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso s&oacute; se d&aacute; com mais    de 14 dias. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Se isso n&atilde;o fosse verdade estariam todos os m&eacute;dicos    em pr&aacute;tica de eutan&aacute;sia ao declararem morto aquele cujas fun&ccedil;&otilde;es    cerebrais cessaram. </font></p>     <p><font size="3">Enquanto as discuss&otilde;es se arrastam, milhares de crian&ccedil;as,    jovens e adultos morrem &agrave; espera. </font></p>     <p><font size="3">Parte-se em defesa da humanidade do embri&atilde;o, que num    passado bem pr&oacute;ximo era descartado sem o menor pudor, em detrimento da    vida. </font></p>     <p><font size="3">Se desejarmos realmente n&atilde;o nos avizinharmos da hipocrisia,    &eacute; necess&aacute;rio que, no m&iacute;nimo, revisemos alguns conceitos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Munira Tanezi Guilhon e S&aacute;</b> &eacute; diretora    t&eacute;cnica da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Distrofia Muscular    (ABDIM)</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>FONTES DE PESQUISA E REFER&Ecirc;NCIA</b></FONT></p>     <p><font size="3"><a href="http://www.comciencia.br/" target="_blank"><i>http://www.comciencia.br/</i></a></FONT></p>     <p><font size="3"><a href="http://www.interprensa.com.br/" target="_blank"><i>http://www.interprensa.com.br/</i></a></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><a href="http://www.globo.com.br/secao%20celulastronco" target="_blank"><i>http://www.globo.com.br/se&ccedil;&atilde;o    c&eacute;lulastronco</i></a></FONT></p>     <p><font size="3"><a href="http://www.estadao.com.br/" target="_blank"><i>http://www.estadao.com.br/</i></a></FONT></p>     <p><font size="3"><a href="http://www.unb.br/acs/acsweb/" target="_blank"><i>http://www.unb.br/acs/acsweb/</i></a></FONT></p>      ]]></body>
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