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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>Cinebiografia</b> </FONT></p>     <p><font size=5> <b>R<SMALL>A&Iacute;ZES DO</SMALL> B<SMALL>RASIL SOB AS LENTES    DE</SMALL> N<SMALL>ELSON</SMALL> P<SMALL>EREIRA DOS</SMALL> S<SMALL>ANTOS</SMALL></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Apesar da trajet&oacute;ria de grandes historiadores brasileiros    ser pouco conhecida, transportar a vida de um desses autores para as telas do    cinema n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. No caso de S&eacute;rgio Buarque    de Holanda trata-se de um desafio duplo: aproximar o autor de um p&uacute;blico    mais amplo e mostrar que os alicerces de uma grande trajet&oacute;ria intelectual    incluem suas rela&ccedil;&otilde;es humanas. Embora o cl&aacute;ssico <I>Ra&iacute;zes    do Brasil</I> seja considerado um livro com bons &iacute;ndices de vendagem    em sua &aacute;rea, autores como S&eacute;rgio Buarque s&atilde;o menos conhecidos    do que deveriam. Em contrapartida, no mundo acad&ecirc;mico, onde obras como    essa s&atilde;o leituras obrigat&oacute;rias, a forma&ccedil;&atilde;o de estudantes    e pesquisadores tem passado cada vez menos a id&eacute;ia de experi&ecirc;ncia    de vida e de paix&atilde;o pelo trabalho. Nesse contexto, o filme de Nelson    Pereira dos Santos sobre a vida e a obra de S&eacute;rgio Buarque de Holanda    &eacute; bastante emblem&aacute;tico. </font></p>     <p><font size="3">O circuito de debates, que antecedeu o lan&ccedil;amento comercial    do filme, incluiu dois dias de exibi&ccedil;&atilde;o na Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp), com a presen&ccedil;a de Nelson Pereira dos Santos. O    ciclo de semin&aacute;rios deve se estender para pelo menos seis universidades    p&uacute;blicas em todo pa&iacute;s. Tais atividades foram propostas pela equipe    de produ&ccedil;&atilde;o como a "contrapartida social" pelo patroc&iacute;nio    da Petrobras. O cineasta diz que o objetivo dos semin&aacute;rios &eacute; provocar    uma conversa entre professores e alunos sobre S&eacute;rgio Buarque e sua obra:    "acredito que esse debate pode interessar a v&aacute;rias &aacute;reas do conhecimento,    como Hist&oacute;ria, Letras e Filosofia".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a26fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O filme <I>Ra&iacute;zes do Brasil </I>segue uma l&oacute;gica    idealizada desde a sua concep&ccedil;&atilde;o. "A biografia do historiador    se prolonga pela vida dos filhos, ramifica-se nos netos, da&iacute; a id&eacute;ia    de buscar neles como S&eacute;rgio Buarque trabalhava e pensava", conta Santos.    A for&ccedil;a da fam&iacute;lia est&aacute; nas telas, como na s&eacute;rie    de depoimentos em que a vi&uacute;va Maria Am&eacute;lia "rouba a cena", mas,    tamb&eacute;m, est&aacute; atr&aacute;s das c&acirc;meras: o neto Zeca Buarque    trabalhou como auxiliar de dire&ccedil;&atilde;o, a filha Mi&uacute;cha ajudou    nos roteiros e a id&eacute;ia original partiu de Ana de Holanda, que convidou    Nelson Pereira a dirigir o filme em fun&ccedil;&atilde;o da comemora&ccedil;&atilde;o    do centen&aacute;rio de nascimento de S&eacute;rgio Buarque, em 2002. </font></p>     <p><font size="3">Separado em duas partes, com cerca de 70 minutos cada, o primeiro    filme mergulha na vida pessoal de S&eacute;rgio Buarque, onde aparecem os filhos,    netos e os amigos Antonio Candido e Paulo Vanzolini. Essa abordagem acaba dando    leveza &agrave; narrativa, mostrando um escritor apaixonado pela leitura, em    seu sentido mais amplo – de gibis da <I>Luluzinha</I> e hor&oacute;scopo aos    serm&otilde;es de Padre Vieira e pe&ccedil;as de teatro russo. S&eacute;rgio    Buarque lia exaustivamente, seu escrit&oacute;rio era um compartimento da casa    quase proibido para os sete filhos que teve, e l&aacute; ficava grande parte    do dia e da noite. Os depoimentos e as imagens proporcionam ao espectador conhecer,    tamb&eacute;m, seu lado debochado e antiintelectual.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O segundo filme centra o foco na sua forma&ccedil;&atilde;o    e produ&ccedil;&atilde;o intelectual, exibindo um rico desfile de imagens de    &eacute;poca que acompanham historicamente essa trajet&oacute;ria. Zeca Buarque    considera que essa segunda parte exige certo f&ocirc;lego do espectador, pois    inclui a leitura de trechos de <I>Ra&iacute;zes do Brasil</I> e de outros textos    de diferentes momentos da vida do intelectual. "Trata-se de quase uma hora e    dez minutos de texto, em que as id&eacute;ias s&oacute; s&atilde;o encadeadas    no final", explica.</font></p>     <p><font size="3">O contraste com a leveza da hist&oacute;ria pessoal do primeiro    filme &eacute; atenuado com a mescla de alguns membros da fam&iacute;lia Buarque    de Holanda nas narra&ccedil;&otilde;es. O ritmo da cinebiografia ganha muito    com as imagens raras de arquivo e com trilha sonora que o diretor Nelson Pereira    dos Santos soube escolher para retratar os diferentes momentos da hist&oacute;ria.    Em dado momento, o filme transporta-se para Alemanha do "<I>entre-guerras"</I>,    per&iacute;odo que o historiador morou no exterior e viveu a intensa efervesc&ecirc;ncia    cultural, que contribuiu para a escrita das primeiras linhas de <I>Ra&iacute;zes    do Brasil</I>. A leitura de trechos do livro, escrito na d&eacute;cada de 1930,    inclui imagens de outros per&iacute;odos da hist&oacute;ria brasileira, inclusive    algumas bem recentes. "A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; mostrar a atualidade    do texto, um convite a que o leiam", afirma Zeca Buarque.</font></p>     <p><font size="3">O filme n&atilde;o enfatiza a discuss&atilde;o sobre o conceito    de "homem cordial", criado por S&eacute;rgio Buarque em <I>Ra&iacute;zes do    Brasil</I>. Muitas vezes erroneamente associado &agrave; id&eacute;ia de "homem    benevolente", o conceito &eacute; trabalhado em um dos cap&iacute;tulos e n&atilde;o    representa a conclus&atilde;o do livro, considera Zeca. "Existe uma pol&ecirc;mica    em torno desse conceito e o pr&oacute;prio S&eacute;rgio costumava dizer que    ‘j&aacute; se gastou muita vela para o defunto’", conta. O filme contribui,    ainda, para integrar <I>Ra&iacute;zes do Brasil</I> ao conjunto da obra do historiador    e das suas particularidades. "&Eacute; um livro ensa&iacute;stico, de juventude,    voltado para um tema muito amplo. &Eacute; natural que se fale mais dele, mas    todo seu conte&uacute;do se desmembra e se aprofunda em outras obras", conclui    o neto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I><b>Daniel Chiozzini</b> &nbsp; </I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a26fig02.gif"></p>      ]]></body>
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