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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a27fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="4"><b>Arte</b></FONT></p>     <p><font size=5> <b>I<SMALL>MPRESSIONISMO:</SMALL> 230 <SMALL>ANOS DE LUZ</SMALL></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Numa tarde fria de abril de 1874, na cidade de Paris de 230    anos atr&aacute;s, foi organizada no ateli&ecirc; do fot&oacute;grafo Maurice    Nadar uma exposi&ccedil;&atilde;o de jovens pintores preocupados com uma nova    forma de expressar a luz em seus quadros. Foi a primeira "Exposi&ccedil;&atilde;o    dos Impressionistas", que iniciou oficialmente o movimento art&iacute;stico    que viria a ser considerado como o de maior influ&ecirc;ncia sobre a arte moderna.    No grupo original estavam Monet, Manet, Renoir, Sisley, Degas e Pissarro, que    figuram entre os principais nomes do movimento. </font></p>     <p><font size="3">As descobertas da &eacute;poca sobre a fotografia, &oacute;ptica,    f&iacute;sica e sobre o funcionamento da vis&atilde;o possibilitaram a explora&ccedil;&atilde;o    de novos par&acirc;metros e concep&ccedil;&otilde;es por esses artistas vanguardistas    que, ap&oacute;s a inven&ccedil;&atilde;o da fotografia, n&atilde;o mais necessitavam    retratar a realidade de maneira descritiva. A arte de ent&atilde;o buscava retratar    a realidade o mais fielmente poss&iacute;vel. Ap&oacute;s a fotografia, uma    discuss&atilde;o sobre o papel da arte veio &agrave; tona, levada pela liberdade    adquirida de expressar nas telas as impress&otilde;es sentidas pelo artista.</font></p>     <p><font size="3">Os impressionistas pintavam ao ar livre, privilegiando a luz    natural para registrar as tonalidades que os objetos adquiriam ao refletir a    ilumina&ccedil;&atilde;o solar em determinados momentos do dia, o que concedia    imagens luminosas e coloridas da realidade a seus quadros. Esses pintores discordavam    das correntes art&iacute;sticas acad&ecirc;micas da &eacute;poca por considerarem    todas as coisas dignas de serem pintadas, libertando-se da tend&ecirc;ncia em    retratar, prioritariamente, figuras humanas.</font></p>     <p><font size="3">Os impressionistas buscavam tamb&eacute;m uma express&atilde;o    art&iacute;stica que n&atilde;o estivesse focada na raz&atilde;o e nem na emo&ccedil;&atilde;o,    mas sim que refletisse as impress&otilde;es da realidade impregnadas nos sentidos    e na retina. Segundo a professora de hist&oacute;ria da arte da Universidade    Estadual de Campinas (Unicamp), Claudia de Mattos, "no impressionismo encontramos    pontos de luz estruturando a imagem, em uma mimese do funcionamento biol&oacute;gico    da vis&atilde;o".</font></p>     <p><font size="3">Esta decomposi&ccedil;&atilde;o da pintura em elementos mais    simples repercutiu no desenvolvimento de uma nova maneira de pintar. No impressionismo,    ap&oacute;s a decomposi&ccedil;&atilde;o do real, a luz &eacute; utilizada como    o elemento de constru&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"A luz para os impressionistas constr&oacute;i a forma, n&atilde;o    apenas se reflete sobre ela" analisa a doutoranda em hist&oacute;ria da arte    pela Unicamp, Paula Vermeersch. </font></p>     <p><font size="3"> Essa vis&atilde;o vanguardista, que tinham os impressionistas,    causou uma tens&atilde;o no ambiente art&iacute;stico-cultural de Paris em meados    do s&eacute;culo XIX, e dificuldades em ser compartilhada pelo p&uacute;blico    e pelas institui&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. Uma batalha ideol&oacute;gica    em favor da nova maneira de pintar se iniciou na imprensa parisiense, liderada    pelo escritor, jornalista e cr&iacute;tico de arte na &eacute;poca, Emile Zola.    Ele escreveu in&uacute;meros textos defendendo as obras de Manet, aclamando    a arte realizada pelos impressionistas como a mais moderna da &eacute;poca.    </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m das descobertas cient&iacute;ficas, os impressionistas    foram influenciados tamb&eacute;m pelas correntes positivistas da segunda metade    do s&eacute;culo XIX, dando lugar a no&ccedil;&otilde;es mais "objetivas" e    "cient&iacute;ficas" da realidade, propiciando maior espa&ccedil;o &agrave;    experimenta&ccedil;&atilde;o. Monet, por exemplo, se interessava pela influ&ecirc;ncia    da luz nos diversos momentos do dia e nas v&aacute;rias esta&ccedil;&otilde;es    do ano, pintando sistematicamente s&eacute;ries de quadros de uma mesma paisagem    sob diferentes condi&ccedil;&otilde;es luminosas.</font></p>     <p><font size="3">Os efeitos &oacute;pticos descobertos pela pesquisa fotogr&aacute;fica,    sobre a composi&ccedil;&atilde;o de cores e a forma&ccedil;&atilde;o de imagens    na retina do observador, influenciaram profundamente as t&eacute;cnicas de pintura    dos impressionistas. Esses artistas j&aacute; n&atilde;o mais misturavam as    tintas na tela, a fim de obter diferentes cores, mas utilizavam pinceladas de    cores puras que, colocadas uma ao lado da outra, s&atilde;o misturadas pelos    olhos do observador, durante o processo de forma&ccedil;&atilde;o da imagem.</font></p>     <p><font size="3">"O impressionismo abre as portas para a pintura moderna, influenciando    todas as gera&ccedil;&otilde;es seguintes, pela quebra da totalidade, pela fragmenta&ccedil;&atilde;o.    Al&eacute;m disso, a informa&ccedil;&atilde;o visual &eacute; complementada    pelos olhos do observador, no processamento da imagem. A partir do impressionismo    o trabalho do artista deixa de ser metaf&oacute;rico" considera Branca de Oliveira    , professora de hist&oacute;ria da arte da Universidade de S&atilde;o Paulo    (USP).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a27fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a27fig03.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n3/a27fig04.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O impressionismo chega no Brasil j&aacute; consagrado no exterior.    O pa&iacute;s vivia, ent&atilde;o, uma fase nacionalista, em pleno processo    de constru&ccedil;&atilde;o de uma leg&iacute;tima "Escola Brasileira de Artes".    "A linguagem art&iacute;stica que ecoava com mais for&ccedil;a na &eacute;poca    era o realismo, por possibilitar a retrata&ccedil;&atilde;o de temas regionais"    informa Cl&aacute;udia. </font></p>     <p><font size="3">Entretanto, as t&eacute;cnicas desenvolvidas pelos impressionistas    acabaram influenciando a maneira de pintar de alguns artistas brasileiros. As    tend&ecirc;ncias impressionistas podem ser observadas nas obras de artistas    como Almeida Junior, Georgina de Albuquerque, Anita Malfatti, Eliseu Visconti    e Jo&atilde;o Tim&oacute;teo da Costa. Algumas das obras desses artistas podem    ser vistas da Pinacoteca do Estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="3">As orienta&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas e a composi&ccedil;&atilde;o    das imagens utilizando os princ&iacute;pios impressionistas est&atilde;o presentes    at&eacute; os dias de hoje nas produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas, na propaganda    e em outras formas de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. O impressionismo acabou    por influenciar toda a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica do s&eacute;culo    XX, levando tamb&eacute;m &agrave; sua maior populariza&ccedil;&atilde;o. Para    a professora da Unicamp, "a arte impressionista &eacute; o tipo mais popular    de arte e que apresenta um amplo mercado alternativo. &Eacute; o tipo de pintura    mais relacionada &agrave; vida moderna."</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I><b>Luciene Zanchetta</b></I></font></p>      ]]></body>
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