<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252004000400008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[TV Digital made in Brazil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Evangelista]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rafael]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<volume>56</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>12</fpage>
<lpage>13</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252004000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252004000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252004000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">E<small>NTREVISTA</small></font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a03img05.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>TV Digital <i>made in Brazil </i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Uma das principais estrat&eacute;gias do governo federal para    superar a dificuldade de acesso &agrave; internet no pa&iacute;s ser&aacute;    a TV Digital. Combinando uma melhor qualidade de &aacute;udio e v&iacute;deo    com a possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o com o usu&aacute;rio, o governo    pretende, com o desenvolvimento de um padr&atilde;o brasileiro, resolver tr&ecirc;s    problemas de uma s&oacute; vez: usar o adaptador necess&aacute;rio para a recep&ccedil;&atilde;o    do sinal da TV Digital como um pequeno computador capaz de acessar a rede mundial;    estancar uma futura sangria de recursos para o exterior, derivada do pagamento    de <i>royalties</i> pela tecnologia; e dar um novo f&ocirc;lego &agrave; ind&uacute;stria    eletroeletr&ocirc;nica nacional, que hoje se dedica a montar componentes importados.    </font></p>     <p><font size="3">Todos esses fatores pesaram na decis&atilde;o, que partiu da    gest&atilde;o de Miro Teixeira no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es    e foi mantida pelo novo ministro, Eun&iacute;cio de Oliveira, de se desenvolver    um padr&atilde;o nacional. A previs&atilde;o de investimento &eacute; de R$    65 milh&otilde;es, s&oacute; neste ano. A maior parte vem do Fundo para o Desenvolvimento    Tecnol&oacute;gico das Comunica&ccedil;&otilde;es (Funttel) e o restante vir&aacute;    do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD).    No final de julho foi anunciada a lista das institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa    habilitadas a receber o financiamento federal. Foram seis os temas priorit&aacute;rios    da chamada: transmiss&atilde;o, recep&ccedil;&atilde;o e codifica&ccedil;&atilde;o;    transporte; interatividade; codifica&ccedil;&atilde;o de sinais fonte; middleware;    e servi&ccedil;os, aplica&ccedil;&otilde;es e conte&uacute;do. </font></p>     <p><font size="3">Yuzo Iano, professor do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o    da Faculdade de Engenharia El&eacute;trica e de Computa&ccedil;&atilde;o da    Unicamp considera que "a superioridade t&eacute;cnica de um determinado padr&atilde;o    pode acontecer apenas por um per&iacute;odo de tempo, pois as pesquisa n&atilde;o    param". </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Que capacidade tem o Brasil para desenvolver seu pr&oacute;prio    padr&atilde;o para a TV Digital? </i></b></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>YUZO IANO</b> Muitos pesquisadores no pa&iacute;s possuem    conhecimentos que podem ser aproveitados para o desenvolvimento de novas tecnologias    e isso inclui tamb&eacute;m a &aacute;rea de televis&atilde;o digital (TVD).    O interesse atual em TVD &eacute; positivo pois incentiva a busca de solu&ccedil;&otilde;es    tecnol&oacute;gicas para viabilizar novos servi&ccedil;os e, ao mesmo tempo,    permite identificar oportunidades de neg&oacute;cios que possibilitem, por exemplo,    a gera&ccedil;&atilde;o de empregos. Esse interesse crescente tem promovido    a intera&ccedil;&atilde;o de pessoas com diversas capacita&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>O que desenvolver e o que importar?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Pesquisas de alta qualidade sobre processamento digital de sinais    s&atilde;o realizadas em praticamente todo o territ&oacute;rio nacional; outras,    relacionadas especificamente com sinais de &aacute;udio e v&iacute;deo digitalizados    est&atilde;o tamb&eacute;m atraindo muito e, por isso, &eacute; essencial que    haja recursos dispon&iacute;veis para tanto. Na &aacute;rea tecnol&oacute;gica,    pode-se desenvolver prot&oacute;tipos e modelos de simula&ccedil;&atilde;o.    Quanto aos neg&oacute;cios, pode-se definir regras e modelos de atua&ccedil;&atilde;o    que permitam o planejamento das prestadoras de servi&ccedil;os e emissoras.    No momento, parece remota qualquer possibilidade de fabrica&ccedil;&atilde;o    de equipamentos comerciais para gera&ccedil;&atilde;o (c&acirc;meras de TVD,    gravadores/reprodutores, <i>switchers</i>) e transmiss&atilde;o dos sinais (como    codificadores, multiplexadores, misturadores, RF, pot&ecirc;ncia) devido aos    custos e falta de <i>know-how</i>. Para recep&ccedil;&atilde;o existe alguma    chance principalmente nas interfaces tipo Set-Top-Box (STB). A depend&ecirc;ncia    tecnol&oacute;gica no setor de componentes, mais especificamente de circuitos    integrados - dedicados ou n&atilde;o - constitui uma s&eacute;ria barreira para    a fabrica&ccedil;&atilde;o dos aparelhos de recep&ccedil;&atilde;o. Um primeiro    passo pode ser dado no sentido de reverter essa situa&ccedil;&atilde;o, mesmo    porque projetos e montagens podem ser realizados no pa&iacute;s. Al&eacute;m    disso, h&aacute; capacita&ccedil;&atilde;o nacional para se trabalhar com os    aspectos de interfaceamento envolvendo software e midlleware.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>&Eacute; mais vantajoso desenvolver um padr&atilde;o pr&oacute;prio    ou adotar um dos padr&otilde;es existentes? </i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Uma das motiva&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de um    padr&atilde;o nacional &eacute; a pr&oacute;pria aquisi&ccedil;&atilde;o de    conhecimentos relacionados com as novas tecnologias pertinentes ao sistema de    televis&atilde;o digital. O sistema de alta defini&ccedil;&atilde;o incorpora    inova&ccedil;&otilde;es e novos esquemas. Os testes realizados pela Anatel,    Funda&ccedil;&atilde;o CPqD, Universidade Mackenzie, SET/Abert provocaram rea&ccedil;&otilde;es    no mundo todo, no sentido de continuarem aperfei&ccedil;oando seus sistemas.    O desenvolvimento de um novo padr&atilde;o propicia a avalia&ccedil;&atilde;o    do desempenho e das limita&ccedil;&otilde;es dos padr&otilde;es existentes.    A ado&ccedil;&atilde;o pura e simples de um padr&atilde;o existente economizaria    recursos da pesquisa em quest&atilde;o mas se perderia a oportunidade de discutir    e avaliar os muitos caminhos e op&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3">Qual dos padr&otilde;es existentes seria mais adequado ou superior    tecnicamente? </font></p>     <p><font size="3">A superioridade t&eacute;cnica de um determinado padr&atilde;o    pode acontecer em um per&iacute;odo de tempo. Por exemplo, os testes realizados    no Brasil mostraram, na &eacute;poca, que o sistema japon&ecirc;s permitia recep&ccedil;&atilde;o    m&oacute;vel, enquanto outros eram limitados na &aacute;rea. Outros testes dentro    das condi&ccedil;&otilde;es temporais e espaciais da &eacute;poca mostraram    desempenho superior de um ou de outro sistema com rela&ccedil;&atilde;o a algum    par&acirc;metro espec&iacute;fico (tais como ru&iacute;do impulsivo e multipercurso).    Tecnicamente, em geral, &eacute; poss&iacute;vel superar tais defici&ecirc;ncias    com pesquisas e modifica&ccedil;&otilde;es dos esquemas (por exemplo, equaliza&ccedil;&atilde;o).    Dessa forma, &eacute; dif&iacute;cil prever qual sistema estar&aacute;, no futuro,    melhor adaptado para determinadas condi&ccedil;&otilde;es de uso, mesmo porque    algumas t&eacute;cnicas que resultam em melhor desempenho atualmente, em princ&iacute;pio,    podem ser incorporadas nos outros sistemas. </font></p>     <p><font size="3">A op&ccedil;&atilde;o de transmiss&atilde;o via cabo, sat&eacute;lite    ou MMDS funcionaria bem com qualquer um dos sistemas existentes. As principais    limita&ccedil;&otilde;es est&atilde;o na radiodifus&atilde;o (<i>broadcasting</i>).    Nesse caso, essencialmente, a diferen&ccedil;a b&aacute;sica entre os 3 sistemas    de HDTV em quest&atilde;o, reside na modula&ccedil;&atilde;o para se colocar    o sinal no ar (8-VSB, <i>Vestigial Sideband</i>, americano e COFDM, <i>Coded    Orthogonal Frequency Division Multiplexing</i>, europeu e japon&ecirc;s). Uma    outra diferen&ccedil;a &eacute; a possibilidade de transmiss&atilde;o hier&aacute;rquica    permitida pelos sistemas europeu e japon&ecirc;s (o japon&ecirc;s permite tamb&eacute;m    transmiss&atilde;o segmentada por bandas). Em princ&iacute;pio, um est&uacute;dio    poderia adotar qualquer sistema e faria a convers&atilde;o apenas na etapa de    se colocar o sinal na antena de transmiss&atilde;o. O receptor tamb&eacute;m    poderia ser projetado para receber sinal de qualquer um dos sistemas. Isso por&eacute;m,    apresenta s&eacute;rios problemas na op&ccedil;&atilde;o de <i>broacasting</i>.    Nesse caso, o plano de canaliza&ccedil;&atilde;o tenderia a ficar muito complexo,    caso houvesse transmiss&atilde;o nos 3 sistemas, devido &agrave;s interfer&ecirc;ncias    m&uacute;tuas. Por outro lado, adotando-se um dos sistemas para radiodifus&atilde;o    pode-se limitar a gama de oferecimento de servi&ccedil;os. Al&eacute;m disso,    resta solucionar o problema de posicionamento das antenas dom&eacute;sticas    de recep&ccedil;&atilde;o. As antenas internas s&atilde;o praticamente invi&aacute;veis    nas configura&ccedil;&otilde;es atuais devido &agrave;s caracter&iacute;sticas    do sinal digital. A diversidade de antenas talvez seja a melhor op&ccedil;&atilde;o    (a antena inteligente pode ter um custo elevado). Nesse ponto, creio, j&aacute;    estamos no campo das suposi&ccedil;&otilde;es. Justifica-se, assim, as pesquisas    para propor solu&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a08img01.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Interessa ao Brasil unir-se a outros pa&iacute;ses para    desenvolver esse novo padr&atilde;o? </i></b></FONT></p>     <p><font size="3">A uni&atilde;o de esfor&ccedil;os deve ser levada em conta.    Os pa&iacute;ses envolvidos, inclusive a China, t&ecirc;m interesse em eventuais    parcerias e j&aacute; enviaram representantes ao pa&iacute;s, a fim de se associar    &agrave;s pesquisas e, eventualmente, influenciar decis&otilde;es. Alguns mostram    disposi&ccedil;&atilde;o at&eacute; mesmo de financiar projetos na &aacute;rea.    Nesse caso, al&eacute;m dos objetivos tecnol&oacute;gicos &eacute; preciso acomodar    outras metas que talvez sejam muito importantes para o pa&iacute;s. O momento    talvez seja prop&iacute;cio para se promover discuss&otilde;es sobre prioridades    tanto t&eacute;cnicas quanto sociais tendo como motiva&ccedil;&atilde;o &agrave;    implanta&ccedil;&atilde;o da TVD. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Rafael Evangelista</i></b></font></p>      ]]></body>
</article>
