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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a11img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O<small>NU</small></font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a03img05.gif"></font></p>     <p><font size="4"><b>Parcerias com o setor privado buscam combater a fome</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Paul Tergat, o atleta queniano que mais venceu a corrida anual    de S&atilde;o Silvestre, realizada em S&atilde;o Paulo, e que tamb&eacute;m    &eacute; recordista mundial das provas de maratona, atribui seu sucesso nas    pistas, e o de muitos compatriotas, &agrave; assist&ecirc;ncia que recebeu,    desde a inf&acirc;ncia, do World Food Programme (WFP). Trata-se de um programa    de ajuda alimentar, coordenado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas (ONU), presente em aproximadamente 70 pa&iacute;ses, onde fornece merenda    escolar a cerca de 16 milh&otilde;es de crian&ccedil;as, e representa uma ajuda    imprescind&iacute;vel para a supera&ccedil;&atilde;o do problema cr&ocirc;nico    da fome, sobretudo nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. </font></p>     <p><font size="3">Para manter e ampliar os bons resultados, desde 2003 o programa    intensifica a busca por parcerias com o setor privado. Grandes empresas como    a Benetton e a TNT Log&iacute;stica, segunda no ranking do setor, com a maior    rede a&eacute;rea e rodovi&aacute;ria de entregas da Europa, se integraram ao    programa e, ap&oacute;s um ano, avaliam positivamente essa participa&ccedil;&atilde;o,    que tem garantido maior visibilidade e efetividade &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    de combate a fome. </font></p>     <p><font size="3">Uma das evid&ecirc;ncias &eacute; a melhoria no desempenho escolar    das crian&ccedil;as, em pa&iacute;ses onde o programa se implantou. Em Malawi,    no sul da &Aacute;frica, por exemplo, o &iacute;ndice de aprova&ccedil;&atilde;o    em algumas escolas saltou de 30% para 85%; as matr&iacute;culas aumentaram cerca    de 30% em todo pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>C&Iacute;RCULO VICIOSO</b> O relat&oacute;rio anual das a&ccedil;&otilde;es    realizadas, que est&aacute; divulgado no site <i><a href="http://www.wfp.org" target="_blank">www.wfp.org</a></i>,    evidencia, tamb&eacute;m, a interrup&ccedil;&atilde;o de um c&iacute;rculo vicioso    que come&ccedil;a com a m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o. Segundo dados da    ONU, a principal causa da incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as em todo mundo &eacute;    o n&uacute;mero elevado de crian&ccedil;as e mulheres abaixo do peso normal,    totalizando cerca de 9,5% dos casos. O problema leva, tamb&eacute;m, &agrave;    ocorr&ecirc;ncia de males irrevers&iacute;veis, como diminui&ccedil;&atilde;o    da altura, dificuldade de racioc&iacute;nio e de concentra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">O programa come&ccedil;ou em 1963 e j&aacute; esteve presente    em 82 pa&iacute;ses, alimentando cerca de 72 milh&otilde;es de pessoas, incluindo    refugiados de guerra e crian&ccedil;as. O economista Jos&eacute; Graziano, ex-    titular do Minist&eacute;rio da Seguran&ccedil;a Alimentar e Combate &agrave;    Fome criado pelo governo Lula, ressalta que, quando come&ccedil;ou, o WFP foi    muito criticado por ajudar apenas com a distribui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica    de alimentos, o que desestimulava a produ&ccedil;&atilde;o local de g&ecirc;neros    de subsist&ecirc;ncia, exatamente aquilo que deveria ser impulsionado.</font></p>     <p><font size="3">Atualmente, por&eacute;m, o trabalho consiste em comprar alimentos    no pr&oacute;prio pa&iacute;s para distribu&iacute;-los nas &aacute;reas mais    necessitadas, o que n&atilde;o o caracteriza mais como apenas uma ajuda restrita    e emergencial. Graziano acrescenta que o programa serviu de refer&ecirc;ncia    para o Fome Zero, lan&ccedil;ado no in&iacute;cio do atual governo: "aprendemos    com a experi&ecirc;ncia internacional que dever&iacute;amos evitar transfer&ecirc;ncias    massivas de g&ecirc;neros aliment&iacute;cios de um lugar para outro".    Para o economista, o programa da ONU demonstra que o papel governamental na    compra de g&ecirc;neros aliment&iacute;cios &eacute; muito importante e pode    estimular pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para grupos espec&iacute;ficos.    &Eacute; o caso, exemplifica Graziano, da cria&ccedil;&atilde;o do atual Programa    de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA) do governo federal. O programa    prev&ecirc; que pequenos agricultores e assentados rurais vendam sua produ&ccedil;&atilde;o    ao governo, at&eacute; o limite de R$ 2,5 mil, o que garante renda aos agricultores    e abastece os estoques de programas sociais como o Fome Zero.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>VOLUNTARIADO</b> A op&ccedil;&atilde;o de buscar a participa&ccedil;&atilde;o    do setor privado em programas dessa natureza, embora recente, &eacute; bem avaliada    pelos participantes. O engenheiro qu&iacute;mico Marcelo Katawama Rigitano,    funcion&aacute;rio da TNT no Brasil, esteve durante tr&ecirc;s meses na Nicar&aacute;gua    como volunt&aacute;rio do programa. Ele foi um dos funcion&aacute;rios diretamente    envolvidos na parceria que a empresa denominou <i>moving the world</i> ("movendo    o mundo"), iniciada no ano passado e que deve durar mais quatros anos. A TNT    se comprometeu a fornecer, al&eacute;m de donativos, recursos humanos, treinamento,    per&iacute;cia e servi&ccedil;os de opera&ccedil;&atilde;o em log&iacute;stica.</font></p>     <p><font size="3">Marcelo Rigitano conta que encontrou uma realidade bastante    desafiadora no pequeno pa&iacute;s da Am&eacute;rica Central, profundamente    castigado por guerras civis e desastres naturais, como terremotos, furac&otilde;es    e longos per&iacute;odos de seca. Ao chegar na escola onde iria desenvolver    suas atividades, ele se defrontou com uma situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica:    "havia apenas um banheiro para mais de 100 crian&ccedil;as e o &uacute;nico    local com &aacute;gua para lavar as m&atilde;os estava a quil&ocirc;metros de    dist&acirc;ncia". Durante sua estadia, organizou reuni&otilde;es com pais de    alunos e com a comunidade para definir prioridades e realizar mutir&otilde;es,    a fim de garantir uma estrutura m&iacute;nima de higiene e prepara&ccedil;&atilde;o    da merenda escolar. O engenheiro ressalta que, mesmo com recursos dispon&iacute;veis    do WFP, a m&atilde;o-de-obra e a organiza&ccedil;&atilde;o dependem da participa&ccedil;&atilde;o    ativa da comunidade. No final do est&aacute;gio, tinham sido constru&iacute;dos    banheiros, um reservat&oacute;rio de &aacute;gua, uma granja comunit&aacute;ria    e a cozinha, antes um galp&atilde;o com paredes de telhas velhas de zinco, foi    substitu&iacute;da por uma constru&ccedil;&atilde;o planejada de alvenaria.</font></p>     <p><font size="3">Rigitano tamb&eacute;m avalia que, embora a unidade brasileira    ainda esteja pouco envolvida na parceria que come&ccedil;ou h&aacute; um ano,    a experi&ecirc;ncia proporcionou um novo olhar sobre as atividades profissionais    que desenvolve e uma melhoria na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas comuns    dentro da empresa. O WFP busca aumentar o apoio de pessoas f&iacute;sicas para    seus projetos e para isso facilita o sistema de doa&ccedil;&otilde;es, que podem    ser feitas em seu site na internet. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Daniel Chiozzini</i></b></font></p>     ]]></body>
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