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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>M&Eacute;TODO PSICANAL&Iacute;TICO</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Elias Mallet da Rocha Barros</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>F</b></font><font size="3">reud abordou o inconsciente n&atilde;o-racional    adotando as bases epistemol&oacute;gicas do Iluminismo, ou seja, do racionalismo    iluminista, procurando estender o dom&iacute;nio da raz&atilde;o para o mundo    das emo&ccedil;&otilde;es. A psican&aacute;lise mostra o papel da interfer&ecirc;ncia    de fatores inconscientes na opera&ccedil;&atilde;o da racionalidade, e sugere    que estes op&otilde;em obst&aacute;culos ao estabelecimento de um contato satisfat&oacute;rio    com a realidade.</font></P>     <P><font size="3">Em sua obra <i>O futuro de uma ilus&atilde;o </i>escreve: "N&atilde;o    temos outro meio de controlar nossa natureza instintiva a n&atilde;o ser atrav&eacute;s    de nossa intelig&ecirc;ncia. Como poderemos esperar que uma pessoa sob o dom&iacute;nio    da proibi&ccedil;&atilde;o de pensamento atinja o ideal psicol&oacute;gico do    predom&iacute;nio da intelig&ecirc;ncia? (Freud, 1927. p&aacute;g.48) </font></P>     <P><font size="3">Pierre F&eacute;dida (1992), refletindo sobre a condi&ccedil;&atilde;o    de trabalho do analista e sua rela&ccedil;&atilde;o com fun&ccedil;&atilde;o    da linguagem e seus aspectos expressivos, recorre a um neologismo em franc&ecirc;s,    de grande poder ilustrativo e metaf&oacute;rico tamb&eacute;m em outras l&iacute;nguas.    Esse neologismo nos ajudar&aacute; a refletir sobre o m&eacute;todo anal&iacute;tico    e a melhor comprend&ecirc;-lo. Ele diz que a linguagem d&aacute; <i><b>r&eacute;son</b></i>    &agrave;s coisas. A palavra &eacute; um neologismo composto das palavras francesas    resson&acirc;ncia (<i>r&eacute;ssonance</i>) e raz&atilde;o (<i>raison</i>)    e sugere que a linguagem do analista &eacute; resultado de uma resson&acirc;ncia,    isto &eacute;, de um som a ser decodificado nos seus aspectos expressivos e    comunicativos, que interagem com a vida emocional do analista e com sua raz&atilde;o,    e lhe permite construir uma interpreta&ccedil;&atilde;o sugerindo um significado    para as viv&ecirc;ncias emocionais do paciente. </font></P>     <P><font size="3">Os psicanalistas sempre se colocaram a quest&atilde;o de como    e porqu&ecirc; o indiv&iacute;duo se afasta da realidade. Inicialmente, a resposta    era atribu&iacute;da ao excesso de tens&atilde;o produzido pela ansiedade, o    que levava a repress&otilde;es. Tudo aquilo que perturbava o equil&iacute;brio    pulsional era reprimido, retirado da consci&ecirc;ncia e mantido inconsciente.    O inconsciente do qual a psican&aacute;lise fala n&atilde;o &eacute; nega&ccedil;&atilde;o,    mas contra-investimento. &Eacute; essa caracter&iacute;stica que o distingue    de outros modos de opera&ccedil;&atilde;o inconscientes atrav&eacute;s dos quais    opera, por exemplo, nossa biologia.</font></P>     <P><font size="3">Os mecanismos de repress&atilde;o, nega&ccedil;&atilde;o e recusa    s&atilde;o opera&ccedil;&otilde;es mentais que t&ecirc;m por objetivo proteger    o ego da ansiedade excessiva, produzida pelo contato com uma experi&ecirc;ncia    que n&atilde;o p&ocirc;de ser assimilada. Todos esses mecanismos de defesa,    ao eliminar conte&uacute;dos mentais (ideacionais ou afetivos) da consci&ecirc;ncia    interferem com o acesso &agrave; realidade. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Depois de Freud, Melanie Klein revolucionou nossa concep&ccedil;&atilde;o    da vida mental ao descrever os mecanismos atrav&eacute;s dos quais o <i>self</i>    &eacute; capaz de cindir-se e projetar parte de si para dentro de um objeto    externo ou interno. Concomitantemente, esta parte ejetada (tal como num processo    evacuativo) colore a identidade do objeto alvo da proje&ccedil;&atilde;o, o    que altera nossa percep&ccedil;&atilde;o da realidade. Klein amplia nossa compreens&atilde;o    sobre os fatores que dificultam o auto-conhecimento, ao mostrar que, al&eacute;m    de conte&uacute;dos da consci&ecirc;ncia, fun&ccedil;&otilde;es mentais podem    ser suprimidas para lidar com experi&ecirc;ncias que amea&ccedil;em a integra&ccedil;&atilde;o    do ego.</font></P>     <P><font size="3">Com Wilfred R. Bion as emo&ccedil;&otilde;es passam a ser consideradas    na personalidade algo compar&aacute;vel ao tecido conectivo, e operam como elos    entre os diversos n&iacute;veis das inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas e das    viv&ecirc;ncias correspondentes.</font></P>     <P><font size="3">As pessoas n&atilde;o sofrem apenas de car&ecirc;ncias, traumas    ou repress&otilde;es. Elas sofrem tamb&eacute;m de falta de experi&ecirc;ncias    emocionais que propiciem um desenvolvimento/crescimento. Nesta perspectiva,    n&atilde;o basta que a psican&aacute;lise seja efetiva no levantamento de repress&otilde;es    que possam impedir certos pensamentos ou sentimentos de virem &agrave; luz,    ou propicie um ambiente facilitador que permita reparar situa&ccedil;&otilde;es    de car&ecirc;ncias passadas que possam criar um sentimento de n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o.    A presen&ccedil;a da cis&atilde;o e da identifica&ccedil;&atilde;o projetiva    aponta para uma mente fragmentada, na qual as diversas inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas    n&atilde;o se comunicam, e que &eacute; incapaz de simbolizar e, portanto, de    pensar as emo&ccedil;&otilde;es de forma mais rica, criando uma atmosfera interna    de vazio, de falta de sentido para a vida. Nestas condi&ccedil;&otilde;es, certos    pensamentos nunca chegam sequer a serem formulados e, portanto, a pr&oacute;pria    capacidade de pensar fica inibida. </font></P>     <P><font size="3">A liberdade de pensar n&atilde;o depende apenas do levantamento    de repress&otilde;es (internas e externas, poder&iacute;amos dizer) <b>mas,    tamb&eacute;m, da recupera&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es mentais    perdidas que permitam pensar experi&ecirc;ncias nunca antes vividas ou pensadas.</b></font></P>     <P><font size="3"> Analistas contempor&acirc;neos mostram que a pr&oacute;pria    raz&atilde;o e o princ&iacute;pio da realidade n&atilde;o existem no vazio,    prov&ecirc;m de algum lugar e assim est&atilde;o tamb&eacute;m sujeitos a conflitos,    bloqueios e insufici&ecirc;ncia de desenvolvimento. Ao modelo amplificado que    inclu&iacute;a n&atilde;o apenas mecanismos de defesa para eliminar conte&uacute;dos    da consci&ecirc;ncia, mas igualmente a possibilidade do pr&oacute;prio ego e    seus objetos internos cindirem-se da mesma forma como fun&ccedil;&otilde;es    mentais podem ser eliminadas, foi introduzida a id&eacute;ia de que o funcionamento    da raz&atilde;o pode ser desafiado pela limita&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias    emocionais e pela precariedade das fun&ccedil;&otilde;es mentais &agrave; sua    disposi&ccedil;&atilde;o. Nessa perspectiva, a sanidade mental baseada no funcionamento    racional e no contato satisfat&oacute;rio com a realidade, &eacute; sempre duramente    conquistada toda vez que o ego &eacute; submetido a tens&otilde;es, </font></P>     <P><font size="3">Nesse desenho da estrutura ps&iacute;quica humana, o levantamento    das repress&otilde;es, por si s&oacute;, n&atilde;o conduz nem &agrave; sanidade    nem a uma capacidade de aprofundamento do contato com a realidade, e n&atilde;o    torna o uso da raz&atilde;o plenamente efetivo. O grande p&uacute;blico tem    uma imagem da psican&aacute;lise que data de um per&iacute;odo anterior &agrave;    d&eacute;cada de 1920, baseada na id&eacute;ia da rememora&ccedil;&atilde;o    do trauma que elimina as repress&otilde;es e assim produz algo que poder&iacute;amos    chamar de "cura". Assim, o tratamento psicanal&iacute;tico consistiria    em eliminar-se as causas para as repress&otilde;es. Esse modelo n&atilde;o d&aacute;    conta da extrema complexidade da vida mental humana.</font></P>     <P><font size="3">Os homens sempre se preocuparam com a interfer&ecirc;ncia de    for&ccedil;as estranhas &agrave; sua consci&ecirc;ncia sobre a sua conduta.    Essas interfer&ecirc;ncias eram atribu&iacute;das a uma inst&acirc;ncia n&atilde;o    sujeita &agrave;s regras da racionalidade. Os limites da consci&ecirc;ncia,    o alcance da raz&atilde;o, uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o conhecer-se a    si mesmo, constitu&iacute;ram-se numa indaga&ccedil;&atilde;o constante dos    homens. De que maneira as emo&ccedil;&otilde;es interferem nas percep&ccedil;&otilde;es?    Seriam as emo&ccedil;&otilde;es causa ou conseq&uuml;&ecirc;ncia das altera&ccedil;&otilde;es    da racionalidade? </font></P>     <P><font size="3">Numa passagem da <i>Il&iacute;ada</i>,Agamenon, explicando-se    por haver tirado a amante de Aquiles, justifica-se dizendo: – "N&atilde;o    sou eu o culpado, mas Zeus e o Destino e as Er&iacute;nias, que trabalham na    escurid&atilde;o: eles, em conjunto, colocaram em meu entendimento uma <i>&aacute;t&ecirc;</i>    feroz, naquele dia em que eu arbitrariamente despojei Aquiles de sua honra.    O que eu podia fazer?" A <i>&aacute;t&ecirc;</i>, segundo Dodds (1977),    refere-se quase sempre a um estado de alma, a uma perturba&ccedil;&atilde;o    moment&acirc;nea da consci&ecirc;ncia normal que perturba o esp&iacute;rito,    cegando-o e tornando-o imperme&aacute;vel ao uso da raz&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">O inconsciente, como inst&acirc;ncia ps&iacute;quica que opera    segundo uma l&oacute;gica pr&oacute;pria, passa a ocupar o lugar do que antes    em nossa hist&oacute;ria era tomado como o irracional sob suas diversas formas.    Nessa concep&ccedil;&atilde;o, o inconsciente tanto mant&eacute;m certos afetos    e id&eacute;ias reprimidos, fora da consci&ecirc;ncia como no primeiro modelo    freudiano. Klein e Bion, a partir da d&eacute;cada de 1930, introduzem a id&eacute;ia    que o mundo mental inconsciente pode se dividir (cindir-se) em n&uacute;cleos    isolados, &agrave;s vezes em comunica&ccedil;&atilde;o entre si, noutras n&atilde;o,    organizados em torno de objetos internos. Nesse mundo interno tamb&eacute;m    fun&ccedil;&otilde;es mentais s&atilde;o cindidas, interferindo na capacidade    do ego de pensar e sentir. Desse modo, a pr&oacute;pria mente pode destruir    sua capacidade de funcionar e pensar.</font></P>     <P><font size="3">A psican&aacute;lise contempor&acirc;nea, sobretudo de inspira&ccedil;&atilde;o    kleiniana, sugere que os indiv&iacute;duos, nossos pacientes, mant&ecirc;m uma    dupla rela&ccedil;&atilde;o com seus "objetos". Dizemos que os pacientes    se relacionam com as pessoas que os circundam, inicialmente com os pais e, na    an&aacute;lise, com o analista, tanto como figuras reais quanto como imagos    introjetadas e deformadas fantasiosamente atrav&eacute;s das m&uacute;ltiplas    proje&ccedil;&otilde;es e introje&ccedil;&otilde;es. Estas imagos, que se organizam    em n&uacute;cleos, constituem o que chamamos de "objetos internos".    Os pais introjetados t&ecirc;m por modelo os pais reais, mas n&atilde;o correspondem    a estes. Da mesma forma, a resposta do analista &agrave;s proje&ccedil;&otilde;es    vai colorir as imagos internas. Se ele n&atilde;o responde como figura real,    isto &eacute;, reagindo, mas responde analiticamente, isto &eacute;, com uma    interpreta&ccedil;&atilde;o, tornam-se mais vis&iacute;veis as manifesta&ccedil;&otilde;es    ditas "transfer&ecirc;nciais"e, por outro lado, criam-se condi&ccedil;&otilde;es    para modificar estas imagos internas, "digerindo" os sentimentos projetados    e devolvendo-os ao paciente em forma mais aceit&aacute;vel, atrav&eacute;s de    interpreta&ccedil;&otilde;es. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">As rela&ccedil;&otilde;es objetais existem num mundo que n&atilde;o    &eacute; um decalque, uma c&oacute;pia subjetiva do mundo externo. Os objetos    internos s&atilde;o constitu&iacute;dos, desde o nascimento, por uma sucess&atilde;o    de proje&ccedil;&otilde;es (desencadeadas pela press&atilde;o da ansiedade de    aniquilamento) e introje&ccedil;&otilde;es, e t&ecirc;m uma certa autonomia.    Esse mundo cont&eacute;m as fantasias inconscientes que expressam tanto as rela&ccedil;&otilde;es    objetais internas quanto as estruturas defensivas, sendo o espa&ccedil;o no    qual as viv&ecirc;ncias emocionais s&atilde;o pensadas e adquirem um significado.    Esse mundo interno &eacute; vivenciado como sendo t&atilde;o real quanto o mundo    externo, e se constitui num fator determinante de nossa maneira de viver e se    relacionar com as pessoas.</font></P>     <P><font size="3">A concep&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise como uma pr&aacute;tica    voltada para fen&ocirc;menos de comunica&ccedil;&atilde;o tanto entre inst&acirc;ncias    ps&iacute;quicas como com o ambiente social ao seu redor que permeia o contato    com a realidade, demanda uma redefini&ccedil;&atilde;o do que possa ser uma    terap&ecirc;utica e, conseq&uuml;entemente, uma patologia. Patol&oacute;gico    &eacute; tudo aquilo que impede a comunica&ccedil;&atilde;o entre as diversas    inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas e, portanto, entre seres humanos num n&iacute;vel    emocional profundo (&iacute;ntimo na linguagem de Bion)que, em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    impede um desenvolvimento/crescimento emocional. </font></P>     <P><font size="3">Se patologia &eacute; aus&ecirc;ncia de desenvolvimento/crescimento    emocional, a pr&aacute;tica terap&ecirc;utica da psican&aacute;lise visa interferir    nos fatores que impedem a ocorr&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es promotoras    de integra&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a desintegra&ccedil;&atilde;o mental    interfere no processo de produ&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos, tornando    dif&iacute;cil a comunica&ccedil;&atilde;o entre as diversas inst&acirc;ncias    mentais e, assim, n&atilde;o se geram novos significados.</font></P>     <P><font size="3">&Eacute; a capacidade de simbolizar que governa a possibilidade    de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; que esta s&oacute; pode ocorrer por meio    de s&iacute;mbolos. Isto nos coloca a quest&atilde;o dos fatores que interferem    na capacidade de simbolizar.</font></P>     <P><font size="3">A id&eacute;ia de cura est&aacute; intimamente ligada &agrave;    no&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise como terap&ecirc;utica, embora a rela&ccedil;&atilde;o    entre esses dois termos seja complexa e demande uma reavalia&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica. Curar no sentido terap&ecirc;utico &eacute; privil&eacute;gio    da medicina, em todas as suas acep&ccedil;&otilde;es e, portanto, sugere um    modelo m&eacute;dico para a psican&aacute;lise. Seria este adequado?</font></P>     <P><font size="3">Se entendermos por cura, o restabelecimento do estado anterior    ao sofrimento, certamente ele n&atilde;o pode ser aplicado &agrave; psican&aacute;lise.    N&atilde;o h&aacute; nada equivalente na pr&aacute;tica psicanal&iacute;tica    &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de um antibi&oacute;tico, por exemplo.</font></P>     <P><font size="3">Recusar, entretanto, por essa raz&atilde;o, a id&eacute;ia de    que a psican&aacute;lise se constitui numa pr&aacute;tica terap&ecirc;utica,    parece-me simplista. Os pacientes que procuram uma an&aacute;lise, na imensa    maioria dos casos, o fazem por estarem sofrendo e buscam uma ajuda objetivando    ter uma vida de melhor qualidade. Nos &uacute;ltimos anos cada vez mais pacientes    sofrendo de condi&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter psic&oacute;ticos ou fronteiri&ccedil;as    (<i>borderline</i>) t&ecirc;m procurado analistas. </font></P>     <P><font size="3">Creio que h&aacute; uma quest&atilde;o epistemol&oacute;gica    presente na defini&ccedil;&atilde;o de terap&ecirc;utica, quando a vida emocional    est&aacute; envolvida. De um lado, quando nos propomos como terapeutas, nestas    condi&ccedil;&otilde;es n&oacute;s n&atilde;o podemos ter um objetivo a ser    atingido previamente definido, como o m&eacute;dico pode quando trata, por exemplo,    de uma nefrite ou de um c&aacute;lculo renal. De outro, nossa terap&ecirc;utica    visa tornar atual, o que &eacute; potencial. Ela objetiva realiz&aacute;-lo    e promover um desenvolvimento. Patologia, no caso, &eacute; aus&ecirc;ncia de    desenvolvimento. Nossos objetivos, ao nos propormos a analisar um indiv&iacute;duo,    n&atilde;o podem ser definidos em termos de mudan&ccedil;as de comportamentos,    j&aacute; que &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para que possa existir uma situa&ccedil;&atilde;o    anal&iacute;tica nossa neutralidade valorativa. A neutralidade, em nossa pr&aacute;tica,    n&atilde;o &eacute; apenas uma das condi&ccedil;&otilde;es para que ocorra uma    an&aacute;lise. &Eacute; a condi&ccedil;&atilde;o mesma para que a transfer&ecirc;ncia    possa se desenvolver e para que possamos examinar as fantasias inconscientes    que permeiam as condutas.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a13img02.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Bion utiliza-se da met&aacute;fora do parteiro da mente para    se referir &agrave; fun&ccedil;&atilde;o do analista, da mesma forma que a m&atilde;e    exerce essa fun&ccedil;&atilde;o ao cuidar emocionalmente do beb&ecirc;, na    medida em que seja capaz de, atrav&eacute;s da fun&ccedil;&atilde;o de <i>r&ecirc;verie</i>,    internalizar e digerir as experi&ecirc;ncias emocionais que lhe s&atilde;o (para    o beb&ecirc;) intoler&aacute;veis. Nas palavras de Elizabeth Rocha Barros (1991),    "promover uma mudan&ccedil;a ps&iacute;quica, nesse contexto, significa    dar nascimento e cuidar da mente de maneira que ela possa progredir. Estamos    tomando a id&eacute;ia de <b>progresso</b> como met&aacute;fora para desenvolvimento".    </font></P>     <P><font size="3">Para Freud, a patologia poderia ser descrita por refer&ecirc;ncia    a car&ecirc;ncias, traumas e experi&ecirc;ncias que resultavam numa repress&atilde;o    patol&oacute;gica. O modelo proposto por Klein e Bion amplia a reflex&atilde;o    sobre os fatores produtores de patologias, deslocando-os para um outro terreno.    As pessoas n&atilde;o sofrem apenas de car&ecirc;ncias, traumas ou repress&otilde;es.    Elas sofrem tamb&eacute;m de falta de experi&ecirc;ncias emocionais que propiciem    um desenvolvimento/crescimento. Nessa perspectiva, n&atilde;o basta que a psican&aacute;lise    seja efetiva no levantamento de repress&otilde;es que possam impedir certos    pensamentos ou sentimentos de virem &agrave; luz ou propicie um ambiente facilitador    que permita reparar situa&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncias passadas, que    possam criar um sentimento de n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o. A presen&ccedil;a    da cis&atilde;o (divis&atilde;o das estruturas mentais) e da identifica&ccedil;&atilde;o    projetiva aponta para uma mente fragmentada, na qual as diversas inst&acirc;ncias    ps&iacute;quicas n&atilde;o se comunicam, que &eacute; incapaz de simbolizar    e, portanto, de pensar as emo&ccedil;&otilde;es de forma mais rica, criando    uma atmosfera interna de vazio, de falta de sentido nas coisas da vida. Nessas    condi&ccedil;&otilde;es certos pensamentos nunca chegam sequer a serem formulados    e, portanto, a pr&oacute;pria capacidade de pensar fica inibida.</font></P>     <P><font size="3">&Eacute; a capacidade de simbolizar que governa a possibilidade    de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; que esta s&oacute; pode ocorrer por meio    de s&iacute;mbolos. Isto nos coloca a quest&atilde;o dos fatores que interferem    na capacidade de simbolizar.</font></P>     <P><font size="3">A fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica da psican&aacute;lise    se exerce atrav&eacute;s da interpreta&ccedil;&atilde;o que consiste numa constante    investiga&ccedil;&atilde;o do significado das fantasias inconscientes. A interpreta&ccedil;&atilde;o    s&oacute; &eacute; efetiva se promove um <i>insight</i>. O que &eacute; interpretar?    Em trabalho anterior (Rocha Barros,1991), discutimos essa quest&atilde;o a partir    de um verso de T. S. Elliot:</font></P>     <P><font size="3"><i>"We had the experience but missed the meaning,    <br>   And approach to the meaning restores the experience    <br>   In a different way......"</i>    <br>   (Four Quartets)</font></P>     <P><font size="3"><i>"N&oacute;s tivemos a experi&ecirc;ncia mas perdemos    sua significa&ccedil;&atilde;o,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E a busca da significa&ccedil;&atilde;o restaura a experi&ecirc;ncia    <br>   De uma forma diferente......."</i></font></P>     <P><font size="3">A restaura&ccedil;&atilde;o, aludida por Elliot, ocorre no mundo    interno, &eacute; operada no <i>self</i> sendo o resultado da resson&acirc;ncia    que a percep&ccedil;&atilde;o do significado da experi&ecirc;ncia tem sobre    a vida emocional e seus sistemas de representa&ccedil;&atilde;o. Esta altera&ccedil;&atilde;o    da qualidade da experi&ecirc;ncia promove uma maior integra&ccedil;&atilde;o,    que por sua vez permite que as experi&ecirc;ncias emocionais recuperem seus    significados perdidos e se tornem, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, diferentes, isto    &eacute; mais profundas, ricas e variadas.</font></P>     <P><font size="3">Strachey (1934), ao cunhar o termo "interpreta&ccedil;&atilde;o    mutativa" referindo-se ao objetivo a ser almejado (embora nem sempre alcan&ccedil;ado)    por todo analista durante o processo da psican&aacute;lise, n&atilde;o se referia    apenas a interpreta&ccedil;&otilde;es que produziam "mudan&ccedil;as".    A palavra "mutativa" tem sua origem na palavra "muta&ccedil;&atilde;o",    termo da gen&eacute;tica, e conota um tipo particular de mudan&ccedil;a. Uma    muta&ccedil;&atilde;o altera n&atilde;o s&oacute; o presente, mas toda a progenitura    que vier a se originar deste presente. A interpreta&ccedil;&atilde;o mutativa    &eacute; aquela que altera <i>a estrutura</i> da organiza&ccedil;&atilde;o mental    e passa a produzir experi&ecirc;nciais emocionais de qualidade diferente.</font></P>     <P><font size="3">As fantasias inconscientes interpretadas s&atilde;o parte do    material, isto &eacute;, da vida ps&iacute;quica do paciente e s&atilde;o constantemente    atuadas no seu dia a dia. Interpret&aacute;-las, baseado em evid&ecirc;ncias    fornecidas pelo pr&oacute;prio paciente, &eacute; uma maneira de apresent&aacute;-lo    a si mesmo e cria condi&ccedil;&otilde;es para que ele recupere aspectos perdidos    de suas experi&ecirc;ncias e fun&ccedil;&otilde;es mentais, tornando-se mais    capaz de se auto observar. Atrav&eacute;s de sucessivos <i>insights</i>, o paciente    vivencia uma gama variada de estados emocionais e se familiariza com diferentes    aspectos de sua personalidade, tornando-se mais tolerante de estados ps&iacute;quicos    que at&eacute; ent&atilde;o evitava. Progressivamente, diz Segal (1991) "...ele    (o paciente) come&ccedil;a a conhecer n&atilde;o somente suas puls&otilde;es    e a natureza de sua rela&ccedil;&atilde;o com os objetos internos, mas igualmente    o tipo de defesas que ele utiliza e que lhe s&atilde;o espec&iacute;ficas, fazendo    dele o indiv&iacute;duo que ele &eacute;". Essa viv&ecirc;ncia conduz a    uma integra&ccedil;&atilde;o crescente. Nesta perspectiva <b>conhecer-se &eacute;    mudar</b>. A dicotomia que existe entre cura e investiga&ccedil;&atilde;o &eacute;,    a meu ver, falsa, pois o pr&oacute;prio processo de investiga&ccedil;&atilde;o    ao qual analista e paciente se engajam, se for exitoso na produ&ccedil;&atilde;o    de <i>insights</i> conduz &agrave; mudan&ccedil;as, da mesma forma como as explora&ccedil;&otilde;es    dos grandes navegadores mudaram o mundo.</font></P>     <P><font size="3">Creio que Piera Aulagnier (1990) coloca a quest&atilde;o do    aspecto terap&ecirc;utico impl&iacute;cito na atividade psicanal&iacute;tica    de uma maneira clara ao escrever: "Se reivindicamos a presen&ccedil;a de    uma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica no trabalho anal&iacute;tico, &eacute;    por acreditarmos n&atilde;o num hipot&eacute;tico modelo de normalidade, mas    numa poss&iacute;vel avalia&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o que o sujeito paga    por um certo tipo de defesas, inibi&ccedil;&otilde;es, ilus&otilde;es".</font></P>     <P><font size="3">Ao trabalharmos orientados por um hipot&eacute;tico modelo de    normalidade, nosso modelo de patologia estar&aacute; baseado numa avalia&ccedil;&atilde;o    do custo que o indiv&iacute;duo paga por resistir &agrave; assimila&ccedil;&atilde;o    de novas experi&ecirc;ncias e, desta forma, se condena a uma superficialidade    emocional, que se manifesta na maneira como se relaciona com as pessoas e com    o mundo em geral. </font></P>     <P><font size="3">Como analistas, ao interpretar trabalhamos com a id&eacute;ia    impl&iacute;cita de que nossa comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; ser&aacute;    efetiva se conseguirmos interessar o paciente por nossa observa&ccedil;&atilde;o.    Penso que s&oacute; aquilo que estimula o paciente a pensar sobre suas emo&ccedil;&otilde;es    tem chance de ser internalizado. O novo, quando encontrado, produz medo, em    geral. A presen&ccedil;a de uma m&atilde;e capaz de transformar os aspectos    perturbadores da novidade em algo toler&aacute;vel cria as condi&ccedil;&otilde;es    para a internaliza&ccedil;&atilde;o de um objeto, que ap&oacute;ia a curiosidade    da crian&ccedil;a e seu esp&iacute;rito investigador, promovendo ent&atilde;o    seu desenvolvimento/crescimento emocional. Durante uma an&aacute;lise, essa    fun&ccedil;&atilde;o &eacute; exercida pelo analista atrav&eacute;s de suas    interpreta&ccedil;&otilde;es. Uma interpreta&ccedil;&atilde;o s&oacute; ser&aacute;    efetiva se transmitir algo ao paciente que lhe interesse e o estimule a pensar    e a fazer novas observa&ccedil;&otilde;es/investiga&ccedil;&otilde;es sobre    sua maneira de sentir o mundo e as pessoas.</font></P>     <P><font size="3">Hoje, dificilmente poder&iacute;amos concordar com a id&eacute;ia    de que o objetivo da interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas o de tornar    consciente o inconsciente. Nesta fun&ccedil;&atilde;o, dever&iacute;amos incluir    o objetivo de interessar o paciente pela explora&ccedil;&atilde;o de seu inconsciente    (e mesmo de sua consci&ecirc;ncia) e, ao faz&ecirc;-lo, estamos criando a convic&ccedil;&atilde;o    nestes de que a experi&ecirc;ncia emocional &eacute; infinita. Por meio da explora&ccedil;&atilde;o    de novos significados, os limites da vida emocional podem sempre se ampliar,    atrav&eacute;s de um aprofundamento das emo&ccedil;&otilde;es. O dom&iacute;nio    do inconsciente &eacute; muito maior do que o do consciente.</font></P>     <P><font size="3">Sabemos que, no momento, h&aacute; um retorno ao fanatismo religioso,    no seio de todas as cren&ccedil;as, um apelo ao imediatismo e &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o    perempt&oacute;ria do prazer, uma crise do pensamento reflexivo sobre n&oacute;s    mesmos e uma superficializa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es emocionais.    Se julgarmos deste ponto de vista, o ideal freudiano est&aacute; longe de ter    estabelecido um espa&ccedil;o real importante no seio da humanidade. Poder&iacute;amos    at&eacute; dizer que a verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica    apenas come&ccedil;ou.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Finalizo citando a frase com a qual Freud termina o livro, <i>Futuro    de uma ilus&atilde;o</i>: " N&atilde;o, nossa ci&ecirc;ncia n&atilde;o    &eacute; uma ilus&atilde;o. Mas uma ilus&atilde;o seria supor que aquilo que    a ci&ecirc;ncia n&atilde;o nos d&aacute;, possa ser obtido fora dela".</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><i>Elias Mallet da Rocha Barros</i></b> <i>&eacute; psic&oacute;logo,    psicanalista, membro efetivo da SBPSP, membro efetivo da Sociedade Brit&acirc;nica,    laureado com o Mary Sigouney Award da Universidade de Columbia New York em 1999,    editor para a Am&eacute;rica Latina do International Journal of Psychoanalysis,    co-presidente do Congresso Internacional de Psican&aacute;lise da IPA no Rio    – 2005</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CITADA</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">Aulagnier, P. <i>Um int&eacute;rprete em busca de um sentido</i>,    Vol. 1: S&atilde;o Paulo: Editora Escuta. (p&aacute;g. 254).1990.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017142&pid=S0009-6725200400040001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Dodds, E.R. <i>Les grecs et l' irrationnnel</i>. Paris: Flammarion.    1959.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017143&pid=S0009-6725200400040001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Freud, S. <i>The future of na illusion</i>. S.E.21. 1927.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017144&pid=S0009-6725200400040001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Gay, P. Freud: <i>uma vida para o nosso tempo</i>. S&atilde;o    Paulo: Cia. das Letras. 1989.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017145&pid=S0009-6725200400040001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Green, A. <i>Sobre a loucura pessoal</i>. Rio de Janeiro: Imago    Editora. (pag.34). 1988.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017146&pid=S0009-6725200400040001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Klein, M. "Notes on some schizoids mecahnisms".&#91;1946&#93;,    in <i>Envy and gratitude and other works</i>. London: The Hogarth Press.1975.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017147&pid=S0009-6725200400040001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Rocha Barros, E. <i>A situa&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica</i>,    IDE.,22: 18-29.1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017148&pid=S0009-6725200400040001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Rocha Barros, E. "A Interpreta&ccedil;&atilde;o" -    Confer&ecirc;ncia pronunciada dentro do Simp&oacute;sio sobre Comunica&ccedil;&atilde;o    do Analista: Pressupostos Te&oacute;ricos, organizado pela Sociedade Brasileira    de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo. 1991.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017149&pid=S0009-6725200400040001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Segal, H. "Psychanalise et th&eacute;rapeutic", <i>R&eacute;vue    Fran&ccedil;aise de Psychanalyse</i>. (Pag. 367). 1991.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017150&pid=S0009-6725200400040001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="3">Strachley, J. -1934,1969,1981-. "The nature of therapeutic    action of psycho-analysis", <i>in Classics of psycho-analytic technique</i>,    Ed Robert Langs. New York/London: Janson Aronson. 1981.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=017151&pid=S0009-6725200400040001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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