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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>PESQUISA PSICANAL&Iacute;TICA</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Fabio Herrmann</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>PSICAN&Aacute;LISE E PESQUISA</b> Por defini&ccedil;&atilde;o,    a pesquisa existe em todas as ci&ecirc;ncias. Por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute;    duas que a fa&ccedil;am igual; se houvesse, seriam a mesma ci&ecirc;ncia. Por    defini&ccedil;&atilde;o. A ci&ecirc;ncia da psique, a psican&aacute;lise, irm&atilde;    das ci&ecirc;ncias do esp&iacute;rito, prima das ci&ecirc;ncias humanas, contraparente    da medicina, ocupa-se em investigar o sentido humano nas pessoas – nos pacientes    em particular – nos grupos e organiza&ccedil;&otilde;es dos homens, na sociedade    e em suas produ&ccedil;&otilde;es culturais. Tudo isso? Bem… Em todo caso, nisso    tudo, em todo o mundo humano, enquanto mundo ps&iacute;quico. No entanto, dentro    de sua forma peculiar de ver, que n&atilde;o coincide com a da filosofia ou    da psicologia. Seu m&eacute;todo de investiga&ccedil;&atilde;o muito especial    – mas todos o s&atilde;o – &eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica.    </font></P>     <P><font size="3">Da grande massa l&iacute;quida da pesquisa psicanal&iacute;tica,    no estado presente de nossa ci&ecirc;ncia art&iacute;stica, de longe a maior    parte &eacute; realizada nos consult&oacute;rios, no tratamento de pacientes.    Existem outros rios de pesquisa, sempre existiram; mais de dois ter&ccedil;os    do que Freud publicou, por exemplo, n&atilde;o eram descri&ccedil;&otilde;es    de an&aacute;lises. Na pesquisa de todas as ci&ecirc;ncias h&aacute; uma parcela    de arte combinada; na nossa, a arte envolvida &eacute; predominantemente a literatura    a qual, muito antes de n&oacute;s, soube apreender e revelar o contradit&oacute;rio    sentido da exist&ecirc;ncia dos homens. Freud explorou com excel&ecirc;ncia    essa combina&ccedil;&atilde;o onde, enquanto ci&ecirc;ncia, a psican&aacute;lise    &eacute; arte, mas sempre faz ci&ecirc;ncia, quando literatura. Todavia, com    o passar do tempo, os psicanalistas se foram concentrando mais e mais em suas    an&aacute;lises, j&aacute; que disso vivemos, e menos em interpreta&ccedil;&otilde;es    da psique do real. Pode ter sido um erro, mas foi assim que aconteceu. Hoje,    de nossa massa l&iacute;quida, os tratamentos psicanal&iacute;ticos equivaleriam    &agrave; do oceano.</font></P>     <P><font size="3">Por diversas e compreens&iacute;veis raz&otilde;es, an&aacute;lises    quase nunca se publicam. Seria tolo, por&eacute;m, e inescus&aacute;vel, excluir    do c&ocirc;mputo do conhecimento humano a por&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel    de saber por elas auferida, inventando outra forma de pesquisa psicanal&iacute;tica,    dissociada daquilo que os analistas fazem todo dia. O relato de uma sess&atilde;o,    ou mesmo de uma an&aacute;lise, talvez n&atilde;o renda uma tese acad&ecirc;mica,    admitamos; mas a forma do trabalho cl&iacute;nico pode ser extra&iacute;da e    purificada, dela resultando um m&eacute;todo de investiga&ccedil;&atilde;o e    cura, que tanto se aplica &agrave; an&aacute;lise padr&atilde;o, como &agrave;    cl&iacute;nica extensa e ao estudo – tamb&eacute;m <i>cl&iacute;nico</i>, em    sentido lato – da psique cultural. Dessa forma, mesmo os tratamentos de consult&oacute;rio    podem vir a transformar-se em trabalhos acad&ecirc;micos, assim como o m&eacute;todo    interpretativo pode ser estendido, com toda propriedade, a seu &acirc;mbito    inteiro de direito, ao sentido ps&iacute;quico do mundo. Bem melhor que o ignorar    e substitu&iacute;-lo por pesquisas estat&iacute;sticas ou coment&aacute;rios    te&oacute;ricos, a meu ver.</font></P>     <P><font size="3">Trazer de volta ao mundo do debate cient&iacute;fico a investiga&ccedil;&atilde;o    quotidiana de milhares de analistas, numa &eacute;poca cujo desconcerto a solicita    especialmente, parece-me uma digna empresa, na qual se alinha o presente artigo.</font></P>     <P><font size="3"><b>PRODU&Ccedil;&Atilde;O TE&Oacute;RICA</b> Em sentido amplo,    num sentido demasiado extenso para que o possa comodamente qualificar de psicanal&iacute;tico,    o desenvolvimento hist&oacute;rico de nossa investiga&ccedil;&atilde;o da psique    deixa ver com clareza certa propriedade que, de maneira menos not&oacute;ria,    pode, quem sabe, reconhecer-se noutras ci&ecirc;ncias. Nossa hist&oacute;ria    &eacute; curta, pouco mais de um s&eacute;culo, e compacta, quase solipsista,    em raz&atilde;o do j&aacute; tradicional isolamento das nossas organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais, que n&atilde;o se integram de todo &agrave; universidade. Com    isso, defeitos, virtudes ou simples peculiaridades ficam ressaltados. O que    se por um lado &eacute; um problema pr&aacute;tico, por outro, oferece um campo    f&eacute;rtil &agrave; observa&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Em termos gerais, teorias cient&iacute;ficas n&atilde;o avan&ccedil;am    por mera acumula&ccedil;&atilde;o de conhecimento, a qual inspiraria, de tempos    em tempos, um salto qualitativo sob forma de uma teoria revolucion&aacute;ria.    Ao que tudo parece indicar, a um per&iacute;odo de ativa produ&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica tampouco se segue, comportadamente, outro de consolida&ccedil;&atilde;o.    O que se passa, se vale generalizar o exemplo da psican&aacute;lise e guardadas    as devidas reservas, &eacute; radicalmente diverso do que sugere esse idealismo    pragm&aacute;tico. Cada grande teoria constitu&iacute;da cria seu <i>procedimento    de investiga&ccedil;&atilde;o</i> – em certos casos, como o nosso, que tamb&eacute;m    se presta a interven&ccedil;&otilde;es – no qual, por assim dizer, esta se encarna    em forma concentrada. A prop&oacute;sito, muito mais que nas pr&oacute;prias    publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas. O procedimento seria assim a <i>teoria    geral em a&ccedil;&atilde;o</i>. Por certo tempo, o procedimento garante a teoria    que o fundamenta, por ser sua express&atilde;o mais viva. Produz, tamb&eacute;m,    pequenos circuitos de ila&ccedil;&atilde;o laterais e de desenvolvimentos localizados.    Por&eacute;m, n&atilde;o chega a modificar o essencial, de que &eacute; express&atilde;o    fiel; tampouco o comprova. Somente ao cabo desse ciclo, os incrementos do procedimento    padr&atilde;o (provindos de pequenos circuitos de realimenta&ccedil;&atilde;o    entre procedimento e teoria) e sua pr&aacute;tica cont&iacute;nua d&atilde;o    margem a que a investiga&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo, nele embutido de    maneira inaparente, liberte a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica. Esta, agora,    j&aacute; n&atilde;o se assenta de fato nos postulados da teoria geral anterior,    mas na transforma&ccedil;&atilde;o a eles imposta pelo procedimento (onde estava    concentrada), e que, ao p&ocirc;-la em movimento, a depurou, em especial do    excesso de conjectura e de reifica&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a14img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Na psican&aacute;lise, tal seq&uuml;&ecirc;ncia &eacute; bastante    vis&iacute;vel. Os postulados ontol&oacute;gicos da doutrina freudiana e os    das escolas posteriores – a no&ccedil;&atilde;o de instintos, estruturas fixas    do psiquismo, defesas etc – geraram o procedimento a que damos o nome de <i>cl&iacute;nica    psicanal&iacute;tica</i>. Nossa cl&iacute;nica tem sido, a um tempo, a express&atilde;o    concentrada da teoria do aparelho ps&iacute;quico e o lugar de sua paulatina    liq&uuml;efa&ccedil;&atilde;o. Concentrados em procedimento cl&iacute;nico,    os conceitos psicanal&iacute;ticos n&atilde;o ret&ecirc;m seu estado te&oacute;rico;    equivalente ao estado s&oacute;lido, digamos. O uso cl&iacute;nico desmancha    sua estrutura, reagrupa os conceitos, operacionaliza-os, c&ocirc;a deles as    part&iacute;culas te&oacute;ricas reificadas, numa palavra, transforma-os no    flu&iacute;do metodol&oacute;gico que alimenta a an&aacute;lise. Suponho que    nenhum bom analista fale a seu paciente de libido ou de id, para colocar as    coisas com simplicidade; mas, com sua ajuda, cria uma <i>prototeoria</i> apropriada    para o caso. Destarte, embora a pr&aacute;tica da teoria psicanal&iacute;tica    na cl&iacute;nica a repita &agrave; exaust&atilde;o, essa pr&oacute;pria exaust&atilde;o    vai conduzindo os analistas &agrave;s portas de uma renova&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica geral que, &eacute; de se presumir e os sinais o indicam, deve    reconstruir nossa concep&ccedil;&atilde;o geral, n&atilde;o mais agora sobre    conjecturas ontol&oacute;gicas a respeito do homem – conjecturas que sup&otilde;em    a exist&ecirc;ncia de um aparelho ps&iacute;quico com tais ou quais propriedades    – sen&atilde;o derivando-a da pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o da cl&iacute;nica,    que n&atilde;o estava dispon&iacute;vel no tempo da inven&ccedil;&atilde;o freudiana,    mas que hoje faculta a pesquisa metodol&oacute;gica dos fundamentos. Na <i>interpreta&ccedil;&atilde;o    da psican&aacute;lise</i> proposta pela Teoria dos Campos, os fundamentos te&oacute;ricos    mais gerais seriam <i>conceitos metodol&oacute;gicos</i>, como <i>ruptura de    campo, expectativa de tr&acirc;nsito, v&oacute;rtice representacional</i> etc    – termos estes mais ou menos familiares em nosso meio, hoje em dia (1).</font></P>     <P><font size="3">Como a metapsicologia freudiana inventou a cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica    e, desta, o m&eacute;todo foi isolado, os postulados e conjecturas originais    n&atilde;o est&atilde;o perdidos nem se abandonaram: liquefeitos em procedimento,    s&atilde;o em seguida destilados, para seguir com a analogia. A teoria decorrente    do circuito &eacute;, por conseguinte, o equivalente a uma <i>metapsicologia    cl&iacute;nica</i> que, mesmo sem pagar tributo &agrave; reifica&ccedil;&atilde;o    dos conceitos fundadores, conserva-os na formula&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica.    Em nosso projeto piloto – da Teoria dos Campos –, o <i>inconsciente</i> torna-se    plural, generaliza-se e converte-se em <i>campos</i> (campos do inconsciente    individual e social); <i>regress&atilde;o</i> reaparece clinicamente embutida    na no&ccedil;&atilde;o de <i>v&oacute;rtice; resist&ecirc;ncia</i>, como certa    tend&ecirc;ncia &agrave; <i>regenera&ccedil;&atilde;o estrutural</i> de um campo;    etc. No curso desse processo, a cl&iacute;nica experimenta, por seu lado, uma    importante extens&atilde;o com respeito a seu padr&atilde;o de refer&ecirc;ncia,    a an&aacute;lise de consult&oacute;rio, ampliando-se como <i>cl&iacute;nica    extensa</i>; enquanto a teoria, j&aacute; o vimos, &eacute; destilada numa <i>metapsicologia    cl&iacute;nica</i> sem postulados ontol&oacute;gicos, ou, como prefiro dizer,    para afastar confus&otilde;es, em <i>alta teoria</i>. Alta teoria &eacute; o    fundamento te&oacute;rico que incorpora a pr&oacute;pria cr&iacute;tica epistemol&oacute;gica    da teoria, concep&ccedil;&atilde;o ilustrada pela presente discuss&atilde;o,    ali&aacute;s. </font></P>     <P><font size="3"><b>O M&Eacute;TODO EM A&Ccedil;&Atilde;O</b> Essas considera&ccedil;&otilde;es    gerais a respeito da evolu&ccedil;&atilde;o de nosso conhecimento – evolu&ccedil;&atilde;o    que se disfar&ccedil;a, para o olhar ing&ecirc;nuo, em progress&atilde;o por    ac&uacute;mulo de dados, de que resultam inspiradas hip&oacute;teses conjecturais,    de tempo em tempos – servem aqui de introdu&ccedil;&atilde;o ao problema das    pesquisas psicanal&iacute;ticas atuais, que a espelham, cada qual em sua pr&oacute;pria    escala. Com efeito, nossas pesquisas n&atilde;o conseguem esconder sua cabe&ccedil;a    de Jano: uma face voltada a interrogar seu objeto; a outra, a interrogar seu    fundamento, uma vez que a aplica&ccedil;&atilde;o direta da teoria &agrave;    interpreta&ccedil;&atilde;o via de regra resulta tautol&oacute;gica. N&atilde;o    que os circuitos de realimenta&ccedil;&atilde;o procedimento/teoria estejam    inoperantes ou apenas repitam o c&acirc;non estabelecido nas tr&ecirc;s primeiras    d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado. Os interpretantes psicanal&iacute;ticos    sucedem-se como vagas, no mar da cl&iacute;nica de consult&oacute;rio. Dentre    eles, por exemplo, o <i>falso self</i> (Winnicott) e a <i>m&atilde;e morta</i>    (Green) t&ecirc;m freq&uuml;entado nossas praias, ultimamente; tais rearranjos    e corre&ccedil;&otilde;es da metapsicologia freudiana exprimem, no plano te&oacute;rico,    os pequenos movimentos realizados pelo procedimento cl&iacute;nico, no sentido    de reavivar sua efic&aacute;cia, uma vez que no&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas    – as que descrevem a hip&oacute;tese de um aparelho ps&iacute;quico, a do desenvolvimento    emocional etc. – gastam rapidamente seu poder interpretante. O reservat&oacute;rio    dos interpretantes gastos, inaugurado por conceitos do g&ecirc;nero <i>viscosidade    da libido</i> (Freud, 1926), &eacute; reciclado episodicamente por rearranjos    te&oacute;ricos, at&eacute; que ocorra uma reconvers&atilde;o maior, j&aacute;    ent&atilde;o por via metodol&oacute;gica. Esta &eacute; uma dimens&atilde;o    que a pesquisa psicanal&iacute;tica deve considerar.</font></P>     <P><font size="3">Para ser eficaz, sobretudo para n&atilde;o ser tautol&oacute;gica,    nossa interpreta&ccedil;&atilde;o precisa ter consci&ecirc;ncia da poderosa    concentra&ccedil;&atilde;o de teorias no &iacute;ntimo do procedimento. O resultado    cl&iacute;nico, por si s&oacute;, n&atilde;o comprova a metapsicologia de funda&ccedil;&atilde;o    nem seus acr&eacute;scimos, uma vez que os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o    da cl&iacute;nica tamb&eacute;m j&aacute; os incorporaram. S&oacute; quando    o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico &eacute; isolado, descrito e seus passos    cuidadosamente compreendidos &eacute; que o valor demonstrativo da cl&iacute;nica    merece inteira confian&ccedil;a. Acima de tudo, depois de haver sido separado    das t&eacute;cnicas. Na cl&iacute;nica extensa, que compreende a investiga&ccedil;&atilde;o    da sociedade e da cultura, a <i>livre associa&ccedil;&atilde;o</i>, por exemplo,    b&aacute;sica diretriz t&eacute;cnica da an&aacute;lise, n&atilde;o comparece    necessariamente, mas a ruptura de campo, opera&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo,    nunca est&aacute; ausente.</font></P>     <P><font size="3">Na realidade, nosso m&eacute;todo &eacute; antes de tudo heur&iacute;stico.    Dou-lhes um pequeno exemplo. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, propus    a interpreta&ccedil;&atilde;o de um campo da psique do real, sugerindo que uma    s&eacute;rie de tend&ecirc;ncias – entre as quais, a eros&atilde;o do pensamento    como raiz da a&ccedil;&atilde;o, suplantado pela representa&ccedil;&atilde;o    por imagem, e a fragmenta&ccedil;&atilde;o das articula&ccedil;&otilde;es sociais    concretas, com a decorrente perda de prest&iacute;gio ontol&oacute;gico de indiv&iacute;duos    e grupos (que acompanha sua efetiva impot&ecirc;ncia pr&aacute;tica) – anunciavam    um novo sistema pol&iacute;tico, que ent&atilde;o batizei de <i>regime do atentado</i>    (2). A regra principal do novo campo seria a a&ccedil;&atilde;o de m&aacute;xima    efic&aacute;cia pontual e m&iacute;nima participa&ccedil;&atilde;o do pensamento    social, m&iacute;nima subjetividade, logo, m&iacute;nimo alvo oferecido, <i>o    ato puro</i>. O regime resultante, sucessor do <i>regime de na&ccedil;&otilde;es</i>    – porque disso se trata, de um novo regime pol&iacute;tico, n&atilde;o de intercorr&ecirc;ncias    espor&aacute;dicas de viol&ecirc;ncia – seria caracterizado pelo confronto de    um poderoso sistema econ&ocirc;mico e militar contra opositores depauperados,    marginais, desapegados da exist&ecirc;ncia. Teoricamente, segundo essa hip&oacute;tese,    recorreriam ambos ao ato puro (o ato que n&atilde;o se deriva do acordo social,    mas que o cria <i>a posteriori</i>, por seu pr&oacute;prio efeito) como meio    de reivindica&ccedil;&atilde;o de absoluta hegemonia, no primeiro caso, ou de    sobreviv&ecirc;ncia e prest&iacute;gio m&iacute;nimo, no segundo. </font></P>     <P><font size="3">Quando, exatos vinte anos depois, o atentado ao WTC chamou a    aten&ccedil;&atilde;o ao tema, isso foi considerado, em alguns c&iacute;rculos,    como prova de uma surpreendente antecipa&ccedil;&atilde;o, demonstrativa da    teoria. Honestamente, n&atilde;o me parece assim. Grandes acontecimentos n&atilde;o    demonstram uma interpreta&ccedil;&atilde;o geral. Atentados suicidas encaixam-se    como luva na previs&atilde;o te&oacute;rica, &eacute; verdade – m&aacute;ximo    efeito, zero de sujeito final. Como as a&ccedil;&otilde;es militares e econ&ocirc;micas,    de cunho policial, tamb&eacute;m nela se encaixam. Todavia, s&oacute; a an&aacute;lise    minuciosa da propaga&ccedil;&atilde;o do regime do atentado ao quotidiano –    projeto em que estamos empenhados – pode ser considerada uma demonstra&ccedil;&atilde;o    aceit&aacute;vel. Muito acima de qualquer fato corroborante, &eacute; a produtividade    que sustenta uma teoria psicanal&iacute;tica. Interpretar n&atilde;o significa    apenas antecipar um evento, crit&eacute;rio v&aacute;lido noutras ci&ecirc;ncias.    Mede-se a veracidade de uma interpreta&ccedil;&atilde;o pelo valor heur&iacute;stico    da an&aacute;lise de um campo j&aacute; operante.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Sejam amplas ou restritas as investiga&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas,    parece-me que devem ter em comum o m&eacute;todo de ruptura de campo, essencial    &agrave; psican&aacute;lise – use-se ou n&atilde;o esta terminologia. Um trabalho    de mestrado, apresentado recentemente &agrave; PUC(3), pretendia originalmente    examinar as causas da adi&ccedil;&atilde;o ao jogo de azar, numa paciente em    an&aacute;lise. Ao esbo&ccedil;ar a an&aacute;lise da paciente, deparou-se a    autora, por&eacute;m, com uma s&eacute;rie de vers&otilde;es psicanal&iacute;ticas    da hist&oacute;ria (quatro vers&otilde;es principais) internamente coerentes    mas irredut&iacute;veis entre si. Somente quando lhe foi poss&iacute;vel conjugar    a pluralidade de sentidos coerentes, a conviv&ecirc;ncia de distintas an&aacute;lises    no mesmo processo, &eacute; que a reconvers&atilde;o tem&aacute;tica da disserta&ccedil;&atilde;o    – j&aacute; agora versando sobre o problema da narrativa, resultado da ruptura    do campo estabelecido pelo projeto – acabou por iluminar a estrutura temporal    da adi&ccedil;&atilde;o ao jogo. Cumpriu-se o objetivo inicial, mas s&oacute;    depois de seus pressupostos passarem por uma crise conceitual. Esta &eacute;    uma t&iacute;pica ocorr&ecirc;ncia da pesquisa em psican&aacute;lise, quase    diria um &iacute;ndice de legitimidade.</font></P>     <P><font size="3">Por mais que valorizemos o debate te&oacute;rico e uma t&eacute;cnica    apurada, h&aacute; um motivo b&aacute;sico para iniciarmos qualquer estudo psicanal&iacute;tico:    ele tem de servir para alguma coisa, n&atilde;o &eacute; mesmo? Tomemos o exemplo    de uma pesquisa em curso. O grande ataque hist&eacute;rico parece haver desaparecido.    A explica&ccedil;&atilde;o corrente atribui seu desaparecimento &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o    da repress&atilde;o sexual, caracter&iacute;stica do s&eacute;culo XIX, que    seria respons&aacute;vel pelo quadro. Por&eacute;m, itens da psicopatologia    raramente desaparecem sem deixar vest&iacute;gio. Sua freq&uuml;&ecirc;ncia    diminui, altera-se a <i>patoplastia</i> (ou seja, a forma circunstancial), o    quadro muda, mas n&atilde;o some. Dentro do projeto de psicopatologia do Centro    de Estudos da Teoria dos Campos (Cetec ) ligado &agrave; PUC-SP, iniciamos,    h&aacute; alguns anos, a procura dos res&iacute;duos da grande histeria de convers&atilde;o.    E fomos agraciados pela sorte – e pelo empenho de nossos colaboradores do CEPSIC(4),    que encontraram uma concentra&ccedil;&atilde;o desse <i>quadro desaparecido</i>    na Cl&iacute;nica de Neurologia do HC-FMUSP. Apenas, estavam diagnosticadas    como pseudo-epilepsia, e n&atilde;o histeria, as crises cl&aacute;ssicas, de    aspecto predominantemente convulsivo. Foi montado um servi&ccedil;o de atendimento    psicoter&aacute;pico de orienta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica, para    seguir esses pacientes, numa colabora&ccedil;&atilde;o entre Cetec, CEPSIC e    Cl&iacute;nica Neurol&oacute;gica(5). Com um ano e meio de trabalho, o servi&ccedil;o    recebeu 21 encaminhamentos, dos 52 pacientes l&aacute; reconhecidos at&eacute;    o momento como pseudo-epil&eacute;pticos. A t&iacute;tulo de prova terap&ecirc;utica,    a terapia tem confirmado o car&aacute;ter neur&oacute;tico dos quadros cl&iacute;nicos,    com a cessa&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida das crises, as quais, em m&eacute;dia,    j&aacute; duravam entre oito e dez anos.</font></P>     <P><font size="3">Vit&oacute;ria da doutrina cl&aacute;ssica? Nem tanto. O objetivo    de nossa pesquisa n&atilde;o se resume &agrave; corre&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico.    Buscamos estudar a complexa interrela&ccedil;&atilde;o entre fen&ocirc;menos    convulsivos e hist&eacute;ricos – ali&aacute;s, parte dos pacientes apresenta    ambos – o processo de mimetismo de um quadro comicial nas neuroses – as crises    hist&eacute;ricas observadas s&atilde;o muito mais parecidas &agrave;s convuls&otilde;es    epil&eacute;pticas que noutros contextos – a quest&atilde;o da sugest&atilde;o    pela <i>via de atendimento</i> – os pacientes devem enquadrar-se na esfera neurol&oacute;gica,    para serem atendidos pela neurologia – e assim por diante. Como a revis&atilde;o    dos dados a respeito da epilepsia de dif&iacute;cil controle aponta para uma    freq&uuml;&ecirc;ncia mundial estimada de 20% de pseudo-epilepsia, &eacute;    este, em todo caso, um tema cl&iacute;nico relevante. </font></P>     <P><font size="3">Em que sentido, por&eacute;m, esta &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o    com o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico? O campo dominante nesses estudos,    que tentamos analisar e romper, distingue estritamente doen&ccedil;a org&acirc;nica    de neurose, doen&ccedil;a de simula&ccedil;&atilde;o, psicog&ecirc;nese de patologia    som&aacute;tica. Os estudos costumam limitar-se ao diagn&oacute;stico diferencial,    enquanto nossa investiga&ccedil;&atilde;o ambiciona apreender as configura&ccedil;&otilde;es    psicanal&iacute;ticas de uma patologia confluente ao neurol&oacute;gico, sem    se deter na hip&oacute;tese psicogen&eacute;tica tradicional. Cl&iacute;nica    psicanal&iacute;tica extensa e uma oportunidade aberta para a investiga&ccedil;&atilde;o    em alta teoria, como se v&ecirc;.</font></P>     <P><font size="3"><b>CONSULT&Oacute;RIO E PESQUISA</b> Todo analista pesquisa.    O trabalho cl&iacute;nico, no dia a dia do consult&oacute;rio, &eacute; uma    das formas mais elevadas de investiga&ccedil;&atilde;o. De cada an&aacute;lise,    derivam-se proto-teorias <i>ad hoc</i> que, &agrave;s vezes, desembocam em teorias    elaboradas o bastante para serem publicadas. Ademais, os psicanalistas praticam    outras formas de cl&iacute;nica, que se podem dizer <i>extens&otilde;es</i>;    vale dizer, cl&iacute;nica extensa no consult&oacute;rio ou fora do consult&oacute;rio.    A&iacute; tamb&eacute;m h&aacute; pesquisa da psique, da psique individual e    da psique social. Que t&ecirc;m em comum essas investiga&ccedil;&otilde;es que,    considerando o tamanho de nossas sociedades psicanal&iacute;ticas, re&uacute;nem    com certeza uma massa respeit&aacute;vel de conhecimento potencial? Em sua absoluta    maioria, s&atilde;o realizadas com o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico. N&atilde;o    necessariamente a partir da t&eacute;cnica terap&ecirc;utica padr&atilde;o,    &eacute; evidente, mas, tal como as psican&aacute;lises da cultura de Freud,    obedecendo ao m&eacute;todo interpretativo.</font></P>     <P><font size="3">Uma pesquisa psicanal&iacute;tica &eacute; mais que um relato    cl&iacute;nico, com efeito. Quanto mais? Um dos historiais cl&iacute;nicos de    Freud n&atilde;o se consideraria, em si mesmo, uma pesquisa? Com certeza, pois,    al&eacute;m de apresentar a hist&oacute;ria de um tratamento, faz avan&ccedil;ar    decisivamente o conhecimento da psique humana. Um ensaio te&oacute;rico, apoiado    em material cl&iacute;nico ou na an&aacute;lise de certo recorte da sociedade    e da cultura, constitui tamb&eacute;m uma pesquisa. Explora&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas, idem. Em suma, pesquisa &eacute; algo que os analistas est&atilde;o    sempre a fazer; bastaria saber como transformar o trabalho di&aacute;rio em    pesquisa comunic&aacute;vel. </font></P>     <P><font size="3">Decerto, ningu&eacute;m o ignora, a op&ccedil;&atilde;o pelo    m&eacute;todo psicanal&iacute;tico equivale a propor uma alternativa ao modelo    usual de pesquisa psicol&oacute;gica, baseada em protocolos, estat&iacute;stica,    grupos de controle etc. A experi&ecirc;ncia do Cetec, como a de in&uacute;meros    outros colegas que orientam teses acad&ecirc;micas, tem comprovado que tal alternativa    n&atilde;o s&oacute; &eacute; v&aacute;lida, mas em geral mais produtiva que    a pesquisa convencional. O que n&atilde;o deve ser motivo de estranheza: se    o modelo positivista fosse realmente produtivo na investiga&ccedil;&atilde;o    da psique, por que as descobertas mais importantes nesse &acirc;mbito resultaram    at&eacute; hoje da psican&aacute;lise?</font></P>     <P><font size="3">A converg&ecirc;ncia entre pr&aacute;tica cl&iacute;nica e investiga&ccedil;&atilde;o    tem gerado muita discuss&atilde;o e alguns equ&iacute;vocos. Grosso modo, h&aacute;    tr&ecirc;s g&ecirc;neros de pesquisa em nossa &aacute;rea, no momento. A investiga&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica, o coment&aacute;rio te&oacute;rico, a pesquisa emp&iacute;rica.    Como sempre, os defensores de cada qual esgrimem argumentos razo&aacute;veis.    Para defender a pesquisa emp&iacute;rica, seus praticantes argumentam que falta    rigor ao procedimento cl&iacute;nico, por ser subjetivo e singular, e que as    demais &aacute;reas cient&iacute;ficas n&atilde;o o reconheceriam. Os defensores    do coment&aacute;rio te&oacute;rico demonstram sua erudi&ccedil;&atilde;o e    sutileza nas sucessivas retomadas da obra freudiana. Os cl&iacute;nicos reivindicam,    com justi&ccedil;a, a autenticidade do contato direto com o fen&ocirc;meno vivo    e a naturalidade de sua pesquisa, sendo aquilo mesmo que faz o analista, por    of&iacute;cio.</font></P>     <P><font size="3">Os equ&iacute;vocos s&atilde;o simples de elucidar. </font></P>     <P><font size="3">De pouco nos vale buscar nossa exatid&atilde;o cient&iacute;fica    fora da psican&aacute;lise. Observa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, protocolos,    estat&iacute;stica etc. n&atilde;o fazem parte do esp&iacute;rito de nossa disciplina    e, o que &eacute; mais s&eacute;rio, falta-lhes justamente o rigor buscado,    face ao campo onde s&atilde;o colhidos os dados. H&aacute; coisas quantific&aacute;veis    e outras que n&atilde;o o s&atilde;o – a come&ccedil;ar por n&atilde;o serem    coisas, como o psiquismo. N&atilde;o &eacute; raro que, na sede de aplicar estat&iacute;stica    elementar, atribua-se quantidade a atitudes, opini&otilde;es, respostas a question&aacute;rio.    A investiga&ccedil;&atilde;o dos campos do inconsciente, tratada dessa forma,    tende a criar entidades inexistentes. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">A pesquisa te&oacute;rica estrita tem valor, mas tamb&eacute;m    tem seus problemas. Em especial, o seguinte: as teorias psicanal&iacute;ticas,    quando em estado te&oacute;rico, admitem combina&ccedil;&otilde;es e varia&ccedil;&otilde;es    quase ilimitadas; somente no quadro metodol&oacute;gico da cl&iacute;nica, elas    encontram seu pleno sentido de origem. Podem-se comparar os conceitos psicanal&iacute;ticos    aos fotogramas de um filme: a an&aacute;lise quadro a quadro &eacute; pouco    esclarecedora do enredo. &Eacute; o m&eacute;todo em a&ccedil;&atilde;o que    os p&otilde;e em movimento. </font></P>     <P><font size="3">Por seu lado, a cl&iacute;nica &eacute; nosso dom&iacute;nio    por excel&ecirc;ncia. Por&eacute;m, contar um caso n&atilde;o constitui uma    pesquisa, nem se limita nossa cl&iacute;nica ao consult&oacute;rio e aos pacientes    individuais.</font></P>     <P><font size="3">A solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consiste em escolher uma    das tr&ecirc;s formas e defend&ecirc;-la <i>&agrave; outrance</i>. H&aacute;    algo melhor. &Eacute; poss&iacute;vel habitar a cl&iacute;nica, seja a psican&aacute;lise    de consult&oacute;rio ou outras formas psicanal&iacute;ticas de cl&iacute;nica    extensa, e, em nosso h&aacute;bitat natural, procurar o rigor poss&iacute;vel,    que em geral supera de muito o da pesquisa quantitativa enxertada na cl&iacute;nica,    mas sem perder de vista a cr&iacute;tica e a cria&ccedil;&atilde;o de teorias.    </font></P>     <P><font size="3">Visando apurar o estado presente das pesquisas com o m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico na Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o    Paulo (SBPSP), organizamos a jornada <i>Pesquisando com o M&eacute;todo Psicanal&iacute;tico</i>,    em maio de 2003, patrocinada pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Psican&aacute;lise    (ABP) e pela pr&oacute;pria Sociedade (6). Durante o encontro, mais de trinta    trabalhos foram apresentados – a maioria vinculada tamb&eacute;m &agrave; universidade    (7) – que estar&atilde;o reunidos em um livro, a ser publicado em 2004. O resultado    parece demonstrar a vitalidade potencial da pesquisa conduzida com o m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico; mas, acima de tudo, mostra que, em S&atilde;o Paulo, esta    &eacute; uma realidade que n&atilde;o se pode ignorar, sem grave preju&iacute;zo    para o progresso do conhecimento da psique.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Fabio Herrmann </b>&eacute; psicanalista da Sociedade    Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo e professor da PUC-SP.</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1.  Um esclarecimento dos conceitos metodol&oacute;gicos    da Teoria dos Campos pode ser encontrado em meu livro <i>Introdu&ccedil;&atilde;o    &agrave; Teoria dos Campos</i>, S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo,    2001.</font><!-- ref --><P><font size="3">2.  "L’Attentat", in <i>Cahiers confrontation —    accident catastrophe</i>, 7, Paris, Ed. Aubier, 1982     <!-- ref -->e <i>Andaimes do real:    psican&aacute;lise do quotidiano</i>, S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo,    2001, 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, especialmente a parte 3: "O mundo em    que vivemos".</font><!-- ref --><P><font size="3">3.  Lanzoni, Maria da Penha Z. <i>Jogando com a vida</i>,    disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado apresentada ao Programa de Estudos P&oacute;s–Graduados    em Psicologia Cl&iacute;nica da PUC-SP, defendida em outubro de 2003.</font><!-- ref --><P><font size="3">4.  Centro de Estudos em Psicologia da Sa&uacute;de, Divis&atilde;o    de Psicologia do Instituto Central do HC-FMUSP, presidido por Mara Cristina    Souza de Lucia.</font><!-- ref --><P><font size="3">5.  Em colabora&ccedil;&atilde;o com os professores Milberto    Scaff, professor titular de neurologia da FMUSP, e Luis Henrique Martins Castro,    da neuro-cl&iacute;nica do HC-FMUSP.</font><!-- ref --><P><font size="3">6.  Organiza&ccedil;&atilde;o: Fabio Herrmann, coordenador    geral, Theodor Lowenkron, coordenador da Comiss&atilde;o Psican&aacute;lise    e Pesquisa da ABP, comiss&atilde;o executiva: Iliana Horta Warchavchik, Luciana    Estefano Saddi e Magda Guimar&atilde;es Khouri. </font><!-- ref --><P><font size="3">7.  Dezenove projetos em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    universit&aacute;ria, seis dos quais de membros do Cetec, e nove relativos a    pesquisas independentes de membros e candidatos da SBPSP.</font> ]]></body><back>
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