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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>O QUE &Eacute; NEURO-PSICAN&Aacute;LISE</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Yusaku Soussumi</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>O </b></font><font size="3">objetivo deste trabalho &eacute;    tratar da neuro-psican&aacute;lise, um novo m&eacute;todo cient&iacute;fico    que consiste em combinar dois m&eacute;todos j&aacute; existentes, ou seja,    um m&eacute;todo que busca integrar, sobre uma base emp&iacute;rica, a psican&aacute;lise    e a neuroci&ecirc;ncia. </font></P>     <P><font size="3">O in&iacute;cio de movimentos, ainda t&iacute;midos, por parte    de psicanalistas que ousavam contrariar a orienta&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es    psicanal&iacute;ticas de buscar estudar as poss&iacute;veis correla&ccedil;&otilde;es    entre os conceitos, os achados da psican&aacute;lise com as descobertas da neuroci&ecirc;ncia,    ocorreu na D&eacute;cada do C&eacute;rebro. Data de 1994 a funda&ccedil;&atilde;o    do grupo de estudos de neuroci&ecirc;ncia e psican&aacute;lise no Instituto    de Psican&aacute;lise de Nova York, quando os psicanalistas, encabe&ccedil;ados    por Arnold Pfefer, buscaram em neurocientistas da Universidade de Columbia como    James Schwartz, os conhecimentos neurocient&iacute;ficos que pudessem correlacionar    com seus conhecimentos psicanal&iacute;ticos. Iniciava-se um interc&acirc;mbio    de informa&ccedil;&otilde;es e conhecimentos entre psicanalistas e neurocientistas.    &Agrave; essa &eacute;poca, em diversos pontos do mundo como em Frankfurt, Viena,    Londres, Bruxelas e S&atilde;o Paulo, existiam psicanalistas que sozinhos ou    em grupos buscavam estudar as poss&iacute;veis correla&ccedil;&otilde;es entre    as duas ci&ecirc;ncias. Iniciei na d&eacute;cada de 1980 investiga&ccedil;&otilde;es    neste campo tendo tido, somente em 1994, a possibilidade de apresentar um trabalho    sobre o assunto num evento psicanal&iacute;tico, a Bienal da Psican&aacute;lise    de 1994. Em 1996, Mark Solms, psicanalista ingl&ecirc;s com forma&ccedil;&atilde;o    em neuroci&ecirc;ncia, que vinha trabalhando em Londres e publicando trabalhos    sobre o assunto desde a d&eacute;cada de 1980, foi convidado pelo Instituto    de Psican&aacute;lise de Nova York para coordenar o grupo de estudos de neuro-psican&aacute;lise.    Com o aumento de psicanalistas e de neurocientistas interessados nos estudos    das correla&ccedil;&otilde;es das duas disciplinas que beneficiavam as duas    entre si, resolveu-se, sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Arnold Pfeffer e Mark    Solms, fundar uma sociedade que congregasse esses psicanalistas, neurocientistas,    solit&aacute;rios ou organizados em grupos, e que pudesse ser um p&oacute;lo    de orienta&ccedil;&atilde;o, atualiza&ccedil;&atilde;o e de trocas. Assim, em    julho de 2000, em Londres, durante a realiza&ccedil;&atilde;o do I Congresso    Internacional de Neuro-Psican&aacute;lise, um comit&ecirc; fundador que foi    constitu&iacute;do com as lideran&ccedil;as de diversos pontos do planeta, fundou    a Sociedade Internacional de Neuro-Psican&aacute;lise. Fui o representante brasileiro    no comit&ecirc; fundador, criando o Centro de Estudos e Investiga&ccedil;&atilde;o    em Neuro-Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo que integrou o conjunto de grupos    pelo mundo que compunha as bases da nova Sociedade. </font></P>     <P><font size="3">Para compreender a proposta metodol&oacute;gica da neuro-psican&aacute;lise    &eacute; interessante esclarecer as raz&otilde;es pelas quais Freud, sendo neurologista,    criou a psican&aacute;lise que, em ess&ecirc;ncia, &eacute; um m&eacute;todo    psicol&oacute;gico para dar significados aos processos mentais sem, no entanto,    perder o v&iacute;nculo com a neurologia, e sem perder a esperan&ccedil;a de    que um dia a psican&aacute;lise voltaria a se unir &agrave; neurologia, quando    esta tivesse alcan&ccedil;ado um grau de desenvolvimento e oferecesse conhecimentos    que faltavam naquela &eacute;poca.</font></P>     <P><font size="3">No tempo de Freud, a neurologia ainda era uma disciplina relativamente    nova, e tinha incorporado da medicina interna o m&eacute;todo an&aacute;tomo-cl&iacute;nico,    que consistia nos levantamentos dos sinais e sintomas cl&iacute;nicos das doen&ccedil;as    para buscar a confirma&ccedil;&atilde;o an&aacute;tomo-patol&oacute;gica nas    aut&oacute;psias. Isto queria dizer que o cl&iacute;nico fazia as hip&oacute;teses    diagn&oacute;sticas das doen&ccedil;as atrav&eacute;s dos sinais e sintomas,    e s&oacute; tinha a comprova&ccedil;&atilde;o quando o paciente era submetido    &agrave; aut&oacute;psia. Com o decorrer do tempo, em face das experi&ecirc;ncias    an&aacute;tomo-cl&iacute;nicas, os cl&iacute;nicos atrav&eacute;s dos sinais    e sintomas inferiam as les&otilde;es anat&ocirc;micas das doen&ccedil;as. A    escola germ&acirc;nica privilegiava, acima de tudo, os achados an&aacute;tomo-patol&oacute;gicos,    e assim os sinais e sintomas n&atilde;o explicados pelas les&otilde;es anat&ocirc;micas    eram desconsiderados. Por esta &eacute;poca, os neurologistas estavam &agrave;s    voltas com algumas doen&ccedil;as como histeria, neurastenias que, apesar da    exuber&acirc;ncia dos sintomas – por exemplo, paralisias de membros – os patologistas    nada encontravam nas aut&oacute;psias para justific&aacute;-las. Trabalhando    neste m&eacute;todo, Freud se deu conta de suas limita&ccedil;&otilde;es. A    escola francesa, tendo Charcot como figura central, atraiu a aten&ccedil;&atilde;o    de Freud, que foi fazer um est&aacute;gio com ele, em1885-86, para tomar contato    com o que tamb&eacute;m era m&eacute;todo an&aacute;tomo-cl&iacute;nico, mas    que privilegiava os sinais e sintomas, obtidos na observa&ccedil;&atilde;o meticulosa.    Ou seja, estes n&atilde;o eram rejeitados, mesmo que n&atilde;o se encontrassem    os substratos anat&ocirc;micos na aut&oacute;psia. Esta postura de Charcot teve    uma influ&ecirc;ncia marcante em Freud, que passou a praticar essa modalidade    de m&eacute;todo cl&iacute;nico quando retornou a Viena. Charcot tinha uma hip&oacute;tese    de que as les&otilde;es n&atilde;o surgiam nas aut&oacute;psias porque eram    de natureza fisiol&oacute;gica, e de origem heredit&aacute;ria, e que eram micropatologias    que o desenvolvimento da t&eacute;cnica no futuro iria evidenciar. </font></P>     <P><font size="3">Com a experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica, e sob a influ&ecirc;ncia    do neurologista ingl&ecirc;s Hughlings Jackson, Freud come&ccedil;ou a se dar    conta de que essas manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o apareciam nas aut&oacute;psias    por serem fen&ocirc;menos de natureza psicol&oacute;gica e, por outro lado,    n&atilde;o se encerravam em localiza&ccedil;&otilde;es restritas em centros    no c&eacute;rebro. A &eacute;poca marcava o auge do localizacionismo em face    dos achados de Broca e Wernicke. Diferentemente do aceito, para Freud as fun&ccedil;&otilde;es    ocorriam n&atilde;o em &aacute;reas localizadas, mas na intera&ccedil;&atilde;o    din&acirc;mica de diversas &aacute;reas que correspondiam a fun&ccedil;&otilde;es    complexas. Freud deu-se conta desses aspectos ao estudar a afasia e as perturba&ccedil;&otilde;es    de movimentos volunt&aacute;rios e n&atilde;o fun&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Na medida que avan&ccedil;ava nas observa&ccedil;&otilde;es    da histeria e outros quadros mentais, mais fortalecia a convic&ccedil;&atilde;o    de que, na realidade, se tratavam de quest&otilde;es de fun&ccedil;&otilde;es    de natureza psicol&oacute;gicas, que ocorriam na din&acirc;mica de intera&ccedil;&otilde;es    de diversas &aacute;reas cerebrais, que nunca seriam detectadas pela anatomia    patol&oacute;gica. Em 1895, Freud fez com o <i>Projeto para uma psicologia cient&iacute;fica</i>,    sua &uacute;ltima tentativa de construir um esquema din&acirc;mico de funcionamento    neurol&oacute;gico, com elementos que eram produtos de suas conjecturas, imagina&ccedil;&otilde;es,    pois as concep&ccedil;&otilde;es neurol&oacute;gicas vigentes n&atilde;o tinham    alcan&ccedil;ado um desenvolvimento necess&aacute;rio para ancorar suas hip&oacute;teses    funcionais. Por essa &eacute;poca, Freud se dava conta de que podia estudar    as fun&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas pela observa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica    acurada, sem conjecturas e imagina&ccedil;&otilde;es, buscando na din&acirc;mica    ps&iacute;quica em si a explica&ccedil;&atilde;o que a din&acirc;mica neurol&oacute;gica    n&atilde;o podia oferecer, mas deveria existir e seria conhecida com o desenvolvimento    da neurobiologia. A&iacute; surgiu a psican&aacute;lise com a sua metapsicologia.</font></P>     <P><font size="3">Hoje, a tend&ecirc;ncia natural tanto dos neurocientistas como    dos psicanalistas, no primeiro momento, &eacute; buscar uma correla&ccedil;&atilde;o    isom&oacute;rfica entre os conceitos psicanal&iacute;ticos e neurocient&iacute;ficos,    o que causa uma simplifica&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea, que n&atilde;o leva    em conta as caracter&iacute;sticas das duas ci&ecirc;ncias.</font></P>     <P><font size="3">A partir de 1939, principalmente com o trabalho de Alexander    R. Luria, desenvolveu-se dentro do campo da neuroci&ecirc;ncia do comportamento,    a neuropsicologia din&acirc;mica, cujos princ&iacute;pios se aproximam aos da    psican&aacute;lise por aceitar que as fun&ccedil;&otilde;es da fisiologia cerebral    ocorrem na intera&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica de diversas &aacute;reas espalhadas    pelo c&eacute;rebro, e n&atilde;o resultante de uma localiza&ccedil;&atilde;o    num centro. Nestes termos, podemos afirmar que a psican&aacute;lise se comporta    como uma neuropsicologia. </font></P>     <P><font size="3">Luria quando escreveu seu &uacute;ltimo livro em 1976, parece    que tinha esgotado os principais assuntos cognitivos, e se propunha a entrar    num campo n&atilde;o abrangido pelo cognitivismo: motiva&ccedil;&atilde;o, emo&ccedil;&otilde;es    profundas e personalidade. Ele faleceu antes de iniciar seu projeto. </font></P>     <P><font size="3">Freud descobriu que os conte&uacute;dos subjetivos da vida mental    n&atilde;o s&atilde;o facilmente acess&iacute;veis &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica. For&ccedil;as poderosas trabalham para se oporem &agrave;s    tentativas de investiga&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos privados da mente    individual. Freud classificou estas for&ccedil;as – que se expressam clinicamente    como vergonha, culpa, ansiedade e outros – sob o nome de "resist&ecirc;ncias".    Essas dificuldades ocorrem pelo fato de que as determinantes causais inferidas    dos dados observacionais prim&aacute;rios (acontecimentos mentais inconscientes    que subjazem os processos de pensamento conscientes) n&atilde;o s&atilde;o conscientes    por defini&ccedil;&atilde;o. Ele experimentou v&aacute;rias t&eacute;cnicas    para vencer tais resist&ecirc;ncias (por exemplo: hipnotismo e t&eacute;cnica    da press&atilde;o) e, com base nessas experi&ecirc;ncias, gradualmente desenvolveu    a t&eacute;cnica psicanal&iacute;tica definitiva da associa&ccedil;&atilde;o    livre. </font></P>     <P><font size="3">Tanto Freud como Luria sempre insistiram que para descobrir    a organiza&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica do aparelho mental humano como    compreendemos na psican&aacute;lise &eacute; necess&aacute;rio, em primeiro    lugar, dissecar a estrutura interna psicol&oacute;gica das v&aacute;rias mudan&ccedil;as    na personalidade, na motiva&ccedil;&atilde;o e na emo&ccedil;&atilde;o complexa.    Assim, os m&uacute;ltiplos fatores subjacentes produzindo esses sintomas e s&iacute;ndromes    podem ser identificados, e cada um correlacionado com sua "cena de a&ccedil;&atilde;o"    neuro-anat&ocirc;mica.</font></P>     <P><font size="3">Entretanto, devido &agrave;s for&ccedil;as de resist&ecirc;ncia    descritas, esses fatores n&atilde;o podem ser revelados pelas t&eacute;cnicas    neuropsicol&oacute;gicas convencionais. Os testes psicom&eacute;tricos e t&eacute;cnicas    de comportamento b&aacute;sicos, que os neuropsic&oacute;logos usam para acessar    o estado mental dos pacientes neurol&oacute;gicos, foram destinados para a investiga&ccedil;&atilde;o    das desordens das fun&ccedil;&otilde;es cognitivas de superf&iacute;cie. Para    que possamos revelar a estrutura psicol&oacute;gica subjacente, profunda, das    desordens da personalidade, motiva&ccedil;&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o complexa    que aflige o paciente neurol&oacute;gico, portanto, a t&eacute;cnica da associa&ccedil;&atilde;o    livre deve ser introduzida dentro do m&eacute;todo neuropsicol&oacute;gico de    Luria.</font></P>     <P><font size="3">Este tem sido o m&eacute;todo neuro-psicanal&iacute;tico por    excel&ecirc;ncia, que evita as correla&ccedil;&otilde;es isom&oacute;rficas    da psican&aacute;lise com a neuroci&ecirc;ncia, e evita o reducionismo que leva    &agrave; anula&ccedil;&atilde;o do que &eacute; fundamental no m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico e do significado mais profundo de seus conceitos.</font></P>     <P><font size="3">O que tem sido recomendado, e que se acredita prover&aacute;    um pilar para uma consistente integra&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise    e neuroci&ecirc;ncia, &eacute; uma plena investiga&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica    de pacientes com les&otilde;es neurol&oacute;gicas focais. Em outras palavras,    o que se recomenda &eacute; o mapeamento da organiza&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica    do processo mental humano que a psican&aacute;lise revelou, usando a vers&atilde;o    modificada do m&eacute;todo de Luria da an&aacute;lise da s&iacute;ndrome, pelo    estudo da estrutura profunda das mudan&ccedil;as mentais nos pacientes neurol&oacute;gicos    que podem ser discernidos dentro do <i>setting</i> psicanal&iacute;tico.</font></P>     <P><font size="3">Desde que as investiga&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas    v&aacute;lidas s&oacute; podem ser conduzidas no contexto do tratamento psicanal&iacute;tico,    o m&eacute;todo investigat&oacute;rio que se recomenda tem um potencial de benef&iacute;cio    secund&aacute;rio. Ele permite que se veja se e em que extens&atilde;o o tratamento    psicanal&iacute;tico pode contribuir para a reabilita&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias    desordens de personalidade, motiva&ccedil;&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o,    que est&atilde;o associados com o dano focal neurol&oacute;gico. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Os trabalhos dentro dessa metodologia neuro-psicanal&iacute;tica    v&ecirc;m sendo realizados no campo das mem&oacute;rias, das emo&ccedil;&otilde;es,    dos sistemas motivacionais, do inconsciente trazendo contribui&ccedil;&otilde;es    valiosas para as duas ci&ecirc;ncias. Um exemplo onde as contribui&ccedil;&otilde;es    psicanal&iacute;ticas t&ecirc;m sido muito ricas &eacute; no campo dos estudos    da regula&ccedil;&atilde;o afetiva, orientando as pesquisas da neuroci&ecirc;ncia    do desenvolvimento e psicologia do desenvolvimento, campo em que as chamadas    rela&ccedil;&otilde;es de objetos, t&atilde;o estudados por psicanalistas como    Melanie Klein, Fairban e Mahler t&ecirc;m contribu&iacute;do de forma ineg&aacute;vel.</font></P>     <P><font size="3">&Eacute; no campo dos lesionados cerebrais onde mais se pode    perceber a correla&ccedil;&atilde;o e a complementa&ccedil;&atilde;o das duas    disciplinas. Assim, por exemplo, os estudos dos estados conhecidos como de confabula&ccedil;&atilde;o    nos pacientes com les&atilde;o bilateral da regi&atilde;o ventro medial no prefrontal    ou na s&iacute;ndrome de Korsakof, t&ecirc;m permitido a investiga&ccedil;&atilde;o    psicanal&iacute;tica que se realiza al&eacute;m das investiga&ccedil;&otilde;es    neuropsicol&oacute;gicas. Pelo m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, t&ecirc;m-se    podido evidenciar nessas manifesta&ccedil;&otilde;es confabulat&oacute;rias    as caracter&iacute;sticas especiais do sistema inconsciente em plena express&atilde;o,    como trazidos por Freud, quais sejam: 1. a toler&acirc;ncia da contradi&ccedil;&atilde;o    m&uacute;tua; 2. aus&ecirc;ncia do tempo; 3. a substitui&ccedil;&atilde;o da    realidade externa pela realidade ps&iacute;quica; 4. o processo prim&aacute;rio    (mobilidade da catexia).</font></P>     <P><font size="3">Nas chamadas s&iacute;ndromes do hemisf&eacute;rio cerebral    direito, que ocorrem nas les&otilde;es da regi&atilde;o peri-silviana, geralmente    por problemas de irriga&ccedil;&atilde;o da art&eacute;ria cerebral medial que    provoca paralisia no lado esquerdo do corpo, ocorrem alguns sintomas exuberantes    como: 1. anosognosia (inconsci&ecirc;ncia do d&eacute;ficit); 2. anosodiaforia    (aceita&ccedil;&atilde;o intelectual com nega&ccedil;&atilde;o emocional); 3.    neglig&ecirc;ncia (ignor&acirc;ncia do lado esquerdo do espa&ccedil;o); 4. misoplegia    (obsessividade e &oacute;dio pela les&atilde;o) e apraxia espacial (dificuldade    de atuar o espa&ccedil;o) etc. Esse quadro, cujos sintomas s&atilde;o explicados    coerentemente por teorias neuropsicol&oacute;gicas relacionadas com as perdas    das fun&ccedil;&otilde;es do hemisf&eacute;rio direito e perman&ecirc;ncia das    fun&ccedil;&otilde;es do hemisf&eacute;rio esquerdo, oferecem nas situa&ccedil;&otilde;es    de investiga&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas a possibilidade de se descobrir    motiva&ccedil;&otilde;es inconscientes, n&atilde;o acess&iacute;veis aos m&eacute;todos    neuropsicol&oacute;gicos comuns, que levam os indiv&iacute;duos &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es    de tais sintomas de nega&ccedil;&atilde;o da realidade dolorosa, sugerido que    o hemisf&eacute;rio direito ausente tem a fun&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica    de realizar o luto pelas perdas, superar a melancolia, e desenvolver a capacidade    relacional do indiv&iacute;duo dos estados narc&iacute;sicos para rela&ccedil;&otilde;es    de objeto, propiciando, conseq&uuml;entemente, a amplia&ccedil;&atilde;o de    suas rela&ccedil;&otilde;es espaciais.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Yusaku Soussumi</b> &eacute; membro efetivo da Sociedade    Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo; membro fundador da Sociedade    Internacional de Neuro-Psican&aacute;lise; e presidente do Centro de Estudos    de Neuro-Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo.</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">Kaplan-Solms, K.&amp; Solms, M. <i>Clinical studies in neuro-psychoanalysis    – Introduction to a depth neuropsychology</i>, London, Karnac Books.2000.</font><!-- ref --><P><font size="3">Luria, A.R. <i>Human brain and psychological process</i>, New    York: Harper &amp; Row. 1966.</font><!-- ref --><P><font size="3">Luria, A.R <i>The working brain: an introduction to neuropsychology</i>.    New York: Basic Books. 1973.</font> ]]></body><back>
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