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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="4"><b>BIO&Eacute;TICA DA VIDA COTIDIANA</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Claudio Cohen e Gisele Gobbetti</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b> E</b></font><font size="3">ntendemos que n&oacute;s seres    humanos n&atilde;o nascemos nem &eacute;ticos e nem competentes para as nossas    fun&ccedil;&otilde;es sociais, pois tanto uma como outra ser&atilde;o incorporadas    no processo de humaniza&ccedil;&atilde;o por meio da elabora&ccedil;&atilde;o    do pacto ed&iacute;pico. Entendemos, tamb&eacute;m, que exercer a eticidade    seja a possibilidade de pensar a &eacute;tica e a moral. Esse pensamento n&atilde;o    deve conter apenas os conflitos entre a emo&ccedil;&atilde;o e a raz&atilde;o    mas, tamb&eacute;m, permitir que o indiv&iacute;duo se relacione com os mundos    interno e externo. Lidar com tais conflitos causa-nos um mal estar, que &eacute;    inerente &agrave; inser&ccedil;&atilde;o na cultura e ao desenvolvimento humano.</font></P>     <P><font size="3">O ser bio&eacute;tico deve lidar com o outro, devendo integrar    sua biologia com sua biografia, que o tornar&aacute; competente para exercer    sua cidadania.</font></P>     <P><font size="3">A bio&eacute;tica da vida cotidiana visa pensar as quest&otilde;es    mais simples do nosso dia a dia, ou seja, uma reflex&atilde;o &eacute;tica das    rela&ccedil;&otilde;es, para n&atilde;o ter que pensar apenas nas grandes quest&otilde;es    da bio&eacute;tica que implicam em mudan&ccedil;a de valores, como por exemplo    a eutan&aacute;sia, fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, os transg&ecirc;nicos,    aloca&ccedil;&atilde;o de recursos em sa&uacute;de etc.</font></P>     <P><font size="3"><b>DESENVOLVIMENTO HUMANO</b> A humanidade tende a repetir suas    experi&ecirc;ncias, por&eacute;m delas o ser humano aprende muito pouco. Para    exemplificar, retomaremos o movimento art&iacute;stico e cient&iacute;fico conhecido    como Renascimento dos s&eacute;culos XV e XVI que pode ser caracterizado pelo    renascer da cultura grega cl&aacute;ssica. Essa cultura caracterizou-se pela    sua vis&atilde;o antropoc&ecirc;ntrica do mundo, ou seja, ela entendia que o    ser humano era o fator central ou, pelo menos, o mais significativo do universo.    </font></P>     <P><font size="3">Com o renascer dessa compreens&atilde;o humanista, existe a    retomada de uma &eacute;tica orientada para o ser humano, para o desenvolvimento    das suas faculdades criadoras e para o m&aacute;ximo proveito dos recursos naturais.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Devido ao salto qualitativo proveniente do atual conhecimento    em espa&ccedil;o, tempo e cultura, entendo que estamos experimentando um per&iacute;odo    revolucion&aacute;rio, que posso compar&aacute;-lo ao per&iacute;odo renascentista.    Por&eacute;m, como no passado, os conflitos &eacute;ticos que esse tipo de conhecimento    nos traz s&atilde;o in&uacute;meros, e &eacute; por este motivo que entendo    que devamos retomar uma &eacute;tica que esteja vinculada a valores humanistas,    pois foi ela quem ajudou a lidar com estes conflitos, durante o per&iacute;odo    do Renascimento. </font></P>     <P><font size="3">O novo conhecimento cient&iacute;fico coloca uma quest&atilde;o    &eacute;tica central: o que &eacute; a "vida"?. A quest&atilde;o pode    ser subdividida em o que deva a ser considerado "estar vivo", como,    por exemplo, os embri&otilde;es congelados ou o genoma m&iacute;nimo, e o que    venha a ser considerado "ser vivo", por exemplo, o que fazer com os    seres e plantas transg&ecirc;nicas.</font></P>     <P><font size="3">O ressurgimento desse pensamento renascentista pode ser observado    atrav&eacute;s de certas equival&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, como o que ocorreu    na divulga&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Gutemberg, inventor do tip&oacute;grafo,    em 1440 imprimiu o primeiro livro, a <i>B&iacute;blia</i>, permitindo que as    pessoas comuns pudessem ter acesso a esse conhecimento humano. Mantidas as propor&ccedil;&otilde;es,    &eacute; f&aacute;cil de se observar a semelhan&ccedil;a existente no que o    Bill Gates nos oferece com seus softwares ou na velocidade da divulga&ccedil;&atilde;o    do conhecimento que a internet nos proporciona.</font></P>     <P><font size="3">Se pensarmos nos espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos, em 1492,    Crist&oacute;v&atilde;o Colombo, gra&ccedil;as ao patroc&iacute;nio da rainha    da Espanha, descobre as Am&eacute;ricas. Atualmente, gra&ccedil;as ao patroc&iacute;nio    dos Estados Unidos, o ser humano pisou na Lua, chegamos a Marte e se for confirmada    a presen&ccedil;a de &aacute;gua l&aacute;, seguramente ela poder&aacute; ser    colonizada por n&oacute;s, terr&aacute;queos. Espero que, dessa vez, possamos    utilizar as experi&ecirc;ncias passadas e n&atilde;o cometer, novamente, as    mesmas imprud&ecirc;ncias que os antigos colonizadores realizaram com suas col&ocirc;nias.</font></P>     <P><font size="3">Tamb&eacute;m existe uma certa analogia frente ao conhecimento    biol&oacute;gico que temos atualmente, ao do per&iacute;odo renascentista: a    descoberta da anatomia do corpo humano, realizada por Leonardo da Vinci (1452-1519),    foi obtida atrav&eacute;s da disseca&ccedil;&atilde;o de cad&aacute;veres e    considerada anti&eacute;tica; o atual mapeamento do genoma humano tamb&eacute;m    est&aacute; sendo encarado por algumas pessoas de forma similar aos m&eacute;todos    do g&ecirc;nio renascentista. Essa desconfian&ccedil;a surge da id&eacute;ia    de que iremos fazer um mau uso do nosso conhecimento, pois estamos prontos a    modificar a sele&ccedil;&atilde;o natural, o que poder&aacute; ter conseq&uuml;&ecirc;ncias    catastr&oacute;ficas. Posso dizer que as descobertas renascentistas n&atilde;o    trouxeram.</font></P>     <P><font size="3">Finalmente, podemos observar o fio condutor desse pensamento    humanista atrav&eacute;s de nossa hist&oacute;ria, em S&oacute;focles (cultura    grega cl&aacute;ssica) que escreve a trag&eacute;dia de &Eacute;dipo, em Shakespeare    (renascentista) que retoma essa trag&eacute;dia edipiana em Hamlet. Sendo revisto    por Freud (contempor&acirc;neo) quando identifica a universalidade desse desejo    nas pessoas, e o denomina de Complexo de &Eacute;dipo.</font></P>     <P><font size="3">Atualmente, ser&aacute; a bio&eacute;tica, a &eacute;tica da    vida, quem ir&aacute; se ocupar do que venha ser certo ou errado frente aos    conflitos provocados pela nossa evolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, pois    ser&aacute; esta &eacute;tica que nos permitir&aacute; pensar certos conceitos    propostos pela ci&ecirc;ncia como, por exemplo, o que &eacute; morte. A ci&ecirc;ncia    nos trouxe o conceito de morte cerebral, que foi internacionalmente aceito,    mas que surgiu como uma necessidade para poder realizar os transplantes.</font></P>     <P><font size="3">Assim sendo, devemos pensar nas quest&otilde;es bio&eacute;ticas    provocadas pela biotecnologia, como a clonagem de seres humanos ou outros avan&ccedil;os    gen&ocirc;micos, e as quest&otilde;es bio&eacute;ticas provocadas pela "bioeconomia",    tais como o patenteamento de genes ou do genoma e a sua poss&iacute;vel comercializa&ccedil;&atilde;o.    </font></P>     <P><font size="3">O f&iacute;sico italiano Galileu Galilei (1564-1642), iniciador    do m&eacute;todo cient&iacute;fico, tamb&eacute;m foi considerado her&eacute;tico    por defender o sistema Cop&eacute;rnico, que afirmava ser a Terra quem girava    em torno do Sol. Atualmente, devemos entender que Galileu foi t&atilde;o revolucion&aacute;rio    quanto Einstein, com sua teoria da relatividade, ou t&atilde;o transformador    quanto a descoberta da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica para a f&iacute;sica.</font></P>     <P><font size="3">Os cientistas que est&atilde;o pesquisando o genoma humano poder&atilde;o    ser considerados her&eacute;ticos por algumas pessoas, mas tamb&eacute;m poder&atilde;o    ser vistos como renascentistas por outras. A ci&ecirc;ncia n&atilde;o deve se    tornar a nova religi&atilde;o dizendo o que venha ser her&eacute;tico ou n&atilde;o.    Ser&aacute; a sociedade, como um todo e de forma democr&aacute;tica, quem dever&aacute;    discutir essas quest&otilde;es bio&eacute;ticas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Gostar&iacute;amos de salientar que o conhecimento da anatomia    humana n&atilde;o nos permitiu localizar qual &eacute; a parte do corpo onde    se localiza a nossa alma. Do mesmo modo, n&atilde;o ser&aacute; o mapeamento    do genoma que nos transformar&aacute; em diabos ou deuses, pois estas quest&otilde;es    humanas s&atilde;o muito complexas pela sua subjetividade. Dificilmente qualquer    m&eacute;todo cient&iacute;fico dar&aacute; conta da subjetividade humana.</font></P>     <P><font size="3"><b>BIO&Eacute;TICA DAS RELA&Ccedil;&Otilde;ES</b> Seguramente,    a &eacute;tica &eacute; anterior aos gregos, mas devemos a este povo a sua denomina&ccedil;&atilde;o    enquanto uma filosofia do bem e do mal. Acreditamos, por&eacute;m, que, desde    os primeiros ancestrais humanos, j&aacute; existia uma &eacute;tica para as    rela&ccedil;&otilde;es humanas, assim como j&aacute; existiam leis para regulamentar    o comportamento humano antes da cria&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos.</font></P>     <P><font size="3">N&oacute;s, seres humanos, criamos os problemas &eacute;ticos,    pois eles emergem justamente das rela&ccedil;&otilde;es psicossociais, ou seja,    da percep&ccedil;&atilde;o dos conflitos causados pela inser&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo na cultura.</font></P>     <P><font size="3">Notamos que a bio&eacute;tica, teoria com princ&iacute;pios    (autonomia, benefic&ecirc;ncia e justi&ccedil;a), acaba sendo uma &eacute;tica    moralista, pois tenta encaixar os indiv&iacute;duos em pressupostos sociais,    que nem sempre abarcam os valores individuais.</font></P>     <P><font size="3">Enquanto a ci&ecirc;ncia traz o conhecimento, a bio&eacute;tica    traz a reflex&atilde;o sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento na pr&aacute;tica.O    que propomos neste trabalho &eacute; justamente a pr&aacute;tica da bio&eacute;tica,    que denominaremos de <b>bio&eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es</b>.</font></P>     <P><font size="3">Embora, diferentemente da moral, a &eacute;tica seja individual,    na perspectiva da bio&eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es, ela s&oacute;    pode surgir no confronto e no reconhecimento do outro. Dentro dessa perspectiva,    a autonomia do indiv&iacute;duo s&oacute; pode ser pensada na rela&ccedil;&atilde;o,    ou seja, nenhum indiv&iacute;duo &eacute; totalmente aut&ocirc;nomo, pois o    limite de sua liberdade se dar&aacute; no contexto das rela&ccedil;&otilde;es    com os mundos externo e interno.</font></P>     <P><font size="3">Por outro lado, a autonomia do indiv&iacute;duo traz uma outra    ang&uacute;stia: a liberdade de poder decidir por sua pr&oacute;pria vida. Com    o suporte de uma &eacute;tica moralista (paternalista) ou moral religiosa, o    indiv&iacute;duo n&atilde;o tinha que lidar com os conflitos frente &agrave;    pr&oacute;pria vida; as quest&otilde;es eram sempre decididas por terceiros,    como Deus ou a sociedade.</font></P>     <P><font size="3">Assim, acreditamos que a Declara&ccedil;&atilde;o Universal    dos Direitos do Homem traz esta nova percep&ccedil;&atilde;o &eacute;tica das    rela&ccedil;&otilde;es humanas, que &eacute; o reconhecimento da dignidade inerente    a todos os indiv&iacute;duos.</font></P>     <P><font size="3"><b>BIO&Eacute;TICA DA VIDA COTIDIANA</b> A bio&eacute;tica tem    se ocupado de quest&otilde;es fundamentais da humanidade que, seguramente, modificaram    nossa sociedade e o seu futuro, e que influenciam o comportamento do indiv&iacute;duo.    Por exemplo, como lidar eticamente com as novas defini&ccedil;&otilde;es de    in&iacute;cio e de fim da vida humana ou da qualidade de vida humana, o que    pode ser realizado do ponto de vista &eacute;tico em experimentos cient&iacute;ficos,    como lidar eticamente com o meio ambiente. Por&eacute;m, entendo que a bio&eacute;tica    d&aacute; pouca aten&ccedil;&atilde;o ao cotidiano da vida.</font></P>     <P><font size="3">A psican&aacute;lise, por sua vez, tamb&eacute;m lida com quest&otilde;es    fundamentais da humanidade s&oacute; que desde o v&eacute;rtice do indiv&iacute;duo,    mas que seguramente modificaram a sociedade. Por exemplo, a defini&ccedil;&atilde;o    de inconsciente, do conceito de puls&otilde;es diferenciando-as dos instintos    ou do conceito de puls&atilde;o de morte. Considero, no entanto, que a psican&aacute;lise    dedicou pouca aten&ccedil;&atilde;o a quest&otilde;es sociais.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Tanto a bio&eacute;tica quanto a psican&aacute;lise revolucionaram    a humanidade; a primeira partindo de uma percep&ccedil;&atilde;o externa do    ser humano e a outra, de sua percep&ccedil;&atilde;o interna. O que tentaremos    elaborar neste artigo &eacute; uma integra&ccedil;&atilde;o da bio&eacute;tica    com a psican&aacute;lise, pois seguramente ambas tem em comum a preocupa&ccedil;&atilde;o    &eacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es humanas e s&atilde;o valorizadas a partir    do v&eacute;rtice subjetivo.</font></P>     <P><font size="3">Neste esfor&ccedil;o, poder&aacute; se pensar o indiv&iacute;duo    e a sociedade de uma forma &uacute;nica, desde seu componente externo ou moral    e de seu componente interno ou &eacute;tico.</font></P>     <P><font size="3">A psican&aacute;lise surgiu como uma possibilidade de se entender    o indiv&iacute;duo, com suas caracter&iacute;sticas comuns, mas tamb&eacute;m    com suas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias. O indiv&iacute;duo em seu eterno    conflito, entre o retorno do reprimido e a sua necessidade de elabora&ccedil;&atilde;o    das puls&otilde;es para o conv&iacute;vio social, dever&aacute; processar esse    mal-estar da cultura. </font></P>     <P><font size="3">A psican&aacute;lise mostra-nos a import&acirc;ncia das fun&ccedil;&otilde;es    familiares (pai, m&atilde;e) na estrutura&ccedil;&atilde;o psicossocial do indiv&iacute;duo,    mostrando o quanto tais fun&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas permeiam as fun&ccedil;&otilde;es    biol&oacute;gicas. Assim, o desejo incestuoso, presente em todo ser humano,    tem a fun&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da m&atilde;e, de erotizar a crian&ccedil;a.    O limite a esta erotiza&ccedil;&atilde;o deve ser dado atrav&eacute;s da fun&ccedil;&atilde;o    do pai, que, no &acirc;mbito mental, &eacute; o representante da Lei (proibi&ccedil;&atilde;o    do incesto). Ser&aacute; gra&ccedil;as a esta primeira proibi&ccedil;&atilde;o    social que a crian&ccedil;a ir&aacute; apreender o significado de limites, possibilitando    estruturar seu funcionamento mental e seu ingresso &eacute;tico na cultura.    </font></P>     <P><font size="3">Como o indiv&iacute;duo pode apreender a cultura e as puls&otilde;es    para se conhecer e lidar com os limites sociais? A proibi&ccedil;&atilde;o do    incesto funciona como o organizador mental e social quando prop&otilde;e limites    &agrave;s puls&otilde;es, permitindo que o indiv&iacute;duo se relacione de    outra forma frente ao mundo, deixando de ser dominado por seus impulsos e passando    a ser um sujeito capaz de organizar suas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es.    Desse modo, a repress&atilde;o das puls&otilde;es incestuosas permite a forma&ccedil;&atilde;o    de uma estrutura mental com id, ego e superego, que possibilita a introje&ccedil;&atilde;o    de fun&ccedil;&otilde;es psicossociais e o respeito ao outro, que s&atilde;o    os fundamentos da bio&eacute;tica. </font></P>     <P><font size="3">Tendo este conflito entre as inst&acirc;ncias do aparelho mental    como base do desenvolvimento e do funcionamento humanizado, pensamos na reflex&atilde;o    bio&eacute;tica como a extens&atilde;o deste conflito para as rela&ccedil;&otilde;es    sociais.</font></P>     <P><font size="3">Esse processo, que se repetir&aacute; em cada indiv&iacute;duo    e dever&aacute; ser elaborado durante toda a vida, &eacute; o desafio da bio&eacute;tica.    </font></P>     <P><font size="3">Sabemos que a compreens&atilde;o do funcionamento mental do    ser humano surgiu a partir da tentativa de identifica&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o    do funcionamento psicopatol&oacute;gico. Assim, Freud elaborou uma teoria e    uma pr&aacute;tica do funcionamento humano; atrav&eacute;s do melhor conhecimento    dos sintomas de perturba&ccedil;&otilde;es mentais, ele pode compreender os    "comportamentos sintom&aacute;ticos" presentes na vida cotidiana,    como os lapsos de mem&oacute;ria, os sonhos, atos falhos, desenvolvimento da    sexualidade etc...</font></P>     <P><font size="3">Percebemos que a bio&eacute;tica surgiu da necessidade de compreender    e repensar os "sintomas" da sociedade moderna. A reflex&atilde;o bio&eacute;tica    surgiu atrav&eacute;s da percep&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as das rela&ccedil;&otilde;es    psicossociais ocasionadas pelos grandes avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e    tecnol&oacute;gicos, fazendo renascer o conflito entre ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas    e as ci&ecirc;ncias humanas. </font></P>     <P><font size="3">Isto pode ser observado, atualmente, quando se relaciona a bio&eacute;tica    &agrave; reflex&atilde;o sobre temas como eutan&aacute;sia, abortamento, reprodu&ccedil;&atilde;o    assistida, clonagem e terapias g&ecirc;nicas. Tais temas provocam conflitos    em valores pr&eacute;-estabelecidos socialmente, com mudan&ccedil;as bruscas,    como por exemplo, nas defini&ccedil;&otilde;es de vida, sa&uacute;de e morte.    Tais valores, por serem novos, necessitam da cria&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros    para serem incorporados na vida social e uma elabora&ccedil;&atilde;o individual.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Podemos pensar que tais temas s&atilde;o equivalentes aos sintomas    das doen&ccedil;as mentais e que, da mesma forma, a discuss&atilde;o e a reflex&atilde;o    sobre estes podem trazer luz &agrave; discuss&atilde;o bio&eacute;tica das situa&ccedil;&otilde;es    do cotidiano.</font></P>     <P><font size="3">Muitas pessoas nunca ter&atilde;o um contato pr&oacute;ximo    com situa&ccedil;&otilde;es como eutan&aacute;sia, clonagem e transfus&atilde;o    de sangue em testemunhas de Jeov&aacute;, e as discuss&otilde;es sobre esses    temas passam a ter para tais pessoas um cunho extremamente te&oacute;rico. Mas,    com certeza, os aspectos bio&eacute;ticos centrais dos temas estar&atilde;o    presentes em todas as rela&ccedil;&otilde;es humanas, como o reconhecimento    e o respeito &agrave; autonomia do outro e a no&ccedil;&atilde;o dos limites    e fun&ccedil;&otilde;es humanas e sociais.</font></P>     <P><font size="3">A bio&eacute;tica da vida cotidiana visa este tipo de reflex&atilde;o,    a reflex&atilde;o dos conflitos envolvidos nas rela&ccedil;&otilde;es humanas    do cotidiano. Tais conflitos aparecem desde procedimentos comuns na pr&aacute;tica    dos profissionais de sa&uacute;de, at&eacute; nos valores sociais contidos em    discuss&otilde;es como, por exemplo, a da redefini&ccedil;&atilde;o da maioridade    penal ou das fun&ccedil;&otilde;es familiares, proposta pelo novo C&oacute;digo    Civil. </font></P>     <P><font size="3">Outro exemplo pr&oacute;ximo e recente que pode ser pensado    &eacute; a epidemia de Sars. Esta epidemia refletiu, assim como outras doen&ccedil;as    infecto-contagiosas como a aids, a fragilidade da sa&uacute;de mundial e do    indiv&iacute;duo diante de quest&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais ou econ&ocirc;micas.    Os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos permitiram um r&aacute;pido conhecimento    sobre o v&iacute;rus, formas de cont&aacute;gio e prote&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m    os meios pelos quais estes atos foram realizados demonstraram a aus&ecirc;ncia    de uma reflex&atilde;o bio&eacute;tica sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias dessa    doen&ccedil;a frente &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es humanas. </font></P>     <P><font size="3">O valor real da percep&ccedil;&atilde;o bio&eacute;tica da vida    cotidiana &eacute; a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de leis universais, mas sim    situa&ccedil;&otilde;es novas a serem pensadas de uma forma bio&eacute;tica    coerente com pluralismo moral da humanidade. E, por outro lado, a pr&aacute;tica    bio&eacute;tica deve estar sustentada na diferencia&ccedil;&atilde;o dos limites,    tanto internos quanto externos, o que permite o respeito a si pr&oacute;prio    e ao outro. </font></P>     <P><font size="3">Nesse tipo de compreens&atilde;o, o anti&eacute;tico seria n&atilde;o    perceber as fun&ccedil;&otilde;es psicossociais, que s&atilde;o necess&aacute;rias    para o processo de individualiza&ccedil;&atilde;o. A onipot&ecirc;ncia do pensamento,    decorrente da incapacidade do reconhecimento do outro, caracteriza a perman&ecirc;ncia    no estado narc&iacute;sico e de rela&ccedil;&otilde;es de objeto, impossibilitando    o desenvolvimento bio&eacute;tico. A elabora&ccedil;&atilde;o desse estado &eacute;    necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente, para o pensamento bio&eacute;tico,    pois a falta de possibilidade de pensar, que consideramos como representante    da puls&atilde;o de morte, tamb&eacute;m &eacute; anti&eacute;tica.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Claudio Cohen</b> &eacute; m&eacute;dico, professor    respons&aacute;vel pela disciplina de bio&eacute;tica e presidente da Comiss&atilde;o    de Bio&eacute;tica na Faculdade de Medicina da USP;e membro da Comiss&atilde;o    de &Eacute;tica da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o    Paulo.    <br>   <b>Gisele Gobbetti</b> &eacute;    psic&oacute;loga do Departamento de Medicina Legal e &Eacute;tica M&eacute;dica    da Faculdade de Medicina da USP.</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">Cohen, C. <i>O incesto um desejo</i>. S&atilde;o Paulo, Casa    do Psic&oacute;logo,1993.</font><!-- ref --><P><font size="3"> Cohen, C. "Entre o belo narciso e o amor humano".    <i>Rev. Ide</i>, Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo,    1998.</font><!-- ref --><P><font size="3">Cohen, C. <i>Bio&eacute;tica e sexualidade nas rela&ccedil;&otilde;es    profissionais</i>. S&atilde;o Paulo, Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina.    1998. </font><!-- ref --><P><font size="3">Cohen, C.; Ferraz, F.C. "Direitos humanos ou &eacute;tica    das rela&ccedil;&otilde;es". <i>In:</i> Segr, M.; Cohen, C. <i>Bio&eacute;tica</i>.    S&atilde;o Paulo, Edusp 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. 2003. </font><!-- ref --><P><font size="3">Cohen, C.; Marcolino, J.A.M. "No&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas    e filos&oacute;ficas do conceito de sa&uacute;de mental". <i>In</i> Cohen,    C.; Ferraz, F.C., Segre, M. <i>Sa&uacute;de mental, crime e justi&ccedil;a</i>.    S&atilde;o Paulo, Edusp, p.13-24. 1996. </font><!-- ref --><P><font size="3">Faria, C.G. "Sexualidade e estrutura ps&iacute;quica".    <i>Rev. Bras. Psicanal.</i> vol. XXX (4): 791-797. 1996. </font><!-- ref --><P><font size="3">Freud, S. (1913) "Totem e tabu". <i>In</i> Freud,    S. <i>Obras completas</i>. Buenos Aires, Amorrortu, v.13. 1980. </font><!-- ref --><P><font size="3">Freud, S. (1920). "Mas all&aacute; del principio del placer"    (1920). <i>In</i> Freud, S. <i>Obras completas</i>. Buenos Aires, Amorrortu    ed., p.52-5. 1980. </font><!-- ref --><P><font size="3">Freud, S. (1930). "El malestar en la cultura". <i>In</i>    Freud, S. <i>Obras completas</i>. Buenos Aires, Amorrortu Ed. volume 21. 1980.    </font><!-- ref --><P><font size="3">Gobbetti, G.J. <i>Incesto e sa&uacute;de mental: uma compreens&atilde;o    psicanal&iacute;tica sobre a din&acirc;mica das fam&iacute;lias incestuosas</i>    - Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado da Faculdade de Medicina da USP. 2002.    </font><!-- ref --><P><font size="3">L&eacute;vi-Srauss, C. <i>Le strutture elementari della parentela</i>.    Milano, Feltrinelli, 1969. </font><!-- ref --><P><font size="3">Segre, M.; Cohen, C. <i>Bio&eacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo,    Edusp 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. 2003.</font> ]]></body><back>
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