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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a27img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3"><b>ARTE</b></font></p>     <p><FONT size="3"> A<small>US&Ecirc;NCIA DE LIMITES, CAR&Ecirc;NCIA DE RIGOR</small>?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">N&atilde;o h&aacute; limites de espa&ccedil;o, materiais ou    t&eacute;cnicas. A arte contempor&acirc;nea lembra um grande laborat&oacute;rio    de experimenta&ccedil;&atilde;o, transformando latinhas de alum&iacute;nio,    gomas de mascar, esponjas, carne, ossos, fios de cabelo e objetos que iriam    para o lixo em obras que comp&otilde;e as alas de galerias e bienais. "Quanto    mais banal o objeto, maior seu valor simb&oacute;lico e mais ricas podem ser    as leituras da obra", acredita Alfons Hug, curador da 26&ordf; Bienal de Arte    de S&atilde;o Paulo, inaugurada em setembro, seguindo at&eacute; 19 de dezembro.    Affonso Romano de Sant'Anna, autor do livro <i>Desconstruir Duchamp: arte na    hora da revis&atilde;o</i> n&atilde;o concorda: "est&atilde;o confundindo, simploriamente,    divertimento com arte". E prop&otilde;e uma interven&ccedil;&atilde;o interdisciplinar    da "chamada" arte contempor&acirc;nea. </font></p>     <p><FONT size="3">O que nasceu como espa&ccedil;o de liberta&ccedil;&atilde;o,    de provoca&ccedil;&atilde;o e den&uacute;ncia &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es    do sistema teria, ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos, se congelado num discurso    de que "tudo pode ser arte". A aus&ecirc;ncia de crit&eacute;rios,    certamente, dificulta o olhar do p&uacute;blico e dos pr&oacute;prios cr&iacute;ticos.    Saber o que &eacute; uma obra de arte e o que &eacute; mera disposi&ccedil;&atilde;o    de objetos pode ser apenas uma quest&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o?    Renina Katz, gravadora e professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e    Urbanismo da USP, considera que n&atilde;o existe mais um trabalho s&eacute;rio,    di&aacute;rio, de cr&iacute;tica de arte. "Percebo que o que se faz hoje    s&atilde;o apenas coment&aacute;rios laudat&oacute;rios ou descritivos, nunca    uma cr&iacute;tica no sentido de desvendar o mist&eacute;rio". Para o historiador    de arte da Unicamp, Nelson Aguilar, falta hoje no Brasil uma maior socializa&ccedil;&atilde;o    da arte, por meio de publica&ccedil;&otilde;es que facilitem o entendimento    do p&uacute;blico.</font></p>     <p><FONT size="3">Se n&atilde;o h&aacute; mais uma refer&ecirc;ncia segura por    parte de especialistas, como o p&uacute;blico leigo deve se comportar diante    de instala&ccedil;&otilde;es e obras criativamente inusitadas, que ele n&atilde;o    entende? Para Sant'Anna, o p&uacute;blico sente-se intimidado, sem saber como    reagir ou compreender as obras, atribuindo essa postura a sua pr&oacute;pria    ignor&acirc;ncia. </font></p>     <p><FONT size="3">J&aacute; Aguilar considera que o p&uacute;blico jovem brasileiro    identifica-se mais com a arte contempor&acirc;nea justamente por sair de uma    atitude apenas contemplativa e ser mais interativa e "visceral", do    que com obras de outra &eacute;poca, como as de Portinari, que precisariam ser    contextualizadas para fazerem sentido. </font></p>     <p><FONT size="3"><b>ENTRETENIMENTO</b> A &uacute;ltima bienal paulista recebeu    670 mil visitantes, tornando-se a mostra de arte contempor&acirc;nea mais visitada    no mundo em 2002. "Vejo no pa&iacute;s uma curiosidade extraordin&aacute;ria    no p&uacute;blico jovem, que &eacute; a maioria na bienal", afirma Hug. Para    Renina,por&eacute;m, quantidade nem sempre se traduz em qualidade, pois a freq&uuml;&ecirc;ncia    jovem &agrave;s exposi&ccedil;&otilde;es &eacute; semelhante &agrave;s visitas    ao Sal&atilde;o do Autom&oacute;vel, ou, por simples entretenimento. "&Eacute;    uma esp&eacute;cie de massa que segue o fluxo da corrente", acrescenta. Em 1936,    Walter Benjamin alertava, em seu conhecido ensaio sobre a reprodutibilidade    t&eacute;cnica das obras de arte, que &agrave; medida que a significa&ccedil;&atilde;o    social da arte diminu&iacute;sse se assistiria a um div&oacute;rcio crescente    entre o esp&iacute;rito cr&iacute;tico e a frui&ccedil;&atilde;o da obra.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3"><b>MUDAN&Ccedil;AS</b> Os padr&otilde;es est&eacute;ticos e    o conceito de arte t&ecirc;m mudado ao longo da hist&oacute;ria. Obras que,    no passado, dificilmente seriam qualificadas como art&iacute;sticas, hoje s&atilde;o    aceitas. &Eacute; o caso, por exemplo, do belga Jan Fabre que para tratar do    tema viol&ecirc;ncia desenha com o pr&oacute;prio sangue, ou do ingl&ecirc;s    Damien Hirst que exp&ocirc;s animais mortos mergulhados em formol. Para eles,    retratar a viol&ecirc;ncia cruamente &eacute; uma forma de arte provocativa    que leva a refletir sobre a vida contempor&acirc;nea. </font></p>     <p><FONT size="3">Chocar, incomodar e at&eacute; ofender s&atilde;o indicadores,    para alguns cr&iacute;ticos e artistas, de que a arte contempor&acirc;nea est&aacute;    atingindo o p&uacute;blico e modificando sua vis&atilde;o das coisas. Para outros,    no entanto, esse seria apenas um recurso para atrair p&uacute;blico e a aten&ccedil;&atilde;o    de curadores de exposi&ccedil;&otilde;es. &Eacute; o que antecipava Hannah Arendt,    em 1963, em seu ensaio "A crise da cultura", dizendo que o principal    produto da ind&uacute;stria cultural, a arte, seria consumida como mercadoria.    "Se n&atilde;o trabalhar a sensibilidade e n&atilde;o revelar outras realidades,    a arte contempor&acirc;nea, principalmente trabalhos que visam ser objetos de    esc&acirc;ndalo, perde sua fun&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de aperfei&ccedil;oamento    da subjetividade", enfatiza Renina.</font></p>     <p><FONT size="3">Para o psic&oacute;logo e membro da Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Cr&iacute;ticos de Arte, Carlos Perktold, os artistas contempor&acirc;neos    j&aacute; mostraram que a arte &eacute; um reflexo de uma &eacute;poca desumana,    violenta e de medo que foi o s&eacute;culo XX, mas agora espera mais deles.    "Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a &eacute;tica piorou e a globaliza&ccedil;&atilde;o    acabou por destruir o pouco que t&iacute;nhamos de humanismo. O humanismo ter&aacute;    maior chance de retornar quando a beleza voltar ao universo da arte", considera.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a27img02.gif"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><FONT size="3"><b><i>Germana Barata</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v56n4/a27img03.gif"></p>      ]]></body>
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