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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>A organiza&ccedil;&atilde;o internacional dos moradores de    rua </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Marcada pelo sofrimento e pela vulnerabilidade f&iacute;sica    constante, a vida dos moradores de rua se faz na luta di&aacute;ria em busca    da sobreviv&ecirc;ncia e da resist&ecirc;ncia &agrave; exclus&atilde;o. Mas    a condi&ccedil;&atilde;o de habitante das ruas oferece a possibilidade de um    olhar &uacute;nico sobre o cotidiano das grandes cidades do mundo. Ve&iacute;culos    de comunica&ccedil;&atilde;o, muitos dos quais pouco conhecidos, v&ecirc;m conferindo    visibilidade a esse olhar singular, oferecendo tamb&eacute;m alternativas de    trabalho remunerado e de subsist&ecirc;ncia para os moradores de rua. </font></p>     <p><font size="3">Uma das iniciativas mais bem-sucedidas internacionalmente s&atilde;o    os chamados <i>street papers</i>, jornais e revistas elaborados e/ou vendidos    por moradores de rua. No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a ser comemorado    em 3 de maio de 2005, ser&aacute; aberta, em Buenos Aires, na Argentina, a 10&ordf;    Confer&ecirc;ncia da International Network of Street Papers (INSP), uma rede    internacional que abrange as publica&ccedil;&otilde;es do g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="3">As &uacute;ltimas tr&ecirc;s confer&ecirc;ncias aconteceram    nas cidades europ&eacute;ias de Glasgow, Praga e Madri, respectivamente. Em    2004, o jornal de rua <i>Hecho en Buenos Aires</i> ofereceu-se para sediar a    pr&oacute;xima reuni&atilde;o. "Ser&aacute; bastante inspirador para os    membros da INSP, principalmente aqueles dos chamados pa&iacute;ses desenvolvidos,    conhecerem a produ&ccedil;&atilde;o de um jornal latino-americano feito com    poucos recursos financeiros e bastante criatividade", considera Lisa Maclean,    gerente de projetos da INSP.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Com a realiza&ccedil;&atilde;o de workshops e semin&aacute;rios,    a confer&ecirc;ncia pretende constituir-se num espa&ccedil;o para a troca de    experi&ecirc;ncias entre as publica&ccedil;&otilde;es. A novidade da pr&oacute;xima    reuni&atilde;o ser&aacute; o lan&ccedil;amento de uma ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias    denominada <i>Street News Service</i>, com o conte&uacute;do a cargo dos movimentos    sociais que trabalham com moradores de rua, e vinculados aos jornais e revistas    que fazem parte da INSP.</font></p>     <p><font size="3"><b>REDE DOS SEM-TETO</b> Sediada em Glasgow, na Esc&oacute;cia,    a rede re&uacute;ne 55 publica&ccedil;&otilde;es de 28 pa&iacute;ses, respons&aacute;veis    pela circula&ccedil;&atilde;o total de 26 milh&otilde;es de exemplares por ano.    Todas as publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o editadas em papel de boa qualidade,    apresentam projetos gr&aacute;ficos inovadores e, al&eacute;m de quest&otilde;es    ligadas ao cotidiano dos moradores de rua, abordam assuntos relacionados a arte,    entretenimento, projetos sociais e comportamento. A rede come&ccedil;ou a ser    tecida em 1991, com a revista inglesa <i>The Big Issue</i>, inspirada na iniciativa    do <i>Street Journal</i> vendido pelos chamados <i>homeless</i> (sem-teto) de    Nova York.</font></p>     <p><font size="3">Os moradores de rua que decidem tornar-se vendedores dos jornais    e revistas da rede recebem treinamento, uniforme, crach&aacute; de identifica&ccedil;&atilde;o.    Devem respeitar um c&oacute;digo de conduta que n&atilde;o permite vender a    revista sob o efeito de drogas ou acompanhado de crian&ccedil;as. Cada vendedor    recebe uma cota de exemplares e fica com o dinheiro resultante das vendas. O    objetivo &eacute; que a intera&ccedil;&atilde;o entre vendedores e compradores    dos <i>street papers</i> permita aos moradores de rua reconstruir v&iacute;nculos    sociais e retomar, de forma independente, projetos de vida, por meio de um trabalho    remunerado. </font></p>     <p><font size="3"><b>EXPERI&Ecirc;NCIAS NO BRASIL</b> Duas publica&ccedil;&otilde;es    brasileiras integram a INSP: a revista Ocas da Organiza&ccedil;&atilde;o Civil    de A&ccedil;&atilde;o Social, entidade criada em 2002 em S&atilde;o Paulo e    no Rio de Janeiro, e o jornal <i>Boca de Rua</i>, de Porto Alegre, que j&aacute;    participou de duas confer&ecirc;ncias da INSP.</font></p>     <p><font size="3">Embora fa&ccedil;a parte da rede, cada jornal ou revista executa    seu projeto de forma aut&ocirc;noma e coerente com a realidade da qual faz parte.    O jornal <i>Boca de Rua</i>, por exemplo, atua de modo diferente da grande maioria    das publica&ccedil;&otilde;es que integram a INSP. Na medida em que s&atilde;o    apenas vendidas por moradores de rua, poucas delas t&ecirc;m o seu conte&uacute;do    integralmente feito por eles, j&aacute; que o objetivo principal desses jornais    e revistas &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o de renda. "A proposta do <i>Boca    de Rua</i> &eacute; diferente: &eacute; dar voz a quem n&atilde;o tem. Nossa    meta &eacute; conferir cidadania aos moradores de rua, por meio de um projeto    de comunica&ccedil;&atilde;o", afirma Rosina Duarte que, juntamente com    Clarinha Glock e Eliane Brum, criaram o <i>Boca de Rua</i> no ano de 2000. As    jornalistas s&atilde;o respons&aacute;veis pela reuni&otilde;es semanais de    pauta e pela edi&ccedil;&atilde;o final do jornal. Boa parte da finaliza&ccedil;&atilde;o    consiste na transposi&ccedil;&atilde;o da linguagem oral para a escrita, j&aacute;    que a maioria dos 35 moradores de rua que produzem o conte&uacute;do do jornal,    &eacute; analfabeta. O tema de cada edi&ccedil;&atilde;o, as reportagens, fotografias    e ilustra&ccedil;&otilde;es s&atilde;o discutidos e produzidos pelos moradores    de rua, que tamb&eacute;m escolheram o nome e o logotipo do jornal.</font></p>     <p><font size="3">A experi&ecirc;ncia do <i>Boca de Rua</i> permite, assim, lembrar    uma faceta pouco discutida a respeito dos moradores de rua: a sua exclus&atilde;o    cultural. "A exclus&atilde;o cultural e a material n&atilde;o devem ser    concebidas de modo isolado, pois s&atilde;o simult&acirc;neas. Buscar a integra&ccedil;&atilde;o    social dos moradores de rua fornecendo-lhes apenas a alternativa para a sobreviv&ecirc;ncia    econ&ocirc;mica — ou comida e abrigo — &eacute; importante, por&eacute;m insuficiente.    Essas pessoas procuram, como quaisquer outras, um sentido para a sua exist&ecirc;ncia    e s&oacute; por meio da cultura &eacute; que essa busca se faz poss&iacute;vel",    afirma a antrop&oacute;loga Cl&aacute;udia Magni, da Universidade de Santa Cruz    do Sul (RS).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"> <i><b>Carolina Cantarino</b></i></font></p>      ]]></body>
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