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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a06fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">RECURSOS H&Iacute;DRICOS</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Pol&ecirc;mica marca projeto de transposi&ccedil;&atilde;o    do rio S&atilde;o Francisco </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Quase t&atilde;o antiga quanto a seca, a id&eacute;ia de levar    a &aacute;gua do Rio S&atilde;o Francisco para outras bacias hidrogr&aacute;ficas    voltou ao cen&aacute;rio pol&iacute;tico brasileiro. A pol&ecirc;mica se arrasta    desde o Imp&eacute;rio e, se depender apenas da vontade do atual governo, o    impasse est&aacute; resolvido e as obras come&ccedil;am nos pr&oacute;ximos    meses. A previs&atilde;o &eacute; come&ccedil;ar investindo R$ 1,073 bilh&atilde;o,    apenas uma pequena parcela dos R$ 6,5 bilh&otilde;es projetados para a obra    ao longo de 20 anos. A oposi&ccedil;&atilde;o ao Projeto da Transposi&ccedil;&atilde;o    do S&atilde;o Francisco, renomeado pelo atual governo como Projeto de Integra&ccedil;&atilde;o    das Bacias, vem de especialistas em recursos h&iacute;dricos, ambientalistas,    dos pr&oacute;prios comit&ecirc;s das bacias e de comunidades locais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Entre as perguntas levantadas por eles, est&atilde;o a vaz&atilde;o    do rio e sua capacidade efetiva de abastecer outros rios; o custo final da &aacute;gua;    o real uso futuro, se industrial ou humano; o impacto ambiental; e o alto custo    do projeto. A regi&atilde;o mais seca do pa&iacute;s e seus 12 milh&otilde;es    de habitantes s&atilde;o o principal foco da proposta, de acordo com o Relat&oacute;rio    de Impacto Ambiental (Rima) mais recente, de julho de 2004. Ela abrange parcialmente    os estados de Pernambuco, Cear&aacute;, Para&iacute;ba e Rio Grande do Norte.    As bacias hidrogr&aacute;ficas que podem receber 3,5% da vaz&atilde;o do S&atilde;o    Francisco seriam a do rio Jaguaribe (CE), rio Piranhas-A&ccedil;u (PB e RN),    rio Apodi (RN), rio Para&iacute;ba ( PB) e rios Moxot&oacute;, Terra Nova e    Br&iacute;gida (tamb&eacute;m de Pernambuco, que fazem parte da pr&oacute;pria    bacia do S&atilde;o Francisco).</font></p>     <p><font size="3"><b>OPOSI&Ccedil;&Atilde;O</b> "Como defender que o S&atilde;o    Francisco leve &aacute;gua para o Cear&aacute; se n&oacute;s aqui em Delmiro    Gouveia (AL), ao lado do rio, estamos sempre atr&aacute;s de carros-pipa?",    questiona o padre Heraldo Joaquim Cordeiro. Ele participa de manifesta&ccedil;&otilde;es    da oposi&ccedil;&atilde;o, em passeatas com sem-terra, &iacute;ndios, colonos,    pequenos agricultores e moradores da regi&atilde;o do subm&eacute;dio S&atilde;o    Francisco, de onde ser&aacute; desviada a &aacute;gua atrav&eacute;s de canais.    Padre Heraldo defende o investimento oficial em projetos alternativos, onde    a pr&oacute;pria comunidade participe do controle. "A &aacute;gua no Nordeste    sempre esteve atrelada ao coronelismo. Isso precisa mudar". </font></p>     <p><font size="3">O ge&oacute;grafo da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP),    Antonio Carlos de Moraes, tamb&eacute;m defende maior participa&ccedil;&atilde;o    das comunidades. "H&aacute; muito tempo n&atilde;o h&aacute; no Brasil uma obra    dessa magnitude, como foi a Transamaz&ocirc;nica, por exemplo. Elas t&ecirc;m    um potencial muito grande de transforma&ccedil;&atilde;o, por isso deveriam    ser mais discutidas com a sociedade". Moraes entende que quest&otilde;es t&eacute;cnicas    fundamentais — como vaz&atilde;o — ainda n&atilde;o est&atilde;o esclarecidas    sequer para os estudiosos. "H&aacute; um lobby poderoso das empreiteiras atuando    pr&oacute;-obra, que vai al&eacute;m das for&ccedil;as dos estados. N&atilde;o    acho que deveria ter a prioridade que est&aacute; tendo, porque n&atilde;o &eacute;    a salva&ccedil;&atilde;o anunciada. Isso tudo camufla a falta da discuss&atilde;o    sobre o problema da estrutura fundi&aacute;ria", acrescenta o professor.</font></p>     <p><font size="3"><b>PROJETO DE ENGENHARIA</b> A obra implica na constru&ccedil;&atilde;o    de 720 quil&ocirc;metros de canais. No eixo norte, 420 quil&ocirc;metros canalizados    levariam &aacute;gua para os rios Jaguaribe, Piranhas-A&ccedil;u e Apoti, onde    estariam previstos projetos de agricultura irrigada. No eixo leste, seriam constru&iacute;dos    outros 220 quil&ocirc;metros de canais para aumentar a vaz&atilde;o do Moxot&oacute;,    Para&iacute;ba e demais rios, para uso da popula&ccedil;&atilde;o urbana e das    ind&uacute;strias. O Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental (Rima) aponta 44    transforma&ccedil;&otilde;es prov&aacute;veis decorrentes da obra, das quais    12 positivas e 32 negativas, entre as quais 11 foram consideradas mais relevantes.</font></p>     <p><font size="3">Para o vice-governador do Cear&aacute;, Francisco Queir&oacute;z    Maia J&uacute;nior, a obra &eacute; uma boa not&iacute;cia, refor&ccedil;ando    o discurso do ministro da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, Ciro Gomes, que    &eacute; o porta-voz do governo sobre o projeto. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a06fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>PROBLEMA EST&Aacute; NA DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O</b> Para    o engenheiro agr&ocirc;nomo especializado em recursos h&iacute;dricos da Funda&ccedil;&atilde;o    Joaquim Nabuco, de Recife (PE), Jo&atilde;o Suassuna, o problema n&atilde;o    &eacute; a falta d'&aacute;gua, porque h&aacute; potencial h&iacute;drico suficiente,    constata&ccedil;&atilde;o consensual entre t&eacute;cnicos que se reuniram em    agosto na capital pernambucana para debater o projeto de transposi&ccedil;&atilde;o.    "O que falta &eacute; gerenciar os recursos e estabelecer crit&eacute;rios",    diz Suassuna. Segundo ele, dois estados que receberiam as &aacute;guas do S&atilde;o    Francisco (RN e CE) j&aacute; possuem bacias hidrogr&aacute;ficas que atendem    a sua demanda atual. No Cear&aacute; localiza-se a maior represa nordestina,    do Castanh&atilde;o, com 6,7 bilh&otilde;es de m<sup>3</sup> de &aacute;gua;    no Rio Grande do Norte est&aacute; a segunda maior, a represa Armando Ribeiro    Gon&ccedil;alves, com volume de 2,4 bilh&otilde;es de m<sup>3</sup> de &aacute;gua.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a06fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O pesquisador chama a aten&ccedil;&atilde;o, ainda, para o custo    da &aacute;gua previsto para o final da obra. Ele avalia que ser&aacute; um    valor elevado para as atividades agr&iacute;colas nas bacias receptoras, se    comparado ao valor praticado hoje em Petrolina (PE), nas terras irrigadas pela    Companhia de Desenvolvimento do Vale do S&atilde;o Francisco e do Parna&iacute;ba    (Codevasf). A previs&atilde;o &eacute; de que a &aacute;gua custar&aacute; R$    0,11 por m<sup>3</sup>, sem bombeamento, enquanto em Petrolina custa hoje R$    0,023 por m<sup>3</sup>, incluindo bombeamento at&eacute; a propriedade. "Seria    um valor proibitivo para irriga&ccedil;&atilde;o", conclui. Ao longo do leito    do rio s&oacute; 10% das terras f&eacute;rteis e agricultur&aacute;veis est&atilde;o    irrigadas pela Condevasf.</font></p>     <p><font size="3"><b>REVITALIZA&Ccedil;&Atilde;O</b> Jo&atilde;o Paulo de Aguiar,    adjunto da presid&ecirc;ncia da Companhia Hidro El&eacute;trica do S&atilde;o    Francisco (Chesf), respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o de 95% da energia    do Nordeste, pondera que a prioridade &eacute; a revitaliza&ccedil;&atilde;o    do rio. "A Chesf n&atilde;o &eacute; dona da &aacute;gua. Ela a utiliza para    gerar energia, sem consumi-la. N&atilde;o temos nenhuma rela&ccedil;&atilde;o    com a transposi&ccedil;&atilde;o. Mas a obriga&ccedil;&atilde;o da empresa &eacute;    discutir os seus desdobramentos. N&oacute;s defendemos de imediato a revitaliza&ccedil;&atilde;o    do S&atilde;o Francisco e temos interesse nisso, por isso vamos investir R$    6 milh&otilde;es, em 2005, em projetos para diminuir a polui&ccedil;&atilde;o    e o desmatamento, al&eacute;m do controle de qualquer altera&ccedil;&atilde;o    do regime h&iacute;drico", diz Aguiar. Ao longo da extens&atilde;o do rio, s&atilde;o    504 munic&iacute;pios, dos quais 90% n&atilde;o t&ecirc;m tratamento de esgoto.    As &aacute;guas recebem, ainda, despejos industriais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Adriana Menezes e Andr&eacute; Gardini viajaram    ao baixo e subm&eacute;dio S&atilde;o Francisco com apoio da TAM e da Chesf.</b></i></font></p>      ]]></body>
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